O apocalipse zumbi começou!

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Em quase todo filme de apocalipse zumbi, tenta-se entender o que foi que ocorreu para que a humanidade tivesse esse triste fim: se autodevorar. Na maioria dos filmes ou séries, a infestação zumbi ocorre devido a um vírus fatal que é transmitido por contato com os fluidos corporais (tais como sangue ou saliva). A pessoa que foi mordida por um zumbi será infectada através da ferida e assim o vírus se espalhará pela corrente sanguínea. Nesse meio tempo pode-se dizer que a pessoa já é um zumbi em potencial, mas ainda está em processo de infecção. O processo de zumbificação sempre é algo que primeiro ocorre dentro das células para depois manifestar-se no corpo como um todo: o zumbi completo.

Penso que nossa sociedade já está se zumbificando. Não, pessoas não estão literalmente mastigando e deglutindo pedaços dos corpos uns dos outros (salvo raras exceções psicopáticas). Não, o que vejo é que pessoas estão devorando umas as outras no sentido de não ver o outro como alguém que é igual a você, sequer da mesma espécie, mas pessoas estão vendo umas às outras como "presas". Presas no sentido de fonte de alimento, de poder, de prazer, de riqueza, de estabilidade, de facilidades, etc. Pessoas deixaram de ser pessoas e são vistas como caça, objeto, coisa, não-ser.

Caso o leitor ou leitora pense da mesma forma, pode também se perguntar se existe algum motivo oculto, como o vírus que causa a zumbificação, para que as coisas estejam se desenvolvendo dessa forma. Alguns vão alegar que isso é culpa do sistema capitalista, que torna as pessoas automatizadas e insensíveis. Outros podem dizer que o ser humano sempre foi assim, que isso é normal. A verdade, no entanto, é que nem o ser humano é assim por natureza nem é culpa do sistema. Se essas atitudes fossem normais no ser humano, ninguém (inclusive eu) estranharia isso. Temos, intrinsecamente, um sistema moral que nos mostra o que é coerente e o que não é. Daí não gostarmos quando alguém nos machuca ou quando não alcançamos nossas metas. Sabemos que algo está errado, que não está coerente com o que deveria ser. Tampouco é culpa do sistema, pois o sistema é nossa criação, para nosso uso, e se está falho e sabemos disso, não deveríamos ser ao menos capazes de agir diferente?

As coisas não são diferentes porque não queremos que sejam ou não fazemos nada para mudá-las. Sei disso porque sempre fui muito bom em não fazer nada para que as coisas fossem diferentes. Um exemplo: achamos os políticos que aí estão ruins, mas, nós, que nos consideramos mais honestos que eles, não nos candidatamos à nenhum cargo na política. Resultado: eles irão governar em nosso lugar.

Não gostamos de como os relacionamentos humanos estão se desenvolvendo: mentiras, traições, jogos de interesse, infidelidade, banalização dos sentimentos, falsidade, desrespeito, falta de amor, etc. No entanto, quando nos relacionamos o que fazemos? mentiras, traições, jogos de interesse, infidelidade, banalização dos sentimentos, falsidade, desrespeito, falta de amor, etc. Não percebemos que aquilo que criticamos nos outros é exatamente aquilo em que falhamos também.

O problema sempre foi interno. O mundo não acabará com uma invasão alienígena, mas em um apocalipse zumbi. O homem devora o homem. O homem é o mal do outro homem. Ou, como já disse Hobbes: "O homem é o lobo do homem". Nossas "células espirituais" são expostas todos os dias ao vírus mortal do egoísmo, da indiferença, da falta de Deus, da autodivinização. Centramos o mundo em nós e vemos as outras pessoas como aqueles que deveriam se render à nossa sabedoria e poder e nos adorar. No fim, terminamos devorando os outros, sugando suas energias e consumindo seus juízos de tanto infernizá-las com nosso egoísmo.

Ninguém está livre de se tornar um zumbi. Basta deixar o mal agir em nós e seguirmos o curso do egoísmo e da indiferença pelo outro. Logo, não veremos mais ninguém como nosso pai, nossa mãe, nossos irmãos e irmãs, ou nosso próximo. Todos serão apenas pedaços de carne suculenta, comida para nossos estômagos em decomposição egoísta e lenta.

O propósito de Deus não é esse. Mas é: ame ao seu próximo como a si mesmo. O próximo é um ser humano como você, tentando sobreviver ao apocalipse zumbi. No entanto há uma diferença: todos estamos infectados e para se tornar um zumbi completo basta deixar o egoísmo tomar conta. Para evitar isso, é importante lembrarmos que somos todos seres humanos, uma só espécie, sem presas ou predadores, mas pessoas que querem viver e precisam umas das outras para isso. Somos fracos e falhos e algumas vezes o vírus pode se tornar mais forte em nossos organismos. Apenas com os anticorpos do Espírito e com a ajuda dos nossos irmãos e irmãs de espécie é que poderemos nos manter menos centrados em nós mesmos e reconhecer uns aos outros como iguais. Precisamos ficar juntos para melhor sobreviver. Unidos somos mais fortes. Os que não deixarem o egoísmo de lado estarão fadados à isolar-se e, assim, morrer como pessoas para viverem a eterna fome de ser... humano.

Fazendo um parêntese


Porquería

Por que escrever quando estou triste
Se posso simplesmente chorar

Por que escrever quando tenho uma grande ideia
Se posso colocá-la em prática, abrindo um largo sorriso

Por que os porquês têm acento às vezes sim às vezes não
Se eles são sempre por que

Por que a gramática atravessa as palavras
Se as palavras já falam por si mesmas

Por que um poema só porque quero perguntar por quê



Muita gente tem dificuldade com os porquês. É uma confusão só: quando uso por que separado e sem acento? E quando ele deve ser junto e sem acento? Ah, tem também separado com acento, quando uso? E aquele que é junto e com acento? Na verdade é bem simples, quer ver? Por que, separado e sem acento para fazer perguntas – seja no início ou no meio da frase; junto e sem acento, para dar respostas, explicações e justificativas também no início ou no meio da frase. Já o separado com acento faz apenas perguntas no final da frase. Por fim, o junto com acento vem precedido de um artigo – o chamado por que substantivado. Facinho, né? Mas insistimos em complicar, isto porque, na hora de empregar os porquês queremos lembrar as regras em vez de pensar nos sentidos que eles estabelecem. As regras são importantes e nos dão um direcionamento necessário, mas é o sentido que desejamos estabelecer que vai determinar o que dizemos e como dizemos. Por isso, pense que se o que você vai dizer tem valor, sentido de resposta, então o porque deve estar juntinho, bem amarradinho e concatenado como uma resposta deve ser. Por outro lado, se quiser estabelecer a dúvida, o questionamento, a pergunta, coloque o por que separado, pois a pergunta não tem nada no lugar, ela quer se encontrar. Daí, se você quer dar esse mesmo sentido de pergunta, mas for colocar o por quê lá no final de toda a confusão, coloque ainda mais um acessório – o chapeuzinho (acento circunflexo) – para enfatizar ainda mais a sua expressão de dúvida! E se o sentido que você quiser empregar for de uma palavra, tal que você não sabe qual exatamente, mas que de alguma forma designa o que você deseja dizer, deixe o porquê juntinho, todo arrumadinho, com um chapeuzinho também para dar um charme!
Se depois de todo esse papo furado, você ainda quiser saber o porquê dos porquês, use separado sem acento! Tipo assim: Por que Deus me salvou? Por que Ele me escolheu para ser seu servo? Por que devo pregar o Evangelho? Por que ir à igreja? Por que coisas ruins acontecem aos filhos de Deus? Por que o mundo rejeita a Cristo? Por que...?
Ao fazer todas essas perguntas, podemos perceber que um “por que” pode ter vários significados. De gramatical a semântico, como vimos na primeira parte deste texto. E daí à muitas outras possibilidades de significação a depender também de nossa visão de mundo e da capacidade de leituras variadas. Se nos concentrarmos apenas no campo cristão, vemos em Gálatas que quando Paulo questiona a rapidez com que a igreja esqueceu os preceitos de Cristo, não somente prestamos atenção se ele colocou o “por que” separado e sem acento – como deve ser para se fazer perguntas – mas, observamos que ele está preocupado com coisas que vão além das aparências; mais do que isto, com coisas que vão além das regras (restritas aos dez mandamentos “seguidas fielmente pelos judeus”). Observamos ainda que não é somente Paulo quem realiza questionamentos nesta carta mas a igreja dos gálatas também questiona os preceitos de Cristo– circuncisão/ incircuncisão, liberdade/servo -, por conseguinte, nós leitores ainda questionamos os preceitos de Cristo, pois há muita coisa envolvida acerca das coisas de Deus que devem ser o centro de nossas vidas e de nossas preocupações. Entretanto, o questionamento não deve se dar com o coração turbado, mas com o coração sereno, confiante na ação do Espírito Santo!.
Para isso, Cristo nos responde com alguns porquês: “Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.” Gl 2:19; “Não aniquilo a graça de Deus, porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.” Gl 2:21; “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vosso corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.” Gl 4:6...Esses “porquês”, juntinhos e sem acento, longe de serem respostas e explicações totalmente claras e objetivas, nos levam a pensar ainda mais e a fazer outras perguntas que ao passo que se faz necessário e relevante, Deus vai respondendo, segundo a medida que Ele define melhor para nós. Portanto, não façamos tanta confusão com os porquês, porque tudo pertence a Deus, e é Ele quem nos guia, não as aparências, ou as regras ou nossa ansiedade, mas é o sentido que Ele quer dar às nossas vidas e através das nossas vidas ao mundo que verdadeiramente importa. Que nossos porquês busquem a vontade do Senhor com calma e fé!
Enquanto isso, Paulo faz um parêntese “(Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios)” Gl 2:8. Por quê?