(DES) angústia




O prefixo des- está em alta nesses tempos pós-modernos. E serve para ornamentar palavras e expressões difíceis como “desreferencialização do real” e “dessubstancialização do sujeito”. Palavrões, não? Vejamos, imagine que você precisa comprar um carro para uma mobilidade mais eficaz dentro da cidade, você vai a uma concessionária e em lugar de comprar um carro por suas qualidades técnicas, você compra um carro por causa do seu design, seu nome, ou seja, por fatores que aparecem na sua publicidade. De fato, você não está comprando um carro, mas o discurso criado sobre o carro. Assim, tanto a realidade (o carro, objeto) quanto você (o sujeito) estão vazios - são apenas alegorizações de discursos midiáticos sem substância e sem personalidade, porque ao buscar a diferença seguindo as modas e propagandas, todos acabam sendo iguais.
            Iguais! Todos deveríamos ser iguais, não é mesmo? Mas iguais segundo a ótica cristã e não segundo os (des)padrões deste mundo, dessa sociedade deturpadora e alienante. Paulo há muito nos avisa: “Não vos conformeis com este mundo.” (Romanos 12:1). No pós-modernismo, podemos dizer: Vos desconformeis deste mundo. Vão na direção contrária, oposta, neguem este mundo, separem-se dele. Esse mesmo prefixo des-, tanto pode representar um completo vazio, como pode por outro lado representar uma atitude de observância da palavra de Deus, pois Paulo continua: “mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. Transformai-vos, cristãos, seguindo na direção contrária, estando em descompasso com o mundo!
            É claro que andar na contramão não é fácil! Lembremos o caso de Luís da Silva e Marina, personagens do romance Angústia, do grande Graciliano Ramos. Ambos de condições pobres são vizinhos. Luís da Silva é funcionário público e vive assando e comendo como se diz. Marina é única filha de um casal que luta ainda mais que Luís para sobreviver. Luís se apaixona por Marina e deseja casar com ela, tudo como manda o figurino, quer dizer, nem tanto assim, porque lhe faltava dinheiro para comprar vestido de noiva, camisa de seda, véu, grinalda, sapatos novos, sem falar no enxoval e todo esse figurino que acaba por se tornar mais importante do que o próprio matrimônio. Foi o que aconteceu com Marina. Ela queria tudo isso, mesmo sendo pobre, era cheia de futilidades, por isso, ao ver seu noivado magro, decidiu enrabichar-se com Julião Tavares – rapaz rico, comerciante, cheio de lábia – que a engravidou e a abandonou para correr atrás de outras saias. Luís endoideceu com a atitude de Marina. Ele gostava da moça, queria casar, endividou-se, gastou todas as economias para enfim vê-la se entregar a outro homem por causa de dinheiro. Isto lhe causou uma angústia tão grande que o leitor compartilha vivamente a cada página como se não saísse do lugar, remoendo ali aquelas insanidades e desatinos. Marina tinha ganas de ser igual às mulheres da sociedade e acabou sendo mais uma mulher pobre, mãe solteira, analfabeta, reproduzindo essa vida angustiante. Luís da Silva enlouqueceu e acabou sendo mais um homem pobre que se esforçou para ter uma vida comum, mulher, filhos, trabalho digno, mas que ficou apenas à margem.
Nesse caso, as personagens andam na contramão da vida plena e feliz em Jesus Cristo, porque excluídas e marginalizadas por elas mesmas, consideradas frutos do meio preferiram seguir conformadas ao sistema ao criar uma reviravolta, uma desangústia! Não podemos ficar como Marina e Luís da Silva, encurralados. Marina poderia ter escolhido outras formas de crescer economicamente, como Luís da Silva poderia ter encontrado outra mulher que lhe correspondesse emocionalmente. Assim como nós podemos também andar na contramão do conformismo e da angústia provocada por anseios e ambições deste mundo, transformando nossa mente e dizendo um grande e enorme prefixo DES- para essas coisas. Fazendo o trocadilho “acontece na vida, acontece na literatura”. Vamos escrever uma vida de desangústia, de não para tudo que seja contrário a Cristo e a vida repleta de gozo e satisfação que Ele deliberadamente nos dá!

EU ACREDITO!

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Em um dos episódios de One Piece, um dos melhores animes da atualidade, o pirata Monkey D. Luffy é ridicularizado por acreditar que existe uma "ilha no céu". Na taverna lotada, os piratas começam a mangar dele, caçoar, zombar e, em seguida, começam a esmurrá-lo e agredí-lo fisicamente por também acreditar que existe o "One Piece", lendário tesouro escondido do pirata Gol. D. Roger, e por nutrir o sonho de ser o "Rei dos piratas". Em nenhum momento, Luffy se mostra disposto a revidar, mas permite que os piratas no bar o machuquem e espanquem o quanto quiserem sem ao menos reclamar. Ele também ordena ao seu companheiro espadachim, Zoro, que não revide as agressões, mas se deixe espancar também.

Os piratas espancam os dois por acharem ridículo que piratas ainda acreditem em sonhos como ilhas no céu ou tesouros escondidos. Eles, primeiro, acham ridículo e engraçado, mas como a tripulação dos chapéu de palha se mostra firme em seus sonhos e convicções, eles ficam enraivecidos e começam a bater neles.

A atitude de Luffy, que termina sendo jogado para fora da taverna todo ensanguentado, causa estranhamento em Nami, navegadora do navio de Luffy. Ela sabe que seu capitão é forte e que, se quisesse, poderia ter dado uma surra nos agressores. Ela não entende porque ele simplesmente se deixa espancar e ser escorraçado do bar sem sequer protestar. Um pirata, que está do lado de fora da taverna responde por Luffy as indagações de Nami. Ele diz para Nami que homens sem sonhos não são homens, não são nada. Por fim ele aconselha: "Deixem que eles riam. Se você está em busca do pico, vai passar por batalhas que não se ganham apenas com músculos. Siga em frente!".

Este episódio, particularmente bom para mim, me fez pensar em nossa sociedade, que age da mesma forma que os piratas do bar que espancaram Luffy. Hoje, acreditar em qualquer coisa é motivo de piada e mais: é motivo de raiva e ódio naqueles que não acreditam mais em nada. Se você se mostra crédulo em algo, como por exemplo, em Deus, você vira motivo de piada para essa sociedade dominada pela "lógica" e pela desconfiança. É proibido acreditar em Deus, em conceitos absolutos, no Amor, nas pessoas ou em sonhos.

Desaprendemos a ter sonhos e ter esperança. Estamos sendo condicionados a ter os "pés no chão" da desilusão. Acreditar que "a fé é a substância das coisas esperadas, a prova das coisas não vistas" (Hebreus 11:1) é non-sense, ilógico. O Mundo (sistema maligno que governa a ideologia das pessoas não alcançadas pela Graça de Deus) diz que esse negócio de Jesus, Deus, Amor, etc. é tudo criação nossa e que não deve ser levado em consideração. Que vencer é seguir as regras da competitividade e conseguir realizar nossos desejos.

Em tempos de descrença, cabe-nos seguir a atitude de Luffy e permanecer sonhando. Sonhando com o fim das mazelas e a descida da "Ilha do céu", que traz consigo a instituição definitiva do Reino de Deus entre os homens. Nossa crença não deve, no entanto, servir para que "revidemos na mesma moeda" as agressões sofridas, nem que percamos tempo tentando explicar pela lógica deste mundo a lógica das coisas do "outro mundo". Não se pode discutir com quem não sonha, com quem não enxerga o invisível. Poderemos até ter de aguentar muitas agressões sem revidar. Isso não nos faz piores ou menos capazes mas isso indica que nossos sonhos não podem ser explicados pois não são fruto da lógica e não podem ser incutidos em ninguém, mas surgem, como o profeta Zacarias já disse: "Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos" (Zacarias 4:6b). Não se discute com os loucos que não percebem a insanidade de sua lógica racional em meio a tantas evidências ilógicas para existirmos e vivermos. Basta-nos manter nossa fé e permancer afirmando, mesmo ante aos ataques: EU ACREDITO!

Bárbaros guerreiros!


A palavra bárbaro oriunda do grego antigo βάρβαρο, significa não-grego. Os gregos a usavam para designar os estrangeiros, qualquer um que não fosse grego. Depois, passou a denotar também pessoa não-civilizada e, entre outras coisas, individualmente, bárbaro passou a denotar pessoa mal-educada, muito bruta, sem piedade, insensível. 

Etimologias à parte, no RPG “Champions of Norrath”- aliás, muito bom! Recomendo! -, há cinco categorias de guerreiros: elfo negro, elfo da floresta, clérigo, mago, e o bárbaro. Nesse caso, o guerreiro é um bárbaro, e essa característica distintiva (bárbaro), mais que nacionalidade, descreve o caráter forte, destemido, instintivo desse guerreiro. Além disso, ele é mais frio na batalha, porque o bárbaro quer matar o inimigo e para isso se mete com tudo na frente de batalha ao invés de preparar estratégias e agir com cautela. E aqui poderíamos até confundir ser bárbaro e agir de modo bárbaro. De fato, enquanto guerreiro “of Norrath”, ser bárbaro implica em ser mais forte, consequentemente, lutar com mais brutalidade e impiedade. Mas, ser impulsivo e digamos “demolidor” nesse caso não é algo negativo porque o guerreiro sabe bem quem ele é – Bárbaro! -, e contra quem ele luta. Desse modo, os atos bárbaros são realmente válidos. Com isso, enfatizo que primeiro ele é guerreiro e depois bárbaro. Pois o contrário disso, um bárbaro, alguém mal, bruto, que não mede as consequências de sua brutalidade, pode lutar lutas erradas e cometer suicídio ao invés de bravura.

Bom, comecei a pensar sobre essas coisas quando reli as seguintes palavras de Tiago:

Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” Tiago 1:13-14

Vejamos, Tiago é bem claro ao mostrar que somos tentados pelos nossos próprios pecados, pelo que há dentro de nós, pela nossa velha natureza. Alusivamente, poderíamos dizer que nossa velha natureza é bárbara: mal, pecaminosa, desenfreada. Mas, ao receber o perdão e a salvação de Cristo Jesus, nos tornamos então guerreiros de Cristo. Passamos a guerrear contra esse pecado, essa concupiscência que nos constitui como homens falhos e caídos. A boa notícia é que assim como no RPG, nos tornamos guerreiros bárbaros, ou seja, agora nosso ponto primeiro é ser guerreiro e, como guerreiros, podemos usar nossa característica bárbara para guerrear com toda força e coragem contra o mal, o verdadeiro mal que há em nós. Mas precisamos estar atentos para que não lutemos em vão, para que não nos voltemos contra Deus, culpando a Ele com palavras e ações bárbaras (não é Deus quem nos tenta, contudo nossa própria maldade). Portanto, precisamos ser bárbaros, sim, contra o pecado e todo mal que ele causa. Pois uma coisa é certa, já somos “Champions of Christ”

Entrando pelo cano!




“Entrar pelo cano”. A expressão é antiga e comumente significa não ter bons resultados numa determinada situação, se dar mal, situação desastrosa e suja (porque se refere ao cano de esgoto). Além disso, não é somente entrar pelo cano que é difícil e desagradável, mas também sair dele – o que talvez seja até pior.

Mas há algum tempo venho pensando em um outro significado para esta expressão, um significado positivo, oposto ao comum. E claro, fui buscar esse novo significado em outro mundo, num mundo onde isto pareceu possível – não, não foi no mundo das ideias -, foi no Super Mario World! Este jogo de videogame também antigo, além de garantir muita diversão, sempre, me fez refletir sobre essa atitude subsequente do Mario de entrar em diversos canos para conseguir pontos e vidas extras. Sim, ao entrar pelo cano, ele não depara com uma situação terrível (como enfrentar o desafio, por exemplo), mas se encontra em situação de bônus – um lugar especialmente separado de tudo para que ele faça pontos e ganhe vidas. Isso não quer dizer, contudo, que ele ganha essas coisas totalmente de graça. Há algumas regras e formas de conseguir esses objetivos positivos no cano. Às vezes ele tem que pular e acertar alguns tijolinhos com a cabeça, outras, é preciso acertar um jogo da velha, ou ainda correr contra o tempo atravessando pontes entre nuvens. Entretanto esses obstáculos são encarados com alegria e disposição, porque ele sabe (o jogador que controla ele sabe kkkkkk) que tais obstáculos não são para derrubá-lo e fazê-lo perder nada – ele pode deixar de ganhar, mas não perderá nada! E por fim, ele consegue ver o que vai ganhar, visualiza os prêmios e isso dá mais encorajamento.

Diante disso, veja como fica bem mais legal ler as seguintes palavras de Tiago:

“Meus irmãos, tende por motivo de grande alegria o passardes por várias provações, sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança; e a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma.” (Tiago 1: 2-4)

Muito mais legal, porque ao invés de pensarmos: Chiii, entrei pelo cano! Estou em meio a provações muito difíceis e perseverar é algo quase impossível diante do que estou passando... Podemos pensar, pelo contrário: Eba, entrei pelo cano! Provações estou passando, mas não para me derrubarem e sim para me fortalecerem na fé e me tornarem ainda mais perseverante e ativo na vida cristã! Estou em fase de ganhar bônus!

A verdade é que nada é fácil, apesar de parecer tudo tão simples depois que passa. No momento da dificuldade só conseguimos enxergar um cano velho, sujo e fedorento que está prestes a desembocar num córrego imundo. Mas assim como no mundo de Mario Bros, a palavra do Senhor nos mostra que este cano é um purificador, que vai nos limpar e nos levar a uma saída plena e feliz, onde avistaremos uma paisagem aberta e fresca, com aroma suave e muita luz do sol!

Portanto, Marios e Luigis de plantão, não nos deixemos levar pelas expressões deste mundo, mas observemos as verdades das expressões celestiais! 

O apocalipse zumbi começou!

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Em quase todo filme de apocalipse zumbi, tenta-se entender o que foi que ocorreu para que a humanidade tivesse esse triste fim: se autodevorar. Na maioria dos filmes ou séries, a infestação zumbi ocorre devido a um vírus fatal que é transmitido por contato com os fluidos corporais (tais como sangue ou saliva). A pessoa que foi mordida por um zumbi será infectada através da ferida e assim o vírus se espalhará pela corrente sanguínea. Nesse meio tempo pode-se dizer que a pessoa já é um zumbi em potencial, mas ainda está em processo de infecção. O processo de zumbificação sempre é algo que primeiro ocorre dentro das células para depois manifestar-se no corpo como um todo: o zumbi completo.

Penso que nossa sociedade já está se zumbificando. Não, pessoas não estão literalmente mastigando e deglutindo pedaços dos corpos uns dos outros (salvo raras exceções psicopáticas). Não, o que vejo é que pessoas estão devorando umas as outras no sentido de não ver o outro como alguém que é igual a você, sequer da mesma espécie, mas pessoas estão vendo umas às outras como "presas". Presas no sentido de fonte de alimento, de poder, de prazer, de riqueza, de estabilidade, de facilidades, etc. Pessoas deixaram de ser pessoas e são vistas como caça, objeto, coisa, não-ser.

Caso o leitor ou leitora pense da mesma forma, pode também se perguntar se existe algum motivo oculto, como o vírus que causa a zumbificação, para que as coisas estejam se desenvolvendo dessa forma. Alguns vão alegar que isso é culpa do sistema capitalista, que torna as pessoas automatizadas e insensíveis. Outros podem dizer que o ser humano sempre foi assim, que isso é normal. A verdade, no entanto, é que nem o ser humano é assim por natureza nem é culpa do sistema. Se essas atitudes fossem normais no ser humano, ninguém (inclusive eu) estranharia isso. Temos, intrinsecamente, um sistema moral que nos mostra o que é coerente e o que não é. Daí não gostarmos quando alguém nos machuca ou quando não alcançamos nossas metas. Sabemos que algo está errado, que não está coerente com o que deveria ser. Tampouco é culpa do sistema, pois o sistema é nossa criação, para nosso uso, e se está falho e sabemos disso, não deveríamos ser ao menos capazes de agir diferente?

As coisas não são diferentes porque não queremos que sejam ou não fazemos nada para mudá-las. Sei disso porque sempre fui muito bom em não fazer nada para que as coisas fossem diferentes. Um exemplo: achamos os políticos que aí estão ruins, mas, nós, que nos consideramos mais honestos que eles, não nos candidatamos à nenhum cargo na política. Resultado: eles irão governar em nosso lugar.

Não gostamos de como os relacionamentos humanos estão se desenvolvendo: mentiras, traições, jogos de interesse, infidelidade, banalização dos sentimentos, falsidade, desrespeito, falta de amor, etc. No entanto, quando nos relacionamos o que fazemos? mentiras, traições, jogos de interesse, infidelidade, banalização dos sentimentos, falsidade, desrespeito, falta de amor, etc. Não percebemos que aquilo que criticamos nos outros é exatamente aquilo em que falhamos também.

O problema sempre foi interno. O mundo não acabará com uma invasão alienígena, mas em um apocalipse zumbi. O homem devora o homem. O homem é o mal do outro homem. Ou, como já disse Hobbes: "O homem é o lobo do homem". Nossas "células espirituais" são expostas todos os dias ao vírus mortal do egoísmo, da indiferença, da falta de Deus, da autodivinização. Centramos o mundo em nós e vemos as outras pessoas como aqueles que deveriam se render à nossa sabedoria e poder e nos adorar. No fim, terminamos devorando os outros, sugando suas energias e consumindo seus juízos de tanto infernizá-las com nosso egoísmo.

Ninguém está livre de se tornar um zumbi. Basta deixar o mal agir em nós e seguirmos o curso do egoísmo e da indiferença pelo outro. Logo, não veremos mais ninguém como nosso pai, nossa mãe, nossos irmãos e irmãs, ou nosso próximo. Todos serão apenas pedaços de carne suculenta, comida para nossos estômagos em decomposição egoísta e lenta.

O propósito de Deus não é esse. Mas é: ame ao seu próximo como a si mesmo. O próximo é um ser humano como você, tentando sobreviver ao apocalipse zumbi. No entanto há uma diferença: todos estamos infectados e para se tornar um zumbi completo basta deixar o egoísmo tomar conta. Para evitar isso, é importante lembrarmos que somos todos seres humanos, uma só espécie, sem presas ou predadores, mas pessoas que querem viver e precisam umas das outras para isso. Somos fracos e falhos e algumas vezes o vírus pode se tornar mais forte em nossos organismos. Apenas com os anticorpos do Espírito e com a ajuda dos nossos irmãos e irmãs de espécie é que poderemos nos manter menos centrados em nós mesmos e reconhecer uns aos outros como iguais. Precisamos ficar juntos para melhor sobreviver. Unidos somos mais fortes. Os que não deixarem o egoísmo de lado estarão fadados à isolar-se e, assim, morrer como pessoas para viverem a eterna fome de ser... humano.

Fazendo um parêntese


Porquería

Por que escrever quando estou triste
Se posso simplesmente chorar

Por que escrever quando tenho uma grande ideia
Se posso colocá-la em prática, abrindo um largo sorriso

Por que os porquês têm acento às vezes sim às vezes não
Se eles são sempre por que

Por que a gramática atravessa as palavras
Se as palavras já falam por si mesmas

Por que um poema só porque quero perguntar por quê



Muita gente tem dificuldade com os porquês. É uma confusão só: quando uso por que separado e sem acento? E quando ele deve ser junto e sem acento? Ah, tem também separado com acento, quando uso? E aquele que é junto e com acento? Na verdade é bem simples, quer ver? Por que, separado e sem acento para fazer perguntas – seja no início ou no meio da frase; junto e sem acento, para dar respostas, explicações e justificativas também no início ou no meio da frase. Já o separado com acento faz apenas perguntas no final da frase. Por fim, o junto com acento vem precedido de um artigo – o chamado por que substantivado. Facinho, né? Mas insistimos em complicar, isto porque, na hora de empregar os porquês queremos lembrar as regras em vez de pensar nos sentidos que eles estabelecem. As regras são importantes e nos dão um direcionamento necessário, mas é o sentido que desejamos estabelecer que vai determinar o que dizemos e como dizemos. Por isso, pense que se o que você vai dizer tem valor, sentido de resposta, então o porque deve estar juntinho, bem amarradinho e concatenado como uma resposta deve ser. Por outro lado, se quiser estabelecer a dúvida, o questionamento, a pergunta, coloque o por que separado, pois a pergunta não tem nada no lugar, ela quer se encontrar. Daí, se você quer dar esse mesmo sentido de pergunta, mas for colocar o por quê lá no final de toda a confusão, coloque ainda mais um acessório – o chapeuzinho (acento circunflexo) – para enfatizar ainda mais a sua expressão de dúvida! E se o sentido que você quiser empregar for de uma palavra, tal que você não sabe qual exatamente, mas que de alguma forma designa o que você deseja dizer, deixe o porquê juntinho, todo arrumadinho, com um chapeuzinho também para dar um charme!
Se depois de todo esse papo furado, você ainda quiser saber o porquê dos porquês, use separado sem acento! Tipo assim: Por que Deus me salvou? Por que Ele me escolheu para ser seu servo? Por que devo pregar o Evangelho? Por que ir à igreja? Por que coisas ruins acontecem aos filhos de Deus? Por que o mundo rejeita a Cristo? Por que...?
Ao fazer todas essas perguntas, podemos perceber que um “por que” pode ter vários significados. De gramatical a semântico, como vimos na primeira parte deste texto. E daí à muitas outras possibilidades de significação a depender também de nossa visão de mundo e da capacidade de leituras variadas. Se nos concentrarmos apenas no campo cristão, vemos em Gálatas que quando Paulo questiona a rapidez com que a igreja esqueceu os preceitos de Cristo, não somente prestamos atenção se ele colocou o “por que” separado e sem acento – como deve ser para se fazer perguntas – mas, observamos que ele está preocupado com coisas que vão além das aparências; mais do que isto, com coisas que vão além das regras (restritas aos dez mandamentos “seguidas fielmente pelos judeus”). Observamos ainda que não é somente Paulo quem realiza questionamentos nesta carta mas a igreja dos gálatas também questiona os preceitos de Cristo– circuncisão/ incircuncisão, liberdade/servo -, por conseguinte, nós leitores ainda questionamos os preceitos de Cristo, pois há muita coisa envolvida acerca das coisas de Deus que devem ser o centro de nossas vidas e de nossas preocupações. Entretanto, o questionamento não deve se dar com o coração turbado, mas com o coração sereno, confiante na ação do Espírito Santo!.
Para isso, Cristo nos responde com alguns porquês: “Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.” Gl 2:19; “Não aniquilo a graça de Deus, porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.” Gl 2:21; “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vosso corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.” Gl 4:6...Esses “porquês”, juntinhos e sem acento, longe de serem respostas e explicações totalmente claras e objetivas, nos levam a pensar ainda mais e a fazer outras perguntas que ao passo que se faz necessário e relevante, Deus vai respondendo, segundo a medida que Ele define melhor para nós. Portanto, não façamos tanta confusão com os porquês, porque tudo pertence a Deus, e é Ele quem nos guia, não as aparências, ou as regras ou nossa ansiedade, mas é o sentido que Ele quer dar às nossas vidas e através das nossas vidas ao mundo que verdadeiramente importa. Que nossos porquês busquem a vontade do Senhor com calma e fé!
Enquanto isso, Paulo faz um parêntese “(Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios)” Gl 2:8. Por quê?

Qual a minha motivação?

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Pegando o gancho do último texto da Priscila e combinando com um mangá que tenho lido atualmente (combo?), trago uma reflexão sobre motivação.

Estou acompanhando um mangá chamado "Shijou Saikyou no Deshi Kenichi" (imagem acima), do mangaka Matsuena Syun, cujo título em português seria algo como "Kenichi, o discípulo mais forte". A traminha gira em torno de Kenichi Shirahama, aluno comum do 1º ano do ensino médio, que, depois de alguns incidentes se vê treinando artes marciais em um dojo. Mas não é um dojo qualquer, trata-se, simplesmente, do dojo que possui os maiores mestres do mundo em algumas artes marciais como karate, muay thai, kung fu e jiu-jitsu.

Não, Kenichi não é nenhum fortão. Ele também não é um lutador nato. Tão pouco ele sabe lançar um hadouken (hehehehe). Pelo contrário, desde o início de seu treinamento em artes marciais seus mestres fazem questão de lhe repetir uma frase: "Você não tem talento algum para artes marciais!". Antes de entrar para o dojo, Kenichi era um estudante razoável, com pouca aptidão física, que apanhava dos valentões da escola e lia livros de auto-ajuda sobre como fazer amigos ou como fugir de situações perigosas. Kenichi sequer é mais forte do quê a garota de quem ele gosta: Miu Fuurijin, a neta do dono do dojo que também é ótima lutadora.

Ué, mas então como é que esse carinha fracote é chamado no título do mangá de "o discípulo mais forte"? Também me fiz essa pergunta. Afinal, além de tudo isso, Kenichi é tímido e um tanto covarde para enfrentar os problemas. Sempre que o treinamento fica mais árduo, ele dá um jeitinho de fugir para casa ou de ficar descansando em algum lugar. Ele evita o máximo que pode uma luta, exceto... quando é para proteger alguém que ele gosta, alguém importante para ele.

Essa é a motivação de Kenichi para treinar artes marciais mesmo sem talento, porte físico ou coragem. Dia após dia, ele mantém seu treinamento porque sonha em proteger Miu, sua amiga e paquerinha, sua família e seus amigos de valentões, bandidos ou de injustiças. Por isso, Kenichi é o discípulo mais forte: seu treinamento em artes marciais não visa a tornar-se mais forte para si mesmo, mas para proteger as pessoas importantes para ele. Ele deseja ser forte o suficiente para proteger os seus sem ter de machucar os outros. E esse objetivo exige uma motivação grande, que supere suas fraquezas e desânimos.

Depois de perceber isso, fiquei pensando em minha motivação (meu Deus, como ela é pequena!). Minha motivação para estudar, minha motivação para escrever, minha motivação para ser uma pessoa melhor, minha motivação para me aproximar mais de Deus, minha motivação para desenvolver um amor perfeito, enfim, minha motivação para viver e existir.

Para nós, cristãos nerds, seguir a Jesus e realizar seus ensinamentos exige uma grande motivação. Não pode ser uma motivação mesquinha do tipo "quero ir para o céu" ou "preciso que minha mãe seja curada". Em muitas ocasiões, Jesus dispensou as pessoas com esse tipo de motivação para seguí-lo: "Vocês também não vão embora?", "O filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" ou "ninguém que olha para trás é digno do reino dos céus". Jesus não é um mestre que fica clamando por discípulos a qualquer custo. O "venham a mim todos" tem um complemento: "os que estão cansados e sobrecarregados", no mínimo, você deve se reconhecer cansado e sobrecarregado. Ainda assim o mestre que alivia também mostra a dureza do treino: "Pai ficará contra filho e filho contra pai", "não vim trazer paz, mas espada" e "você deve dá a outra face".

Será que minha motivação é forte o suficiente para aceitar e realizar esse treinamento? Será que me manterei focado em seguir esse Caminho, custe o que custar? Será que estou neste Caminho por uma motivação que agrade a Deus, algo que não seja mesquinho e egoísta? O mestre é o melhor que existe, e o discípulo? Será que tem uma motivação forte o suficiente para seguir o treinamento até o fim?

Meu desejo sincero é vasculhar meu coração, sondar minhas motivações e criar um espírito determinado a ser o melhor discípulo possível para o meu mestre. E você?

O calinho da meia lua



Sabe aquele calinho no dedo que se forma de tanto esfregar meia lua pra frente e soco? Pois é ainda pior o calinho que se forma no dedo de quem aperta em todas as setas e letras sem comandos certos, à espera de um golpe perfeito (quiçá um Hadouken!). Esses calinhos fazem latejar um misto de sensações entre a dor e o prazer. E a fronteira entre elas é facilmente apagada quando uma dor se torna prazer e um prazer se torna dor. É preciso distingui-las para que o calinho não se perca nos desvãos desses sentimentos
O calor da luta traz à tona a reflexão, sempre problemática, a respeito de fé e prática. Apertar todos os botões a esmo é demonstrar fé, confiando que, de uma forma ou de outra, a vitória pode ser alcançada. Mas, o adversário não vê essa fé, pois ela está escondida na ausência de uma prática de luta consciente que evidencie a esperança de que a aplicação de um comportamento adequado garante mais chance de conquista. Por isso, o adversário efetua seu ataque diante do que vê, minando forças e instaurando incertezas - o que nos leva à derrota.
Diante disso Tiago tão sabiamente exorta: “a fé sem obras é morta” (Tiago 2:17). O calinho da meia lua pode incomodar um pouco, doer, no entanto mirá-lo e senti-lo é saber que ele se formou com um propósito, e que tem a finalidade de deixar sempre viva na memória as dificuldades da luta e o sacrifício que dá a vitória. É o espinho na carne; é o espetáculo da vida cristã em ação de fé! É a consolação das nossas dores e o reflexo da nossa alegria (prazer).
Portanto, fé e prática devem ser conjugadas, uma não exclui nem se sobrepõe a outra, as duas são necessárias e se completam em nosso pensar, falar e agir. Entretanto, praticar a nossa fé é um verdadeiro “Street Fighter” dia a dia. Não é como se reunir com os amigos para algumas partidas de videogame num clima de descontração e esportividade, mas é como entrar em um campeonato mundial cheio de pressão e competitividade exacerbada. Isso pode nos meter medo, desânimo, passividade e vontade de desistir, mas o calinho que já está formado em nós está preparado para uma meia lua sempre para frente, prosseguindo para o alvo, socando as investidas do inimigo, rumo ao prêmio da “soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:14).
Sendo assim, não despreze o conhecimento da Palavra de Deus. Ela é o manual para que você saiba exatamente quais os golpes mais eficientes e como usá-los a cada luta. Cada luta é uma nova luta, enquanto a Palavra de Deus não muda, “é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hebreus 4:12). Assim, felizes aqueles que têm o calinho da meia lua e que apelam mesmo sem cessar para a prática imbatível da fé sincera e firme – hadouken – hadouken – hadouken – hadouken – hadouken – hadouken – hadouken – hadouken – hadouken... K.O!

A vida póstuma do cristão



           Muita gente pensa que após a morte há um descanso eterno. Por isso, tentam levar uma vida em ritmo frenético, poucas horas de sono, muito trabalho e investimento em atividades que, segundo consta, só poderão ser efetuadas nesta vida. Brás Cubas, por outro lado, discorda redondamente desse pensamento, uma vez que resolve escrever suas memórias depois de morto, sendo, portanto, um “defunto autor” (cap. I, p. 17). Ele nos mostra que no além-túmulo é possível produzir, e produzir com sinceridade, pois sem as amarras sociais, fica livre para escrever e dizer a verdade.
Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há platéia. O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que pisamos o território da morte; não digo que ele se não estenda para cá, e nos não examine e julgue; mas a nós é que não se nos dá do exame nem do julgamento. (cap. XIV, p. 55)
          Seja como for, a vida de Brás Cubas é póstuma. O leitor ingênuo se aterá aos acontecimentos narrados acerca de sua vida quando estava vivo. Por sinal, foi uma vida medíocre e que não rendeu nenhum fruto “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.” (cap CLX, p. 176). Mas, o leitor arguto, observará que há mais relevância no Brás morto. Importa muito mais o Brás escritor, porque este Brás aponta para o texto como centro de tudo. Ele deixa de ser o centro, como é em vida, e morto, o texto é tudo.
          A genialidade de Machado de Assis ao criar esse defunto autor me faz pensar na vida cristã sob uma perspectiva diferente. Faz-me pensar que a vida do cristão também é póstuma. Pois, para sermos de Cristo precisamos morrer para este mundo e para o pecado. A partir dessa morte, passamos a viver uma nova vida. Uma vida além-túmulo-espiritual. Agora, podemos olhar não para nós mesmos, mas para Cristo. Ele passa a ser o centro, o Tudo. Daí, nossas vidas devem ser transformadas segundo os princípios deixados na Palavra de Deus para que o espectador arguto ao olhar para nós veja o que realmente importa: Cristo. Diante disso, percebemos que não temos, digamos, um descanso eterno, mas agora que estamos mortos é que vivemos e temos muito o que fazer: amar, servir, perdoar, andar como Jesus. Pois, certamente, “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gálatas 2:20)
          Do mesmo modo que em Brás Cubas encontramos duas linhas do tempo, a vida antes da morte, e a vida depois da morte, nós também caminhamos assim, como em mundos paralelos numa jornada de Tidus (Final Fantasy X) – enfrentando obstáculos e inimigos difíceis até chegar ao portal perto do castelo de Ultimecia -, ou, de Dante – que estando ainda vivo, viaja entre os mortos do Inferno e passa pelo Purgatório (trava embates com poetas mortos e sofre as dificuldades para ultrapassar esses lugares sombrios) até chegar ao último céu, onde lhe é dado contemplar a essência divina. Assim, nossas vidas, longe de encerrarem com a morte, na verdade, começam a ser verdadeiras e frutíferas vidas depois que morremos para tudo que não se chama Jesus Cristo!

Cristo bunshin no jutsu



Assim que se acorda, o homem pós-moderno clica o botão que liga a TV, e, entre o banho e um gole na xícara de café, com apenas mais alguns cliques, vê o que se passa nos principais canais, além de dar uma olhadinha na coluna de notícias do msn e nas últimas mensagens do facebook. Antes mesmo de sair de casa, ele já fez diversas atividades simultâneas, em tempo exageradamente rápido e pouco, muito pouco aproveitado com qualidade. O homem pós-moderno, diante de todas as (des)conveniências tecnológicas à palma da mão, não é mais um, mas vários. Ele consegue executar o “Kage Bunshin no Jutsu” (habilidade de clonar-se), em segundos. Basta clicar o botão da TV e do computador, apertar o interruptor para acender a lâmpada, tocar o botão da chave elétrica do carro, discar as teclas do celular e pressionar a função “ligar” do forno micro-ondas. Pronto! Parece que nada mais é real, nem o homem nem o mundo dos homens. São clones cada vez mais perfeitos de uma realidade verdadeiramente virtual. Talvez Platão nem imaginasse haver tantas cópias de cópias, como Naruto nem imaginava conseguir fazer tantos clones seus com a força do pensamento.
Você deve estar se perguntando agora como é que Platão e Naruto foram parar juntos na mesma comparação alusiva. Pois é isso mesmo que a pós-modernidade faz, mistura os espaços e as ideias como se tudo fizesse parte do mesmo cenário, porque já não existem distâncias ou impossibilidades para a era da internet – “tudo num só lugar”. Uma das consequências graves disso (digamos, tudo igual), é que as pessoas começam desesperadamente a tentar aparecer como diferentes, levando-nos à uma sociedade altamente midiática. Sabe aquela ideia quixoteana: 
  
fazer-se cavaleiro andante e ir-se por todo o mundo, com as suas armas e cavalo, à cata de aventuras, e exercitar-se em tudo em que tinha lido se exercitavam os da andante cavalaria, desfazendo todo o gênero de agravos, e pondo-se em ocasiões e perigos, donde, levando-os a cabo, cobrasse perpétuo nome e fama. (CERVANTES, 1981, p. 30)


Anda na moda querer fazer “grandes feitos” para angariar fama e sucesso. O problema é que os “grandes feitos” não são mais de cavaleiro andante e sim de androides fúteis (provavelmente minha analogia já seja tão ultrapassada quanto a Idade Média). Enfim, as pessoas imitam para ganhar notoriedade – que contradição!
Mas, existe um mundo ideal celeste, que quer mesmo que sejamos seres imitadores. Outrossim, que sejamos imitadores de Cristo, não de vãs filosofias, não de máquinas eletrônicas, mas de Cristo! Deus quer que sigamos os passos de Jesus: que amemos como Ele amou; sirvamos como Ele serviu; perdoemos como Ele perdoou; e quanto mais pessoas imitarem Jesus mais diferentes elas serão. Porque as pessoas que fazem o que Cristo fez não pertencem à realidade deste mundo, mas à realidade divina - a única e verdadeira!
“Portanto, sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (1 Coríntios 11:1), diz-nos o apóstolo Paulo. Entretanto muitos pensam que a Bíblia é pura fantasia. Para esses a vida já está tão ficcionalizada que a Verdade se torna apenas mais uma mentira. Se não quisermos nos perder nas artimanhas desse mundo enganoso, teremos que olhar firmemente para o alvo – JESUS -  e imitá-lo fielmente, meditando em sua Palavra de dia e de noite para que nossas mentes não sejam enganadas e para que nossas vidas não sejam cópias perdidas, mas imitações seladas pela marca de Cristo.

Detonado: aprendendo a viver através dos RPGs

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Nunca tive oportunidade de jogar RPG de tabuleiro. Uma pena. Até gostaria de ter esta experiência, mas, infelizmente, não pude. Tive de contentar-me com os RPGs eletrônicos mesmo. De fato, atualmente, Mazkir e eu temos jogado "Champions of Norrath: Realms of everquest" para PS2 e estamos super empolgados com este jogo.

Procuramos sempre equipar nossas personagens com os melhores itens: elmo, couraça, luvas, botas, escudo, armas simples, armas de mão dupla, arcos, maças, martelos de guerra, itens mágicos... Cada item é bom para determinada fase ou para determinado efeito. Precisamos equipar itens mágicos para nos proteger de feitiços de magos inimigos. Precisamos equipar armaduras eficazes para deter os ataques fortes de orcs e goblins. Precisamos melhorar nossas armas para enfretar mortos-vivos e exércitos de esqueletos.

A cada level as personagens estarão mais hábeis para manejar armas e portar armaduras melhores. Mas é necessário identificar quais armas são realmente boas e quais não são. Não adianta nada estar com uma arma boa se ela não é adequada para o seu level, para sua personagem ou para a necessidade daquela fase do jogo.

Pois não é que na vida real as coisas são semelhantes? Precisamos estar equipados com muitos itens diferentes. Na vida profissional precisamos de habilidades específicas da nossa categoria e dominar as "armas" de nossa profissão. Para viver em sociedade, precisamos estar equipados com "armas" e "armaduras" adequadas para enfrentar a "batalha de cada dia" e aperfeiçoar nossas habilidades de vida comunitária a cada momento (pois é, de outra forma não conseguiremos sequer conviver bem com aquele vizinho arruaceiro - que lembra um goblin). É uma luta diária para cumprir objetivos, enfrentar inimigos e superar obstáculos; tudo isto pode ser mais fácil ou mais difícil de acordo com as habilidades que possuímos, os nossos armamentos (psicológicos, intelectuais ou sociais) ou a quantidade de aliados que formamos.

Na vida espiritual, também vivemos uma espécie de RPG, só que com uma vantagem muito grande. O Deus dos deuses resolveu ajudar em nossa quest e garantir de imediato (sim, a partir do Level 1!!!) as melhores armas, armamentos, itens mágicos e habilidades para que possamos cumprir todas as missões, derrotar todos os inimigos e nos juntar a Ele entre os maiores guerreiros e guerreiras do universo. Não acredita? Mas é sério, leia só:

Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça; E calçados os pés na preparação do evangelho da paz; Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; (Efésios 6:13-17)

Tá vendo? a armadura completa e ainda uma arma poderosa para deter qualquer tipo de inimigo. A cada level que você alcança fica ainda mais hábil com cada armamento e, assim, pode levá-lo ao máximo do seu poder. Melhor que colar com +50 de regeneração de mana e espada com +40 de dano crítico! Super efetivo!

Quer zerar a quest da vida pegando de cara os melhores itens, com ataque e defesa topados? Então, aconselho a pegar o armamento divino (tem melhor do quê os armamentos divinos?) e sair tranquilo na sua jornada, com a garantia que terá os melhores e mais fortes aliados e companheiros durante todo o trajeto. Até porque, você não quer ficar usando equipamento Level 1 com dano mínimo, não é, noob?


Namoramigos

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Feliz dia dos namorados! 

Sim, esta é uma data importante para a Fraternidade Lambda, pois para nós, como verdadeiros cristãos, o amor (todos os quatro amores) deve ser cultivado e incentivado. Assim, queria apenas deixar uma pequena reflexão sobre o amor-eros que, para mim, desenvolve também o amor-fileo e o amor-storge. Sempre acreditei que, para além do eros, entre um verdadeiro casal deveria existir o fileo, a amizade. Com isso em mente, construí um projeto divertido de haikai, que segue abaixo:

Namoramigos

Paixão divertida,
amor de lápis de cor:
amizade colorida.


Desejo a todos os casais de namorados que vocês desenvolvam um pelo outro todos os quatro amores, formando assim uma união verdadeira e profunda, na Graça e no Amor de Deus. E àqueles que "ficam" com "amigos" (não sendo, de fato, nem namorados, nem amigos), que não namoram e acharam bonitinho o haikai, dou-lhes "um piparote e adeus", pois hoje é o dia dos namorados e não dos safados! (e tenho dito! Hunf!).

O poder da vontade

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Assisti, ontem, ao filme Lanterna Verde (2011). Minha namorada, que assistia comigo ao filme, logo me disse: "Por que você não posta um texto no Blog sobre isso?". Conversamos sobre alguns aspectos da história do filme e decidi postar. Então, aqui vai.

Não conhecia direito a história do Lanterna Verde, nem de uma de suas versões: Hal Jordan. Soube, por amigos, algumas coisas sobre esse super-herói e como ele já teve sua história recontada inúmeras vezes nos quadrinhos.

O que mais me chamou a atenção no filme foi a origem dos super-poderes do Lanterna Verde: a vontade. Na história, seres chamados Guardiões criaram uma forma de utilizar a energia da vontade, que emana de todos os seres vivos do universo, para usar como arma contra a injustiça. A vontade seria a força mais poderosa do universo, capaz de destruir qualquer ameaça. Esses Guardiões dividiram o universo em setores e, para cada setor, a Vontade escolheu representantes, que passaram a formar o grupo de Lanternas Verdes (Green Lantern Corp).

No filme, a maior ameaça já enfrentada por esses heróis da justiça chama-se Parallax. Esta criatura é um inimigo que se utiliza de outra força poderosa do universo: o medo, que seria uma das poucas forças capazes de deter a Vontade.

Pensando no Evangelho e na vida cristã, logo a verdade desta constatação se apresentou a mim e percebi que, de fato, o medo inibe bastante nossa vontade. Quando temos medo nem conseguimos concretizar nossa vontade nem a vontade de Deus para nós.

Priscila lembrou-me da passagem de Romanos 8:14-15, que diz:

Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.

É pelo Espírito de Deus que podemos superar o medo e viver a vontade de Deus, como verdadeiros filhos dEle. Pelo Espírito de Deus, podemos superar nossas fraquezas e entender que é Deus quem nos aperfeiçoa, se o permitirmos. A culpa, gerada pelo medo de ser castigado, também nos atrapalha e impede que nossa vontade de acertar seja mais poderosa do que a lembrança de nossas falhas.

Meu convite, através do filme Lanterna Verde, é que não enfraqueçamos nossa vontade de seguir a Deus, de fazer viver o evangelho e o amor de Cristo, mas que deixemos de lado todo medo, que nos atrapalha, e sigamos no Caminho confiantes na Graça de Deus que nos perdoa, nos limpa, nos preenche e transforma para brilharmos na Luz de Cristo e glorificarmos a Deus, nosso Pai.

O caminho do Gato de Cheshire



Um dos momentos mais interessantes de Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol, é quando Alice encontra o Gato de Cheshire e pede a ajuda dele para sair de onde estava:

          “Gatinho de Cheshire”, começou, bem timidamente, pois não tinha certeza se ele gostaria de ser chamado assim: entretando ele apenas sorriu um pouco mais. “Acho que ele gostou”, pensou Alice, e continuou. “O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?”
          “Isso depende muito de para onde você quer ir”, respondeu o Gato.
         “Não me importo muito para onde...”, retrucou Alice.
         “Então não importa o caminho que você escolha”, disse o Gato.
          “...contanto que dê em algum lugar”, Alice completou.
          “Oh, você pode ter certeza que vai chegar”, disse o Gato, “se você caminhar bastante.”
          (Lewis Carrol, Alice no país das maravilhas)

Chama minha atenção a sabedoria simples e prática do gato. Alice, em sua inquietação, pede por uma ajuda que sequer sabe direito qual é. Ela deseja sair de onde está, mas não sabe para onde quer ir. O gato, sabiamente, evidencia que, de um jeito ou de outro, ela sairia de onde estava, bastava seguir para qualquer direção.

Muitas vezes me pego tentando sair de uma situação, ou querendo deixar algo que não gosto em mim mesmo, mas percebo que é insuficiente estar descontente com a situação em que se está, tem-se de saber para onde se quer ir.

Muitas vezes, achamos que estar insatisfeitos com a nossa situação atual é suficiente para nos levar por um caminho melhor. O fato, no entanto, é que podemos sair de uma situação ruim para uma pior e "o último estado se torna pior do que o primeiro" (Lucas 11:26b adaptado)

Não basta ficar descontente ou insatisfeito. Não basta reconhecer os erros e as falhas. É preciso saber qual direção percorrer, que novas atitudes tomar, que novo caminho escolher. Algo precisa ser mudado em nós para que o resultado saia diferente.

Para onde quero ir? Onde desejo chegar? O que, de fato, quero para mim? Estas perguntas podem me ajudar a visualizar o caminho a percorrer, porque o percurso determina o destino. Se quero chegar a um resultado diferente do que venho obtendo preciso mudar algo em minhas atitudes e modo de agir.

Em muitos momentos, de acordo com o que desejamos, a caminhada será dura e difícil. Mas cabe unicamente a mim escolher se realmente quero percorrer esse caminho. Quando desejamos algo muito bom precisamos tomar medidas que nos levem a alcançar essas coisas.

Cristo nos chamou para seguí-lo. Ele é o Caminho de Deus para a humanidade. Aquele que tem como objetivo ou propósito agradar a Deus deve seguir os passos de Jesus. Hoje, o meu convite é para que possamos escolher um caminho mais excelente. Sem dúvidas, é um caminho mais árduo e difícil, mas é o melhor caminho e é o caminho que nos garante o melhor destino: a vida eterna com Deus. Esse caminho é Cristo.

Embora a reflexão do Gato de Cheshire seja muito relevante (nos fazer refletir para onde queremos ir, ou de onde queremos sair) ela não nos ajuda a seguir o caminho. Muitas vezes, como Alice, simplesmente não sabemos que caminho tomar, nem se o caminho que achamos ser melhor de fato é bom. Quando passarmos por momentos assim, podemos contar com uma sabedoria maior e mais profunda do quê a do Gato de Cheshire: Cristo, Caminho, Verdade e Vida, nos aponta a melhor direção a tomar (porque segue para um melhor fim). Com Ele, poderemos sempre contar com conselho e direção para seguir pelo melhor percurso. E o melhor é que esse caminho de Cristo, sempre, é seguido em amor, paz e alegria.

"ENERGIZE!"

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Uma das tecnologias mais interessantes, e particularmente que mais desejaria usufruir, é o teletransporte. Em Star Trek, os integrantes da U.S.S. Enterprise são providos dessa tecnologia e podem visitar planetas ou qualquer espaço próximo à nave sem ter de se locomover. As partículas que compõem cada organismo teletransportado são enviadas para o exterior da nave e reorganizadas de modo a readquirir a configuração original. No local selecionado, as partículas se juntam e surge, como que do nada, os tripulantes teletransportados. É uma ideia fantástica!

Normalmente, a Enterprise fica em órbita e, sem que seja necessário entrar na atmosfera, envia por teletransporte tripulantes para investigar, visitar ou cumprir qualquer outra missão na superfície de um planeta. Em caso de perigo, os tripulantes podem ser teletransportados de volta com rapidez ou a Enterprise pode manter-se distante dos tripulantes enviados, sem ficar à mercê de uma ação hostil.

O que mais me deixa fascinado com esta ficção tecnológica é a ideia de mandar ou trazer coisas em uma velocidade muito grande, quase que instantaneamente. Tão rapidamente que parece que fizemos com que surgissem do nada! (esta ideia também está presente em Hogwarts, nas mesas do Salão Principal, em que a comida aparece como que do nada, mas, na verdade, é como que um "teletransporte mágico" dos elfos).

Tudo isto me fez pensar sobre como a fé atua, ou melhor, como é a ação da fé. Em Romanos 4:16-18 lemos sobre a justificação pela fé e não por obras ou pela obediência à lei; e assim Paulo afirma que a salvação

Por isso procede da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência; não só à que procede da lei, mas também à que procede da fé que teve Abraão (que é pai de todos nós, como está escrito: Eu te hei constituído pai de muitas nações) diante de Deus, a quem creu, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são, como se fossem; e em esperança ele creu contra esperança, para que se tornasse pai de muitas nações segundo o que se lhe havia dito: Assim será a tua descendência; (Romanos 4:16-18)

O que me chama a atenção no texto é que o autor, ao se referir a Abraão, o torna semelhante em ação, através da fé, a Deus. Pois ele diz de Deus que é aquele capaz de trazer os mortos de volta a vida e que pode trazer à existência coisas que não existem, e sobre Abraão que ele creu em esperança contra a esperança. Ou seja, também trouxe à existência, pela fé, uma esperança que não existia, como se existisse.

É claro que não se está querendo dizer que Abraão (ou eu e você) somos tão poderosos quanto Deus, capazes de fazer tudo pelo nada. Não. Mas se está querendo dizer que, através da fé, é possível romper com alguns limites, assim como um teletransporte faz. Pela fé, recebemos a salvação de Deus, simplesmente por crermos que Ele é capaz de nos salvar. Pela fé, somos capazes de ser transformados por Deus, simplesmente porque acreditamos que Ele nos transformará. Como um teletransporte, trazemos aquilo que está no mundo espiritual para a nossa existência. Tudo o que é necessário fazer é "ligar" a máquina.

Acredito que muitas coisas em nossa vida são fruto de uma decisão nossa de "ligar" a fé e trazer a ação de Deus para nós. Queremos ter nosso caráter transformado, deixarmos de sermos orgulhosos, presunçosos, teimosos, auto-depreciativos, egoístas ou mesquinhos? Precisamos da fé em Cristo para receber esta transformação. Mas isto não será algo passivo, teremos de nos dispor, teremos algum esforço de manter a "máquina ligada" até o teletransporte ser concluído. Abraão manteve sua esperança mesmo contra qualquer esperança por alguns anos. O teletransporte da fé nem sempre é tão imediato, mas é efetivo. Quero que o Senhor atue em mim? Então preciso me manter "energizado" pela fé, firme, me deixando moldar e ser preenchido pela Graça e Amor de Deus.