Os "doutores" e a Bíblia


Tenho visto ultimamente em blogs cristãos um fenômeno antigo, mas que tem ganho nova força com a popularização dos meios de comunicação eletrônicos de massa: o pedantismo e a soberba daqueles que vêem no estudo um elemento de diferenciação dentro da igreja, de modo a se destacarem das massas e terem aquele "algo mais", que os permite interpretar a Bíblia, fazer julgamentos e se colocarem como únicos arautos da verdade.

Há na rede, atualmente, diversos blogs que dão voz a um grupo de pessoas cada vez maior no Brasil. Pessoas que consideram o estudo formal em uma universidade, ou em um seminário, uma condição imprescindível para o entendimento da Bíblia, e por conseguinte, para uma prática cristã legítima. Pessoas que acham que um diploma universitário, um título de bacharel, mestre ou doutor em Teologia, faz de seu portador uma autoridade em Bíblia, em Deus, etc., considerando aqueles que não possuem tais títulos, cristãos inferiores. Em geral fanáticos, ignorantes ou manipulados.

Naturalmente, meu objetivo aqui não é condenar o estudo, ou tirar seus méritos e importância. Isso seria loucura. É preciso que se busque o conhecimento, que se adquira um pensamento embasado e que se tenha a compreensão daquilo que a Palavra nos traz. Não desvalorizo o preparo, os seminários ou os cursos de Teologia que existem por aí.

No entanto, um problema que percebo nos discursos dos indivíduos que escrevem nestes blogs é a soberba, acompanhada da arrogância, de desvalorizar aqueles que não fizeram seminário, ou que estudam a Bíblia por ela mesma, sem o apoio de "muletas". Valorizam o conhecimento adquirido com o estudo, em detrimento da revelação. Tais grupos fazem da Bíblia um livro altamente complexo, que deve ser lido a partir de exegetas, de teólogos e doutores do passado, que são os elementos capazes de interpretar a Bíblia para quem os lê. Tais grupos dizem que ler a Bíblia não basta. Vão ainda mais longe, dizem que ler a Bíblia sem o apoio de manuais de Teologia, ou livros de apoio, pode gerar heresias, porque o cristão pode ter um entendimento diferente daquele que os mesmos possuem, criando aberrações teológicas, na visão deles, ou heresias. Fazem a diferença, típica de religiões como o catolicismo, entre clérigos e leigos. Há, na visão deles, um grupo de estudiosos que conhecem realmente as Escrituras, e que são a autoridade no que se refere à doutrina, e há aqueles que devem aprender com eles. Tudo o que for diferente disso está errado e tem que ser combatido. Dito isto, vamos analisar o referido tema, a luz das Escrituras.

O ministério de Jesus durou aproximadamente três anos e meio. Começou na Galiléia, região norte da terra de Israel, na época, província do império romano. Havia naquele período no país dos judeus, muitos mestres e doutores da Lei. Muitos estudiosos das Escrituras, que gozavam de prestígio por parte do povo e que tinham sua posição de mestres como algo extremamente valioso. Porém, quando Jesus escolheu seus doze apóstolos, recrutou homens simples, pessoas rudes, pescadores em sua maioria (Mt 10:2-4). As pessoas simples, os publicanos e as meretrizes, pessoas mal vistas pela sociedade, costumavam seguir Jesus, e foi dentre estes grupos que Jesus fez discípulos. Os doutores em geral, não aceitavam o testemunho do Senhor. Os apóstolos eram galileus (At 2:7), e os galileus eram desvalorizados pelos "entendidos" das Escrituras (Jo 7:52). Os fariseus e saduceus, religiosos da época de Jesus, que detinham o monopólio do sagrado em Israel, sentiram-se ameaçados por Jesus, pois percebiam que o jeito simples e a autoridade de Jesus faziam com que as multidões o seguissem, valorizando-o em lugar dos líderes religiosos tradicionais (Mt 7:28,29).

Há aqui um fenômeno interessante. Os conhecedores das Escrituras, os doutores da Lei, deveriam, segundo a lógica apresentada nos parágrafos iniciais de nosso texto, estar mais aptos a reconhecerem o Messias, uma vez que o próprio Jesus afirmava que as Escrituras dão testemunho dEle. No entanto, foi o grupo daqueles que se proclamavam conhecedores da Lei que rejeitou Jesus, a ponto de confrontá-lo publicamente, e traçarem um plano para o matarem, por meio dos romanos. Os doutores, em sua maioria, rejeitaram Jesus. O povo simples o aceitou, e o seguiu (At 4:13). Os apóstolos não foram formados nas academias dos fariseus, nas escolas rabínicas. Eles receberam a revelação diretamente de Deus.
As pessoas simples sabiam que estavam longe de Deus e aceitavam o testemunho de Jesus. Eles tinham fé para ver os milagres, tinham fé para ver as curas e experimentar coisas sobrenaturais. Já os doutores se consideravam autossuficientes. Não criam nos milagres, valorizavam a forma, a aparência, os rituais, em detrimento da espontaneidade e da liberdade da fé apresentada por Jesus.

Hoje em dia, enquanto as pessoas simples tem fé para ver os milagres, e para buscarem a Deus com o coração humilde, os doutores vêem tudo com olhar de reprovação. Não aceitam os milagres, sempre têm uma explicação lógica e racional para tudo. Não gostam de multidão, não gostam de simplicidade. Para eles a fé é hermética, no sentido de que é para poucos "entendidos", não sendo acessível à multidão. Eles não crêem em revelação, consideram que todos que pregam a Bíblia sem estudar Teologia são hereges, por que só é possível compreender a Escritura a partir de anos de estudo. Não conseguem identificar o agir de Deus. Assim como os fariseus não aceitaram Jesus, nem identificaram os discípulos como servos de Deus, os doutores de hoje não identificam os homens de Deus como tais, apenas aqueles que pertencem a seu grupinho de iluminados. Quando vêem a manifestação do povo de Deus, quando vêem aglomeração, proclamam, com outras palavras, a velha fórmula dos fariseus e saduceus na época de Jesus: "Mas esta multidão, que não sabe a Lei, é maldita"(Jo 7:49).

Estes grupos se consideram legítimos herdeiros da Reforma protestante, e seus defensores, no entanto, acabam indo na direção contrária a dos grandes reformadores. Enquanto a Reforma dizia: só a Escritura, os doutores de hoje dizem: a Escritura, junto com os manuais, os livros de exegese, os tratados teológicos, etc. Enquanto os reformadores lutaram em defesa do livre acesso a Deus, e do "sacerdócio de todos os crentes", os doutores de hoje criam intermediários nos livros, e fazem de um pequeno grupo de estudiosos uma classe diferenciada de cristãos, os exegetas da Escritura. Acabam imitando a prática católica que diz que a Bíblia não pode ser livremente interpretada, mas apenas os líderes da igreja tem competência para entender e ensinar a Bíblia. No catolicismo, houve inclusive o impedimento da leitura da Bíblia por parte do povo. Já Lutero iniciou o movimento reformador a partir da leitura da bíblia, não de algum manual. Afinal, ele conhecia bem os manuais da época, mas o que mudou a vida dele foi a leitura da Escritura, pura e simples.

O próprio Jesus indica a revelação como forma de conhecer a Deus e compreender as Escrituras. Ele disse aos discípulos que, depois da ascensão dEle, o Espírito Santo viria a terra e ensinaria à igreja todas as coisas. O Espírito é aquele que nos guia em toda a verdade, que nos lembra todos os ensinamentos de Jesus (Jo 14:26, Jo 16:13).
Muitas vezes o conhecimento adquirido se torna um tesouro, algo supervalorizado que pode fazer de uma pessoa arrogante, ou soberba. Nesse sentido, o estudo pode se tornar um obstáculo, porque "as coisas espirituais se dicernem espiritualmente"(1Co 2:14). Além disso, não podemos esquecer que "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes"(Tg 4:16b).

O próprio Jesus certa vez exclamou: "Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos" (Mt 11:25). Como se percebe, a condição para a revelação de Deus é o coração humilde, não os anos de estudo. O próprio Paulo, homem culto e profundo conhecedor das Escrituras, foi a princípio perseguidor da igreja. Ele fazia questão de ser simples em suas pregações, e separar a "sabedoria humana" da revelação de Deus. Em um trecho da primeira epístola aos coríntios ele escreveu: "Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados"(1Co 1:26).

Como já tinha dito antes, não desprezo o estudo, ou o conhecimento de maneira geral. Compreendo que é importante conhecer o contexto histórico e geográfico da época bíblica, é importante saber em quais idiomas a Bíblia foi escrita, originalmente, conhecer a cultura dos povos daquela época, etc. Mas não coloco isso como imprescindível, como base. também não penso que os que possuam tais informações sejam melhores que os que não possuem. Até porque, é importante lembrar que ciências como a Filologia, a Arqueologia ou a História, não são ciências exatas, de modo que não se pode viver a vida cristã exclusivamente baseada nas informações que estas áreas do conhecimento nos dão.

Espero ter sido claro, que o texto não traga mal entendidos.

Que o Senhor Deus Todo Poderoso abençoe cada um de nós.

Graça e Paz!


O pássaro e o gato

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Há um motivo para que os pássaros, de forma geral, sejam tomados como símbolos de liberdade e não os gatos, por exemplo. O voo é a representação máxima, na existência, do ser livre. Talvez, por isso, a invenção do avião tenha tido mais expressão do que a do motor a vapor (que os gatos também tem) mesmo considerando que foi a partir deste último que toda a revolução tecnológica tenha sido impulsionada com mais força.

Enfim, os pássaros representam a liberdade. Sempre me perguntei o que os pássaros fazem quando não estão voando (além, é claro, de comer, dormir e reproduzir-se). Se eu tivesse asas, não sei se ficaria muito tempo no solo não: esparramado em algum canto, como um gato. No céu não existem estradas. Nunca vi congestionamento no trânsito de pássaros. Mesmo quando existem muitos deles, normalmente, eles conseguem não colidir uns contra os outros e, por incrível que pareça, o voo coletivo se torna um espetáculo ainda mais bonito que o solitário. Os pássaros conseguem ser pássaros sozinhos e coletivamente. Os gatos só conseguem ser gatos sozinhos, pois os gatos sempre querem se mostrar mais gatos que os outros.

Os pássaros são realmente livres. Não que os outros animais não sejam, de forma alguma. Longe de mim pensar que um gato saltando entre telhados seja menos livre que um pássaro (acho até que o gato é um pássaro sem asas, será que é?). Enfim, mas é que os pássaros não parecem se preocupar com a liberdade, como os gatos. Eles também não precisam tomar trilhas, não precisam perceber com cuidado o terreno onde pisam, os pássaros não precisam se impulsionar para saltar ou tomar cuidado para não cair de ambientes altos. Os pássaros se sobrepõem ao espaço. No céu, não há solo. A liberdade não tem chão.

A liberdade dos pássaros é maior que eles mesmos. Do alto, é possível ver tudo o que está abaixo. Um pássaro pode voar no céu ou saltitar na grama (o gato sem asas, não pode voar no céu). Assim, os pássaros tem mais opções de escolha do quê os gatos e, com mais opções de que caminhos percorrer, eles podem decidir fazer ou não fazer mais coisas que os gatos. Além disso, os pássaros, por estarem no céu, expostos à luz direta, são vistos por todos que estão embaixo: podemos vê-los voando livremente pelo céu, traçando percursos distintos, diversos, impensados na imensidão azul. Quase sempre os gatos que vejo traçam o mesmo percurso por entre os telhados ou caminham no mesmo muro, pois não existe outra rota por onde passar. Os gatos são limitados porque não tem asas. Além disso, dificilmente vejo gatos durante o dia. Fazer gatinices à luz do sol não é próprio de gatos. Os gatos sem asas gostam da escuridão da noite e não querem ninguém olhando a vida de gato sem asas deles. Os pássaros não tem problemas em serem vistos, nem em serem pássaros.

Os pássaros não são escravos da liberdade. A liberdade dos pássaros os torna mais livres. Acho que, porque são símbolos de liberdade, os pássaros realmente se tornam livres até da liberdade. Ser livre não é a meta do pássaro livre. Os gatos, no entanto, parecem sempre querer reafirmar sua liberdade de gato sem asas. Os pássaros são livres por não pensarem na liberdade e por voarem abaixo do sol. Os gatos sem asas precisam reafirmar sua liberdade porque, à noite, ninguém consegue ver que eles são livres. Daí que os gatos precisem sempre fazer gatinices e fingir não se importar com o que os outros pensam deles, para se sentirem mais livres. Os pássaros fazem passarices e voam pelo céu sem pensar que pensam que ele é livre. Os pássaros ignoram a ideia de liberdade, porque eles foram criados com ela e sabem quem ela é.

Os pássaros são livres porque sabem que suas asas não são suas. Quando os pássaros voam eles tomam emprestadas algumas coisas: o vento, o céu e as asas. Quando os pássaros veem suas asas eles sabem que elas não são deles. Os pássaros são livres porque entendem que eles não são pássaros sozinhos: são pássaros por empréstimo do céu, do vento e das asas. Por isso, eles usam sempre e muito as asas, o vento e o céu; e são livres. Os gatos não entendem isso e acham que são gatos por eles mesmos. Quando o gato sem asas viu que estava sem asas ele percebeu que era um gato sem asas e passou a querer mostrar que era livre sem empréstimo algum. Se o gato sem asas aceitasse o empréstimo de asas, do vento e do céu; ele seria mais livre.

O gato sem asas em mim, vive querendo mostrar que é livre. Já o pássaro que está em mim não quer mostrar nada, toma emprestado tudo e vive pássaro, por isso, é livre. Por causa da liberdade que o pássaro pegou de empréstimo e esnoba, o gato sem asas vive querendo derrubá-lo do céu e devorá-lo. Os gatos querem comer os pássaros porque os pássaros são mais livres do quê os gatos sem asas, que querem se mostrar livres. O gato em mim vive querendo devorar o pássaro; mas o pássaro, que vive de empréstimos, voa, voa e voa... porque é livre.

(Acho que eu deveria ter escrito sobre o Natal... mas o pássaro estava voando no céu, com o gato a observá-lo cobiçoso).

Das afirmativas

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LAMBDA, LAMBDA, LAMBDA, Fraters!

Sim, o Blog está desatualizado quase um mês!

Sim, vamos prosseguir com as postagens!

Sim, estive (e creio que nossos outros fraters postadores também) muito ocupado durante o mês de novembro!

Sim, teremos muitas outras cristanices nerds para compartilhar com vocês!

Sim, vocês são convidados a continuar acessando!

Sim, até semana que vem teremos novo post!

Sim, também gosto de conversar com vocês!

Assim, fiquem ligados que voltarei a postar com mais frequência depois destas obrigações do mês de novembro!

Que a Força esteja com vocês em uma vida longa e próspera!

Morrendo pela boca

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      Edmundo, já meio incomodado por ter comido tanto manjar turco, sentiu-se ainda pior ao ouvir dizer que a dama da qual se tornara amigo era uma perigosa feiticeira. Mas, lá no fundo, o que mais desejava era voltar para fartar-se daquele maravilhoso manjar.
      — Mas quem é que lhe contou essa história toda?
      — O Sr. Tumnus, o fauno.
     — Fique sabendo que a gente não deve acreditar em tudo o que dizem os faunos — falou Edmundo, querendo mostrar que sabia muito mais do que Lúcia a respeito de faunos.
      — Quem foi que disse?
      — Todo o mundo sabe disso; pergunte a quem quiser. Mas o que não está nada bom é este frio. Vamos pra casa.
      — Pois vamos. Estou feliz por você ter vindo. Agora eles têm de acreditar. Vai ser engraçado...
      Edmundo achou que não seria tão engraçado para ele. Teria de confessar, perante os outros, que Lúcia estava certa, e é claro que Pedro e Susana tomariam logo o partido dos faunos e dos animais. E ele estava quase inteiramente do lado da feiticeira. Além disso, não sabia o que havia de dizer ou como guardar segredo, quando todos estivessem falando de Nárnia.
      Já tinham andado muito. De repente sentiram-se rodeados de casacos, em vez de ramos de árvores. Daí a pouco estavam na sala vazia.
      — Você está com uma cara horrível, Edmundo — disse Lúcia. — Está passando mal?
      — Estou me sentindo muito bem.
      Não era verdade. Estava mesmo passando mal.
      — Vamos ver onde estão Pedro e Susana. Temos muita coisa para contar...

(Extraído de As crônicas de Nárnia: O leão, a feiticeira e o guarda-roupas, de C.S. Lewis)


Sem dúvidas, a comida é algo que mexe com nossas entranhas (em todos os sentidos!). O trecho acima, retirado de As crônicas de Nárnia, me fez refletir em como aquilo que comemos pode ter um efeito nocivo sobre nós. Aquilo de que nos nutrimos pode determinar nossa boa ou má saúde.

Tenho um problema com alimentos derivados do leite. É, não posso abusar deles senão minha barriga reage mal e tenho de ir mais vezes ao banheiro do quê o costume (é nojento falar estas coisas, mas é necessário para nossa reflexão aqui). Por isso, preciso estar atento e equilibrar a quantidade de alimentos de origem láctea em minhas refeições. Sim, é um tanto chato não poder abusar do chocolate, do queijo e do leite sem ter fortes contrações intestinais, mas, infelizmente, meu organismo é assim e tenho de pensar no que é melhor para minha saúde.

Edmundo, personagem de As crônicas de Nárnia, no trecho acima, tinha acabado de deliciar-se com uma caixa inteira de manjar turco (um tipo de doce originado no Oriente Médio) que lhe foi dado pela Feiticeira Branca em troca de levar seus irmãos ao palácio da falsa rainha. Não, Edmundo não possuia intolerância à lactose e o manjar turco sequer leva leite. No entanto, ele abusou da comilança em dois sentidos: primeiro, porque comeu doce demais; em segundo lugar, porque ao se deixar levar unicamente pelo desejo de comer novamente o doce, sequer quis perceber a maldade da feiticeira ou refletir sobre as atitudes dela.

O prazer de comer pode nos levar ao descompasso. No meu caso, o prazer de comer chocolate ou de comer um super sanduíche com muito queijo pode me levar a ter problemas digestórios. No caso de Edmundo, o prazer de comer o manjar turco o levou a fechar os olhos para quem a Feiticeira Branca era e o levou a trair seus irmãos. A comida tem um propósito: nos nutrir. É claro que podemos sentir prazer com isso e fazer do ato de comer algo muito mais agradável. No entanto, a satisfação deve levar em conta aquilo que pode nos fazer bem ou mal. Existem alimentos mais saudáveis do quê outros e práticas alimentares mais adequadas do quê outras. Edmundo quase perdeu-se de vez por uma caixa de doce; algo delicioso, sem dúvidas, mas que não alimenta adequadamente o corpo.

Como cristão, seis que a Bíblia trata também de hábitos alimentares. Existe uma série de restrições gastronômicas para o povo de Israel no Antigo Testamento. No Novo Testamento, a alimentação muda de foco e há a preocupação de Paulo sobre a prática alimentar que pode fazer mal "à digestão espiritual" do meu próximo, passando de algo material para imaterial. No entanto, quero focar a reflexão em Cristo, que é o Pão da vida. Ele nos diz que sua palavra é verdadeira comida e bebida e, por isso, deveríamos nos alimentar dela, além disso, ele nos diz que a comida dEle é "fazer a vontade daquele que o enviou" e que o que contamina o homem não é a comida que ingere, mas o que é "vomitado" de seu coração. Tudo isso nos indica que existem formas de se alimentar espiritualmente e que esta nutrição espiritual é tão (ou mais) importante que a material.

Edmundo estava passando mal, não apenas pelo excesso de doce ingerido, mas, certamente, por já estar digerindo (o) mal contra seus irmãos. Ele já estava planejando como enganá-los para que os pudesse levar até a Feiticeira Branca e, assim, conseguir mais manjar turco. Mas Edmundo não é o único que se alimenta mal. Quantas vezes eu não tenho me alimentado de forma inadequada? Como pratos com laticínios em excesso e acabo passando mal; alimento desejos e pecados que fazem mal à minha saúde espiritual; deixo de me alimentar regularmente com o precioso Pão da vida... ou seja, morro pela boca!

Meu apetite, neste momento, é o de alimentar-me melhor: tanto fisica quanto espiritualmente. O que como fisicamente não me torna pecador ou não (no máximo, estou tratando mal o "Templo do Espírito"), mas posso estar digerindo o mal em meu ser apenas por deixar de alimentar-me do que é bom, bem, vida, amor, palavra de Deus. As coisas com que me ocupo ou faço (arte, trabalho, conversas, pensamentos, etc.) estão sempre alimentando meu espírito (bem ou mal). Quero que meu espírito esteja sempre bem nutrido e forte, bem alimentado de Deus, para que, ao fim, minhas palavras, atos e presença sejam, também, um pedacinho deste Pão que desceu do céu e alimente aos que estiverem à minha volta.

Amadurecimento

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Pessoas adultas
falam a sério,
andam correndo,
criam esquemas,
ganham dinheiro,
têm pouco tempo.

Não brincam,
nunca riem,
nem gargalham.

Por isso, sinto te dizer,
mas quando eu crescer,
quero é ser gente grande.


Os abençoados

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[Hoje, em lugar de escrever um texto vou transpor um trecho da Bíblia A mensagem (paráfrase bíblica de Eugene H. Peterson, que pretende dar uma linguagem contemporânea ao texto bíblico). Mesmo que não goste ou concorde com a tradução dada ao texto, é interessante ler e refletir nesta mensagem.]


Quando percebeu que seu ministério começava a atrair multidões imensas, Jesus subiu a uma montanha. Solicitou aos que estavam aprendendo com ele que o acompanhassem. Quando chegaram a um lugar bem tranquilo, ele se assentou e começou a ensinar aos seus companheiros de caminhada:

"Abençoados são vocês, que nada mais têm para oferecer. Quando vocês saem de cena, há mais de Deus e do seu governo.

Abençoados são vocês, que sofrem por terem perdido o que mais amavam. Só assim poderão ser abraçados por aquele que é o amor supremo.

Abençoados são vocês, que se contentam com o que são - nem mais, nem menos. Assim, vocês se verão como os orgulhosos donos de tudo que não pode ser comprado.

Abençoados são vocês, que sentem fome de Deus. Ele é comida e bebida - é alimento incomparável.

Abençoados são vocês, que se preocupam com o bem-estar dos outros. Na hora em que precisarem de ajuda, também receberão cuidado.

Abençoados são vocês, que puseram em ordem seu mundo interior, com a mente e o coração no lugar certo. Assim, vocês poderão ver Deus no mundo exterior.

Abençoados são vocês, que conseguem mostrar que cooperar é melhor que brigar ou competir. Desse modo, irão descobrir quem vocês realmente são e o lugar que ocupam na família de Deus.

Abençoados são vocês, cujo compromisso com Deus atrai perseguição. A perseguição os fará avançar cada vez mais no Reino de Deus.

E isso não é tudo. Considerem-se abençoados sempre que forem agredidos, expulsos ou caluniados para me desacreditar. Isso significa que a verdade está perto de vocês o suficiente para os consolar - consolo que os outros não têm. Alegrem-se quando isso acontecer. Comemorem, porque, ainda que eles não gostem disso, eu gosto! E os céus aplaudem, pois sabem que vocês estão em boa companhia. Meus profetas e minhas testemunhas sempre enfrentaram essa mesma dificuldade".


Mateus 5. 1-12 (A mensagem - Bíblia em linguagem contemporânea)

Hoje, dia de ser criança


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É comum que se pense que nós, que gostamos de "desenho animado" japonês, assistir séries de ficção científica, jogar video-game, ou ler livros de fantasia, sejamos um tanto quanto imaturos ou "criançados". Em nossa cultura, estas coisas são típicas das crianças e consideradas impróprias para adultos. Hoje, é o dia das crianças e, talvez, um dia para voltar a ser criança, no melhor sentido possível.

Quem não sente falta da época de infância? Quando era possível passar na escola com o mínimo esforço, quando as maiores preocupações do dia eram quais brincadeiras brincar, quando todos, até a primeira briga, eram amigos (e, mesmo após a briga, voltavam a ser depois de um mero pedido de desculpas). As questões surgiam, mas na maioria das vezes se resolviam com uma rapidez incrível. Preocupação, ansiedade, tristeza ou depressão eram "coçeirinhas" que davam e logo passavam. O dia era tudo, o momento sintetizava e acumulava tudo, de forma simples e fugaz.

Romantismo em relação à infância? Não, haviam problemas, ficaram traumas, coisas terríveis também ocorriam. Crianças também aprendem a ser más e a fazer o mal. Quem não tinha aquele rival, aquela criança malvada que grudava chiclete em seu cabelo ou colocava o pé para você cair? Sim, havia briga, murros, chutes e palavrões! Mas se a intensidade era grande a transposição também era rápida. O que não podia ser resolvido era deixado de lado, os problemas (que, em maior parte, os adultos nos transferiam) eram esquecidos na brincadeira, na curiosidade em relação ao novo, no relacionamento com os amiguinhos. Mesmo os "inimigos", eram aceitos nas brincadeiras (mesmo que sempre terminasse em briga), sempre uma chance renovada para o acerto, para ver se era possível se dar bem.

Como cristão, hoje, duas palavras de Jesus me ecoam na mente:

"Como resposta, Jesus chamou uma criança para o meio da sala e disse: [...] Quem se tornar simples de novo, como esta criança, será o maior no Reino de Deus." (Mateus 18:2,4 "A Mensagem")

"Prestem atenção: a não ser que vocês aceitem o Reino de Deus com a simplicidade de uma criança, não irão entrar nele." (Lucas 18:17 "A Mensagem")

A forma simples e despretensiosa de viver das crianças é tomada por Jesus como a forma necessária para entrar no Reino de Deus. Mas que simplicidade é esta? Acredito que seja a simplicidade de receber cada momento como dádiva, cada dia como novo, cada encontro com alegria. Crianças conseguem transformar, através da imaginação, objetos em brinquedos e deixar de lado richas e desavenças em prol do contentamento de brincar. Para as crianças tudo é muito simples: basta que seja divertido. Em relação ao Reino, isso se aplica na forma alegre, leve e espontânea com que devemos viver o evangelho de Cristo. Perdoar nossos "inimigos" e brincar juntos de novo; distribuir por todo lado a Graça leve que nos tira o peso da culpa e do pecado; receber cada dia com a alegria da misericórida que se renova a cada manhã...

A simplicidade das crianças também implica em ter um coração mole: se desculparem com mais facilidade, terem mais empatia pelo outro, se alegrarem com mais facilidade, estarem mais predispostos a ouvir e obedecer. Em Hebreus, citando o Salmo 95, diz-se que

Por isso Deus estabelece outra vez um determinado dia, chamando-o "hoje", ao declarar muito tempo depois, por meio de Davi, de acordo com o que fora dito antes: "Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração". (Hebreus 4:7 NVI)

A lição que me fica para hoje é a de resgatar a simplicidade de criança para poder, assim, entrar no Reino de Deus. Hoje, não quero endurecer meu coração, não quero manter ressentimentos, não quero andar ansioso pelo futuro, não quero deixar de perdoar, não quero perder a alegria das coisas simples, não quero perder a facilidade em amar e quero aproveitar o dia curtindo esta Graça maravilhosa de Deus, que nos torna filhos do Pai.

Uma jornada além das estrelas

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"Espaço, a fronteira final...", assim iniciam-se os episódios da famosa série Star Trek (Jornada nas Estrelas, no Brasil). produzida na década de 60. A série televisiva mostra as viagens da tripulação da nave espacial Enterprise, capitaniada por James. T. Kirk, que conta com o auxílio de seus dois companheiros e amigos: Mr. Spock e Dr. McCoy (Bones). Infelizmente, não pude ainda assistir as três temporadas da série original; estou ainda no fim da primeira, mas arrisco-me a realizar uma pequena análise desta fantástica série.

A princípio, assim que decidi assistir a série, pensei que se trataria de uma típica série de ficção científica: criaturas alienígenas estranhas e bizarras, ameaças intergalácticas, planetas fantásticos e muitos aparelhos Hi-Tech. É claro que estas coisas estão presentes, mas, eu diria, são secundárias na estória. O que mais me surpreendeu a cada episódio foi a linha de foco da série, que ao contrário do que se pode esperar ou imaginar não trata da exploração espacial, mas de outra jornada mais profunda: o ser humano.

Sim, episódio atrás de episódio a grande odisséia espacial é decifrar o maior mistério da galáxia: o interior da alma humana. Planetas, criaturas e tecnologia apenas servem de meios para ressaltar aspectos bem humanos. Em muitos episódios, o maior desafio das personagens é lidar com suas emoções, com relacionamentos ou com questões de moral e ética. E haveria alguma jornada mais desafiadora? A fronteira final é o conhecimento de si mesmo, daquilo que move as ações e os pensamentos, o que de fato sentimos e desejamos, em quê realmente acreditamos, este espaço interior ainda tão desconhecido e inexplorado.

Ao contrário do que poderia esperar, perceber isto só me empolgou ainda mais com esta série e a recomendo a quem estiver interessado em mais do quê aventuras espaciais. Daí ser um clássico e cativar, ainda, tantas gerações de fãs. Como um bom nerd cristão, também não poderia deixar de ver a importância desta descoberta para minha vida cristã. Conhecer meu interior, esta jornada tão desafiadora e difícil, é parte do chamado de Jesus para nós. A Bíblia nos diz que Deus nos sonda e nos conhece, que para Ele nada há encoberto e quer que também saibamos disso. Em Deuteronômio, nos diz:

E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não. E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem. (Deuteronômio 8:2-3).

Assim, percebemos claramente que a jornada no deserto, que o povo de Israel percorreu, não era apenas para que Deus sondasse o seu povo, mas para que este também entendesse a si mesmo, visse o que estava dentro de seus corações e o que realmente importava no fim. A terra prometida só foi recebida após a sondagem e o aprendizado e só a jornada, o caminhar, o percurso que nos permitem ser perscrutados e, com isso, nos conhecermos e entendermos o que é mais importante.

Para mim, a metáfora mais evidente para a vida, na Bíblia, é a de uma jornada. É recorrente a ideia de caminho, vereda, percusso, passagem e trânsito. Até Jesus referiu-se a si mesmo como o Caminho e a Porta, dois símbolos de passagem, processo, transcurso. A cada passo, a cada dobra espacial, nos aproximamos mais do propósito: nos deixarmos conhecer e sermos transformados, em nosso entendimento, naquilo que Deus quer nos mostrar como mais importante, sua Palavra. Palavra que é vida e que se resume em dois únicos mandamentos: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Amar também é uma jornada, assim como viver, conhecer a Deus e entender sua vontade. Mais importante é que nem estamos sozinhos nem viajamos às cegas neste percurso. Assim como o Capitão Kirk tinha seus amigos para ajudá-lo, temos um grande amigo que conhece bem a trilha: Jesus. Daí que viver como Ele viveu e seguir seus ensinamentos é o Caminho para Deus. Deus se tornou homem para nos mostrar como o ser humano deve percorrer esta jornada de vida. Só através de Cristo podemos, de fato, trilhar o caminho que nos leva à Deus.

A cada dia, a cada passo, a cada curva na estrada, busco seguir mais as pegadas deste Guia. Quero que este desejo e esta determinação se fortaleçam a cada momento e quero indicar a outros este caminho difícil, mas certo. Que eu possa viajar sabendo que, mesmo sem pertencer a esta estrada (é só um percurso de passagem) cada passo é firme e leve; cada curva é surpresa e confiança; cada subida é esforço e pacificação... Quero seguir sempre caminhando amorosamente no Amor que nos move para mais perto daquele que é o Amor.

Convicção ou Teimosia!?




“Será convicção ou teimosia esse velho jeito de pensar?
Estar aportado, cônscio demais, é demasiado árduo, pesa tanto quanto âncora...

Quem disse que quero vislumbrar a vista do porto?
Quem disse que há graça em ver todo mundo chegar depois da tempestade e só você seguro em bonanças? Nunca vi viajar sem sair do lugar.

Pois, eu digo: quero destratar meus medos, quero pensar todo dia diferente... um rio intermitente... às vezes seca; às vezes cheia... às vezes eu... às vezes desconhecido... às vezes salvo... às vezes náufrago... às vezes riso... às vezes descontentamento... às vezes grito; ás vezes silêncio mortal... e daí?...

Porto é lugar para onde se deve voltar algumas vezes e por algum motivo...
Porto não é lugar para permanecer ancorado a vida toda!”

Sanji, um homem com determinação


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No anime One Piece, meu personagem favorito é o cozinheiro Sanji. Não, eu não sei cozinhar bem (às vezes, arrisco-me na cozinha, mas é raro e nada complexo demais. Mas ainda pretendo aprender alguma coisa... Enfim!). Mais do quê o espadachim Zoro, ou o capitão do navio, Luffy, entre os demais "chapéus de palha" gosto da personagem Sanji por dois motivos: 1) as caras e bocas que ele faz quando vê uma garota bonita (Mellorine!!! hauhauhauhau! Meus amigos sabem do quê estou falando); 2) Sua determinação em seguir seus preceitos.

Sanji possui duas grandes determinações de vida, dois grandes preceitos: o primeiro, é não deixar, se estiver ao seu alcance, alguém passar fome; o segundo, é nunca, nunca, nunca, bater em uma mulher. Por conta de um episódio em sua infância, em que quase morreu de fome preso em uma rocha no meio do oceano, Sanji se determinou a nunca deixar alguém passar pela mesma experiência que ele e, mesmo que seja um inimigo, servir uma refeição à pessoa faminta. Por conta de seu affair com garotas (ele fica extremamente bobo e tem atitudes exóticas perto de garotas bonitas), ele também se determinou a nunca bater em uma mulher, mesmo que isto lhe custe a vida.

Em um dos primeiros episódios em que Sanji aparece, ele serve comida a um pirata que aparece faminto no navio-restaurante em que ele trabalha. Mesmo sabendo que o pirata, após recompor-se da fome, poderia tentar roubar o navio ou planejar algo contra ele, Sanji não esmorece e serve uma ótima refeição ao pirata, sem nem sequer cobrar-lhe um centavo por ela. Da mesma forma, quando do resgate de Robin em Enies Lobby, Sanji tem de lutar com uma bela mulher, Kalifa, que é membro da CP9 e fora enviada para eliminar os "chapéus de palha". Ele apenas tenta se proteger de seus golpes, pois ele prefere morrer a bater em uma mulher. De fato, ele quase morre, Nami foi quem teve de lutar contra Kalifa para que Sanji não morresse.

Este tipo de atitude é raro. Estava pensando em meu próprio comportamento e em como, muitas vezes, abandono meus preceitos por medo, insegurança ou pelo prejuízo que posso ter caso sustente uma determinação. Minhas determinações ainda são muito fracas. Quantas vezes não me saboto e me "condeno naquilo que aprovo"? Reconheço o bem e tenho consciência do que é bom, mas ainda assim pratico o que não concordo para que eu não saia prejudicado ou para que as consequências me sejam "favoráveis". Muitas vezes, praticar o bem ou o que é bom nos dará prejuízo e não vantagens imediatas. Comprometer-se com alguém ou algo nos dará mais responsabilidades e trará mais exigências e não o contrário.

Em um belíssimo salmo, o poeta questiona a Deus quem poderia estar mais próximo dEle, quem seria digno de conviver com o Todo-poderoso:

"Senhor, quem habitará no teu santuário? Quem poderá morar no teu santo monte? Aquele [...] que mantém a sua palavra, mesmo quando sai prejudicado," (Salmo 15.1,2a e 4b).

Entre outras virtudes, a de manter sua palavra é vista como atitude de quem é digno de estar na presença de Deus, mesmo que isto lhe custe ou lhe dê prejuízo. Ser íntegro, muitas vezes envolve sair prejudicado de alguma situação. A recompensa do íntegro não está em ter "lucro" por sua honestidade, mas em praticar aquilo que aprova. A satisfação do íntegro não está nos "dividendos" (sejam de quaisquer espécie, até mesmo morais), mas em fazer aquilo que sua consciência afirma ser o correto.

Tenho pedido a Deus para que nunca chame o mal de bem e nem o bem de mal. Quero reconhecer o que é bom quando o vir, mesmo que este bem "me prejudique". Quero desenvolver uma determinação tão forte que eu seja capaz de morrer por ela. Exagero? Não, integridade. Isso não quer dizer que o íntegro será um intransigente. Quer dizer que o íntegro será alguém plenamente consciente de seus valores e ideais. O íntegro é capaz de explicar seus preceitos, pois ele está consciente deles. Pode ser que desenvolvamos determinações diferentes ao longo da vida, ou que mudemos algumas delas devido à uma mudança de consciência, não há problema nisso. O que não pode ocorrer é a mudança por causa do possível ou provável prejuízo que teremos.

Tudo isso soa muito estranho em um tempo onde o que importa é a "vantagem" que se terá. No entanto, para nós cristãos, o que importa não são as vantagens imediatas que poderemos receber nesta vida. Como C.S. Lewis disse, "Você não tem uma alma. Você é uma alma. Você tem um corpo". Daí que "dar a outra face", "entregar também a túnica" ou "arrancar o olho direito" não são prejuízos, são investimentos naquilo que é eterno. A vida cristã é uma vida que envolve sacrifícios e aflições (Jesus nos mostrou isso claramente). Será necessário perder para ganhar, será necessário dar para receber, será necessário morrer para viver... Será que estou disposto a tanto? Meu único pedido é que o Senhor me dê ouvidos atentos para ouvir e praticar esta palavra. Amém!

O que eu realmente quero é...

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Não, não é chocolate! (Mais uma para a lista de piadas infames e sem graça do Wesslen Nicácio). A ideia desse texto me surgiu a partir da releitura de "O peso de glória", um dos ensaios do livro homônimo de C. S. Lewis. "Jack" sempre me faz pensar (acho que pelo tempo de convivência já posso chamá-lo como seus amigos chamavam) e me inquieta, o que é muito bom, porque sempre me faz querer buscar respostas para estas inquietações.

Neste ensaio, Mestre Lewis nos fala de como nosso desejo mais profundo será realizado na eternidade com Cristo e de como isso pode nos parecer tão pouco convidativo à princípio. Ele nos fala de como nossos desejos dão uma ideia pálida daquilo que realmente queremos. Temos diversas ideias de céu e paraíso, que são imagens da realização plena de todos os anseios e desejos, mas aquilo que lemos na Bíblia, ou vemos em pinturas e descrições nem sempre nos apetece. Em um trecho, ao se debruçar sobre as escrituras para compreender o que de fato seria a "Glória" prometida aos fiéis, ele diz que, Tendo deixado, por um momento, de considerar meus próprios desejos, comecei a aprender melhor o que eu de fato queria. Essa constatação de mestre Lewis, especificamente este trecho, me levou diretamente a uma questão mais profunda, que o próprio Jack já tratou em outros livros: a luta da carne contra o espírito.

Logo, me veio um exemplo à mente: o momento quando temos muita raiva de alguém. A princípio, nosso desejo (movido pela raiva) é simplesmente de esganar a pessoa, ou vingar-se, ou retribuir com a mesma ação ou ainda ferí-la com palavras. Mas, de fato, nosso querer, nosso desejo profundo, não é esse. O que de fato queremos quando temos raiva por algo que alguém nos fez ou disse é que haja justiça. Perceberam a diferença? Passamos de algo mesquinho e pequeno como "esganar alguém" para algo nobre, verdadeiro e bom: "Justiça".

Pra mim, é claro o embate: trata-se da velha rixa entre carne e espírito. A carne, corrompida juntamente com a natureza (que está submetida ao príncipe deste mundo - vide os posts "Singularidade" aqui no blog) foi posta em um nível deturpado do que é realmente bom e procede de Deus: o espírito. Deus plantou a eternidade em nossos corações e isso quer dizer não apenas o desejo de viver para sempre, mas de fazer parte de tudo o que permanece, de tudo o que é: a luz, o bem, a verdade, a vida. Quando percebemos os substântivos antagônicos destas palavras vemos que eles conceituam ausências: a escuridão, a ausência de luz; o mal, a ausência do bem; a mentira, como a ausência da verdade; a morte, como a ausência da vida. Ou seja, elas não são ideias em si, mas em relação com o que de fato é. E aquilo que é, é eterno.

Quando desejamos esganar alguém, damos vazão à corrupção do desejo verdadeiro: justiça. O que queremos mais profundamente é que o bem prevaleça, que não nos façam mal, pois o bem é o equilíbrio e o mal o desequilíbrio. No entanto, se obedecermos o desejo da carne corrompida, nos distanciaremos do bem que queremos e praticaremos o mal que detestamos. O Espírito em nós, fortalece nosso espírito e nos leva, processualmente, para perto do que é bom, puro, verdadeiro, luminoso e vivo.

É assim que, quando deixamos de pensar e agir apenas de acordo com o que desejamos, seguindo o que nos dá vontade de fazer, é que podemos aprender mais sobre o que de fato queremos. Quando, ao invés de esganar alguém, eu paro e penso no que de fato quero, perceberei que quero que seja feita justiça. Essas ideias de justiça, verdade, bem, alegria, pureza estão plantadas em nós devido à presença do espírito, que voltará para Deus. Compartilhamos, assim, duas naturezas: uma carnal, corrompida juntamente com a natureza e este mundo, e a espiritual, que mantém as sementes da eternidade, das coisas que são. A questão é não focar no desejo impulsivo, mas em buscar o real querer.

Quando paramos para analisar a maioria de nossos desejos, veremos que eles escondem um querer muito mais profundo e verdadeiro: o desejo de transar é na verdade um querer ser amado/a e querido/a; o desejo de possuir muitos bens é na verdade um querer desfrutar de conforto e bem-estar; o desejo de ser melhor que os outros é na verdade um querer ser reconhecido e ser apreciado pelos meus pares. Coisas eternas, nobres, verdadeiras e boas foram corrompidas em coisas momentâneas, mesquinhas e pequenas.



Acho que devo acrescentar, em relação a estes desejos, que, necessariamente, eles não são ruins. O problema é quando eles se tornam um fim em si mesmos, ou seja, quando eles não são parte da manifestação do querer mais profundo (a prática sexual como fruto da manifestação de amor e carinho no casamento; o desejo de ser melhor como manifestação do querer servir melhor aos meus amigos e irmãos). Assim, a corrupção está em tornar estes desejos mais importantes que o querer profundo. Torná-los um fim em si mesmos é diminuí-los, mediocrizá-los e amesquinhá-los. Isso é o que podemos chamar de perversão, pois Cristo já deixou claro que "nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus", ou seja, não devemos viver para suprir nossos desejos imediatos, mas buscar o que é eterno.


O ponto maravilhoso do artigo de C.S. Lewis, para mim, é quando ele nos lembra de que nossa natureza caída também será transformada e experimentaremos o melhor dos dois mundos. A carne também foi feita para Deus e se agora ela está corrompida ela será glorificada e compartilharemos de um corpo glorioso em que não haverá mais disputa, mas apenas harmonia. Ponto em que não teremos mais falta, produzida pelo desejo e pelo querer, porque seremos realizados: seremos. Desta forma, todos nossos desejos estarão satisfeitos porque eles serão em nós, por meio de Cristo.

A recompensa da perseverança

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Rock Lee sempre foi um dos meus personagens favoritos em Naruto. Infelizmente, agora, ele mal aparece... Enfim, depois do Shikamaru, é dele que mais gosto (nada de Naruto, Sasuke ou Kakashi! hehehehe! Ah! E nem Itachi, Elsinho! hauhauhauhua). O que eu mais gosto no Rock Lee? A perseverança e a determinação. Rock Lee é um ninja que não pode usar duas das três importantes técnicas ninja: o ninjutsu e o genjutsu. Assim, para realizar seu sonho de se tornar um ninja, mesmo sem utilizar estas duas técnicas ele só tinha uma escolha: dominar e ser extraordinariamente muito bom na terceira técnica, o taijutsu.

Quem conhece o anime Naruto sabe que Rock Lee conseguiu se tornar um ótimo ninja, mesmo dominando apenas uma das três técnicas ninjas. Ele conseguiu se superar e conquistar seu sonho pela crença e perseverança no "trabalho duro". Lee treinava mais que os outros, dedicava-se muito mais para poder superar sua deficiência nas outras habilidades. Como resultado, Rock Lee tornou-se o melhor lutador de taijutsu de sua vila, exceto talvez por seu mestre: Gai Sensei.

Não vou me deter demais na história do Lee. Só quero frisar na perseverança deste personagem. Rock Lee conseguiu se superar por primeiro ter alguém que acreditasse e investisse nele (Gai Sensei) e depois por fazer sua parte: treinar forte e duro para superar suas dificuldades. Esta conquista do sonho é algo maravilhoso que só a perseverança pode nos permitir alcançar. Acredito que devemos ser perseverantes, principalmente, em relação à buscar a realização pessoal, algo que realmente nos faça dá sentido à nossa existência. Rock Lee se tornou realizado ao se tornar ninja e pra isso, precisou perseverar em um duro treinamento, mesmo quando tudo apontava para seu fracasso. A perseverança dele o permitiu ser realizado, pleno.

Para nossas vidas, a conquista de Rock Lee traz um valioso exemplo. Deus deseja que todos os homens admitam e superem suas deficiências para que possam ser transformados por Seu Espírito. Assim, cada um tem sua dificuldade e sempre temos algo em que trabalhar e ser trabalhados: nosso caráter, nossas ações, o abondono de um pecado secreto, etc. Assim como Lee, cada um tem um ponto falho, uma deficiência que nos impede de sermos plenos Filhos de Deus. Teremos de trabalhar duro e deixar que o Espírito Santo trabalhe duro em nós para podermos chegar ao nível que o Senhor espera de nós. Para isso, precisamos ser perseverantes, da mesma forma que Rock Lee. Paulo nos diz que Deus

[...] recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade; Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego; Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego; Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas. (Romanos 2. 6-11 ARC)

A conquista da perseverança será a vida eterna com Deus, sendo verdadeiros filhos e filhas dEle. No entanto, para isso, é necessário deixar de lado tudo que é deficiente em nós. Rock Lee não tinha como superar sua dificuldade com ninjutsu e genjutsu, por este motivo, só podia desenvolver e aprimorar o taijutsu. Gai Sensei acreditou e investiu em Rock Lee, auxiliando seu aluno a se superar e a se aperfeiçoar. Foi necessário muita disciplina, perseverança e hard-working para que Rock Lee finalmente superasse sua incapacidade e se tornasse um grande ninja. Da mesma forma, Deus está disposto a ser nosso sensei e nos auxiliar em todo o processo de aperfeiçoamento. Ele nos deixou um roteiro de treinamento (a Bíblia) onde nos explica quais os exercícios e atividades que nos tornarão verdadeiros jounins (ninjas de elite) de Deus.

Precisamos, para isso, fazer nossa parte: praticar constantemente, com perseverança, aquilo que nos foi deixado como preparação. Quando somos perseverantes não desistimos. Não importa o quão difícil, improvável ou contrária seja a situação, o perseverante irá seguir em frente porque ele acredita, porque ele tem um propósito, porque ele tem um sonho a realizar. Nosso propósito é nos tornar homens e mulheres tal qual Deus nos planejou: vivendo em intensidade de alegria, paz, mansidão, domínio próprio, bondade, paciência e amor. Principalmente e perseverantemente, em verdadeiro amor.

Os glutões não herdarão o reino de Deus

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Ao longo das épocas, culturas e sociedades, a glutonaria já foi percebida de várias formas: como símbolo de prosperidade e de saúde, mas também de degradação e descontrole. Costumes e interpretações sociais do fenômeno vão e vem, de um tempo ao outro, mas, de um jeito ou de outro, a glutonaria permanece presente entre as ações humanas.

Acredito que hoje exista uma tendência a considerar a glutonaria como uma questão patológica, ou seja, o glutão possui esta atitude por uma disfunção biológica/psíquica e precisa de auxílio médico. Não sou especialista na área, sequer sou da área de saúde, mas não vejo, ao menos a maioria dos casos, desta forma. Acredito que isto é uma questão psicológica, sim, mas não que seja uma patologia. Acredito que se trata mais de uma questão inerente ao ser humano, mas que, por um motivo ou outro, descontrolou-se.

O ser humano tem a necessidade de alimentar-se. Isso é natural e próprio de nossos corpos. No entanto, poderíamos considerar a alimentação excessiva, o comer além do necessário, como uma distorção desta necessidade natural. Sabemos, até mesmo, que nossos corpos não suportam qualquer quantidade de alimento, existe um limite de recepção e que todo o excesso de nutrientes será "estocado" em forma de gordura, o que, em excesso, poderá provocar outros problemas sociais e de saúde. As causas deste desvirtuamento de uma condição natural podem ser variadas, até mesmo patológicas (questões de ordem hormonal, inclusive). O estranho (ou interessante) nisto tudo é que sabemos que sempre hão de existir glutões, seja por patologia ou por questões culturais, mas que o evangelho sempre os condenará nesta prática. Isto pode nos levar à pensar que o evangelho é desatualizado, ou que seja preconceituoso contra os glutões, ou ainda que não leve em consideração as questões próprias de cada época ou cultura.

Hoje, com a "cultura dos magrinhos" e a "alimentação saudável" da geração fitness, é fácil achar que ser glutão é algo ruim e desagradável, além, é claro, de poder causar doenças. Mas deixando de lado a cultura slim de nosso tempo, podemos construir um exemplo para nos ajudar a refletir: um sujeito que é glutão, tem seus 32 anos, trabalha em casa desenvolvendo web sites (ganha muito bem), mora sozinho, não tem, nem quer ter, uma namorada, se sente feliz assim e não tem preocupação sequer em se tornar obeso ou ter problemas cardio-vasculares. Com isso, pergunto: afinal, desde que ele se sinta feliz e não incomode ninguém, qual o problema de comer demais?

O argumento de que ele trará prejuízos ao setor público de saúde é muito fraco e mesquinho. A verdade é que não nos importamos, nem o sistema de saúde se importa, com a vida de cada indivíduo, especialmente se ele for "estranho" à nós. O argumento de que ele não poderá ter uma vida plena e saudável também não, pois, como explicitado no exemplo, ele se sente bem com isso. Tão pouco o argumento de que ele não será aceito socialmente cabe, pois nosso glutão do exemplo não se importa com a vida em sociedade, ele gosta mesmo é de ficar só em casa, ele só quer ser feliz ao lado de seu saquinho de salgados.

Bem, em tempos de cultura pós-moderna, a resposta a essa pergunta seria simplesmente: "Então, deixa o cara!" mas, até esta postura, é mesquinha e não corresponde com a verdade. Seja por causa biológica ou por posturas culturais, nos incomodamos com a glutonaria. Talvez em alguns tempos e sociedades o incômodo seja menor ou restrito (os pobres e famintos, ao longo da história, provavelmente se incomodarão mais com esta prática), mas, sem dúvida, comer além da conta sempre será visto como "além da conta", como passar dos limites. Gostemos ou não, concordemos ou não, o homem é um ser social e o outro sempre terá efeitos em nós, seja de aprovação, seja de desaprovação. O comer demais ou comer de menos sempre causará incômodo por fugir ao padrão (gostemos ou não, concordemos ou não, existem padrões).

Assim, mesmo em nossa época, por mais que se construa essa sociedade individualista e egocêntrica que pulveriza tudo, o glutão causa incômodo (mesmo que não expressemos isso). Em nossos dias, a lei do "cada um por si" nos ensina a não nos importar com o outro desde que ele não interfira no "meu". "Se o cara é feliz assim, deixa o cara!" é uma frase recorrente. No entanto, não conseguimos nos isolar completamente uns dos outros e assim construimos ligações fracas, por interesse ou sintonia momentânea; ligações que podem se romper facilmente, pelo tempo, espaço, ou mudança de interesse. O fato é que, por sua natureza social, a humanidade se autoinfluencia. Cada pessoa interfere na outra e não é possível pensar que cada um pode ficar "na sua" e fazer o que "der na telha". Para os cristãos isso é ainda mais evidente: "Que todos sejam um" ou "Tenham todos uma mesma forma de pensar" não são sugestões, são mandamentos a seguir.

Voltando para a questão da glutonaria, percebemos que para o cristão as possibilidades de interpretação são pequenas. Mesmo que seja uma questão biológica/patológica ou que seja bem aceita em determinadas sociedades a glutonaria é percebida como pecado. Caso seja biológica/patológica, deverá ser tratada; caso seja cultural, deverá ser abandonada. A atitude de glutonaria, de uma forma ou de outra, não está de acordo com a proposta de Deus para o homem. Ser cristão envolve também desenvolver uma disciplina em relação aos desejos e impulsos de nosso corpo. Gostemos ou não, concordemos ou não, tenhamos ou não tenhamos explicações científico-culturais para nossas atitudes, algumas delas deverão ser abandonadas:

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. (Galátas 5. 19-24 ARA)

Não tenho explicação científica para o porquê de Deus não se agradar de todas estas coisas. O fato é que Ele não gosta. Algumas delas sequer são aceitas socialmente, mas pode ser que em determinada época ou cultura elas sejam bem vistas ou percebidas como "geneticamente inerentes à nossa espécie". Não importa. Como cristão, que busca agradar ao Pai, devo deixar de lado todas as coisas que Deus, em sua palavra, não aprova. Acredito que cada cristão deve se enquadrar em pelo menos uma destas atitudes que Deus não aprova. Sei que meu lado carnal se encaixa em pelo menos duas coisas nesta lista. Talvez de algumas delas Deus nos livrará como num passe de mágica. Talvez de outras tenhamos de exercitar o domínio da carne e segurar as rédeas na força que o Senhor nos der. A questão é que cada um terá de enfrentar alguma "glutonaria" que deverá ser posta de lado por amor a Deus. Cristãos sinceros, que tiveram revelação do amor de Deus, não tem problemas em entender estas coisas. Deixar de atender a meus impulsos e desejos não é sacrifício grande demais, nem é me despersonalizar, deixar de ser quem sou: é apenas agir da forma que Aquele que me fez planejou para mim.

Perelandra

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Há algumas semanas, escrevi uma pequena divulgação de livro cristão-nerd chamado Além do planeta silencioso. Agora, com muita felicidade posso escrever sobre o livro que dá sequência a este: Perelandra. Esta semana, tive a imensa alegria de ver no site da WMF Editora (www.wmfmartinsfontes.com.br) o anúncio de lançamento da tradução em português brasileiro desta obra de Mestre Lewis. O segundo livro da trilogia cósmica de C. S. Lewis é, em minha opinião, o melhor dos três que compõem esta incrível trilogia. Apesar do título estranho, que pode levar muitos a entender que se trata de algo muito psicodélico ou com criaturas muito bizarras, recomendo entusiasmadamente a leitura deste livro.

Apesar de se constituir em uma narrativa curta, as discussões realizadas no livro são de uma profundidade incrível. Neste livro, podemos entender alegoricamente o que significou o sacrifício de Cristo na cruz, como se dá a luta contra a tentação ao pecado, que papel podemos (ou não) ter em influenciar as pessoas ao nosso redor a não se deixarem levar pelo mal, qual o sentido e prazer que há na obediência e submissão, etc. É uma narrativa rica em imagens, metáforas e alegorias sobre a luta constante entre carne e espírito no interior do cristão.

Sou suspeitíssimo para escrever sobre Perelandra (acho que meu entusiasmo já transpareceu nas linhas anteriores). Li a edição portuguesa há uns dois ou três anos e confesso que o livro mexeu com minhas vísceras (não estou sendo literal! hahahaha). O ponto que mais me chamou a atenção na estória foi a inquietude de Ransom, personagem principal, sobre o papel que ele deveria ter na salvação ou perdição de Perelandra. Não se preocupem, não farei spoiler, mas a dúvida sobre o que deveria fazer ou qual era a ação mais razoável a desempenhar é algo que rumina na mente de Ransom na maior parte da narrativa. Para dificultar ainda mais a situação dele, ele não havia sido instruído objetivamente sobre que papel teria neste misterioso planeta.

A estória inicia com os preparativos de Ransom para viajar para Perelandra. Desta vez, não se trata de uma viagem acidental, não planejada, mas há um propósito em ação que leva Ransom até lá. No entanto, o que ele deveria realizar no remoto planeta não lhe é revelado, apenas lhe é imputada a tarefa de ir e lhe é informado que sua presença no planeta será crucial para o futuro. Assim, Ransom parte e encara mais uma vez um planeta misterioso e desconhecido, envolve-se em uma verdadeira conspiração cósmica e descobre mais de si mesmo e das forças que regem o universo...

Leitura imperdível para qualquer amante de ficção científica. Leitura obrigatória para qualquer cristão-nerd. Perelandra é uma mistura de literatura maravilhosa com um thriller de suspense capaz de suspender nossa respiração enquanto viramos cada página. Fantásticas descrições de ambientes fora do senso comum que permeia a literatura do gênero. Diálogos carregados de discussões filosóficas sobre a humanidade e seu papel. Composição de leitura simples e sintaxe objetiva. Enfim, leia Perelandra e confronte-se, entre outras coisas, com a luta que domina nosso corpo: carne versus espírito.


A essência da paternidade


Durante muito tempo a humanidade viveu debaixo do intermédio de sacerdotes como único meio de conectar-se a Deus. Para resolver o problema, Deus se faz homem e paga a dívida da humanidade, de modo que pelo sangue de Jesus temos livre acesso ao Pai.  

“Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou...” Hb 10:19 

No entanto, nos dias atuais, o Espírito Santo tem revelado a sua igreja a existência de um outro intermediário para se alcançar uma genuína intimidade com o Pai: “A figura paterna terrena”. (Não estou me referindo a outro intermediário para a salvação, o sacrifício de Jesus é mais do que suficiente para que você possa ter acesso a Deus, falo de relacionamento íntimo: você pode viver 20 anos com uma pessoa – não falo de cônjuge, embora as vezes possa se aplicar também - , gozar de todos os benefícios que ela tem para te oferecer, mas nunca conhecê-la na intimidade.)


E agora? Como resolver esse problema? Temos livre acesso a Deus, mas precisamos de uma boa referência paterna para usufruir de uma verdadeira intimidade com esse Deus. Como podemos ter uma geração que de fato conhece a Deus em meio a uma humanidade corrompida pelo pecado – onde diversos filhos crescem sem Pais, ou os Pais não tem a estrutura necessária(porque os seus Pais não tinham, nem os Pais dos seus Pais) para dar aos filhos o referencial necessário para se ter um bom relacionamento com Deus?


Eis a resposta(Glóooooooria a Deus, por sua soberana criatividade e misericórdia) 


“E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? Mt 6:9-11 



Deus usa exemplos humanos para nos ensinar o que realmente significa paternidade. Ele não usa pessoas perfeitas, mas pessoas que, conscientes disto ou não, em algum momento, expressam traços de seu caráter, traços de sua essência. Veja que Jesus afirma que o homem do exemplo era mau, mas nesta situação específica agiu expressando a essência de Deus, o que Deus faria.

Você ainda não entendeu? Deixe-me ser mais claro:

Alguém, alguma vez, já lhe convidou para ver as constelações no céu?; para soprar e ver os pára-quedas de um dente de leão voando e relaxar com isso?; lhe fez companhia quando você pensou que seria mais um dia solitário?; disse que você é importante quando nem você mesmo acredita muito nisso?; não se afastou de você, mesmo você fazendo algo que sabe que essa pessoa não gosta ou desaprova?; brigou para corrigi-lo mesmo sabendo que teria que aturar a sua raiva e desgosto por um bom tempo?; compartilhou com você algo que lhe custou muito tempo, ou muita dor, para aprender?; leu ,assistiu, ouviu, ou jogou com você seu desenho, música, filme, seriado, revistinha, jogo de vídeo game, jogo de tabuleiro, quando você pensava que era o único que gostava disso, ou único que acreditava que não há idade certa para gostar disso? lhe deu um exemplo que até hoje você se recorda como se tivesse acontecido ontem?

TODAS ESSA COISAS FAZEM PARTE DA ESSÊNCIA DE DEUS, DO SEU MODO DE AGIR.


 Ainda que você não tenha tido um Pai, ou até teve, mas ele não lhe ajudou a entender esses traços da manifestação de Deus na terra, pare para pensar se de outra maneira Jesus não lhe proveu com outros “pais”.  Se ainda é difícil para você enxergar o que quero dizer, eu te desafio a, onde você estiver, iniciar um papo com Deus da seguinte forma: “Senhor, se eu sou incapaz de ver a tua paternidade agindo em minha vida(Senhor eu não vejo NADA!!!, ou: Senhor eu vejo muuuito pouco), me ajude a ver. Eu te entrego a minha vida, reconheço o sacrifício de Jesus como real e essencial para mim, e te reconheço como meu único Senhor e salvador”. Acredite meu irmão, e lute para conhecer Jesus a cada dia, e teus olhos serão abertos para o amor que Jesus tem por você. 

“Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me recolherá.” Sl 27:10


O Verdadeiro Hadouken


Hadouken (波動拳). Uma manifestação voluntária de energia termocinética luminosa. Os kanjis significam: onda + movimento + punho (o que nos lembra da inesquecível cena de Ryu Hoshi em frente às ondas do mar movimentando suas mãos em círculos): o clássico golpe meia-lua+soco. A criança, ou melhor, o nerd que nunca tentou soltar um hadouken que atire a primeira pedra (já que não consegue atirar fireballs). 

Desconheceço um nerd que não seja facinado por esse golpe, e como não seria? Imagine você conseguir liberar uma bola de luz e energia pelas palmas das mãos que faz a rajada óptica do Ciclops parecer um apontador laser!!! O hadouken é tão venerado pelos nerds quanto o Force Lightning (não é por acaso que, no segundo cinematic do game Old Republic, nós vemos uma jedi liberando nada mais nada menos do que uma bola de energia azul, claramente inspirada no HADOUKEN!).

Eu, como todo crente deve fazer, leio a bíblia com bastante frequência e, como um bom nerd, não posso deixar de reconhecer os elementos da cultura nerd em qualquer lugar, inclusive, nas Sagrada Letras. Um belo dia, estava eu lendo o livro do profeta Habacuque quando me deparei com isto:

"E o resplendor se fez como a luz, raios brilhantes saíam da sua mão, e
ali estava o esconderijo da sua força" Habacuque 3:4

A primeira coisa que eu fiz depois de ler isso foi gritar: HADOOOUKEN! O contexto revela uma visão que o profeta habacuque teve do próprio Deus.

Obs.: A partir de agora não me levem tão a sério.

A única inferência lógica foi: Deus criou o Hadouken! Continuei viajando: Uau! Um Hadouken de Deus deve fazer o raio da Deathstar parecer um LED! Hum... a Bíblia diz no primeiro capítulo do evangelho de João que todo aquele que crê em Jesus Cristo recebe o poder de ser feito Filho de Deus... eu creio... Jesus disse também que aqueles que nele cressem poderiam fazer coisas maiores do que ele... hum... Hadouken... Raios brilhantes saindo da mão... filiação divina... herança... e a viagem continuou... algumas horas depois na frente da piscina...


HADOUKEN!


O poder da amizade!

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One Piece é um desenho animado (anime) originado de um gibi (mangá) de muito sucesso no Japão. Como todo e qualquer anime, por fazer parte de uma cultura diferente e tipicamente não-cristã, ele possui algumas referências estranhas para nosso legado cristão ocidental (como a "Fruta do Diabo", Akuma no mi, que dá poderes especiais a quem a come). Tirando essa parte estranha, para nós cristãos, acho que podemos usufruir de muita coisa proveitosa desse anime, especialmente, no que diz respeito à amizade.

Vamos ambientar a trama: One Piece se passa em um mundo fantasioso, dominado por piratas, e trata da história de um rapaz chamado Monkey D. Luffy que quer se tornar o "Rei dos Piratas". Parece estranho, a princípio, que o herói seja "o vilão". Mas, como fica claro na animação, o que torna alguém bom ou mal não é o nome que se dá (marinheiro ou pirata), mas o que se faz, como se age. Embora Luffy seja um pirata, ele não rouba ou saqueia nada ou ninguém, ele simplesmente deseja navegar pelo mundo em busca do tesouro perdido de um famoso pirata chamado Gol D. Roger.

Em sua jornada, ele vai recrutando companheiros para formar sua tripulação. O que me chamou a atenção desde o princípio da saga foi a importância da relação para a formação da tripulação de Luffy. Ele não se preocupa muito em escolher os companheiros mais fortes, ou mais inteligentes, ou aqueles que tem mais "poder" para ajudá-lo a conquistar seu sonho. Não, ele escolhe seus companheiros pela ligação que cria com eles, pela simpatia, pelo relacionamento que se constrói. Alguns de seus companheiros são extremamente fortes e são capazes de ajudá-lo a alcançar seu objetivo: como Zoro, Sanji, Franky e Nico Robin. Mas outros são mais fracos em combate e não tão habilidosos: como Usopp, Nami, Chopper e Brooke. (No estágio atual da saga, pelo mangá, todos estão muito mais fortes, mas no início essa divisão era muito clara).

É interessante notar que, embora uns sejam mais "poderosos" que outros, todos são extremamente unidos e se consideram em igual nível (exceto talvez, pela divertida richa entre o Baka-Marimo, Zoro, e o Ero-Cooker, Sanji). Essa união depende muito de Luffy, que desde o início não faz separação entre companheiros fortes e fracos, todos são seus nakama (companheiros) e ele se dispõe a proteger e se relacionar igualmente com todos. No anime, existem cenas marcantes da união e determinação do grupo em se manter unido e de se proteger (como as memoráveis cenas da partida de Alabasta, do resgate de Robin em Enies Lobby ou do perdão de Usopp em Water-7).

Trazendo para a vida cristã, acho que temos muito que aprender com esta tripulação. O ponto principal neste vínculo é o amor sem interesses que é nutrido por eles. Sim, amor. Chamo de amor porque o amor faz o bem, se alegra e chora junto, é capaz de dar sua vida para proteger o outro, o amor se indigna com a injustiça e o amor aceita o outro com sua particularidade e especificidade (e tudo isso vemos claramente no anime). Isso não quer dizer que eles não briguem ou discutam ou que um não recrimine o outro por alguma falha. Não, isso também faz parte do amor. Acho admirável a determinação de criar estes laços e nutrí-los, a doação de um com os outros (exceto a Nami que não doa nada! hauhauhahau), de sofrer junto e lutar a para proteger uns aos outros.

O intuito desta fraternidade também é este. O propósito do evangelho é este. O cristão deve ser conhecido pelo amor: primeiro para com os seus irmãos em Cristo, depois (mas não menos importante) para com todas as pessoas. Tenho refletido e lido muito sobre a necessidade de relacionar-se com Deus e com as pessoas de forma mais próxima. Acho que este é o caminho do Amor, o caminho da compreensão e da transformação (minha e do outro). Espero ser verdadeiro nakama em Cristo para meus brothers e para todos a minha volta, não só de palavra, mas de ação, intenção e coração.

Além do Planeta Silencioso

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Uma boa indicação de livro cristão-nerd é Além do planeta silencioso. É o primeiro livro da trilogia cósmica de C. S. Lewis, autor cristão britânico, mais conhecido pela série As crônicas de Nárnia (igualmente interessante). Neste livro se iniciam as aventuras espaciais de Ransom, personagem central da série que é seguida pelos livros Perelandra e Aquela força medonha (ambos com edição brasileira prevista pela Editora WMF Martins Fontes).

No livro, o Prof. Dr. Elwin Ransom acaba entrando de forma inesperada em uma nave espacial para Malacandra e lá conhece outras espécies e raças que habitam o planeta. Não pretendo fazer spoiler sobre o livro (para os que ainda não leram), só quero incentivá-los à leitura pelo que o livro traz de discussão sobre a criação, a queda da humanidade em pecado, diversidade de habilidades e aptidões, função e objetivo do saber científico e a experiência com as forças sobrenaturais.

É um livro bastante interessante para todos que curtem ficção científica misturada com fantasia e sobrenatural (é, uma esfera bem ampla mesmo!). A linguagem é simples, a narrativa é breve, dando lugar muitas vezes à descrição (de paisagens e sensações), os diálogos carregam reflexões profundas sobre os temas apontados, o suspense e mistério acompanham todo desenrolar da trama, não permitindo soluções muito previsíveis. Embora literariamente não seja um livro para ficar entre os clássicos da literatura, é um bom livro para todo cristão-nerd que quer não só se entreter, mas refletir, através de uma boa estória, como só o velho Mestre Lewis sabia fazer.