Cristianismo: guia básico para desfazer equívocos (Parte 5 - o que é arrependimento?)

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Esta é uma palavra-chave para os cristãos: arrependimento. E arrependimento quer dizer mudança de intenções e ações. Diferentemente de alguns ritos e religiões, viver o evangelho de Jesus não consiste em ter por objetivo "conseguir favores dos deuses" ou "ter um cantinho no céu". Não, o objetivo do evangelho de Jesus é restabelecer a relação pai-filhos de Deus com a humanidade, é remover tudo que nos afasta da Vida e nos leva à morte. O arrependimento incide sobre tudo que nos matou e nos mata, ou seja, tudo que nos afastou e afasta da Vida, que é Deus.

Muitos grupos religiosos ou espiritualistas ensinam determinadas formas e práticas de conseguir os "favores" das divindades para nossa vida. Se você faz algo para aquele deus, algo que o "agrada", ele te dá algo em troca (independente de todas as outras ações que você pratica). Você precisa agir de tal forma durante sua vida aqui na terra para "evoluir" (bem devagar, com muito esforço) até atingir determinado grau que permita você ficar a apenas alguns anos-luz de distância da divindade, mesmo que lá no fundo você nem queira tanto fazer as coisas que faz. O propósito do evangelho de Jesus não é nada disso. É claro que contamos com o favor de Deus e, também, que esperamos agir de modo mais semelhante ao dele (com bondade e amor) aqui na terra, mas essas coisas são consequências de nosso relacionamento com Deus enquanto nosso Pai e não o objetivo final de nossa vida cristã.

Jesus iniciou sua missão da seguinte forma: "dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho" (Marcos 1:15). Arrepender-se quer dizer "pensar de maneira diferente" e esse é o propósito final do evangelho de Jesus e a marca da vida cristã. O cristão verdadeiro vive uma vida de arrependimento. Vive uma vida em que a mudança na forma de pensar é uma prática cotidiana. Essa mudança, no entanto, não se refere a sempre pensar de uma forma diferente, mas em mudar o pensamento em relação ao pecado, ou seja, mudar de ideia em relação àquilo que desagrada a Deus e nos traz morte, mesmo que seja agradável a nós. Quer dizer mudar a forma de pensar inclusive sobre o que nos aconteceu. As coisas que aconteceram em nossa vida, mesmo que nos tenham dado a experiência que nos faz "ser como somos hoje", não as torna boas. Devemos nos arrepender e reconhecer que muitas de nossas ações nos levaram à morte: morte do amor, morte da bondade, morte de nosso relacionamento com Deus e até mesmo nos levaram muito próximo de nossa morte física.

Em Cristo, temos a oportunidade de ter a vida eterna de volta, mas para isso precisamos mudar nosso pensamento, nossas intenções. Trata-se de uma mudança radical e profunda que irá alterar nossa forma de pensar sobre as coisas. Por exemplo, não deveríamos precisar sequer de leis que penalizassem o assassinato para, com isso, evitar que uma pessoa matasse a outra, bastaria que tivéssemos a profunda consciência de que não temos direito sobre a vida de ninguém e, por isso, não deveríamos matar.

No caso do evangelho, a questão é ainda mais profunda, a mudança de pensamento se dá na origem dos pensamentos de forma não só a evitar uma ação ruim, mas de forma a mudar nossa relação com o próximo: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno" (Mateus 5:21-22). O simples fato de ter um sentimento ruim em meu coração contra alguém já me faz um assassino e não apenas me faz "matar" o outro em mim, mas também me leva à morrer (tanto por poder ser condenado a uma pena capital - réu; quanto por me manter afastado perpetuamente da Vida - a morte espiritual: o inferno).

O arrependimento vem para tornar ainda mais profunda a noção do tipo de "motivação" que faz os filhos de Deus viverem e terem a Vida. Por mais que o comportamento moral e ético sejam louváveis e tornem a vida em sociedade mais tranquila, ele não garante pessoas boas e corretas intrinsecamente. Alguém pode fazer tudo de forma moralmente correta e ter intenções plenamente ruins. A questão central no evangelho não é o que aparentamos ser, mas quem somos perante Deus, ou seja, se temos ou não a vida em nós. O arrependimento vem não apenas para que não realizemos ações ruins e pratiquemos ações boas, mas para que sejamos bons "até a raiz", para que sejamos propagadores da vida. Deus é santo; Ele é amor, é bondade, é benignidade e nos criou para sermos de acordo com sua "imagem e semelhança", ou seja: amorosos, bondosos e benignos. Ser "bonzinho" não adianta nada, precisamos ter a "mente de Cristo". Deus quer filhos e filhas, ou seja, seres humanos que partilhem da natureza dele, como isso seria possível se nossas mentes e intenções estão voltadas para o que é ruim, reprovável e que causa a morte?

Jesus disse: "Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento" (Lucas 5:32). O arrependimento em relação ao que é pecado é essencial para reatarmos nossa ligação com nosso Pai. Para termos a vida, não podemos ter pensamentos de morte. Enquanto nossa motivação suicida permanecer, nunca viveremos plenamente. Precisamos abandonar nossa morbidez e abraçar com todo nosso ser a vida. O pecado é como um câncer, ou uma doença terminal, se você não eliminá-lo irá levar você fatalmente à morte; e o antídoto para o pecado é o arrependimento. Só recebemos vida quando paramos de correr atrás da morte e de tudo que leva à ela. Enquanto não pensarmos que é melhor viver que morrer, não teremos vida. Basicamente isso implica dizer que "Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna" (João 12:25), pois amar a sua vida terrena de pecado nesse mundo é abraçar a morte (a vida natural está fadada à morte, todos os seres vivos vão morrer), mas renegar tudo isso em favor da verdadeira vida é, de fato, viver. O arrependimento é uma mudança profunda e processual em nós que nos faz estar mais cheios da vida de Deus e mais esvaziados de todo veneno mortal do pecado.

Mas, você sabe o que é pecado? Vamos discutir isso na próxima postagem.


Cristianismo: guia básico para desfazer equívocos (Parte 4 - o que é fé?)

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Por que falar de fé em um post sobre cristianismo se esse conceito não é restrito a essa crença? Bem, porque, mesmo não sendo restrita ao cristianismo, ela é a base maior para a graça de Deus e para a salvação de todos os que se arrependem de seus pecados. Pela fé em Jesus, ou seja, ao acreditarmos que ao se deixar ser morto Jesus estava pagando o preço pelos meus pecados, eu tenho acesso à anulação da sentença por meus erros: a morte. Com isso, sou salvo da pena capital e posso viver livre de qualquer culpa e pecado. Não é ótimo? "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2:8) e também, por esta mesma fé, sabemos que nos reconciliamos com Deus, nos tornando, de fato, seus filhos: "Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus" (Gálatas 3:26).

Mas, antes de continuar, o que é mesmo fé? O melhor conceito já estabelecido para fé é o que encontramos na carta aos Hebreus: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" (Hebreus 11:1). Desse modo sabemos que a fé é uma convicção tão firme que serve de base para aquilo que aguardamos com expectativa, é a comprovação daquilo que não enxergamos com nossos olhos, pois ela não se baseia no mundo sensível (empírico, palpável), mas no mundo espiritual, ou, podemos dizer, no mundo da ideia. Podemos constatar isso pelo trecho de Romanos abaixo:

"Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós, (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem. O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E não enfraquecendo na fé, nào atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus" (Romanos 4:16-20).

Caso Abraão se baseasse em suas possibilidades, certamente não acreditaria que seria pai de muitas nações, pois já velho não conseguia ter filhos com sua esposa Sara, como então, teria descendentes capazes de se proliferar e formar nações? No mundo sensível, ele era incapaz, mas confiou naquele que fez a promessa a ele e, como se já fosse pai de multidões, confiou e teve por certo o fato de que seria abençoado com inúmeros descendentes, assim, no mundo ideal, pela graça de Deus, ele se viu cheio de filhos, netos, bisnetos...

Com essa mesma fé cremos no perdão de nossos pecados e no sacrifício que Jesus fez na cruz. Entendemos que quando Jesus morreu não era apenas um cara bonzinho que fora injustiçado por religiosos e por uma superpotência opressora na periferia do mundo conhecido. Não, ali tivemos o fato mais espetacular da história: Deus, em carne e osso, se deixou ser morto para pagar a pena contra si mesmo que a humanidade deveria receber. E quando Jesus ressuscita não foi a aparição de um espírito, uma alucinação coletiva ou uma mentira bem contada. Cremos que foi a derrota completa da morte e o estabelecimento de uma nova oportunidade de vida sem erros e falhas e cheia da bênção de Deus para nós. Essa é a fé dos cristãos. É a fé, antes de tudo, que tem convicção que Jesus é Deus e que morreu para pagar nossos pecados em nosso lugar e ressuscitou para nos permitir ter uma nova vida nele.

No entanto, mesmo não sendo algo baseado no mundo sensível, é uma fé que pode ser explicada (assim como estou fazendo neste exato momento!). "Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (1 Pedro 3:15). A fé é a certeza de nossa esperança de que seremos resgatados por Deus desse mundo corrompido e que Ele irá retornar para tornar novas todas as coisas. A fé se fortalece em nós pela vivência e obediência dos preceitos de Deus. Assim como Abraão, quando obedecemos a Deus, mesmo com medo, com dúvidas ou cientes que humanamente não é possível, somos recompensados com a realização daquilo que Deus nos prometeu. Nesse sentido, através das várias experiências que vivemos, depois do primeiro passo, nossa fé vai se tornando ainda mais firme e palpável e podemos dizer: é assim mesmo porque acontece comigo, sou a prova viva dessa fé.

No início é assim: "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Romanos 10:17), ouvimos a palavra, acreditamos e somos resgatados. Depois, podemos dizer como os samaritanos: "E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo" (João 4:42). Através de nossa experiência pessoal com Deus (primeiro, pela obediência; depois, pela série de comprovações que Ele nos dá), podemos ter cada vez mais certa essa convicção em Jesus e em seu sacrifício. Certeza que nos leva à nos arrepender de nossas ações más e vazias e passar a agir de acordo com a palavra de Deus, em obediência a Ele, que é a fonte e o alvo de nossa fé.

E por que, para os cristãos, é importante se arrepender? Não posso ter uma vida sem arrependimentos? Tudo o que fiz não me faz ser quem eu sou? Tentaremos discutir o arrependimento na próxima postagem.


Cristianismo: guia básico para desfazer equívocos (Parte 3 - quem é Jesus?)

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Seguindo a série de postagens que buscam explicar de forma básica no que creem os cristãos, venho apresentar aquele que é a personagem central nessa história toda: Jesus. Antes de mais nada, precisamos reforçar que para os cristãos de verdade Jesus é Deus, ou seja, ele é o próprio Deus encarnado, em forma humana (sendo bem redundante para ser bem claro). Ele não foi um profeta, um sábio, um ser iluminado, um espertalhão, o fundador de uma religião diferente, um homem qualquer, um homem superior, um homem inferior, um espírito, um alienígena, um semideus, um louco ou um viajante do tempo. Não, Jesus é Deus. Ele foi gestado pela virgem Maria em uma concepção oriunda do Espírito Santo e nasceu como qualquer ser humano: com estrutura física e mental igual a qualquer um de nós, mas com seu espírito sendo o espírito do próprio Deus.

Por que isso é importante? Por dois motivos principais: primeiro porque isso nos faz diferenciar o cristianismo de qualquer outra religião; segundo porque saber da divindade de Jesus nos faz compreender o motivo dele ter morrido na cruz e ressuscitado ao terceiro dia.

Crer em Jesus é diferente de seguir uma religião qualquer. A maioria das religiões vão ensinar uma série de regras de conduta, visões de mundo, ideologias em relação à vida, rituais e demais formas de se chegar a Deus. Jesus é Deus se tornando um ser humano e se aproximando da humanidade. É o caminho contrário. Ao invés de nos esforçarmos e, sozinhos, nos tornarmos "dignos" de nos aproximarmos de Deus, Cristo vem, nos toma pela mão, nos perdoa os pecados e é o acesso direto e seguro até Deus. Entendeu? Deus, sendo Deus, sabia da incapacidade do homem de, por seus meios limitados, chegar-se a Ele; por isso, veio em forma de homem para estabelecer a comunhão de Deus com suas criaturas: a humanidade. Deus tem todo o trabalho de assegurar o relacionamento com Ele, basta aceitarmos o sacrifício que Jesus fez e seguirmos seus ensinamentos.

É por essa razão que Jesus precisava morrer na cruz. No Éden, quando a humanidade desobedeceu a Deus, só havia uma pena possível: a morte. Ao voltar-se contra o criador da vida, a humanidade se tornou inimiga da vida e, portanto, precisava morrer. O corpo físico passou a morrer desde então, mas o espírito, imortal, estava fadado a estar perpetuamente longe da Vida (Deus), ou seja, estava fadado à morte eterna (inferno). Deus, não querendo que isso ocorresse, planejou sua própria vinda ao mundo para que, todo aquele que se arrependesse de seus erros contra a Vida, recebesse a vida de volta. Para isso era necessário que alguém pagasse pelo erro lá do Éden e de todos os que desobedecem as leis da Vida, ou seja, alguém precisava morrer. Com isso, Jesus veio ao mundo e morreu na cruz, mesmo sem ter errado ou pecado contra Deus, para que todos aqueles que quisessem se arrepender de suas falhas pudessem requerer o direito de terem de novo a vida eterna, o contato com o Criador. Como não tinha cometido qualquer crime contra a Vida, Jesus não podia permanecer morto, então, ao terceiro dia ressuscitou e, com isso, concretizou o sacrifício e demonstrou que tem o poder da Vida em si mesmo. Esse sacrifício, de alguém inocente no lugar dos culpados, foi capaz de fazer com que qualquer um que se arrependa pudesse ficar novamente amigo de Deus, ter novamente a vida plena.

Jesus é a prova de amor de Deus pela humanidade e a prova de que Deus realmente se importa com cada homem e mulher que Ele criou. Pelo sacrifício de Jesus, sabemos que Deus nos ama tanto que deu seu filho para morrer em nosso lugar. Chamamos Jesus de Filho porque ele nasceu como homem entre nós, embora fosse o próprio Deus, gerado pelo Espírito Santo. Jesus viveu por 33 anos e se relacionou com as pessoas, fez amigos, curou pessoas doentes, anunciou a chegada do Reino de Deus e estabeleceu um novo modo de nos relacionarmos com Deus. Depois da morte e ressureição de Jesus, todas as pessoas que se arrependem de seus erros contra Deus podem tê-lo como Pai. Pai que conversa conosco, se importa com nossos problemas, se alegra com nossas conquistas e que espera que cresçamos e nos tornemos pessoas cada vez mais parecidas com seu filho mais velho (ele mesmo encarnado), Jesus. Por esse motivo Jesus mesmo disse "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14:6), pois só quem morreu e se sacrificou para que pudéssemos ser reconciliados com o Pai, foi Jesus. Ele é o único capaz de nos aproximar de Deus e de nos fazer amigos de Deus. Pedro, resume essa questão dizendo de Cristo que "em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4:12), pois ele sabia que só Jesus morreu por toda humanidade a salvando da morte eterna.

Jesus é a execução do plano de Deus de se aproximar da humanidade e retirar o impedimento que existia para que homens e mulheres tivessem um relacionamento com Deus. Ele é o amor de Deus encarnado, o preço pelos nossos erros, a ponte para a eternidade, o caminho de volta ao Criador, a expressão máxima do Deus que criou os homens para que fossem seus filhos. Basta crermos, termos fé, em Jesus e nos arrependermos de nossos pecados e teremos, novamente, amizade com Deus.

E essa fé, como ela é? como funciona? É algo irracional? Na próxima postagem, trataremos desse assunto.

Cristianismo: guia básico para desfazer equívocos (Parte 2 - o que é a Bíblia?)

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Nesta segunda postagem sobre o cristianismo, quero falar, também de forma básica, sobre a Bíblia. A Bíblia é o único livro reconhecido pelos cristãos como dotado de conhecimento verdadeiro sobre Deus e com ensinamentos sobre a conduta do cristão. No entanto, pessoas com pouco conhecimento ou estimuladas por noções inadequadas, costumam "acusar" a Bíblia de ser um livro desatualizado, preconceituoso, cheio de regras, mentiroso ou contraditório. Evidentemente essas pessoas não estudaram a Bíblia o suficiente, e por isso afirmam algo assim, mesmo sabendo que nos últimos dois mil anos (tempo em que a Bíblia vem se difundindo pelo mundo e que as pessoas tem tido acesso a suas palavras) milhares de pessoas atestam sua confiabilidade.

A Bíblia foi escrita em um período de aproximadamente 1500 anos, em 3 continentes diferentes, por mais de quarenta autores, com as mais variadas ocupações e diferentes contextos históricos e geográficos. A despeito disso, ela conta a mesma história. Apresenta a mente de Deus, o criador do universo, e apresenta a humanidade e o  homem, obra prima da criação. Não existe contradição nos 66 livros da Bíblia. Os mesmos princípios podem ser encontrados desde o Gênesis ate o Apocalipse, de modo que a Bíblia é um livro altamente coeso.

O Antigo testamento (39 livros) foi escrito em hebraico com exceção de alguns capítulos do livro de Daniel, escritos em aramaico.  Divide-se em livros da Lei ou Pentateuco, livros históricos, livros poéticos e livros proféticos. O novo testamento (27 livros) foi escrito em grego e é dividido em: evangelhos, livro histórico (Atos), epístolas e livro profético (Apocalipse). O termo Bíblia é de origem grega, mas a raiz da palavra vem dos fenícios, já que Biblos era o nome de uma cidade fenícia onde se produzia o papiro (espécie de papel da época). Assim, Bíblia significa conjunto de livros. Não qualquer livro, mas livros sagrados.

Agora teremos de fazer algumas distinções em relação a alguns termos na Bíblia, que irão nos ajudar a entender o que é esse conjunto tão distinto de livros: velho e novo testamento, escrituras, mandamentos, leis, profecias e usos e costumes. Velho e novo testamento são os mais conhecidos e fáceis de se distinguir: são as duas partes em que a Bíblia é dividida. O velho testamento abrange todo o período anterior à vinda do Messias, Jesus, e se foca no anúncio dessa vinda e no povo escolhido por Deus para ser o "palco" dessa chegada. O novo testamento aborda a vida de Jesus e os primeiros anos do cristianismo, a disseminação do evangelho pelo mundo romano. Possui também instruções dos apóstolos sobre aquilo que é ensinamento de Jesus e o que não é.

Agora, vamos aos demais termos. Escrituras, inicialmente, ou seja, no tempo de Jesus, era o que hoje chamamos de velho testamento, ou o que os antigos também chamavam de "A Lei e os Profetas". Hoje, chamamos de "Escrituras" a Bíblia como um todo, velho e novo testamento. Os mandamentos, também inicialmente, no tempo de Jesus, era o que os antigos chamavam de "A Lei", que era composta por todas as regras ritualísticas e de comportamento que Moisés havia transmitido ao povo. Com a vinda de Jesus, ele estabeleceu dois "novos" mandamentos que resumem a lei: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. As profecias, até o tempo de Jesus, eram todas as mensagens da parte de Deus para seu povo ou para outros povos e pessoas. As profecias se focavam no anúncio da vinda do Messias, que iria restaurar, de uma vez por todas, a relação de toda a humanidade com Deus. Após a vinda de Jesus, as profecias passaram a englobar também aquilo que foi anunciado no novo testamento em relação à volta de Jesus, quando haverá o fim definitivo de todo mal e o estabelecimento da morada de Deus com os homens na nova terra.

Faltou falar apenas dos "usos e costumes", não é? Pois é, e os deixei por último porque normalmente as pessoas que não conhecem a Bíblia acham que as leis, os profetas, os mandamentos, enfim, tudo nas escrituras, é composto por regras de vestir, comer, falar, beber, andar, etc. Na verdade, essa é a menor parte de todas e, em muitas coisas, nem deve ser levada em consideração para a vida prática, mas servir de noção para sabermos como agir da melhor forma em nossa cultura e tempo. Usos e costumes é o que chamamos hoje das "regras" que dizem respeito a determinados conselhos que estão na Bíblia sobre aquilo que as pessoas devem vestir, comer ou fazer, mas que necessariamente não é pecado, ou seja, aquilo que desagrada a Deus. Por exemplo, aquilo que Paulo aconselha sobre as mulheres terem ccabelo comprido e usar véu, era algo específico para a cidade de Coríntio, pois lá, as mulheres que não usavam cabelo comprido e véu, eram prostitutas de um templo pagão e não ficaria bem as mulheres cristãs se vestirem ou se parecerem com as que não são. Compreende? Não é uma questão de ser pecado ter cabelo curto ou de desagradar a Deus não usar véu, isso eram coisas de um determinado tempo e lugar e a observância desses conselhos apenas ajuda o cristão a não ser confundido com práticas que desagradam a Deus.

Pois bem, já escrevi sobre muitos termos, mas isso ainda não ajudou a esclarecer o porquê da Bíblia ser considerada o livro fundamental da fé cristã, nem mesmo o porquê dele ser levado a sério. Não seria a Bíblia um monte de texto "fake", escritos por algum "Papa" na idade média para escravizar as mentes e os corpos dos ignorantes? E a resposta é simples: não. Caso você tenha oportunidade, pode estudar historicamente os manuscritos originais da Bíblia, a datação deles, o número de cópias e você vai verificar que a Bíblia é o livro que mais possui cópias originais de todos os livros da antiguidade. Ou seja, o pessoal das antigas teve o trabalho, ao longo de anos e séculos, de fazer várias copias iguaizinhas de todos os textos da Bíblia para que hoje ninguém chegasse e dissesse: "Esse texto não é confiável, qualquer um pode ter escrito a qualquer momento da história". Mas é claro que não é só por isso que seguimos a Bíblia.

O ponto mais importante para o verdadeiro cristão em relação à Bíblia é que ela comprova a história de amor de Deus para com a humanidade através do envio de Jesus para morrer por nós. Toda a Bíblia se volta para um único "personagem" central: Jesus, o Cristo, o Messias, o Filho de Deus. para quem conhece alguma coisa, sabe que Adão e Eva pecaram e, por isso, a humanidade (que no momento eram só os dois mesmo) foi separada de Deus. Deus estabeleceu uma única regra, simples, e ela foi quebrada. Como Criador da Vida, Ele não pode ter ser desígnios desobedecidos, desobedecê-lo é negar a Vida, é pôr-se contra a Vida, e, naturalmente, negar a vida é morrer. Mas Deus não queria que a humanidade morresse definitivamente e, por isso, lançou o plano da vinda de seu filho para pagar o preço pela falha da humanidade. O próprio Deus viria em forma de homem para entregar a vida (morrer) e com isso tomar o lugar do homem, que ele tanto ama, e, desta forma, anular a necessidade da morte eterna para a humanidade. Aquele que é a vida e que não pode ser desobedecido, deu sua vida em forma de homem, para que os homens não precisassem pagar com a vida o preço de ficar contra a Vida.

As leis e as profecias foram a forma de Deus preparar um determinado povo para servir de palco para esse maravilhoso plano e para que todos os povos pudessem compreender que Deus amou o mundo inteiro de modo tão profundo que mesmo sendo a Vida, preferiu a Morte a perder o relacionamento com as pessoas, perder seus filhos. Ele mesmo foi juiz, carrasco e réu em seu julgamento. As leis prepararam o povo de Israel (e nós hoje) para a compreensão de que sem derramamento de sangue não há justiça para uma pena capital. Ao voltar-se contra a Vida, o homem abraçou a morte. As profecias, no entanto, anunciavam que aquele que é a Vida era capaz não só de tirá-la, mas de restituí-la a nós. E em Jesus tanto as Leis como as Profecias foram cumpridas: a justiça foi feita pela morte, a misericórdia foi garantida pela ressureição, o retorno da Vida.

Por isso, os cristãos crêem na Bíblia, porque nela conhecemos o perfeito plano de Deus de reconciliação e nela temos a confirmação de todas as profecias e leis que anunciavam a vinda do Messias e a necessidade de justiça. Tendo o direito de retirar a vida de todos (porque Ele a deu), Ele decidiu enviar Seu Filho para morrer no lugar de todos. Aquele que não merecia morrer no lugar de todos que mereciam. É na Bíblia também que vemos uma parte de tudo que Jesus realizou enquanto esteve na terra, lá aprendemos como devemos viver e como podemos desenvolver esse mesmo amor tão profundo e transcendente como o de Deus.

É o próprio Jesus quem nos diz: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" (João 5:39). Por meio dela também sabemos o motivo da morte de Jesus: "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15:3). E não podemos esquecer que Deus teve o cuidado de que estas escrituras chegassem até nós com um propósito: "Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança" (Romanos 15:4). Por isso, o cristão deve sempre ler a Bíblia e observar seus ensinamentos na vida prática: "E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" (Tiago 1:22), pois Jesus fez da mesma forma: cumpriu as escrituras, viveu as palavras de Deus em todos os seus atos.

Para alguns, pode ainda ficar a dúvida: Jesus realmente era o filho de Deus? Ele não era apenas um profeta? Ou um louco que achava que era? Vamos dissertar sobre isso na próxima postagem.

[Agradecimento especial ao nosso parceiro e amigo TJ, ou Pr. Thiago José, que contribuiu bastante em toda esta postagem, inclusive com dois parágrafos de sua autoria].

Cristianismo: guia básico para desfazer equívocos (Parte 1 - quem é o cristão?)

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Há muito tempo que venho tentando iniciar esta série de postagens sobre o cristianismo de uma forma compreensível e que desfaça alguns equívocos comuns que pessoas não cristãs (mesmo aquelas que um dia já pertenceram a alguma denominação cristã) têm em relação ao cristianismo. Algumas vezes, especialmente em tempos de Facebook, pessoas contrárias ao cristianismo divulgam inúmeras inverdades acerca daquilo em que nós, cristãos, acreditamos e vivemos. Geralmente, essas pessoas, por algum motivo pessoal e passional contra o evangelho de Jesus, se atem a determinadas questões polêmicas ou controversas para denegrir o evangelho e aqueles que seguem a Cristo.

Antes de tudo, é importante ressaltar que nem todos aqueles que se dizem cristãos são, de fato, cristãos. O termo "cristão" foi primeiramente reportado na cidade de Antioquia (Conf. Atos 11:26) e significava "pequeno Cristo". Não posso afirmar com certeza se isso era uma forma pejorativa das pessoas falarem dos cristãos ou se era um tipo de "elogio", um reconhecimento pelo que os cristãos faziam e viviam, mas desde então os discípulos de Jesus passaram a ser chamados assim e é exatamente isso que deve ocorrer com aqueles que seguem a Jesus: devem ser pequenos Cristos.

Então, a primeira questão que surge e que deve ser respondida é: como posso reconhecer um cristão? É fundamental saber isso para que possamos separar aquilo que parece ser cristão (mas não é) daquilo que, de fato, é parte do cristianismo e é vivido pelos discípulos de Jesus. Vamos deixar mais clara ainda a importância disso. Imagine o seguinte: você comprou um eletrodoméstico novo e caríssimo que nunca utilizou e vai iniciar a leitura de um grosso manual do usuário para saber o que deve e não deve fazer com o equipamento. Mas, nesse momento, chega seu vizinho (que não possui e nunca utilizou o equipamento) e diz pra você que ouviu falar sobre essa máquina (o amigo da vizinha do namorado da prima de segundo grau do chefe dele tem um bem parecido), e que vai te mostrar como é que se faz. Com o seu dinheiro em risco, o que você vai fazer: confiar no vizinho "que entende das coisas" e vai te "ensinar" como usar o aparelho, ou passar algumas horas se debruçando sobre o manual para aprender como usar o equipamento sem ter prejuízo? Uma pessoa inteligente nem titubeia em responder essa pergunta e, por isso, peço que deixe de lado tudo o que você já ouviu falar sobre o cristianismo por pessoas que não são cristãs (ou que apenas parecem ser), e vamos ler o manual.

"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros" (João 13:35).

Nessa passagem do evangelho segundo o apóstolo João, Jesus diz aos seus discípulos que as demais pessoas reconheceriam quem era seguidor dele pelo amor mútuo por eles demonstrado. Esse versículo é importante por dois aspectos principais que estão diretamente ligados ao verdadeiro cristão: primeiro, porque está na Bíblia, único livro que serve de base aos verdadeiros cristãos (é o manual do usuário, o guia definitivo para qualquer mochileiro da vida, o Enchiridion para qualquer herói). Segundo, porque são as palavras do próprio Jesus, único mestre e senhor de todo cristão. Assim, se Jesus, em sua palavra, nos diz que pelo amor entre os cristãos se sabe quem é cristão, devemos acreditar nele. Deste modo, qualquer grupo de pessoas que se diz cristão, mas não possui como princípio básico de suas relações o amor, não é um grupo de discípulos de Jesus. Essa é a conclusão lógica. Pessoas que se cuidam, se importam umas com as outras, que se acolhem, que se respeitam, se perdoam, se tratam juntas e seguem os passos de Jesus são verdadeiros cristãos.

Quer dizer então que todos que falam em Jesus e se amam são cristãos? Não. Não é uma questão de "falar em Jesus", mas sim de seguir os ensinamentos dele. Nem todos aqueles que falam em Jesus estão seguindo os ensinamentos dele. Tem muita gente usando o nome de Jesus para coisas que nada tem a ver com Jesus (tem até guaraná Jesus! Imagine!). Por isso, o cristão lê tanto a Bíblia, porque busca seguir aquilo que Cristo nos ensinou, de acordo com o que ele disse.

Esse último tópico (seguir os passos de Jesus) é essencial, pois só é discípulo de alguém aquele que está sendo instruído, ensinado por um mestre. Ora, se somos discípulos de Jesus, ele é nosso mestre e instrutor. Por isso ele diz: "se me amardes guardareis meus mandamentos" (João 14:15) e também "aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama" (João 14:21a), porque aquele que o está seguindo, está seguindo seus ensinamentos, que por sua vez foram guardados em um livro: a Bíblia.

Com isso, posso concluir o primeiro tópico dessa série: para se reconhecer alguém como verdadeiro cristão não há muito o que fazer, basta verificar se é alguém que está seguindo os passos de Cristo (seguindo os ensinamentos da Bíblia) e se está em um grupo de verdadeiros cristãos, que se amam mutuamente. Essa é a ideia básica do que é ser cristão.

Mas o que de fato é a Bíblia? O que ela ensina? Ela é confiável? (pode ser a pergunta de alguns). Vamos tentar esclarecer na próxima postagem.