Cristianismo: guia básico para desfazer equívocos (Parte 5 - o que é arrependimento?)

http://us.123rf.com/450wm/georgemuresan/georgemuresan1304/georgemuresan130400009/19167432-young-man-coming-to-the-jesus-cross-with-his-dirty-hands-and-clothes.jpg

Esta é uma palavra-chave para os cristãos: arrependimento. E arrependimento quer dizer mudança de intenções e ações. Diferentemente de alguns ritos e religiões, viver o evangelho de Jesus não consiste em ter por objetivo "conseguir favores dos deuses" ou "ter um cantinho no céu". Não, o objetivo do evangelho de Jesus é restabelecer a relação pai-filhos de Deus com a humanidade, é remover tudo que nos afasta da Vida e nos leva à morte. O arrependimento incide sobre tudo que nos matou e nos mata, ou seja, tudo que nos afastou e afasta da Vida, que é Deus.

Muitos grupos religiosos ou espiritualistas ensinam determinadas formas e práticas de conseguir os "favores" das divindades para nossa vida. Se você faz algo para aquele deus, algo que o "agrada", ele te dá algo em troca (independente de todas as outras ações que você pratica). Você precisa agir de tal forma durante sua vida aqui na terra para "evoluir" (bem devagar, com muito esforço) até atingir determinado grau que permita você ficar a apenas alguns anos-luz de distância da divindade, mesmo que lá no fundo você nem queira tanto fazer as coisas que faz. O propósito do evangelho de Jesus não é nada disso. É claro que contamos com o favor de Deus e, também, que esperamos agir de modo mais semelhante ao dele (com bondade e amor) aqui na terra, mas essas coisas são consequências de nosso relacionamento com Deus enquanto nosso Pai e não o objetivo final de nossa vida cristã.

Jesus iniciou sua missão da seguinte forma: "dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho" (Marcos 1:15). Arrepender-se quer dizer "pensar de maneira diferente" e esse é o propósito final do evangelho de Jesus e a marca da vida cristã. O cristão verdadeiro vive uma vida de arrependimento. Vive uma vida em que a mudança na forma de pensar é uma prática cotidiana. Essa mudança, no entanto, não se refere a sempre pensar de uma forma diferente, mas em mudar o pensamento em relação ao pecado, ou seja, mudar de ideia em relação àquilo que desagrada a Deus e nos traz morte, mesmo que seja agradável a nós. Quer dizer mudar a forma de pensar inclusive sobre o que nos aconteceu. As coisas que aconteceram em nossa vida, mesmo que nos tenham dado a experiência que nos faz "ser como somos hoje", não as torna boas. Devemos nos arrepender e reconhecer que muitas de nossas ações nos levaram à morte: morte do amor, morte da bondade, morte de nosso relacionamento com Deus e até mesmo nos levaram muito próximo de nossa morte física.

Em Cristo, temos a oportunidade de ter a vida eterna de volta, mas para isso precisamos mudar nosso pensamento, nossas intenções. Trata-se de uma mudança radical e profunda que irá alterar nossa forma de pensar sobre as coisas. Por exemplo, não deveríamos precisar sequer de leis que penalizassem o assassinato para, com isso, evitar que uma pessoa matasse a outra, bastaria que tivéssemos a profunda consciência de que não temos direito sobre a vida de ninguém e, por isso, não deveríamos matar.

No caso do evangelho, a questão é ainda mais profunda, a mudança de pensamento se dá na origem dos pensamentos de forma não só a evitar uma ação ruim, mas de forma a mudar nossa relação com o próximo: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno" (Mateus 5:21-22). O simples fato de ter um sentimento ruim em meu coração contra alguém já me faz um assassino e não apenas me faz "matar" o outro em mim, mas também me leva à morrer (tanto por poder ser condenado a uma pena capital - réu; quanto por me manter afastado perpetuamente da Vida - a morte espiritual: o inferno).

O arrependimento vem para tornar ainda mais profunda a noção do tipo de "motivação" que faz os filhos de Deus viverem e terem a Vida. Por mais que o comportamento moral e ético sejam louváveis e tornem a vida em sociedade mais tranquila, ele não garante pessoas boas e corretas intrinsecamente. Alguém pode fazer tudo de forma moralmente correta e ter intenções plenamente ruins. A questão central no evangelho não é o que aparentamos ser, mas quem somos perante Deus, ou seja, se temos ou não a vida em nós. O arrependimento vem não apenas para que não realizemos ações ruins e pratiquemos ações boas, mas para que sejamos bons "até a raiz", para que sejamos propagadores da vida. Deus é santo; Ele é amor, é bondade, é benignidade e nos criou para sermos de acordo com sua "imagem e semelhança", ou seja: amorosos, bondosos e benignos. Ser "bonzinho" não adianta nada, precisamos ter a "mente de Cristo". Deus quer filhos e filhas, ou seja, seres humanos que partilhem da natureza dele, como isso seria possível se nossas mentes e intenções estão voltadas para o que é ruim, reprovável e que causa a morte?

Jesus disse: "Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento" (Lucas 5:32). O arrependimento em relação ao que é pecado é essencial para reatarmos nossa ligação com nosso Pai. Para termos a vida, não podemos ter pensamentos de morte. Enquanto nossa motivação suicida permanecer, nunca viveremos plenamente. Precisamos abandonar nossa morbidez e abraçar com todo nosso ser a vida. O pecado é como um câncer, ou uma doença terminal, se você não eliminá-lo irá levar você fatalmente à morte; e o antídoto para o pecado é o arrependimento. Só recebemos vida quando paramos de correr atrás da morte e de tudo que leva à ela. Enquanto não pensarmos que é melhor viver que morrer, não teremos vida. Basicamente isso implica dizer que "Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna" (João 12:25), pois amar a sua vida terrena de pecado nesse mundo é abraçar a morte (a vida natural está fadada à morte, todos os seres vivos vão morrer), mas renegar tudo isso em favor da verdadeira vida é, de fato, viver. O arrependimento é uma mudança profunda e processual em nós que nos faz estar mais cheios da vida de Deus e mais esvaziados de todo veneno mortal do pecado.

Mas, você sabe o que é pecado? Vamos discutir isso na próxima postagem.


Um comentário:

  1. Arrepender-se não é fácil, Wesslen, mas é imprescindível para que nos aproximemos de Deus! Algumas pessoas ficam se perguntando por que Deus não se revelou a elas, uma vez que elas acreditavam na sua existência. A questão é que até os demônios acreditam na existência de Deus (Tiago 2:19). Deus quer que tenhamos fé genuína e que nos arrependamos de ser pecadores, que nos arrependamos do modo como agimos e pensamos contrariamente a Palavra dEle. Quando isso acontece, aí sim, Ele se revela a nós de forma pessoal e especial! Se torna nosso Senhor, Salvador, Pai e Amigo real e presente conosco em todo o tempo! Mas é preciso Arrependimento e Fé, não somente acreditar, como se acredita em um fato científico, mas confiar nEle a ponto de se entregar totalmente a Ele para que sejamos lavados e moldados pelo sangue de Seu Filho Jesus Cristo e pelo Seu Amor!

    ResponderExcluir