Se livrando da alienação

Retirado de: https://www.facebook.com/malvadoshq

Vi essa tirinha de André Dahmer na aula da disciplina Literatura e Humor. Gostei muito dela. Ele possui uma ironia, é claro, que liga "encontrar Jesus" com "alienação". Mas, como toda ironia, ela possui ao menos dois significados possíveis e são esses sentidos que quero explorar. Aparentemente, esse espaço aqui deveria ser o último lugar onde encontrar essa tirinha, mas ela me fez pensar em algumas coisas e, além disso, gosto de me apropriar justamente das coisas lançadas contra mim para, quem sabe, com elas construir algo bom.

A primeira coisa é que independentemente do nosso encontro com Jesus, sempre precisaremos lutar contra a alienação. Alienação tanto no sentido de estar alheio aos problemas políticos e sociais quanto no sentido de estar alheio ao outro, ao próximo, àqueles a minha volta. Seria uma alienação achar que encontrar Jesus nos livraria de tudo instantaneamente. Seria ótimo que, como num passe de mágica, nosso caráter, pensamentos e intenções fossem transformados completamente em um instante (ah! sonho bom...). Não, teremos que nós mesmos lutar contra isso para que nosso encontro com Cristo nos permita ir nos transformando em modelos dele. O encontro com Jesus nos permite nos livrar daquilo que nos impede de iniciar um processo de transformação em nossas vidas: a escravidão do pecado, de nossos impulsos e tendências ruins. O resto, com a liberdade de poder agir da forma adequada, é com a gente. O problema é quando não aproveitamos a ausência das correntes para trabalhar em nosso caráter e intenções. Aí, é evidente que poderemos voltar a ser escravos e, assim, continuar alienados.

A segunda coisa que essa tirinha me fez pensar foi que algumas pessoas, infelizmente, ainda nos veem como alienados e não posso dizer que elas estão completamente erradas. Houve um tempo em que ser crente era sinônimo de ser honesto, trabalhador e decente. Hoje, ser crente é só um nome para alguém que vai à igreja aos domingos e tem uma mentalidade mais "conservadora". Precisamos resgatar a imagem de pessoas honestas, trabalhadoras e decentes que os verdadeiros crentes sempre tiveram e trabalham para manter. Isso não para "aparecer", mas para que nossa luz brilhe no mundo através de nossas obras. A fé sem obras é morta, já dizia Tiago em sua epístola. Da mesma forma, nossa participação na sociedade passa por um comportamento ético e adequado com nossos princípios. Precisamos não só agir de forma adequada como também participar das questões que afetam nossa sociedade. Não podemos ser alheios aos problemas, até porque conhecemos bem as causas e a solução para eles. Mas, sem dúvidas, nossa participação na sociedade inicia de nosso comportamento, de nossas ações coerentes e condizentes com o amor de Deus em nossas vidas, que nos instrui a amar nosso próximo como a nós mesmos.

Meu desejo é sempre lutar contra minha alienação (acho que esse é o desejo de toda pessoa que segue verdadeiramente a Cristo) e de ser cada vez mais semelhante a Jesus, aquele que transformou vidas a sua volta, se relacionou com os excluídos de sua época levando mudança e esperança, não fez acepção de pessoas e indicou a única forma possível de aprimoramento da sociedade: o reinado do amor de Deus em cada pessoa.