A quarta parede

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Os gamers de plantão devem conhecer a expressão "romper a quarta parede" muito utilizada para se referir aos games que interagem com o jogador e que revelam a ficcionalidade do próprio jogo (o jogo se revela como jogo e não como algo da realidade material). Para explicar melhor o que isso quer dizer trouxe a imagem abaixo, extraída do filme Spaceballs (Spaceballs: S.O.S., tem um louco solto no espaço, no Brasil). A imagem captura um momento do filme em que os personagens decidem assistir ao filme Spaceballs (de que fazem parte) para saber onde os fugitivos estão, pois eles não conseguem detectar pelo radar. Então, o oficial pega uma cópia do filme e passa na TV e termina passando o vídeo no exato momento em que eles estão olhando o filme dentro do filme, causando um efeito infinito e revelando que o filme é um filme e não pretende ser real (diferente daqueles filmes que "são feitos" com câmeras escondidas ou através de gravações encontradas).

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A ideia da quarta parede surgiu no teatro italiano, que buscava dar maior efeito de realidade à encenação artística. O palco, assim, passou a ser construído em forma de "caixa" de forma a se distinguir do local do público e foi "cercado" por três "paredes" e onde seria a quarta ficou um espaço aberto, para que a platéia possa ver o espetáculo, como de uma janela. No entanto, para as personagens na peça teatral é como se houvesse uma quarta parede no local onde está o público e, assim, se cria a ilusão de realidade da peça. (Veja na imagem abaixo a ideia do palco e da abertura no local onde seria a quarta parede).

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O efeito de "romper a quarta parede", então, é quando os atores interagem com o público, revelando que, de fato, não existe uma quarta parede e que a peça não é uma cena da vida real, mas apenas uma criação artística. Da mesma forma, esse efeito ocorre em jogos de videogame, em filmes, em livros, etc. Rompe-se com a distância entre a obra de arte e o expectador, aumentando a interatividade e a co-participação do expectador na criação artística.

O.k., que legal, mas por que escrever sobre isso? Bem, estive pensando no relacionamento de Deus comigo e de como Ele anseia em "romper a quarta parede".

Assim como os italianos, nós criamos esse palco e essa distância entre Deus e a humanidade. Por causa de nosso pecado, Deus, o diretor, roteirista e produtor da grande peça "O Ser humano", foi relegado à platéia e deixado de lado para ver como nós mesmos encenaríamos nossa história. No entanto, Deus não é do tipo que fica sentado vendo "o circo pegar fogo". Não, ele sabia o que fazer para retomar a peça ao script inicial: ele colocou seu filho no elenco e deu a ele o roteiro original em que ele é o protagonista. Por isso, Jesus veio, rompendo a quarta parede e nos mostrando como a peça deveria seguir, mostrando que existia um outro roteiro para o homem e que agora, todos que quisessem poderiam ter suas vidas dirigidas diretamente pelo Diretor e roteirista do universo. Bastava apenas jogar fora o roteiro adulterado e seguir o roteiro original.

Agora, o Diretor tem livre acesso ao palco, por causa do Filho. E todos os que quiserem podem se deixar ser dirigidos por Ele. E é isso que quero fazer. Quero a cada dia deixar de lado esses rascunhos mal escritos por mim mesmo e quero seguir o roteiro original da peça de Deus. Quero deixar de lado minhas pretensões e deixar que Jesus seja o protagonista de minha vida. Quero agir como ele age para assim ter a melhor performance possível. Quero aprender verdadeiramente a ser um ser humano como Deus me planejou para ser.

Posso improvisar e seguir um script diferente se quiser. Posso fingir que existe uma quarta parede e que minha vida se resume a esse palco, que chamamos de mundo. Mas não é isso que quero. Quero permitir que Deus entre nesse palco e mude minha atuação. Quero que Ele conduza meus passos e o meu agir. Quero deixar de seguir meus rabiscos e quero dar vida à plenitude por Ele criada no roteiro para o ser humano. Que eu possa, de fato, permitir todos os dias que Deus rompa a quarta parede de minha vida e tenha livre acesso ao meu interior. Amém!


Encarando nosso inimigo


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Quando assisti pela primeira vez a Star Wars Episódio V: O império contra-ataca, fiquei sem entender a cena em que Luke entra na caverna em Dagobah e enfrenta um suposto Darth Vader. Ainda mais quando ele "corta a cabeça" dele e, quando a máscara do capacete explode, e então aparece o rosto do próprio Luke. Na hora, não fez sentido e eu fiquei pensando: "Oxe, mas o que foi que aconteceu?".

Hoje, entendo a cena e nunca fez tanto sentido. Pra mim, a lição não é que "o mal está dentro de nós", mas sim que nós podemos nos tornar exatamente aquilo contra o que estamos lutando. Basta para isso, usar dos mesmos meios, lutar com as mesmas armas, trilhar o mesmo caminho ou alimentar as mesmas expectativas.

Podemos nos surpreender com a visão de nos tornar exatamente aquilo que não queríamos ser. É como na tragédia de Édipo: quanto mais tentamos fugir de nosso "destino", traçando nosso próprio curso, mais entramos de cabeça nele. Todo esforço será inútil, pois o problema parece residir dentro da gente.

Interessante são as duas coisas que Mestre Yoda fala para Luke antes que ele entre na caverna. Primeiro, quando Luke pergunta o que tem lá dentro, Mestre Yoda responde: "Só o que você levar com você". Depois, quando Skywalker está se preparando para entrar, ele avisa: "Deixe suas armas, você não precisará delas", mas, ainda assim, o jovem aprendiz leva o sabre de luz.

Aquilo que levamos conosco e que pode nos tornar maus são nossos medos, nossas pretensões, nossas auto-justificações, nossa falta de humildade e nossa ganância. As armas que temos contra essas coisas não vem de nós mesmos, pois o doente não pode curar a si mesmo com seus próprios meios, com suas habilidades, com seus esforços e suas melhores intenções. É preciso uma intervenção externa, alguém que já superou e venceu tudo para nos ajudar.

Para encarar o inimigo de frente, o inimigo que alimentamos e que ajudamos a crescer em nós, é preciso ter alguém mais forte conosco. No caso de Luke, ele deveria confiar na Força e não em suas próprias habilidades ou pretensões. Se fosse guiado pela Força, ele não cairia no erro de atacar com ódio o Darth Vader da caverna. Em nosso caso, a Força é Cristo, aquele que venceu o mundo e por meio de quem todas as coisas foram criadas e o qual sem ele nada se fez.

Que eu possa confiar mais em Cristo, a verdadeira Força, e menos em mim mesmo e em minhas forças. Que eu possa me livrar de tudo que possa me fazer me tornar aquilo que detesto, contra o qual luto, pois essa seria minha pior derrota. Que eu possa encarar os inimigos de minha alma sabendo que não tenho forças para vencer, mas que maior e mais forte é aquele que está comigo. Amém!

Escolhas

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Todos se lembram do clássico de Ficção Científica "The Matrix". Pra mim, e para muitas outras pessoas foi um marco no cinema e em filmes de sci-fi. Matrix (título no Brasil) me fez pensar em muitas coisas e, entre elas, nas escolhas que fazemos.

Primeiro, vemos que Neo se sente incomodado com algo que sequer sabe explicar direito. Ele sabe que há algo de errado no mundo, como se estivesse em uma prisão sem grades, mas não sabe explicar do que se trata. É então que surge a possibilidade de mudar algo em sua vida. Trinity e Morpheus não lhe dão muitas explicações sobre o que é a Matrix, essa "coisa" que está em tudo e todos e que é, ao mesmo tempo, essa prisão sem muros. No entanto, para se libertar dela, ele precisa fazer uma escolha: tomar a pílula vermelha.

Após essa decisão, ele descobre o que de fato é a Matrix: um sistema criado pelas máquinas para cultivar seres humanos e utilizar a energia produzida pelo corpo humano para manter as máquinas em funionamento. Apesar dessa escravidão forçada e terrível, vivendo em cápsulas, podemos até ver que o que as máquinas proporcionaram à humanidade não era lá tão ruim assim: os seres humanos viviam em uma realidade virtual em que o mundo seguia do jeitinho que era antes da grande revolução de IA, eram alimentados, bem cuidados (afinal, as máquinas não queriam perder suas preciosas fontes de energia) e ainda era mantida a possibilidade de procriação, artificial, é claro, mas, ainda assim, os seres humanos se mantinham como espécie.

Absurdo? Quem quer viver uma realidade assim? É, concordo com vocês, o ponto chave é esse: quem quer viver uma realidade falsa, em que não há escolhas de fato e você vive uma ilusão criada por computador? Pois é, essa é a chave para aquilo que me chamou a atenção em Matrix. Não se trata apenas de lutar contra as máquinas porque elas nos subjulgaram. Não, trata-se de libertar as pessoas da Matrix para que elas possam ter de novo o poder de escolha.

É disso que se trata o evangelho de Cristo também. Os cristãos, verdadeiramente cristãos, sabem que, aparentemente, esse mundo tem muita coisa boa: você pode ser uma boa pessoa sem ser cristão, pode também ser bem sucedido, alimentar-se, ter saúde, reproduzir-se, achar alguém legal que goste de você ou realizar todos os seus sonhos. O evangelho de Cristo não está focado nessas coisas. Não sou cristão porque isso me faz ser bem sucedido, ser saudável, achar alguém legal, ou me garante que meus sonhos serão realizados. Deus é bom e pode me ajudar em muitas dessas coisas, mas esse não é o foco.

O foco é que não temos liberdade. Não podemos escolher outra coisa que não seja o que existe na Matrix. A Matrix para os cristãos, é a ordem desse mundo caído, aquilo que chamamos de pecado. O pecado é aquilo que nos escraviza e nos mantém fora da realidade, fora do propósito de Deus para os homens. Em si, o pecado não parece ruim, afinal, quando você mente e consegue algo bom com isso, não é legal? Ou quando roubamos e conseguimos algo que queríamos, não parece tranquilo também? De fato, o pecado nos dá um falsa realidade, nos dá falsas expectativas: poderemos possuir coisas que realmente não são nossas, poderemos dizer coisas que não correspondem aos fatos, poderemos fingir ser coisas que não somos.

O evangelho de Cristo vem para nos libertar da Matrix do pecado. Ele não vai nos levar para um paraíso aqui e agora, mas temos a esperança de chegar em Zion e ver as coisas como realmente são e não as criações ilusórias do sistema desse mundo. Quando pecamos, só estamos reforçando o que é falso, o que não é verdadeiro, aquilo que não é o normal ou natural para os seres humanos, mesmo que, como os humanos nas cápsulas dos campos de cultivo, possamos "viver" nessa ilusão. O evangelho não veio porque os seres humanos não tinham como comer, trabalhar, se relacionar, se reproduzir. Não foram essas as escolhas que o evangelho nos trouxe. O evangelho nos trouxe a possibilidade de ver além desse básico e de, mesmo com as dificuldades da vida fora da Matrix, nos dar a perspectiva da vida verdadeira, fora de tudo que é falso, ilusório ou anti-natural: que o ser humano poderia ter a escolha de ser eterno com Deus.

A agenda

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Três meses já se passaram desde o início do ano e lá vou eu escrever um post com o título de "A agenda". Parece um tanto ultrapassado, não é? Confesso que não é um título muito chamativo a esta altura do campeonato, mas vamos lá...

Quem é organizado e responsável já está usando bem a agenda 2013 que comprou, provavelmente, no fim de 2012. Os compromissos marcados, as despesas controladas, os aniversários devidamente listados e todas as obrigações anotadas e riscadas diariamente. A agenda é um sistema simples e prático de se organizar e conseguir alcançar objetivos, é uma forma de não esquecer o que queremos lembrar (óbvio) e de nos manter sempre nos preocupando com o que é mais importante ou urgente.

Confesso que não consigo usar bem minha agenda. Todo ano ganho ou compro uma e termino usando pouco ou mal. Não a olho todos os dias e nem anoto tudo nela, sempre confiando na minha memória. O resultado é óbvio: não sou uma pessoa muito organizada. Sempre esqueço alguma coisa (inclusive, de anotar as coisas na agenda).

Gostaria de ser mais organizado e manter uma agenda sempre atualizada e riscada, mas não tenho tido sucesso. Queria poder me manter sempre bem orientado sobre os meus compromissos e deveres, para nunca deixar de lado o que tenho pra fazer, mas sempre esqueço da minha agenda. Porque agenda, hoje em dia, é mais do que um caderninho de anotações diárias, representa suas prioridades, aquilo que você gasta tempo e esforço fazendo. Tanto isso é verdade que temos as denominações de "Agenda reptiliana", para os esforços dos reptilianos em tornar seu domínio na Terra efetivo; ou a denominação "Agenda Gay" para os esforços dos homossexuais por seus objetivos.

Pensando assim, até mesmo eu, que não uso bem minha agenda de papel, tenho uma agenda. Agenda é algo que nos mantém ocupados. Agenda é aquilo que determina o que há de mais importante para se fazer, pensar ou agir. Agenda não é apenas algo fora de nosso corpo, mas é algo que existe em nossa mente. É aquilo que pensamos em fazer e fazemos. Aquilo que nos programamos para cumprir e cumprimos. Agenda é tudo que nos vem a mente constantemente. Agenda é aquilo em que pensamos o dia inteiro (não importa se é de segunda a sexta ou nos fins de semana). Agenda é aquilo que nunca esquecemos.

A Bíblia também fala de agendas. Como? Ué, falando daquilo que ocupou diariamente alguns grupos, ou que ocupa o dia a dia de seres espirituais. Sabemos de algumas agendas, entre elas a do Diabo, o inimigo das almas de todos os seres humanos:

"E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite." (Apocalipse 12:10)

Ou a agenda dos quatro animais que estão diante de Deus:

"E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir." (Apocalipse 4:8)

Ou a agenda dos bereanos quando Paulo e Silas apresentaram o evangelho de Jesus a eles:

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim." (Atos 17:11)

Essas agendas nos mostram aquilo que existiu/existe como prioridade para cada grupo ou ser. Aquilo que eles fizeram/fazem diariamente. Aquilo que não escapou/escapa das mentes e da memória deles.

Em tempos de tantas agendas, responsabilidades, obrigações, discussões e desafios, precisamos nos manter atentos ao que realmente importa, ao que é mais urgente e o que realmente precisamos fazer. Eu estava procurando uma dica para me manter sempre atento à minha agenda e consegui uma, a agenda que Paulo passa a Timóteo:

"Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério." (2 Timóteo 4:1-5)

Acredito que esse é o dever de todo cristão, de todos os que crêem em Cristo Jesus. Nossa agenda deve sempre estar preenchida com o Reino de Deus. E quando digo isso não estou dizendo que temos de estar no "templo" ou no prédio que chamamos de igreja todos os dias. Não, digo que o Reino de Deus deve estar presente em tudo o que fazemos: levando o evangelho às pessoas, respondendo, exortando, corrigindo, sofrendo as aflições, sendo sóbrios e cumprindo com nossas obrigações.

Minha agenda não tem sido assim. Preciso corrigí-la, cortar as coisas supérfluas e dar prioridade ao que é realmente importante. Existem muitas agendas possíveis de ser adotadas ou de ser escritas, mas quero me dedicar àquela que é mais importante, que, inclusive, abrange muitas outras. Espero que você também revise sua agenda. O ano está no início, ainda dá pra rever algumas prioridades e o tempo que você tem gastado com algumas atividades, ideias ou planos. Inclua em sua agenda o que é mais importante, assim como eu estou tentando fazer também. É tempo de mantermos nossa mente e tempo ocupados com o que realmente importa, com aquilo que irá transformar não só nossa realidade, mas a realidade do mundo todo. É tempo de agendar caminhadas diárias com Jesus, de tomar café com o Espírito Santo e de ter uma reunião com a galera e levar Deus para conhecê-los. Cumprindo esses compromissos teremos muito mais tempo: a vida eterna.