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Mostrando postagens de 2015

Jesus, verbo intransitivo

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“Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta; [...]”

(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência, 1972)


     Essas duas primeiras estrofes do poema “Romance LIII ou DAS PALAVRAS AÉREAS”, de Cecília Meireles, representam muito bem a importância das palavras e a sua “potência” – tanto no que se refere à força de seus diversos sentidos quanto no que se refere à própria realização de suas possibilidades de passar de um estado de existência a outro (como quer a filosofia). Aqui temos duas informações em destaque; primeiro, as palavras produzem sentidos variados, por isso uma mesma palavra pode ter um número indeterminado de significados; segundo, as palavras são seres em…

O PERFUME DE CRISTO

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Na Paris do século XVIII, Jean-Baptiste Grenouille nasce entre tripas de peixe e lama atrás de uma banca, onde sua mãe era feirante e vendia peixes. O menino, incrivelmente nasceu sem cheiro, e passava despercebido entre os outros meninos do orfanato - porque sua mãe fora assassinada por infanticídios algumas semanas depois de seu nascimento. Por outro lado, Grenouille possuía um olfato privilegiadamente aguçado, o que o levou a uma intensa busca pelo odor perfeito. Este odor seria transformado no perfume perfeito. Tendo trabalhado como aprendiz de curtidor de peles e também como aprendiz de perfumista desenvolveu a habilidade necessária para cumprir o seu intento. O mais impressionante desta história é que o que parecia um dom – o olfato aguçado a ponto de sentir o odor distinto da pele das pessoas – se transformou numa maldição, pois ao invés de usá-lo de maneira sábia e saudável, o rapaz passou a ser um assassino de mulheres (26 no total); uma vez que ele as matava para conse…

“A VISÃO AOS CEGOS”

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“Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.” (Isaías 42:7). Essa é a Palavra do Senhor acerca do próprio Jesus e da sua obra. Jesus veio para dar vista aos cegos e libertar os cativos de todo tipo de prisão, porque é isso mesmo o que Jesus faz, Ele liberta! E a primeira coisa que Ele faz para que sejamos libertos é abrir os nossos olhos a fim de que possamos enxergar a sua luz e, por fim, nos “transportar para o seu reino” (Colossenses 1:13). A palavra é bem simples, Jesus veio para dar a visão aos cegos; entretanto, Ele não fará isso sem que o próprio cego queira ver, pois é necessário que haja da parte do enfermo e do cativo – ou seja, do ser humano – a disposição sincera do coração para crer que Jesus realmente fará o milagre simplesmente porque Ele falou que faria. Pois “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1:1), Jesus é o Verbo que se fez carne e habitou entre nós, e morreu por nó…

"As intermitências da morte"

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Este título curioso pertence ao curioso romance de José Saramago (2005), escritor português de grande prestígio, que possui um estilo marcantemente pessimista acerca das questões humanas. Neste romance,"As intermitências da morte", no entanto, assim como a morte, ele suspende o pessimismo e dá ao romance uma saída, isto é, vê uma solução para morte: o amor.  O livro se inicia com a seguinte frase: "No dia seguinte ninguém morreu". E isto aconteceu em um país fictício, criado por Saramago, enquanto no restante do  mundo se continuava a morrer corriqueiramente. O caso da suspensão da morte neste país gerou problemas para os filósofos, para os repórters, eeconomistas donos de funerárias, médicos, hospitais, e particularmente para o Governo e para a Igreja. Pois todos de alguma maneira deixaram de lucrar com a ausência da morte. Entre outras preocupações, incluía-se a de "reflectir sobre o que virá a ser um futuro sem morte" e sobre "os novos prob…