Motivo Lambda


Finalmente decidi escrever (apesar de neste momento estar demasiadamente cansado e com as pálpebras pesando como chumbo) sobre o Lambda, para responder a alguns que questionaram o porquê do seu uso como símbolo de nossa fraternidade. Mas já de antemão aviso que pouco falarei sobre o Lambda em si.
O Lambda (λ) (décima primeira letra do alfabeto grego e que possui o valor de 30 no seu sistema numérico) apesar de sermos nerds, não foi usado como referência ao cálculo lambda, nem aos autovalores de uma matriz na álgebra linear e muito menos como referência ao jogo Half-Life (embora não negue a influência da fraternidade lambda lambda lambda do filme "A vingança dos nerds"). Também não tem ligação com o sistema de fraternidades de cultura grega. Para nós ele é a representação do Logos (λόγος).

A palavra logos pode ser traduzida do grego literalmente como a palavra (falada ou escrita) porém, para nós, possui um significado muito mais profundo. Não somos os primeiros a atribuir ao logos um conceito, digamos, filosófico. O primeiro deles foi Heráclito de Éfeso, que usou o termo para traduzir o conceito de razão. Entretanto não foi dos escritos de Heráclito que capturamos nossa percepção do Logos, mas das Sagradas Letras, tanto dos escritos de João, o evangelista, quanto de Paulo, o apóstolo.

"No princípio era o Verbo [Logos], e o Verbo [logos] estava com Deus, e o Verbo [logos] era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez." João 1:1-3 RC

"E o Verbo [Logos] se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." João 1:14 RC

Vemos então que o Logos nos é apresentado como algo distinto da razão pura e simples, como também não o é apenas como um princípio universal de ordem e beleza, como diziam alguns dos antigos filósofos gregos mas como a própria manifestação da divindade. Sobre isso o autor da Epístola aos Hebreus nos diz:

"O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa." Hebreus 1:3

E mais nos diz Paulo na sua Epístola aos Colossenses:

"Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste." Colossenses 1:15-17 NVI

E ainda mais diz Paulo em Atos dos apóstolos, citando Epimênides, filósofo-poeta cretense do sexto século a.C. :

"Pois nele vivemos, nos movemos e existimos" Atos 17:28 NVI

Concluímos portanto que o Logos é o que nos dá poder, Ele criou todos os seres vivos. Ele nos cerca, nos penetra e mantém toda a criação unida.

E sabemos como já foi visto anteriormente que "o Logos se fez carne". Nós temos visto a sua glória e vivemos sob sua maravilhosa influência. Para nós Ele é conhecido como Jesus. É Ele que mantém a Fraternidade unida, e é essa união que manifestará que ele é nosso Grão-mestre. Ele veio até nós para que tivéssemos vida, e vida abundante, o que para mim significa uma coisa:

A todos os fraters, Vida Longa e Próspera.

A usurpação de ser


De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo [...] Filipenses 2. 5-7a (ARC)

É interessante notar como Cristo, nosso Grão-Mestre, mesmo sendo Deus não se deu o direito de ser Deus quando esteve entre nós. Não quis ser tratado como Deus, embora afirmasse sua natureza divina. Não reivindicou o que era seu: reinos, nações, potestades e principados, mas se fez servo de todos.

Por quê isso? Será que ele não tinha todo o direito de requerer estas coisas? Sem dúvida, tinha todo o direito. Então, por quê não reivindicou? Porque ele veio para nos ensinar que nem sempre, mesmo que tenhamos direitos, devemos reinvidicá-los.

Isso porque o Amor é o mais importante. No versículo anterior, Paulo diz: "Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros", ou seja, Jesus, quando se fez homem, nos ensinou isto: que Ele veio por nossa causa, para nos ensinar o que é o amor, e não para exigir seus direitos divinos.

Isso é demonstrado desde o início, no momento da tentação de Cristo, quando Ele se afirma filho de Deus por não fazer o que um filho de Deus teria o direito de fazer ou reivindicar (transformar pedras, pular de prédios, ou conquistar reinos). O Rev. Ricardo Barbosa, no seminário "A Oração que Deus sempre responde", afirmou que apenas filhos ilegítimos (bastardos) reivindicam direitos; os filhos legítimos não precisam reivindicar nada, eles usufruem de tudo, porque é deles. Assim, se Cristo reivindicasse algo, estaria apenas afirmando a ilegitimidade de sua filiação e natureza divina. Tanto que a tentação sempre inicia por um "Se és o filho de Deus..."

Mas o que isso tem a ver conosco? É simples: como filhos de Deus temos a mesma obrigação de Cristo. Devemos nos esvaziar de nós mesmos. Dos nossos pretensos direitos, nossas reivindicações ante Deus. Isso é extremamente difícil, pois todos somos incentivados a buscar o que julgamos ter direito.

Somos estimulados a exigir coisas de Deus, como se Ele nos servisse e não nós a Ele. Além disso, somos estimulados também a exigir dos outros o que nos é de "direito" (não no sentido legal). Como, por exemplo, exigir que o outro nos trate da forma como acreditamos que merecemos, ou até mesmo reivindicar que outros saciem nossas necessidades.

Também somos tentados a reivindicar nossas vidas como nossas e, assim, o direito de fazermos dela o que quisermos. Somos incentivados a tentar ser o que quisermos, como quisermos, porque queremos, sem prestar contas a ninguém. Esquecemos que não somos ninguém por nós mesmos. (Se até a psicologia e sociologia reconhecem que só existe um "eu" em relação a um "tu", como pensar que podemos "ser" independentemente de outros?).

[É claro que isso não significa deixar de ter vontades e desejos. De modo algum. O que Deus espera é que nossos desejos e nossas vontades não ocupem o centro da questão. Além disso, significa não acharmos que nossos desejos e vontades são direitos a ser atendidos por Deus. Cada coisa no seu devido lugar. Devemos, sim, fazer como Cristo no Getsêmani: expor nossa vontade a Deus, mas buscar que seja feita a vontade dEle.]*

Deus, o Criador de todas as coisas, nos fez por seu propósito e vontade. Nada mais justo e próprio que vivamos de acordo com seu propósito e vontade. Temos, no entanto, em nossa natureza caída, a vontade de usurparmos de Deus seu direito sobre nós, pois, muitas vezes, não acreditamos que sua vontade e querer sejam, de fato, bons, perfeitos e agradáveis.

Ora, o Senhor mesmo nos prometeu que nos acrescentaria as demais coisas, bastava apenas que priorizássemos seu reino. E priorizar o reino é imitar (mimetizar) Cristo, ou seja, nos esvaziarmos de nosso falso "eu" e nos enchermos de Cristo. Esvaziarmos nosso ser de reivindicações (pra mim, meu, etc.) e nos encher do ser de Jesus (pra Ti, Teu reino, etc.).

Tenho dificuldade com isso, principalmente, quando vejo pessoas que não demonstram possuir o temor de Deus "usufruindo" de tudo (como se fossem filhos legítimos) e eu, como alguns outros cristãos, não. Às vezes, tendo a cair nesta "tentação" de querer transformar pedras em pães, só porque estou com fome. Não é assim que deve ser e o Pai tem me fortalecido neste aspecto.

Basta que Ele nos lembre do pecado original: a tentação no Éden. Quando acreditamos que temos direitos que o Pai não nos deu (ou que, para nosso próprio bem e o do próximo, não nos permite usufruir) não estamos querendo ser iguais a Deus? Essa é a primeira e maior tentação.

*Post-scriptum

Código Lambda


Não há Amor sem Fraternidade,
Não há Fratrenidade sem Devoção,
Não há Devoção sem Perseverança,
Não há Perseverança sem Auto-Controle,
Não há Auto-Controle sem Conhecimento,
Não Conhecimento sem Virtude,
Não há Virtude sem Fé.
Não há Medo.
Há Poder, Amor e Equilíbrio.

Nosso Credo

Acreditamos em Deus Todo-Poderoso
Criador do Multiverso,
Do espaço, a fronteira final, e da Galáxia.
Acreditamos em Jesus Cristo
Que foi concebido por partenogênese
Induzida pelo Poder do Espírito Santo
E foi audaciosamente onde nenhum homem jamais esteve.
Foi crucificado, morto e sepultado,
Viajou as Profundezas da Terra,
Subiu ao Céu Profundo,
Está sentado à direita de Deus, Ele é seu Pai,
E que disse: Eu voltarei.

Acreditamos nas Sagradas Letras
Que podem dar a visão além do alcance
Acreditamos que o dualismo equilibrado Luz-Trevas
Existe apenas no universo fictício de Geoge Lucas
Acreditamos na assembléia universal, a Igreja dos Primogênitos
Na fraternidade dos santos aperfeiçoados,
Na remissão dos pecados,
Na ressurreição somática,
Na vida longa e próspera.

Amém.

Azar ou sorte


Fala-se de um certo velho fazendeiro em uma época antiga e em um lugar comum. Ele era muito humilde e em sua propriedade possuía apenas um cavalo que utilizava para todas as suas atividades.

Eis então que, certo dia, seu cavalo foge de sua propriedade e seus vizinhos se apressam por comentar junto ao fazendeiro: "mas que azar, fazendeiro, teu único cavalo fugiu e agora terás muitas dificuldades para gerir tua fazenda e cuidar de teus afazeres". A resposta do fazendeiro não poderia ser mais intrigante: "é... não sei se azar... ou sorte".

Poucas semanas depois, o cavalo do velho fazendeiro ressurge... e não vem só. Trouxe consigo dezenas de cavalos selvagens que encontrou enquanto estava perdido. Mais uma vez, os vizinhos não tardaram em aparecer e comentar suas impressões com o fazendeiro: "mas que sorte, fazendeiro! Agora tens ainda mais cavalos!". Com ar calmo e sereno, o fazendeiro faz mais uma vez a constatação que deixa todos perplexos: "é... não sei se sorte... ou azar".

Mais algumas semanas passam e um imprevisto ocorre: o jovem e único filho do fazendeiro cai de um dos cavalos selvagens enquanto realizava a doma e como resultado quebra uma de suas pernas e fica com leves escoriações pelo corpo. Os vizinhos, mais uma vez, chegam junto ao fazendeiro assim que tomam conhecimento da notícia e mais uma vez concluem: "mas que azar, fazendeiro, teu único filho agora está machucado e levará meses até que possa ajudá-lo na lida da fazenda". Os vizinhos já se encontravam incomodados com as respostas anteriores do fazendeiro e esperavam ansiosamente por saber o que ele falaria nesta nova situação. Com a mesma serenidade e economia de palavras que o caracterizava, o fazendeiro fala: "é... não sei se azar... ou sorte".

Agora a paciência dos vizinhos havia esgotado. Não se inibiam de chamar o velho fazendeiro de louco por falar uma asneira como aquela. Como poderia um filho com a perna quebrada e machucado ser sorte de alguma forma? Loucura!

Mais umas semanas passam. Eclode uma guerra civil na região. Todos os jovens são então convocados para participarem da guerra. As lágrimas e o choro tomam conta dos vizinhos do fazendeiro ao verem seus filhos partirem para um futuro incerto, mas o filho do velho fazendeiro é então dispensado da guerra por estar com sua perna quebrada...

Onde depositas tua força?


2 Coríntios 2.14 "E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento."

Hoje desejo compartilhar uma preciosa lição que o Senhor me permitiu aprender observando a vida de uma mulher dedicada ao Senhor. Apesar de ser algo vivenciado há aproximadamente três anos, esta lição para mim ainda hoje é fruto de reflexões que afetam o âmago do meu ser e não se enganem se em um futuro próximo eu voltar a este caso para compartilhar novos aprendizados.

Na igreja em que congrego, havia uma irmã já com idade avançada. Sua principal marca sempre foi o sorriso, o carinho e a alegria na relação com os outros irmãos. Aos mais novos, como eu, sempre dispensou tratamento de filhos/netos amados, em um carinho que nutria no outro o desejo de econtrá-la mais vezes e de dar um grande e gostoso abraço. Particularmente, não conhecia sua vida em detalhes, apenas sabia o quanto morava longe. Ela viajava sozinha aproximadamente 4h de ônibus para estar na igreja e não deixava de participar sequer do culto matinal no domingo. Apenas esta situação já era capaz de deixar-me constrangido pela minha preguiça frequente e pela minha falta de compromisso na igreja (ainda frequente quando na adolescência). Mas eu ainda pude aprender muito mais ao conhecer um pouco melhor a vida dela.

Os anos passaram... a querida irmã adoeceu... sua saúde gradativamente foi se tornando mais frágil até que chegou o momento em que precisou ser hospitalizada no hoje inexistente Hospital José Carneiro, do serviço público de saúde. Ela sempre foi carente financeiramente. Apesar de conhecer este fato, em verdade eu não havia manifestado real preocupação de conhecer esta realidade a fundo. Por circunstâncias da vontade de Deus, coube a mim e a meu pai levá-la para casa após alta hospitalar. Ela havia acabado de se submeter a uma cirurgia que hoje não me recordo o nome (assim como não me recordo o nome da enfermidade... fiquei em memória apenas com as coisas valiosas). Aqueles que conhecem a realidade da saúde pública podem imaginar as condições do hospital... ao vê-la no leito, ainda que em recuperação, não pude me privar de sentir dor por ela, seguramente era uma condição delicada e de muita dor.

Pequeno e fraco que sou, peguei-me então refletindo sobre como seria a viagem para levá-la até sua casa enquanto meu pai e eu a auxiliávamos a se deslocar para o carro... o que poderia falar a ela? Como consolar alguém nesta condição de dor e falta de saúde?

Quanta imaturidade a minha. Apenas com um olhar um pouco mais atento e mais despido de piedade barata e pude notar: lá estava o sorriso querido e carinhoso de sempre, ainda que um pouco mais frágil e delicado. O seu amor se manifestou com o brilho usual assim que começamos a nossa viagem. Eu, que imaginava possuir a responsabilidade de consolar fiquei mais uma vez constrangido pela força e fé daquela serva do Senhor.

Ora, pensava eu que iria encontrar alguém frágil e com necessidade de receber consolo. E mais: acreditava que caberia a mim consolá-la. Quanta ilusão a minha. A percepção de meu engano foi tão nítida que ainda durante a viagem pedi perdão a Deus pela minha imaturidade. Acreditava eu que a lição já estava ensinada... ledo engano mais uma vez.

Ao chegar diante da residência daquela querida irmã meu coração desmoronou mais uma vez. Uma habitação tão simples e humilde. Desprovida de tantas coisas...

O coração doeu amargamente ao acomodá-la em seu leito (mesmo com aquela alegria e receptividade sem igual). Ela tinha um filho que se desviou do caminho e que trazia mais preocupações do que ajuda, mesmo naquela situação. Faltava-lhe muito materialmente ainda, apesar da ajuda da igreja.

Peguei-me mais uma vez confuso diante de tudo. Principalmente por desejar entender como aquela mesma irmã enferma e feliz no carro conseguia manter sua felicidade em meio a estas dificuldades. Foi inevitável pensar assim, mas após boas conversas já em sua casa, chegou o momento de partirmos. Em seu olhar o carinho e a gratidão pelo auxílio e companhia. Seu amor conseguiu-me até trazer um sorriso ao rosto mesmo com tantas inquietações no peito. Que bela mulher.

Durante a viagem de volta para a minha casa fiquei com o coração angustiado e e a buscar uma resposta. A resposta chegou ainda durante o trajeto... A pergunta era: como uma serva verdadeira, dedicada e leal ao Senhor (com um coração cheio de amor e fé capaz de consolar aqueles que deveriam consolá-la) pode passar por provações e dificuldades como estas, meu Senhor??

Pude retirar algumas lições diante da resposta, mas deixo-vos apenas tal qual a recebi/percebi para que tenham oportunidade igual de refletir: "EU estou com ela. O que são vossas inquietações e dificuldades humanas para quem está em meu descanso? Observa a vida de minha filha, considera seus caminhos e contempla a magnitude de meu poder".

Ora amados, não tenho mais dúvidas. A graça de Deus é grandiosa demais para se limitar a bençãos materiais. Ela é capaz de trazer alegria e consolo diante do impossível. Bem sei quão delicados e complexos são estes ensinamentos. São muito maiores do que eu e reservo-me apenas a comentar o que vi e vivi. Peço ao nosso Deus, com temor e tremor, que nos capacite e habilite a viver o amor que é manifestação irrestrita de Sua Graça e Poder para conhecermos a Ele em sua intimidade e com maturidade.

Filipenses 4.4-9,12-13 "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco. (...) Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece."

Nuvens



As nuvens passam sobre mim
e levam consigo a esperança dos sonhos.

Em suas diferentes formas,
revelam o que se esconde em meus olhos.

E, assim, vão fazendo e desfazendo
a ilusão de ver, por um momento,
tudo o que se quer.

Em tons brancos
sob um pano azul.

Metodologia da vida? Uma humilde reflexão

Fui questionado sobre as possíveis relações e a utilidade de conhecimentos de avaliação crítica da metodologia da literatura científica dentro de nossas relações cotidianas e fiquei deveras intrigado. Seria possível conseguir relacionar uma avaliação meramente técnica com algo tão particular, variável e subjetivo como as relações humanas? Bem sei que há vários teóricos da área com estudos específicos e de natureza diversificada sobre o tema, mas minha proposta é adequar os conhecimentos da metodologia científica em saúde com nossos relacionamentos. Ainda ao refletir de forma superficial, chamaram-me atenção três aspectos básicos da metodologia.

Em primeiro, ao proceder a leitura de um artigo científico no intuito de avaliar sua qualidade, nunca devemos dar valor apenas ao nome de quem realizou a pesquisa/estudo, ou seja, não importa "quem" é o autor (seja renomado ou desconhecido, ostente diversos títulos acadêmicos ou não). Em segundo, não devemos considerar também a instituição de origem do pesquisador, pois a inferência de que estudos realizados em centros de ensino ditos de melhor "qualidade" apenas produzem estudos de "qualidade" é inválida e equivocada, assim como a conclusão de que instituições sem "prestígio" apenas produzem estudos de má-qualidade também. De igual modo, e em terceiro lugar, não devemos observar o periódico onde o estudo foi publicado como uma referência da qualidade do artigo em questão, uma vez que foi/é/será possível encontrar estudos de má-qualidade em periódicos renomados ou não. O saldo é: o importante é avaliar a obra e a sua utilidade, relevância e aplicabilidade. Se o estudo for de qualidade, uma avaliação crítica (do pesquisador renomado, da instituição conceituada e do periódico de destaque) apenas confirmará que o estudo é de qualidade permitindo o uso de suas informações na prática clínica.

Eis então uma relação: em nossos relacionamentos não devemos nos importar, inicialmente, com a aparência do outro (vestimenta/hábitos e costumes/personalidade), com a sua origem (cultural/econômica/religiosa) ou levar em conta julgamentos de terceiros (colegas/amigos/parentes). Sim, eu sei. Básico e elementar. É o antigo conceito de não julgar o livro pela capa. Vamos seguir...

João 4.5-9
"Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José. E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta. Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida. Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos)."

Não sei se ficou claro, mas os princípios que apresentei para avaliação possuem uma característica não intencional de fornecer o benefício da dúvida a estudos que aparentemente seriam de má-qualidade e o malefício da dúvida a estudos que aparentemente seriam de boa qualidade. Tais princípios não poderiam ser considerados de igualdade, portanto, mas sim de equidade. Esta funcionalidade na pesquisa pode ser considerada não intencional, no entanto o seu uso possui propósito em nossa vida. Consiste em duvidar, inicialmente, daquilo que aparenta ser bom e permitir avaliar aquilo que aparentemente é ruim. Confuso, eu sei, mas com um fundo de sensatez. Deve ser lembrado que a finalidade é sempre permitir uma avaliação justa das pesquisas científicas como forma de encontrar estudos de qualidade e de igual modo permitirá uma avaliação justa de relacionamentos, permitindo preservar-nos de desilusões e enganos. Faço apenas um destaque para uma avaliação justa. Não adianta nada utilizar estes princípios se a avaliação for tendenciosa (é, em verdade uma negação do princípio).

João 4.16-18.
"Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido;Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade".

Se entender e concordar com o não julgar pela aparência, preciso também não julgar pelo histórico do meu próximo. Mesmo um artigo de "má-qualidade" pode possuir aspectos úteis ao leitor e de igual modo podemos afirmar que mesmo pessoas que aos olhos do mundo não possuem valor possuem plenas condições de serem úteis ao meio onde estão inseridas. Por meio da mulher samaritana, alguém com quem um judeu não deveria falar, muitos samaritanos foram salvos (Jo 4.39 E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito).

Mais do que necessário é reforçar um aspecto. Os presentes princípios, embasados pela Palavra do Senhor e pela metodologia científica, possuem uma questão fundamental. Em uma pesquisa tudo deve ser direcionado no sentido de evitar tendenciocidades e em nossa vida devemos sempre primar pela idoneidade das intenções. Explico: permitir conhecer alguém que aparentemente não tenha nada em comum é diferente de encontrar qualidades a todo custo (e vice-versa). A utilização desta visão deve ser meta, mas faz-se necessário utilizar maturidade. Não há como misturar luz com trevas e esta não é a proposta que apresento. Antes, acredito que a luz deve superar as trevas.

Por fim desta primeira conversa, deixo o fundamento que reforça o pequeno valor desta brincadeira metodológica:
Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo (Colossenses 2.8). Utilizem de criticidade e isenção nos comentários ;)

ps1: Sugestão de leitura: João 4
ps2: a intenção era ser sucinto, mas a verdade é que tinha mais coisas a comentar ainda e parei por estender muito além do meu objetivo inicial hehehehe

A Convicção Cristã em tempos de Cultura da Dúvida (1)

















Falar em certezas em tempos ditos pós-modernos, que praticamente cultuam a dúvida e a incerteza, chega a ser heresia. Só os loucos ou fanáticos é que acreditam com convicção em alguma coisa. Mas, como invariavelmente ao longo da história os cristãos sempre foram rotulados com estas nomenclaturas, o xingamento não ofende os autores deste blog.

Parece-me que hoje estimula-se a não certeza para tudo. "Será que este é o melhor curso?", "Será que não existe alguém mais interessante para me relacionar?" ou "Como sei se realmente gosto disso se não provei todas as outras opções?" são algumas das perguntas que têm sido feitas pelas pessoas e que têm sido vistas como pertinentes e relevantes. Neste primeiro post, de dois em que tratarei da questão, pretendo mostrar como o culto à dúvida atua para cristalizar o estado de coisas.

Outro dia, vi em uma propaganda de um canal voltado para a disseminação científica o seguinte slogan: "São as perguntas que movem o mundo, não as respostas". A princípio, não dei muita importância e não percebi o quanto esta ideia tem de desconstrutiva para o conhecimento e a experiência.

Primeiro, com a ênfase em perguntar incita-se que se questione tudo. Isto, a princípio, não tem nada de ruim; até é importante que não se aceite tudo sem uma percepção crítica. Mas o problema é que esta incitação volta-se apenas para o questionamento pelo questionamento, e aí surgem os problemas. Não conheço nenhuma teoria, tese, conceito, postulado, descoberta, achado ou ideia científica que se baseie unicamente em perguntas sem as respectivas respostas ou propostas de resposta. Os grandes nomes da ciência de todos os tempos, na maioria das vezes, eram enfáticos em relação às suas respostas para as perguntas acerca da realidade. Assim, a grande falha está em questionar por questionar, não admitindo nada, não importando as possibilidades de resposta.

Segundo, com a descrença nas respostas como "motores do mundo" se estimula e se admite qualquer interpretação para o real. Isto é o mesmo que desconsiderar todas as respostas ou torná-las inválidas, pois se todas as hipóteses são possíveis e elas não "movem o mundo", não importa a que resposta se chegue, o que importa é permanecer perguntando. Deste modo, qualquer resposta serve, pois todas são inúteis (não "movem o mundo"). Além de desconstruir a própria noção de pergunta (torna sem sentido perguntar, pois o sentido de toda pergunta é obter uma resposta) transforma as respostas dadas até agora (esforço de mentes valiosas para compreensão da realidade) algo sem sentido e sem utilidade.

Não há como falar de perguntas, respostas e hipóteses sem lembrar de Master Porfírio. Lembro aquilo que Master Porfírio me ensinou sobre a Ideia Brilhante (a ideia que gera uma pesquisa científica). A Ideia Brilhante é a combinação de três coisas: a dúvida, a pergunta de pesquisa e a hipótese. Observe-se que no próprio cerne de como se inicia uma pesquisa científica está: 1) A dúvida (é o questionamento em relação a algum fenômeno da realidade); 2) Uma pergunta de pesquisa (a transformação da dúvida em algo passível de resposta: uma pergunta) e 3) Uma proposta de resposta (a hipótese é uma proposta inicial de resposta à pergunta formulada).

Como esta é a área de Master Porfírio não me alongarei mais nela. O importante é entendermos que hoje, em ciência, perguntas e respostas são fundamentais para um bom trabalho acadêmico. Acredito que a maioria das pessoas (e até mesmo o canal que vinculou o slogan) também acredita nisso, mas apenas para a esfera da ciência. De fato, o marketing se serviu de uma compreensão comum da realidade para melhor difundir o canal televisivo. Na vida prática (fora dos muros acadêmicos), as pessoas não pensam que obter respostas ou mesmo buscá-las é importante, o que importa é desacreditar de tudo. E é assim que as pessoas tem agido. Ao ponto de algumas pessoas aceitarem com válidas perspectivas de mundo completamente opostas.

Mas o que tudo isto tem a ver com a convicção cristã mencionada no título? Tudo. Para os cristãos, a cristandade (a qualidade do que é cristão) tem a ver com tudo. Além disso, acreditar com convicção é próprio do cristão. Infelizmente, alguns "cristãos" de hoje estão também cultuando a dúvida. Esquecem-se que a fé é o "o FIRME FUNDAMENTO das coisas que se esperam" (ARC), ou "a CERTEZA daquilo que esperamos" (NVI). Além disso, entre as três coisas que permanecerão quando vier o que é perfeito, segundo o apóstolo Paulo, uma delas é justamente a fé.

Ora, se a fé (que é certeza, convicção, firme fundamento) é algo que permanece mesmo quando formos aperfeiçoados para a eternidade, como justificar o culto à dúvida? Não se justifica. Então, o cristão não possui nenhuma dúvida? Não, o cristão tem dúvidas, como qualquer um. Mas ele tem certezas e estas são mais firmes que suas incertezas. E isso tem sido um diferencial hoje. O cristão tem dúvidas, mas ele também tem meios de saná-las. A diferença é que o cristão não se satisfaz com a dúvida, ele se vale de diretrizes de ação, ensinadas por Cristo, e a partir delas toma suas decisões, ele é direcionado por Deus (que corrige seus passos e aplana seus caminhos) e BUSCA RESPOSTAS.

Talvez o ponto central de toda essa reflexão esteja justamente aí: a busca de respostas. Fazer perguntas não move nada, buscar respostas sim. Mesmo quando buscamos nos lugares errados estamos nos movendo (ou "movendo o mundo"), mas para quem apenas fica questionando por questionar o mundo é estático. Nada há de novo ou velho, tudo permanece, pois, de fato, não faz diferença a que resposta se chegue: elas são insuficientes, insatisfatórias, incompletas, já nascem ultrapassadas. Sim e não são coisas iguais (apenas pontos de vista de um mesmo objeto), assim como não existe noções de distância em relação à verdade; o mundo se cristaliza em uma estátua de sal: não se segue para lugar algum, nem se sai de canto nenhum.

O cristão caminha, pois foi posto de pé e foi direcionado para um lugar. Essa convicção será tratada no próximo tópico.

Fraternidade, o último degrau para o amor.

Enquanto me divertia lembrando a origem e a importância da nossa fraternidade para cada um de nós, refleti para além do óbvio, aquilo que imediatamente vem à mente quando usamos a palavra "fraternal". Procurei nos Escritos Sagrados meditações mais profundas para enriquecimento de minhas reflexões. Encontrei o texto abaixo em uma das cartas do apóstolo Simão Pedro:


(...)empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimento;ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade;à piedade a fraternidade; e à fraternidade o amor(...) II Pedro 1:5-7

Em seguida o apóstolo conclui afirmando que devemos nos empenhar para que essas coisas cresçam em nós a fim de que não nos tornemos inoperantes e improdutivos apesar de conhecer plenamente ao Senhor.

Observando o texto percebe-se que há como uma escala de valores que devem ser buscados por nós. O penúltimo "degrau" trata-se justamente da fraternidade, seguindo-o o amor. Mas então veio a pergunta: Como acrescentar o valor da fraternidade sem já haver alcançado o amor?

Pois bem, lembrei-me de Wesslen Nicácio descrevendo os pensamentos de Lewis a respeito dos quatro amores, quatro expressões gregas genericamente traduzidas como amor. Tratam-se então de distintos amores.

Fraternidade vem da palavra grega philadelphía, que se relaciona com o desejo de ver o outro bem e uma preocupação com o conforto mútuo. O que é uma tarefa fácil pra quem está no degrau da piedade. Derramar sobre o próximo as benção advindas de um relacionamento piedoso com Deus será natural. No entanto a palavra amor tem sua origem em outra palavra grega: Ágape. A palavra ágape nos transmite uma idéia de dedicação sacrificial, incondicional.

Não sou profundo conhecedor do idioma grego, o que não é necessário para perceber que Pedro trata de um nível muito mais elevado. Ágape é usado para descrever o amor de Deus. Eu me arrepio em pensar nisso. É um nível muito elevado. É tão elevado que nenhum pensamento humano, por mais nobre que seja, pode alcançar.

Mas o texto bíblico nos revela que a fraternidade é o que antecede o amor ágape. Jesus nos apresentou inicialmente dois mandamentos antigos: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Mas por fim Ele nos deu um novo mandamento: Amai uns aos outros como eu vos amei.

Quando Jesus revelou esse novo mandamento, o fez em um grupo fechado, no círculo íntimo dos discípulos. Os mesmos entre si deveriam manifestar o amor Ágape. Percebemos que aparentemente ele nos mandou realizar algo impossível, o que sabemos não ser, caso contrário não o teria mandado. A nova natureza manifesta em nós pela fé em Cristo Jesus nos permite, entre irmãos, chegar nesse nível supremo de amor. Mas não sem que conheçamos o verdadeiro sentido da fraternidade.

Já ouvi alguém dizer: os amigos são a família que nós podemos escolher. Salomão também nos revela em seus provérbios que: há amigo mais chegado que irmão. A fraternidade não está vinculada apenas aos laços naturais de irmandade mas também aos laços criados por escolha. E ela nos é apresentada como o último nível antes desse amor divino revelado por Jesus e por ele ordenado para que se fosse praticado entre os irmãos. Entendemos que a mesma é pré-requisito para que alcancemos o inatingível, o mesmo amor que Deus tem por nós.

C.S. Lewis certa vez disse: "A amizade nasce no momento em que uma pessoa diz para outra: O quê? Você também? Pensei que eu fosse o único!" Essa identidade superior, a da nova criação, da raça eleita, é o que nos torna inicialmente semelhantes, criando a amizade, que na perseverança cria a irmandade. Mas no nosso caso não se limita apenas a isso.


Prólogo Sombrio (ou por quê escrever na internet ainda hoje?)

Em meio a tantos blogs, comunidades virtuais e sites de relacionamento, por quê ainda dedicar mais uma página na internet para escrever algo?

A pergunta é mais profunda do que se pode imaginar, remete-nos à própria razão de comunicar para o ser humano. Mas, por outro lado, talvez a resposta seja mais simples do que pareça.

Expor o próprio pensamento é a forma mais natural de organizar as ideias. Então, pelo menos a princípio, esta é a razão para a existência desse blog. Somos uma fraternidade de amigos cristãos que busca, através deste espaço, melhor compreender nossos princípios, valores e experiências.

Haveria ainda outro motivo? Compartilhar vivências por meio de textos escritos permite reunir, mesmo que virtualmente, outras pessoas que se identificam com aquilo que acreditamos ou que refletem sobre os mesmos temas.

Assim, com estas duas motivações em mente, iremos dar início a este espaço. Talvez, com o passar do tempo e as sucessivas postagens, outros motivos sejam agregados e passem a motivar nossos escritos. Estes, por sua vez, não serão configurados em nenhum gênero específico, podendo variar entre crônicas, ensaios, poesias ou mesmo piadas.

Sintam-se à vontade para visitar e ler os posts. Os comentários que forem julgados enriquecedores ao espaço serão postados também. Com isso, desejamos a todos: Sejam bem-vindos à Fraternidade Lambda.