Onde depositas tua força?


2 Coríntios 2.14 "E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento."

Hoje desejo compartilhar uma preciosa lição que o Senhor me permitiu aprender observando a vida de uma mulher dedicada ao Senhor. Apesar de ser algo vivenciado há aproximadamente três anos, esta lição para mim ainda hoje é fruto de reflexões que afetam o âmago do meu ser e não se enganem se em um futuro próximo eu voltar a este caso para compartilhar novos aprendizados.

Na igreja em que congrego, havia uma irmã já com idade avançada. Sua principal marca sempre foi o sorriso, o carinho e a alegria na relação com os outros irmãos. Aos mais novos, como eu, sempre dispensou tratamento de filhos/netos amados, em um carinho que nutria no outro o desejo de econtrá-la mais vezes e de dar um grande e gostoso abraço. Particularmente, não conhecia sua vida em detalhes, apenas sabia o quanto morava longe. Ela viajava sozinha aproximadamente 4h de ônibus para estar na igreja e não deixava de participar sequer do culto matinal no domingo. Apenas esta situação já era capaz de deixar-me constrangido pela minha preguiça frequente e pela minha falta de compromisso na igreja (ainda frequente quando na adolescência). Mas eu ainda pude aprender muito mais ao conhecer um pouco melhor a vida dela.

Os anos passaram... a querida irmã adoeceu... sua saúde gradativamente foi se tornando mais frágil até que chegou o momento em que precisou ser hospitalizada no hoje inexistente Hospital José Carneiro, do serviço público de saúde. Ela sempre foi carente financeiramente. Apesar de conhecer este fato, em verdade eu não havia manifestado real preocupação de conhecer esta realidade a fundo. Por circunstâncias da vontade de Deus, coube a mim e a meu pai levá-la para casa após alta hospitalar. Ela havia acabado de se submeter a uma cirurgia que hoje não me recordo o nome (assim como não me recordo o nome da enfermidade... fiquei em memória apenas com as coisas valiosas). Aqueles que conhecem a realidade da saúde pública podem imaginar as condições do hospital... ao vê-la no leito, ainda que em recuperação, não pude me privar de sentir dor por ela, seguramente era uma condição delicada e de muita dor.

Pequeno e fraco que sou, peguei-me então refletindo sobre como seria a viagem para levá-la até sua casa enquanto meu pai e eu a auxiliávamos a se deslocar para o carro... o que poderia falar a ela? Como consolar alguém nesta condição de dor e falta de saúde?

Quanta imaturidade a minha. Apenas com um olhar um pouco mais atento e mais despido de piedade barata e pude notar: lá estava o sorriso querido e carinhoso de sempre, ainda que um pouco mais frágil e delicado. O seu amor se manifestou com o brilho usual assim que começamos a nossa viagem. Eu, que imaginava possuir a responsabilidade de consolar fiquei mais uma vez constrangido pela força e fé daquela serva do Senhor.

Ora, pensava eu que iria encontrar alguém frágil e com necessidade de receber consolo. E mais: acreditava que caberia a mim consolá-la. Quanta ilusão a minha. A percepção de meu engano foi tão nítida que ainda durante a viagem pedi perdão a Deus pela minha imaturidade. Acreditava eu que a lição já estava ensinada... ledo engano mais uma vez.

Ao chegar diante da residência daquela querida irmã meu coração desmoronou mais uma vez. Uma habitação tão simples e humilde. Desprovida de tantas coisas...

O coração doeu amargamente ao acomodá-la em seu leito (mesmo com aquela alegria e receptividade sem igual). Ela tinha um filho que se desviou do caminho e que trazia mais preocupações do que ajuda, mesmo naquela situação. Faltava-lhe muito materialmente ainda, apesar da ajuda da igreja.

Peguei-me mais uma vez confuso diante de tudo. Principalmente por desejar entender como aquela mesma irmã enferma e feliz no carro conseguia manter sua felicidade em meio a estas dificuldades. Foi inevitável pensar assim, mas após boas conversas já em sua casa, chegou o momento de partirmos. Em seu olhar o carinho e a gratidão pelo auxílio e companhia. Seu amor conseguiu-me até trazer um sorriso ao rosto mesmo com tantas inquietações no peito. Que bela mulher.

Durante a viagem de volta para a minha casa fiquei com o coração angustiado e e a buscar uma resposta. A resposta chegou ainda durante o trajeto... A pergunta era: como uma serva verdadeira, dedicada e leal ao Senhor (com um coração cheio de amor e fé capaz de consolar aqueles que deveriam consolá-la) pode passar por provações e dificuldades como estas, meu Senhor??

Pude retirar algumas lições diante da resposta, mas deixo-vos apenas tal qual a recebi/percebi para que tenham oportunidade igual de refletir: "EU estou com ela. O que são vossas inquietações e dificuldades humanas para quem está em meu descanso? Observa a vida de minha filha, considera seus caminhos e contempla a magnitude de meu poder".

Ora amados, não tenho mais dúvidas. A graça de Deus é grandiosa demais para se limitar a bençãos materiais. Ela é capaz de trazer alegria e consolo diante do impossível. Bem sei quão delicados e complexos são estes ensinamentos. São muito maiores do que eu e reservo-me apenas a comentar o que vi e vivi. Peço ao nosso Deus, com temor e tremor, que nos capacite e habilite a viver o amor que é manifestação irrestrita de Sua Graça e Poder para conhecermos a Ele em sua intimidade e com maturidade.

Filipenses 4.4-9,12-13 "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco. (...) Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece."

4 comentários:

  1. É extremamente difícil falar qualquer coisa após ler uma experiência tão profunda e inquietante como esta. Acredito que o Nome do Senhor está sendo profundamente glorificado através da vida dessa irmã e dessa experiência que você teve, Master.

    Fico imaginando como seria minha atitude se estivesse na mesma situação que esta querida irmã. A certeza de que Deus está no controle de todas as coisas e que é soberano sobre tudo e todos está enraizada nela de uma forma constrangedora.

    Só esta convicção explica a atitude desta mulher ante a própria situação. Só a confiança de que a vida dela não está em suas próprias mãos, mas na daquele que a comprou para si, ajuda-nos a entender isso.

    O texto de Filipenses, ao fim, também explicita isso: Paulo, ao escrever esta carta, estava preso e se hoje achamos a situação das cadeias deploráveis imagine isto a quase dois mil anos atrás... A alegria que Paulo transborda nesta carta (assim como a descrita por Gustavo na irmã) é surreal. É iverrossímel. Chega a ser incômoda.

    Pra mim parece que me falta algo muito grande que estas duas personagens possuem. Possuem na total ausência de coisas materiais. O pior (ou melhor) é que sei também que se estas duas personagens fossem extremamente ricas (de bens materiais) teriam o mesmo comportamento de alegria e paz. Eles incorporaram (em todos os sentidos possíveis) essa verdade: "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus."

    Ainda me falta muito na caminhada... Mas saber que esta irmã, assim como Paulo, chegaram nesse nível de comprometimento e entrega à Deus, me fortalece os passos, me anima a prosseguir. O alvo é nítido: Cristo; saber que outros antes de nós trilharam este caminho e venceram os desafios da estrada é extremamente enriquecedor.

    Que a Graça e a Paz de Cristo nos encha a ponto de transbordarmos! Avante, para o alvo!

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  2. (...)pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem pela fé(...) Hb 11:7
    O versículo que citei logo acima nos mostrou como um ato de fé e justiça de Noé condenou toda uma geração, mas, como condenou? Penso que Noé foi usado como referencial para o julgamento de sua geração. Era um homem que se mantinha incorruptível em uma era de pecado e devassidão, de violência e inquietude. Se para Noé, sujeito as mesmas fraquezas que os demais homens, era possível ser chamado por Deus de justo, por que os outros não o conseguiram ser? Ele foi o ponto de corte para o julgamento divino. O mesmo pode se dizer do justo Ló, que se angustiava pelo comportamento de seus concidadãos de Sodoma e foi salvo do fogo.
    Vejo essa irmã ,cujo nome para mim é desconhecido mas que será escrito nas crônicas eternas, como uma daquelas pessoas das quais "o mundo não era digno". Pessoas assim serviram como parâmetro para o julgamento do mundo. Uma pessoa que venceu por sua fé, e que, apesar de suas lutas nessas existência terrena, pode manter-se inabalável. Penso que seu nome está escrito com pena de ouro, nas colunas do templo celestial, o hall dos heróis da fé.

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  3. Quão belas palavras... Concordo plenamente.

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  4. Cara!

    Não tinha lido este texto ainda...Excelente!
    É uma lição poderosíssima, assim como um testemunho de grande fé e poder.

    Glória a Deus!

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