Amadurecimento

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Pessoas adultas
falam a sério,
andam correndo,
criam esquemas,
ganham dinheiro,
têm pouco tempo.

Não brincam,
nunca riem,
nem gargalham.

Por isso, sinto te dizer,
mas quando eu crescer,
quero é ser gente grande.


Os abençoados

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[Hoje, em lugar de escrever um texto vou transpor um trecho da Bíblia A mensagem (paráfrase bíblica de Eugene H. Peterson, que pretende dar uma linguagem contemporânea ao texto bíblico). Mesmo que não goste ou concorde com a tradução dada ao texto, é interessante ler e refletir nesta mensagem.]


Quando percebeu que seu ministério começava a atrair multidões imensas, Jesus subiu a uma montanha. Solicitou aos que estavam aprendendo com ele que o acompanhassem. Quando chegaram a um lugar bem tranquilo, ele se assentou e começou a ensinar aos seus companheiros de caminhada:

"Abençoados são vocês, que nada mais têm para oferecer. Quando vocês saem de cena, há mais de Deus e do seu governo.

Abençoados são vocês, que sofrem por terem perdido o que mais amavam. Só assim poderão ser abraçados por aquele que é o amor supremo.

Abençoados são vocês, que se contentam com o que são - nem mais, nem menos. Assim, vocês se verão como os orgulhosos donos de tudo que não pode ser comprado.

Abençoados são vocês, que sentem fome de Deus. Ele é comida e bebida - é alimento incomparável.

Abençoados são vocês, que se preocupam com o bem-estar dos outros. Na hora em que precisarem de ajuda, também receberão cuidado.

Abençoados são vocês, que puseram em ordem seu mundo interior, com a mente e o coração no lugar certo. Assim, vocês poderão ver Deus no mundo exterior.

Abençoados são vocês, que conseguem mostrar que cooperar é melhor que brigar ou competir. Desse modo, irão descobrir quem vocês realmente são e o lugar que ocupam na família de Deus.

Abençoados são vocês, cujo compromisso com Deus atrai perseguição. A perseguição os fará avançar cada vez mais no Reino de Deus.

E isso não é tudo. Considerem-se abençoados sempre que forem agredidos, expulsos ou caluniados para me desacreditar. Isso significa que a verdade está perto de vocês o suficiente para os consolar - consolo que os outros não têm. Alegrem-se quando isso acontecer. Comemorem, porque, ainda que eles não gostem disso, eu gosto! E os céus aplaudem, pois sabem que vocês estão em boa companhia. Meus profetas e minhas testemunhas sempre enfrentaram essa mesma dificuldade".


Mateus 5. 1-12 (A mensagem - Bíblia em linguagem contemporânea)

Hoje, dia de ser criança


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É comum que se pense que nós, que gostamos de "desenho animado" japonês, assistir séries de ficção científica, jogar video-game, ou ler livros de fantasia, sejamos um tanto quanto imaturos ou "criançados". Em nossa cultura, estas coisas são típicas das crianças e consideradas impróprias para adultos. Hoje, é o dia das crianças e, talvez, um dia para voltar a ser criança, no melhor sentido possível.

Quem não sente falta da época de infância? Quando era possível passar na escola com o mínimo esforço, quando as maiores preocupações do dia eram quais brincadeiras brincar, quando todos, até a primeira briga, eram amigos (e, mesmo após a briga, voltavam a ser depois de um mero pedido de desculpas). As questões surgiam, mas na maioria das vezes se resolviam com uma rapidez incrível. Preocupação, ansiedade, tristeza ou depressão eram "coçeirinhas" que davam e logo passavam. O dia era tudo, o momento sintetizava e acumulava tudo, de forma simples e fugaz.

Romantismo em relação à infância? Não, haviam problemas, ficaram traumas, coisas terríveis também ocorriam. Crianças também aprendem a ser más e a fazer o mal. Quem não tinha aquele rival, aquela criança malvada que grudava chiclete em seu cabelo ou colocava o pé para você cair? Sim, havia briga, murros, chutes e palavrões! Mas se a intensidade era grande a transposição também era rápida. O que não podia ser resolvido era deixado de lado, os problemas (que, em maior parte, os adultos nos transferiam) eram esquecidos na brincadeira, na curiosidade em relação ao novo, no relacionamento com os amiguinhos. Mesmo os "inimigos", eram aceitos nas brincadeiras (mesmo que sempre terminasse em briga), sempre uma chance renovada para o acerto, para ver se era possível se dar bem.

Como cristão, hoje, duas palavras de Jesus me ecoam na mente:

"Como resposta, Jesus chamou uma criança para o meio da sala e disse: [...] Quem se tornar simples de novo, como esta criança, será o maior no Reino de Deus." (Mateus 18:2,4 "A Mensagem")

"Prestem atenção: a não ser que vocês aceitem o Reino de Deus com a simplicidade de uma criança, não irão entrar nele." (Lucas 18:17 "A Mensagem")

A forma simples e despretensiosa de viver das crianças é tomada por Jesus como a forma necessária para entrar no Reino de Deus. Mas que simplicidade é esta? Acredito que seja a simplicidade de receber cada momento como dádiva, cada dia como novo, cada encontro com alegria. Crianças conseguem transformar, através da imaginação, objetos em brinquedos e deixar de lado richas e desavenças em prol do contentamento de brincar. Para as crianças tudo é muito simples: basta que seja divertido. Em relação ao Reino, isso se aplica na forma alegre, leve e espontânea com que devemos viver o evangelho de Cristo. Perdoar nossos "inimigos" e brincar juntos de novo; distribuir por todo lado a Graça leve que nos tira o peso da culpa e do pecado; receber cada dia com a alegria da misericórida que se renova a cada manhã...

A simplicidade das crianças também implica em ter um coração mole: se desculparem com mais facilidade, terem mais empatia pelo outro, se alegrarem com mais facilidade, estarem mais predispostos a ouvir e obedecer. Em Hebreus, citando o Salmo 95, diz-se que

Por isso Deus estabelece outra vez um determinado dia, chamando-o "hoje", ao declarar muito tempo depois, por meio de Davi, de acordo com o que fora dito antes: "Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração". (Hebreus 4:7 NVI)

A lição que me fica para hoje é a de resgatar a simplicidade de criança para poder, assim, entrar no Reino de Deus. Hoje, não quero endurecer meu coração, não quero manter ressentimentos, não quero andar ansioso pelo futuro, não quero deixar de perdoar, não quero perder a alegria das coisas simples, não quero perder a facilidade em amar e quero aproveitar o dia curtindo esta Graça maravilhosa de Deus, que nos torna filhos do Pai.

Uma jornada além das estrelas

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"Espaço, a fronteira final...", assim iniciam-se os episódios da famosa série Star Trek (Jornada nas Estrelas, no Brasil). produzida na década de 60. A série televisiva mostra as viagens da tripulação da nave espacial Enterprise, capitaniada por James. T. Kirk, que conta com o auxílio de seus dois companheiros e amigos: Mr. Spock e Dr. McCoy (Bones). Infelizmente, não pude ainda assistir as três temporadas da série original; estou ainda no fim da primeira, mas arrisco-me a realizar uma pequena análise desta fantástica série.

A princípio, assim que decidi assistir a série, pensei que se trataria de uma típica série de ficção científica: criaturas alienígenas estranhas e bizarras, ameaças intergalácticas, planetas fantásticos e muitos aparelhos Hi-Tech. É claro que estas coisas estão presentes, mas, eu diria, são secundárias na estória. O que mais me surpreendeu a cada episódio foi a linha de foco da série, que ao contrário do que se pode esperar ou imaginar não trata da exploração espacial, mas de outra jornada mais profunda: o ser humano.

Sim, episódio atrás de episódio a grande odisséia espacial é decifrar o maior mistério da galáxia: o interior da alma humana. Planetas, criaturas e tecnologia apenas servem de meios para ressaltar aspectos bem humanos. Em muitos episódios, o maior desafio das personagens é lidar com suas emoções, com relacionamentos ou com questões de moral e ética. E haveria alguma jornada mais desafiadora? A fronteira final é o conhecimento de si mesmo, daquilo que move as ações e os pensamentos, o que de fato sentimos e desejamos, em quê realmente acreditamos, este espaço interior ainda tão desconhecido e inexplorado.

Ao contrário do que poderia esperar, perceber isto só me empolgou ainda mais com esta série e a recomendo a quem estiver interessado em mais do quê aventuras espaciais. Daí ser um clássico e cativar, ainda, tantas gerações de fãs. Como um bom nerd cristão, também não poderia deixar de ver a importância desta descoberta para minha vida cristã. Conhecer meu interior, esta jornada tão desafiadora e difícil, é parte do chamado de Jesus para nós. A Bíblia nos diz que Deus nos sonda e nos conhece, que para Ele nada há encoberto e quer que também saibamos disso. Em Deuteronômio, nos diz:

E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não. E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem. (Deuteronômio 8:2-3).

Assim, percebemos claramente que a jornada no deserto, que o povo de Israel percorreu, não era apenas para que Deus sondasse o seu povo, mas para que este também entendesse a si mesmo, visse o que estava dentro de seus corações e o que realmente importava no fim. A terra prometida só foi recebida após a sondagem e o aprendizado e só a jornada, o caminhar, o percurso que nos permitem ser perscrutados e, com isso, nos conhecermos e entendermos o que é mais importante.

Para mim, a metáfora mais evidente para a vida, na Bíblia, é a de uma jornada. É recorrente a ideia de caminho, vereda, percusso, passagem e trânsito. Até Jesus referiu-se a si mesmo como o Caminho e a Porta, dois símbolos de passagem, processo, transcurso. A cada passo, a cada dobra espacial, nos aproximamos mais do propósito: nos deixarmos conhecer e sermos transformados, em nosso entendimento, naquilo que Deus quer nos mostrar como mais importante, sua Palavra. Palavra que é vida e que se resume em dois únicos mandamentos: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Amar também é uma jornada, assim como viver, conhecer a Deus e entender sua vontade. Mais importante é que nem estamos sozinhos nem viajamos às cegas neste percurso. Assim como o Capitão Kirk tinha seus amigos para ajudá-lo, temos um grande amigo que conhece bem a trilha: Jesus. Daí que viver como Ele viveu e seguir seus ensinamentos é o Caminho para Deus. Deus se tornou homem para nos mostrar como o ser humano deve percorrer esta jornada de vida. Só através de Cristo podemos, de fato, trilhar o caminho que nos leva à Deus.

A cada dia, a cada passo, a cada curva na estrada, busco seguir mais as pegadas deste Guia. Quero que este desejo e esta determinação se fortaleçam a cada momento e quero indicar a outros este caminho difícil, mas certo. Que eu possa viajar sabendo que, mesmo sem pertencer a esta estrada (é só um percurso de passagem) cada passo é firme e leve; cada curva é surpresa e confiança; cada subida é esforço e pacificação... Quero seguir sempre caminhando amorosamente no Amor que nos move para mais perto daquele que é o Amor.