Uma jornada além das estrelas

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"Espaço, a fronteira final...", assim iniciam-se os episódios da famosa série Star Trek (Jornada nas Estrelas, no Brasil). produzida na década de 60. A série televisiva mostra as viagens da tripulação da nave espacial Enterprise, capitaniada por James. T. Kirk, que conta com o auxílio de seus dois companheiros e amigos: Mr. Spock e Dr. McCoy (Bones). Infelizmente, não pude ainda assistir as três temporadas da série original; estou ainda no fim da primeira, mas arrisco-me a realizar uma pequena análise desta fantástica série.

A princípio, assim que decidi assistir a série, pensei que se trataria de uma típica série de ficção científica: criaturas alienígenas estranhas e bizarras, ameaças intergalácticas, planetas fantásticos e muitos aparelhos Hi-Tech. É claro que estas coisas estão presentes, mas, eu diria, são secundárias na estória. O que mais me surpreendeu a cada episódio foi a linha de foco da série, que ao contrário do que se pode esperar ou imaginar não trata da exploração espacial, mas de outra jornada mais profunda: o ser humano.

Sim, episódio atrás de episódio a grande odisséia espacial é decifrar o maior mistério da galáxia: o interior da alma humana. Planetas, criaturas e tecnologia apenas servem de meios para ressaltar aspectos bem humanos. Em muitos episódios, o maior desafio das personagens é lidar com suas emoções, com relacionamentos ou com questões de moral e ética. E haveria alguma jornada mais desafiadora? A fronteira final é o conhecimento de si mesmo, daquilo que move as ações e os pensamentos, o que de fato sentimos e desejamos, em quê realmente acreditamos, este espaço interior ainda tão desconhecido e inexplorado.

Ao contrário do que poderia esperar, perceber isto só me empolgou ainda mais com esta série e a recomendo a quem estiver interessado em mais do quê aventuras espaciais. Daí ser um clássico e cativar, ainda, tantas gerações de fãs. Como um bom nerd cristão, também não poderia deixar de ver a importância desta descoberta para minha vida cristã. Conhecer meu interior, esta jornada tão desafiadora e difícil, é parte do chamado de Jesus para nós. A Bíblia nos diz que Deus nos sonda e nos conhece, que para Ele nada há encoberto e quer que também saibamos disso. Em Deuteronômio, nos diz:

E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não. E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem. (Deuteronômio 8:2-3).

Assim, percebemos claramente que a jornada no deserto, que o povo de Israel percorreu, não era apenas para que Deus sondasse o seu povo, mas para que este também entendesse a si mesmo, visse o que estava dentro de seus corações e o que realmente importava no fim. A terra prometida só foi recebida após a sondagem e o aprendizado e só a jornada, o caminhar, o percurso que nos permitem ser perscrutados e, com isso, nos conhecermos e entendermos o que é mais importante.

Para mim, a metáfora mais evidente para a vida, na Bíblia, é a de uma jornada. É recorrente a ideia de caminho, vereda, percusso, passagem e trânsito. Até Jesus referiu-se a si mesmo como o Caminho e a Porta, dois símbolos de passagem, processo, transcurso. A cada passo, a cada dobra espacial, nos aproximamos mais do propósito: nos deixarmos conhecer e sermos transformados, em nosso entendimento, naquilo que Deus quer nos mostrar como mais importante, sua Palavra. Palavra que é vida e que se resume em dois únicos mandamentos: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Amar também é uma jornada, assim como viver, conhecer a Deus e entender sua vontade. Mais importante é que nem estamos sozinhos nem viajamos às cegas neste percurso. Assim como o Capitão Kirk tinha seus amigos para ajudá-lo, temos um grande amigo que conhece bem a trilha: Jesus. Daí que viver como Ele viveu e seguir seus ensinamentos é o Caminho para Deus. Deus se tornou homem para nos mostrar como o ser humano deve percorrer esta jornada de vida. Só através de Cristo podemos, de fato, trilhar o caminho que nos leva à Deus.

A cada dia, a cada passo, a cada curva na estrada, busco seguir mais as pegadas deste Guia. Quero que este desejo e esta determinação se fortaleçam a cada momento e quero indicar a outros este caminho difícil, mas certo. Que eu possa viajar sabendo que, mesmo sem pertencer a esta estrada (é só um percurso de passagem) cada passo é firme e leve; cada curva é surpresa e confiança; cada subida é esforço e pacificação... Quero seguir sempre caminhando amorosamente no Amor que nos move para mais perto daquele que é o Amor.

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