Hoje, dia de ser criança


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É comum que se pense que nós, que gostamos de "desenho animado" japonês, assistir séries de ficção científica, jogar video-game, ou ler livros de fantasia, sejamos um tanto quanto imaturos ou "criançados". Em nossa cultura, estas coisas são típicas das crianças e consideradas impróprias para adultos. Hoje, é o dia das crianças e, talvez, um dia para voltar a ser criança, no melhor sentido possível.

Quem não sente falta da época de infância? Quando era possível passar na escola com o mínimo esforço, quando as maiores preocupações do dia eram quais brincadeiras brincar, quando todos, até a primeira briga, eram amigos (e, mesmo após a briga, voltavam a ser depois de um mero pedido de desculpas). As questões surgiam, mas na maioria das vezes se resolviam com uma rapidez incrível. Preocupação, ansiedade, tristeza ou depressão eram "coçeirinhas" que davam e logo passavam. O dia era tudo, o momento sintetizava e acumulava tudo, de forma simples e fugaz.

Romantismo em relação à infância? Não, haviam problemas, ficaram traumas, coisas terríveis também ocorriam. Crianças também aprendem a ser más e a fazer o mal. Quem não tinha aquele rival, aquela criança malvada que grudava chiclete em seu cabelo ou colocava o pé para você cair? Sim, havia briga, murros, chutes e palavrões! Mas se a intensidade era grande a transposição também era rápida. O que não podia ser resolvido era deixado de lado, os problemas (que, em maior parte, os adultos nos transferiam) eram esquecidos na brincadeira, na curiosidade em relação ao novo, no relacionamento com os amiguinhos. Mesmo os "inimigos", eram aceitos nas brincadeiras (mesmo que sempre terminasse em briga), sempre uma chance renovada para o acerto, para ver se era possível se dar bem.

Como cristão, hoje, duas palavras de Jesus me ecoam na mente:

"Como resposta, Jesus chamou uma criança para o meio da sala e disse: [...] Quem se tornar simples de novo, como esta criança, será o maior no Reino de Deus." (Mateus 18:2,4 "A Mensagem")

"Prestem atenção: a não ser que vocês aceitem o Reino de Deus com a simplicidade de uma criança, não irão entrar nele." (Lucas 18:17 "A Mensagem")

A forma simples e despretensiosa de viver das crianças é tomada por Jesus como a forma necessária para entrar no Reino de Deus. Mas que simplicidade é esta? Acredito que seja a simplicidade de receber cada momento como dádiva, cada dia como novo, cada encontro com alegria. Crianças conseguem transformar, através da imaginação, objetos em brinquedos e deixar de lado richas e desavenças em prol do contentamento de brincar. Para as crianças tudo é muito simples: basta que seja divertido. Em relação ao Reino, isso se aplica na forma alegre, leve e espontânea com que devemos viver o evangelho de Cristo. Perdoar nossos "inimigos" e brincar juntos de novo; distribuir por todo lado a Graça leve que nos tira o peso da culpa e do pecado; receber cada dia com a alegria da misericórida que se renova a cada manhã...

A simplicidade das crianças também implica em ter um coração mole: se desculparem com mais facilidade, terem mais empatia pelo outro, se alegrarem com mais facilidade, estarem mais predispostos a ouvir e obedecer. Em Hebreus, citando o Salmo 95, diz-se que

Por isso Deus estabelece outra vez um determinado dia, chamando-o "hoje", ao declarar muito tempo depois, por meio de Davi, de acordo com o que fora dito antes: "Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração". (Hebreus 4:7 NVI)

A lição que me fica para hoje é a de resgatar a simplicidade de criança para poder, assim, entrar no Reino de Deus. Hoje, não quero endurecer meu coração, não quero manter ressentimentos, não quero andar ansioso pelo futuro, não quero deixar de perdoar, não quero perder a alegria das coisas simples, não quero perder a facilidade em amar e quero aproveitar o dia curtindo esta Graça maravilhosa de Deus, que nos torna filhos do Pai.

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