JOGOS VORAZES: MOCKINGJAY


      Pessoal, antes que vocês torçam o nariz ao ler o título desse post, achando que lá vem uma menina falando de filmes de “menininha”, peço que deem uma chance ao texto e prossigam na leitura. Pois bem, o terceiro filme da saga Jogos vorazes está em cartaz, o Jogos vorazes: mockingjay – parte 1. E apesar de todas as pessoas que eu conheço que o assistiram terem dito que o filme era “super paradão” e muito sem graça, eu o assisti ontem e curti muito! Curti o filme porque ele foi bem construído – precisamos lembrar que ele é parte de um todo, por isso, não pode conter em si todas as partes de uma vez, de modo que é uma preparação para o que ainda virá, sendo, portanto, bem elaborado em relação à história, aos diálogos, e às emoções provocadas.  Ele é coerente, porque nesse momento há uma tensão, quando grande parte dos distritos decidem se rebelar contra a Capital e não mais aceitar a condição de asssujeitamento. Katniss é obrigada a inspirar o povo a aderir à ação revolucionária, iniciando-se assim, um período de convencimento das massas. Para isso, ela precisou usar seu poder de argumentação, principalmente, por meio das palavras. A comunicação, pois, mais do que o combate em si, nesse momento, torna-se a arma mais poderosa em meio aos jogos vorazes de manipulação e busca pela liberdade. Há cenas bem feitas em que os atores são intensos e demonstram bem os sentimentos próprios de tempos difíceis: desespero, medo, amor, ódio, enfim, os ingredientes necessários para nos fazer refletir bastante sobre questões humanas. 

      Porque, afinal, um filme pode ser muito mais que puro entretenimento e espetáculo, ele pode ser um meio de transmissão de valores e reflexões importantes sobre assuntos que realmente nos tocam. Uma vez que vivemos na sociedade do espetáculo, onde há maior preocupação com a aparência do que com a essência das coisas e das pessoas, muitas vezes julgamos mal, mirando apenas a superfície, ou as margens desnecessárias (como o triângulo amoroso bobo, e, isso, sim, realmente é sem graça, admito e concordo). Mas pensando um pouco mais, a própria palavra essência, no sentido de Platão, vem sendo questionada a ponto de nem ser mais considerada em algumas áreas do conhecimento, como na literatura, por exemplo, em que as coisas têm sido vistas apenas como simulacros (Gilles Deleuze, 1998), nem mesmo como imitação da realidade, mas como representação da representação. Isto é, o filme (a arte em geral) não seria uma cópia do que acontece no cotidiano ou uma tentativa de imitar o que existe no “mundo real” – social, histórico, cultural – antes se configura como uma imagem distorcida, uma representação daquilo que não é real, que já é uma representação, como se não se pudesse saber nunca a origem, ou a essência, de tal representação. Assim, aparentemente – ou como quer nos fazer crer o pós-moderno, em que vigora a sociedade do espetáculo, a vida não tem sentido, é imagem distorcida, simulacro, de algo que nem sabemos exatamente o quê. Da mesma forma, o filme seria apenas um simulacro da guerra, da injustiça social, da ambição desmedida, do amor, da morte, ou seja, de todas as questões humanas representadas. 

      Se considerarmos assim, os Jogos vorazes: mockingjay – parte 1 não passa mesmo de um “filme de mulherzinha”, “paradão” e “sem graça”. Mas deixe-me mostrar um outro ponto de vista. A perspectiva que realmente interessa, a lente que enxerga a essência e não a aparência de tudo, o ponto de vista cristão! Ei-lo, então, a começar pelo nome do filme que ao trazer o nome do pássaro – mockingjay - depois dos dois pontos passa a ter conotação mais ideológica do que de ação de ferocidade física apenas. O pássaro mockingjay, no filme, surge de uma mistura entre espécies – os jabberjays e os mockinbirds – formando essa espécie em particular, os mockingjays, que não possui integralmente a capacidade de reproduzir qualquer língua ou fala que escute, como os pássaros originais – os jabberjays. Esses, devido a essa habilidade, ainda que incompleta, eram usados para ouvir as conversar dos revolucionários e levar informações para a Capital – onde se concentra o poder que escraviza o restante da população. Os revolucionários descobriram essa estratégia e começaram a dar informações falsas. Com isso, a poderosa arma da comunicação permitiu que o plano da Capital falhasse. Percebemos que a comunicação é imprescindível ao ser humano. As coisas que falamos, sem dúvida, têm importância em diversos níveis. Mas como o assunto é amplo, me restrinjo a fazer algumas observações pontuais. Por exemplo, na parábola dos dois filhos em Mateus 21: 28-32, Jesus apresenta um pai que pede algo a dois filhos, um responde que não, mas depois se arrepende e atende ao pedido do pai, o outro, por sua vez, diz primeiramente sim, mas não vai cumprir com o que lhe foi requerido. Jesus mostra, portanto, que as palavras, a comunicação, podem ser muitas vezes apenas aparência, mas não é isso o que Ele vê. Ele vê a essência, vê o coração do homem (I Samuel 16:7), e são esses a quem Ele ouve e com quem Ele se relaciona, e a quem Ele permite que entrem no seu reino: “Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.” (Mateus 21:31). Jesus nos mostra que quando falamos algo que não condiz com o nosso interior, estamos sendo mockingjays, ou seja, estamos passando informações falsas, e isso nos faz falhar, cair em pecado, e nos afastarmos dEle. 

      Por outro lado, se esses pássaros inicialmente falharam, foram depois renovados e passaram a simbolizar um grito de inconformidade contra o poder escravizante imposto pela Capital. Eles passaram a simbolizar o desejo voraz contra os jogos de manipulação e repressão, um desejo voraz pela liberdade e por um novo sistema de governo, justo e harmonioso. Pois foi com esse nome e com essa simbologia que Katniss falou ao povo sobre mudança, sobre lutar pelo que realmente importa. Assim também nós cristãos somos renovados pela salvação em Cristo Jesus que nos liberta de todo o pecado, que renova o nosso propósito e que nos faz comunicar o poder que há somente no nome de Jesus (Atos 4:12). Primeiro Jesus veio e anunciou as boas novas, falou ao povo e inspirou profundamente doze homens para serem mockingjays repetindo e divulgando suas palavras, não mais com falsidade e com a incompletude que havia neles, mas com a restauração do Senhor e com a instrução do seu Santo Espírito! Passamos a ser livres verdadeiramente num Reino justo e harmônico, no Reino de Deus! Passamos, então, a ser pregadores vorazes da salvação de Jesus, não com armas em punho, mas com palavras de vida eterna! E com uma vida que mostra a essência do Ser que habita em nós, porque não nos conformamos com este mundo (Romanos 12:1), com esta sociedade do espetáculo, mas nos conformamos ao caráter de Jesus! 

     Assim, a verdadeira ação do filme ocorre em nossas mentes, bem como a verdadeira transformação do homem deve acontecer em sua mente para que deixe a aparência, e enxergue que o conhecimento que verdadeiramente nos liberta é o conhecimento de Deus (Mateus 22:29), e que a verdadeira ação ocorre não no nosso exterior, no que os nosso olhos podem ver, mas no nosso interior (Romanos 7:22) para a honra e glória de nosso Senhor Jesus Cristo em quem temos sempre a vitória! Que possamos, então, ver como Jesus vê e proclamar a sua mensagem em tempo e fora de tempo, “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (I Coríntios 9:16). 

Reflexões sobre o fim... de um casamento




Nesses últimos dias recebi uma notícia que me deixou super chocada e imensamente triste: o improvável fim de um casamento. Casal cristão, de índole idônea, daquele tipo que você torce para estar vivo só pra ver a festa de bodas de ouro deles, porque você tem certeza que eles estarão casados “até que a morte os separe”. Infelizmente durou pouco mais de 5 anos. Esse episódio me fez refletir além do normal. Senti medo. O pensamento que se seguiu para explicar esse medo foi: será que estou imune? Pode estar tudo bem agora, mas será que amanhã o sentimento de um dos dois, por algum motivo, pode acabar? Inevitavelmente conversei com meu marido sobre isso. Uma DR. A conclusão foi: pode acabar. Ninguém está imune. “Mas não devemos basear nosso casamento em sentimentos, porque eles podem mudar. Devemos basear na vontade de Deus”, foi o que ele disse. Uma vez eu li em algum lugar o seguinte diálogo entre um casal: “porque você ainda está casado comigo?”, perguntou a esposa. O marido respondeu: “porque tenho um compromisso com você”. Ele poderia responder que era porque a amava, porque ele estava feliz com ela, porque se sentia bem com ela, etc. Não que isso não seja verdade. Não estou abolindo a necessidade de sentimento no casamento, nem da necessidade do bem estar entre o casal. Se não houver isso os dias serão longos e negros. Estou dizendo que é o compromisso que mantém um casamento. Compromisso com o cônjuge e com o idealizador do casamento: Deus. E este é um ato deliberado de amor. Tudo foi bom aos olhos de Deus no momento da criação, menos a solidão do homem. Não é bom que o homem esteja só”. Era preciso uma auxiliadora. Essa é a vontade de Deus, que não estejamos sós, que vivamos plenamente todas as benesses do relacionamento a dois e que aprendamos a superar as dificuldades conjugais colocando de lado o individualismo que inevitavelmente levamos para o relacionamento. Casamento é uma coisa longa, lenta, com o propósito de durar a vida inteira. E durante esse tempo somos tentados a basear o relacionamento em outras coisas que não a vontade de Deus, esquecendo-nos do compromisso firmado no dia do SIM. O desafio de mantermos vivo e ardente esse compromisso é diário e necessário. E, estatisticamente falando, só a minoria consegue. Quero encorajá-lo a focar na minoria. A minoria sempre se deu bem na Bíblia: poucos são os que entram na porta estreita, poucos são os escolhidos, dos 10 leprosos só um voltou para agradecer, da geração do Êxodo só Josué e Calebe entraram na terra prometida, etc. E a minoria que conseguir manter um compromisso vivo com seu cônjuge e com o Idealizador do casamento... vai embarcar numa viagem transformadora e recompensadora. Quero finalizar dizendo a frase que sempre digo quando sou surpreendida pela notícia de um casamento: Casar é bom demais!!!

Tudo posso naquele que me fortalece? Em que contexto?




Recentemente assisti ao mais novo filme gospel do momento, “Deus não está morto”. Um bom filme, apesar de achar que aquela perseguição acadêmica não é mais tão forte assim... posso estar enganada. Mas não foi o tema do filme que me chamou a atenção. Foi uma determinada cena em que finalmente alguém teve o bom senso de não apenas vomitar o versículo de Filipenses 4:13 “tudo posso naquele que me fortalece” como se fosse uma frase de auto-ajuda, colocando-o em seu devido contexto. Frequentemente escuto muitas pessoas recitando-o: “vou conseguir uma promoção, pois tudo posso naquele que me fortalece”, “vou conseguir comprar o que desejo, pois tudo posso naquele que me fortalece”, “vou conseguir ter, ter, ter...pois tudo posso naquele que me fortalece”. Está em adesivos de carro, de parede, de porta, mensagem de caminhão... enfim, a ideia ficou tão popular que até os leitores bíblicos menos assíduos ou que simplesmente não leem a Bíblia conhecem esse versículo e o usa para justificar a origem de sua fé em conseguir o que almeja porque Deus o fortalece. Mas não é bem assim. Eu não sei o que acontece com o mundo de hoje que não sabe o que é um “não”. São pais que não querem dizer não para seus filhos, são ideias e estilos de vida que descartaram totalmente o não de seu cotidiano. Tudo se pode fazer, nada é proibido, tudo é liberado e o pobre do não ficou de escanteio...coitado. E quanto mais observo esse mundo em que vivo mais me sinto uma extraterrestre porque o que mais recebi de Deus durante toda a minha vida foi o bendito do não. Esse ano de 2014 talvez seja o meu recorde de nãos que recebi de Deus. Esperneei, chorei, briguei, quase surto, entro em colapso, mas “tudo posso Naquele que me fortalece”. Esse é o contexto do referido versículo. Dificuldades, dor, pranto, dúvidas, humilhação, mas podemos superar tudo isso pois é Deus quem nos fortalece. A Epístola de Filipenses é conhecida como a carta da alegria. Só que Paulo a escreveu enquanto esteve preso e, consequentemente, passando por dificuldades. Que coisa, não? Que paradoxo! Mas até que faz todo o sentido visto que é na dificuldade que temos a oportunidade de conhecer a Deus de pertinho. E “a alegria do Senhor é a nossa força”(Neemias 8:10)! Olha, como tudo se encaixa! O meu objetivo com essa reflexão é desmistificar o tão- na- boca- do- povo “tudo posso naquele que me fortalece”, como fez o cara do filme. E vou usar a forma simplória que ele usou para, finalmente, contextualizar o versículo:
“Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.” Filipenses 4: 10-13.
E aí? Ainda quer provar desse versículo em sua vida? Desejo, então, que tenhamos bom ânimo em meio as tribulações. Que tenhamos o cuidado de contextualizar corretamente a Palavra de Deus e não que a usemos como "palavra cabalística" para angariarmos algo de Deus. E desejo que, durante nossa jornada cristã, não haja preocupação com a dor, a humilhação, a fome, o cansaço, pois,em todas essas coisas, tudo podemos em Deus que nos fortalece.

Hora de Aventura: Dungeon Train – Parte 2


      Olá, pessoal! Quando eu escrevi o post sobre lutarmos para deixar o pecado e nos livrarmos desse peso terrível, buscando ao Senhor, através do episódio super-hiper-mega-ultra legal Dungeon Train de Hora de Aventura, eu nem imaginava dar continuidade a ele. Mas sabem como é? Deus fala conosco de diferentes maneiras, ainda que use as mesmas palavras, ou os mesmos episódios de Hora de Aventura (heheheh)!
      Pois bem, voltemos ao início de tudo: Finn e Jake estavam caminhando lado a lado e conversando como dois velhos e inseparáveis amigos que são! Eles confiavam um no outro e se conheciam bem, como se conhecem os amigos verdadeiros. Por isso, Jake percebeu que Finn não estava bem, na verdade ele estava triste por causa de seu relacionamento frustrado com a Princesa de Fogo. Jake tentou animá-lo, mas Finn estava realmente decidido a se afogar em sua tristeza, pois não conseguia ouvir as palavras de ânimo do amigo, senão as palavras depressivas e nocivas do seu interior: “Talvez namorar seja como andar de bicicleta. Tipo, se pisar na bola, você se machuca feio pra sempre ou magoa alguém de quem gosta muito.” Essas palavras não são muito encorajadoras. Mas não vamos nos fiar nelas ou em relacionamentos amorosos. O fato é que Finn estava triste e o que ele fez para lidar com a tristeza? 
      Eis o que aconteceu, ele se afundou em seus pensamentos e sentimentos cada vez mais tristes a ponto de entrar num dungeon train (um trem calabouço) e ficar preso lá dentro vivendo repetidas vezes as mesmas situações. Num primeiro momento, foi divertido, os desafios eram novos e ele conseguiu vencer todos, mas depois os desafios eram os mesmos e ele já não sentia prazer em nada do que fazia, porque não havia avanço, novidade, só mais do mesmo. Ou seja, à primeira vista certas coisas parecem ser a melhor forma de lidar com uma tristeza, coisas até que dão certo prazer, porém um prazer passageiro que logo se transforma em prisão e um trem calabouço que gira em torno de si mesmo sem fim. Lembremos, no entanto, que o Finn não estava sozinho, Jake estava com ele no caminho e Jake entrou com ele no trem. Contudo, Jake percebeu rapidamente que não era legal estar naquele trem e queria sair de lá, mas Finn não o escutava. O melhor amigo de Finn estava com ele, mas Finn não estava com o seu melhor amigo. 
      Quando estamos tristes costumamos agir como o Finn, nos isolamos e desprezamos a pessoa mais importante para nós, o nosso melhor amigo, Jesus! Mas não foi assim que Jesus nos ensinou a lidar com a tristeza. No evangelho segundo Mateus, capítulo 14, a filha de Herodias pede a Herodes a cabeça de João Batista. Por causa de sua promessa de dar a filha de Herodias o que ela lhe pedisse, Herodes, mesmo tendo se afligido, cumpriu sua promessa. E tendo os discípulos contado a Jesus o que acontecera, Jesus se entristeceu “E Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, apartado;” (Mateus 14:13). Jesus estava indo para um lugar deserto, mas não para ficar sozinho e sim para estar com o Pai. Porque é na presença do Pai que encontramos alívio e cura para as nossas dores e tristezas. 
      No deserto, Jesus não encontrou um “trem”, mas uma multidão foi ao seu encontro. Ao invés de derramar sua tristeza sobre todos ao seu redor, ou de ficar paralisado em meio à multidão, Jesus ficou “possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos.” (Mateus 14:14). A tristeza não deve gerar mais tristeza, mas deve gerar compaixão e ação de cura. Isso porque Deus nos cura primeiro. Porque não devemos nos apartar dEle, como o Finn se afastou de Jake (não fisicamente, mas emocionalmente), antes devemos nos achegar a Ele e entregar nossa tristeza a Ele para que Ele cure e transforme em bênção para outros e mais outros e assim se multiplique o amor e a alegria cristã!
      Jesus, enquanto estava a caminho de encontrar o Pai, fez maravilhas como curar os enfermos e alimentar a multidão com cinco pães e dois peixes. “E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.” (Mateus 14:23). Enfim, Jesus teve seu tempo a sós com o Pai, o que lhe deu renovo de forças para fazer ainda mais maravilhas, pois em seguida anda sobre as águas, mas esse já é outro episódio! 
      O que precisamos perceber é que Jesus busca alívio e conforto em Deus e não nas coisas passageiras. Além disso, enquanto está entre as coisas passageiras – a multidão – Ele age como o Pai, porque o Pai nunca nos deixa só, como o Jake não havia deixado o Finn. Assim, não é errado ficar triste, isso pode acontecer com todo ser humano, aconteceu também com Jesus. O errado é nos afundarmos e nos aprisionarmos na tristeza, nos afastando de Deus e de todos a nossa volta, destilando atitudes mesquinhas e danosas, ao invés de transformar nossa dor em compaixão, cura e maravilhas do poder de Deus!
      Finn conseguiu deixar o trem e a sua tristeza com a ajuda de Jake. Que nós possamos também confiar na ajuda e no socorro sempre presente do nosso Deus e Senhor, sendo aperfeiçoados nas nossas fraquezas para agirmos semelhantemente ao nosso Salvador Jesus Cristo!

Se livrando da alienação

Retirado de: https://www.facebook.com/malvadoshq

Vi essa tirinha de André Dahmer na aula da disciplina Literatura e Humor. Gostei muito dela. Ele possui uma ironia, é claro, que liga "encontrar Jesus" com "alienação". Mas, como toda ironia, ela possui ao menos dois significados possíveis e são esses sentidos que quero explorar. Aparentemente, esse espaço aqui deveria ser o último lugar onde encontrar essa tirinha, mas ela me fez pensar em algumas coisas e, além disso, gosto de me apropriar justamente das coisas lançadas contra mim para, quem sabe, com elas construir algo bom.

A primeira coisa é que independentemente do nosso encontro com Jesus, sempre precisaremos lutar contra a alienação. Alienação tanto no sentido de estar alheio aos problemas políticos e sociais quanto no sentido de estar alheio ao outro, ao próximo, àqueles a minha volta. Seria uma alienação achar que encontrar Jesus nos livraria de tudo instantaneamente. Seria ótimo que, como num passe de mágica, nosso caráter, pensamentos e intenções fossem transformados completamente em um instante (ah! sonho bom...). Não, teremos que nós mesmos lutar contra isso para que nosso encontro com Cristo nos permita ir nos transformando em modelos dele. O encontro com Jesus nos permite nos livrar daquilo que nos impede de iniciar um processo de transformação em nossas vidas: a escravidão do pecado, de nossos impulsos e tendências ruins. O resto, com a liberdade de poder agir da forma adequada, é com a gente. O problema é quando não aproveitamos a ausência das correntes para trabalhar em nosso caráter e intenções. Aí, é evidente que poderemos voltar a ser escravos e, assim, continuar alienados.

A segunda coisa que essa tirinha me fez pensar foi que algumas pessoas, infelizmente, ainda nos veem como alienados e não posso dizer que elas estão completamente erradas. Houve um tempo em que ser crente era sinônimo de ser honesto, trabalhador e decente. Hoje, ser crente é só um nome para alguém que vai à igreja aos domingos e tem uma mentalidade mais "conservadora". Precisamos resgatar a imagem de pessoas honestas, trabalhadoras e decentes que os verdadeiros crentes sempre tiveram e trabalham para manter. Isso não para "aparecer", mas para que nossa luz brilhe no mundo através de nossas obras. A fé sem obras é morta, já dizia Tiago em sua epístola. Da mesma forma, nossa participação na sociedade passa por um comportamento ético e adequado com nossos princípios. Precisamos não só agir de forma adequada como também participar das questões que afetam nossa sociedade. Não podemos ser alheios aos problemas, até porque conhecemos bem as causas e a solução para eles. Mas, sem dúvidas, nossa participação na sociedade inicia de nosso comportamento, de nossas ações coerentes e condizentes com o amor de Deus em nossas vidas, que nos instrui a amar nosso próximo como a nós mesmos.

Meu desejo é sempre lutar contra minha alienação (acho que esse é o desejo de toda pessoa que segue verdadeiramente a Cristo) e de ser cada vez mais semelhante a Jesus, aquele que transformou vidas a sua volta, se relacionou com os excluídos de sua época levando mudança e esperança, não fez acepção de pessoas e indicou a única forma possível de aprimoramento da sociedade: o reinado do amor de Deus em cada pessoa.


Um nerd espiritual


      A Bíblia nos fala em Pv. 18:15 que "O coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios busca a sabedoria." Porque o Senhor criou um ser dotado de inteligência, capaz de administrar tudo quanto o Senhor colocou em suas mãos. Assim fez Deus com Adão ("E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar." Gênesis 2:15) e a toda a humanidade capacitou em todas as áreas da vida com o propósito de ter verdadeiros adoradores que "adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem." (João 4:23). O verdadeiro adorador não adora a Jesus porque Jesus o força a isso ou por alienação e falta de entendimento, muito pelo contrário, pois "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre." (Salmos 111:10)

     De modo que mentes brilhantes, como Nietzsche, Auguste Comte, Darwin, são reputadas como loucas diante da sabedoria e do conhecimento de Deus ("Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?" 1 Coríntios 1:20). Porque, confiando em sua própria inteligência ("Não se glorie o sábio na sua sabedoria" Jr. 9:23), o homem acha-se maior que Deus, a ponto de negar a sua existência. Essa atitude prova, na verdade, a sua tolice em julgar a criatura maior que o Criador. Ao julgar que o pouco que sabem das coisas materiais, visíveis e reveladas pelo próprio Deus a eles os torna sábios e entendidos, poderosos e donos de si mesmos e daqueles que não possuem o mesmo conhecimento que eles, estão, em verdade, se tornando loucos, incrédulos e separados de Deus eternamente. 

"Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém." (Romanos 1:19-25)

      O apóstolo Paulo, a quem foram reveladas essas palavras na epístola aos romanos, era um dos homens mais inteligentes e versados na cultura de sua época, mas quando conheceu ao Senhor Jesus face a face e se converteu a Ele, aí sim, seu entendimento foi aberto e ele passou a ter a verdadeira sabedoria e inteligência, a sabedoria de Deus. Por isso, o nerd cristão não é aquele que alcança a nota máxima nas provas escolares, nem aquele que leu "O senhor dos anéis" cinco vezes em um mês ou aquele que possui um sabre de luz e todos os episódios de "Big bang theory" ou de "A hora da aventura" de cabeça. Não. O nerd cristão é aquele que medita na Palavra de Deus de dia e de noite e que se guia por essa Palavra em todos os seus caminhos ("Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido." Josué 1:8; "Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra. Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti." Salmo 119:9-11).

     Aquele, pois, que dá ouvidos ao Senhor e o obedece, esse sim é cheio de sabedoria e de conhecimento, capaz de produzir discursos que levam multidões a Cristo, assim como o apóstolo Pedro:"Muitos, porém, dos que ouviram a palavra creram, e chegou o número desses homens a quase cinco mil." (Atos 4:4). Depois da pregação de Pedro, "os sacerdotes, e o capitão do templo, e os saduceus" (Atos 4:1) vieram prendê-lo, mas não puderam deter o homem de Deus que falava movido pelo Espírito Santo, quem realmente concede sabedoria e conhecimento é Deus, mostrando que aquele homem não era um qualquer, mas possuía conhecimento e poder, porque vinha da parte de Deus: "Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus." (Atos 4:13)

     O nerd cristão despreza a sabedoria deste mundo e busca ardentemente a sabedoria do Senhor, gloriando-se no Evangelho de Cristo e não em seu próprio entendimento!

"Hable con ella"


"Hable con ella" é um dos grandes e polêmicos filmes de Almodóvar. Seus filmes atraem não só porque adentram o psicológico de suas personagens, mas principalmente pelo seu caráter ambíguo, isto é, o espectador sai do filme sem fechar nenhuma questão, pelo contrário, transborda de reflexões e questionamentos. Esse caráter ambíguo também é valorizado na literatura de qualidade, naquela que direciona o olhar do leitor não para o que é dito, mas para o como a coisa é dita, ou seja, a forma como o texto é construído. Um bom exemplo disso é o romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis. Ao finalizar a leitura, é impossível condenar ou absolver Capitu, uma vez que o livro não define se ela traiu realmente ou não Bentinho, porque o leitor tem apenas a versão deste, que não é confiável por falar de seus sentimentos, da sua visão dos acontecimentos. Nos filme de Almódovar, acontece o mesmo; pouco importa se a personagem é boa ou má, o interessante é a forma como ela é construída. Sendo pois, literatura e cinema, artes muito ambíguas.

Bem, em linhas gerais, o que se passa em "Hable con ella" é a história de um enfermeiro, Benigno, que ao ministrar dedicação exclusiva a uma paciente que fica em coma por quatro anos depois de um acidente de carro, alimenta sua paixão por ela e fé em sua recuperação a ponto de falar com ela o tempo inteiro como se ela o correspondesse, ainda que nem abrisse os olhos. Ele demonstra uma perseverança e um cuidado incansável em manter comunicação com ela. Lia para ela quase todas as noites. Assistia aos filmes que ela gostava - cinema mudo - para contá-los todos a ela. Acontece, então, um dia que ela é engravidada. Claro que todos no hospital suspeitaram e condenaram Benigno. Entretanto, o filme é construído de tal maneira que é impossível afirmarmos com certeza que tenha sido ele o autor do abuso; permanecendo, assim, ao final do filme o tal caráter ambíguo.

Tomando a literatura e o cinema como base de algumas reflexões acerca da vida cristã, não podemos dizer que a ambiguidade sirva de exemplo para nós. Porque na Bíblia temos claramente que a palavra e o proceder do cristão devem se pautar no "sim, sim, não, não" ( Mateus 5:37). O cristão não pode servir a dois senhores "porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro."  (Lucas 16:13). Assim, para o Senhor importa tanto o que nós falamos e fazemos como a forma como falamos e agimos. O que, porém, nos ajuda a pensar sobre as coisas do alto nesse filme de Almodóvar, é justamente a importância da comunicação e do falar. Desde o título do filme, há uma forte referência a isso. A personagem principal fala insistentemente com alguém que não pode ouvi-lo. Ora, não somos também assim nós os cristãos? Fomos chamados por Deus para falar do Evangelho a toda a criatura "em tempo e fora de tempo" (2 Timóteo 4:2). Porque se temos de nos orgulhar de alguma coisa neste mundo é do "evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego." (Romanos 1:16)

Entretanto, como nos mostra o profeta Ezequiel, essa tarefa não é fácil, uma vez que as pessoas para quem falaremos do Evangelho não podem/querem nos ouvir por sua ignorância e rebeldia. "Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes." (Ezequiel 2:7) Deus nos instrui, do mesmo modo que Benigno, a falar quer sejamos ouvidos ou não. Isso exigirá de nós perseverança e confiança no Senhor, pois Ele fará a parte dEle em tempo oportuno. Para o evangelho e para a vida cristã, no entanto, não há ambiguidade; se somos filhos/servos de Deus, não há como não falar insistentemente acerca da salvação em Cristo Jesus para os ímpios e para os justos (Ezequiel 3:19-20). Caso contrário, o sangue deles serão requeridos das nossas mãos (Ezequiel 3:18). Deus não ficará dividido, como os leitores de Bentinho ou os espectadores de Benigno. Para o Senhor o julgamento é justo e perfeito. Não há meio termo para a sua ordem: fale as minhas palavras! E "quem ouvir ouça, e quem deixar de ouvir, deixe." (Ezequiel 3:27). Saiamos do coma espiritual e sejamos  proclamadores inflamados do Evangelho!

DeLorean DMC-12


       "Era uma vez..."  é mais do que uma expressão temporal, é a fórmula que inicia todos os contos de fadas. O interessante é que apesar de iniciar o conto, ela não se refere exatamente ao início da história que será narrada. Pelo contrário, ela nos leva ao passado onde a história já aconteceu. Mais ainda, ela já nos remete diretamente ao final da história, porque sabemos que ao final de um "era uma vez..." sempre ouviremos/leremos um "felizes para sempre". É por causa disso, isto é, por conhecermos o final da história - a felicidade eterna -, e não precisamente o seu início e meio, que todos sonham em viver um conto de fadas.

Na tentativa de tornar a fantasia em realidade, o ser humano busca através de seus recursos mais científicos, racionais, matemáticos e lógicos materializar este "era uma vez...", construindo uma máquina do tempo! Assim como o "era uma vez" nos leva ao passado e podemos viver um mundo "encantado", a máquina do tempo nos faria voltar ao passado e viver o sonho de corrigir erros, de aproveitar momentos fugazes, de reencontrar pessoas que se foram, restaurar relacionamentos quebrados, refazer escolhas. Enfim, seria perfeito! 

Em 1985, o filme "De volta para o futuro" imortalizou a famosa máquina do tempo: DeLorean DMC-12 - um carro desportivo modificado, alimentado por uma fissão nuclear e movido pelo plutônio como combustível que vai gerar a eletricidade necessária para fazer com que o carro funcione de maneira a viajar no tempo. A condição para isso era o carro atingir a velocidade de 88 milhas por hora. A máquina do tempo foi um sucesso, o protagonista da história viajou trinta anos no tempo, e viveu algumas aventuras, mudando o futuro ao salvar o Dr. Brown. 

Pois bem, olhando assim panoramicamente, parece perfeito! Mas quando observarmos telescopicamente, não escapamos de enxergar os detalhes de percurso. Nos contos de fadas, entramos na máquina do tempo sabendo que tudo terminará bem para sempre, mas para isso, o príncipe precisa deixar o castelo, com todo o luxo e conforto, para atravessar florestas mágicas onde é atacado por monstros, e enfrentar muitos obstáculos até chegar ao castelo, onde ainda não é o fim, há que matar o dragão, para então escalar até a torre mais alta, onde encontrará a princesa. Ah, pensam que termina aí, não, eles têm que fazer o caminho de volta, preparar a festa de casamento - coisa nada fácil (risos) - para finalmente selarem "o felizes para sempre". Ufa! Se olharmos só para uma parte da história, poderemos ter concepções equivocadas. Veja o caso do "De volta para o futuro". A máquina do tempo parecia um grande invento, mas, na primeira viagem, Marty fica preso em 1955, conhece seus pais. Sua mãe se apaixona por ele. Ele enfrenta o desafios consequentes desses atos para conseguir corrigir esse erro, a fim de que o futuro não seja modificado, pelo menos não com relação a sua família. Entretanto, essa primeira viagem acontece porque o Dr. Brown é baleado e Marty ao fugir no DeLorean atinge as 88 milhas. Ele não pode deixar que o Dr. morra, então essa parte ele conserta para que o final seja totalmente, por assim dizer, feliz.

Toda essa reflexão me faz perceber que embora a vida real não seja uma fantasia nem um filme de ficção científica, nós temos um "era uma vez..." cem por cento verdadeiro: "No princípio criou Deus..." (Gn. 1:1). Quando a Bíblia coloca essa expressão temporal no início de seu relato, ela não aponta apenas para um início, aponta simultaneamente para o início e o fim de todas as coisas - DEUS! ("Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro." Apocalipse 22:13). E aponta ainda para o início e o fim da história da humanidade - JESUS CRISTO! ("Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos[...]" Atos 17:28). Pois somos "criados em Cristo Jesus" (Ef. 2:10) para "a vida eterna" (Jo 3:16).

Mais uma vez, olhando assim panoramicamente, tudo é perfeito! E é mesmo!! Mas é como vimos, perfeito e não fácil! A Bíblia é o nosso DeLorean. Através dela viajamos ao passado e também ao futuro. Conhecemos um começo e um fim gloriosos, porém entre Gênesis e Apocalipse há muitas provas e desafios que precisam ser vencidos através de uma vida cristã firmada na fé e na Palavra de Deus! Temos que olhar a história como um todo para não nos equivocarmos, achando que os finais felizes acontecem como num passe de mágica. Aos que creem em Jesus, a vida eterna está garantida. Mas como você quer se apresentar diante de Deus? Marty viajou no tempo, mas fez uma enorme bagunça e para voltar ao futuro perfeito, precisou se esforçar para consertar tudo. Do mesmo jeito, para voltarmos ao futuro já certo, prometido e planejado para nós, precisamos nos esforçar para corrigir nossos erros, nos arrepender diariamente dos nossos pecados, viver em oração e vigilância constantes, para que tenhamos comunhão com o nosso Pai e nos apresentemos perfeitos "como obreiros (filhos) que não têm do que se envergonhar" (I Tm 2:15) preparados para desfrutar do nosso tão perto "felizes para sempre"!!!

“A viagem de Chihiro”




Há algum tempo assisti a esse filme infantil nada inocente. Por trás da personagem principal de apenas dez anos e da história cheia de fantasia, encontram-se reflexões profundas sobre assuntos que interessam a todo ser humano. Para início de conversa, Chihiro estava muito insatisfeita porque estava de mudança para uma nova casa. Pois bem, nem todas as mudanças são boas, mas temos de lidar com todo tipo de mudança em nossas vidas diárias, da mais simples mudança de tempo a uma mudança de emprego, de endereço, de relacionamento, de personalidade. E se todas essas mudanças fossem requeridas de você de uma só vez? Parece assustador, não? Parece sim. Entretanto o que torna a mudança algo assustador é o fator desconhecido. No caso da Chihiro, antes de chegar a seu novo endereço, ela atravessou um túnel e ficou presa numa cidade cheia de espíritos que a queriam subjugar ou devorar. Era um lugar totalmente desconhecido pelo qual ela teve que descobrir dentro de si a coragem e a firmeza em sua personalidade para enfrentar todos os obstáculos até conseguir retomar sua verdadeira vida.

Pois bem, no nosso caso, os cristãos, a viagem cheia de mudanças é ainda mais alucinante, porque não temos que nos preocupar apenas com nossas próprias vidas, ou com a vida da nossa família apenas. Mas temos que tentar sair da “cidade dos espíritos” como o máximo de seres humanos que conseguirmos salvar através da pregação do Evangelho!

Quando aceitamos a Cristo como nosso Senhor e Salvador, somo como crianças, como a Chihiro, crescendo e nos firmando no caminho da fé, da vida cristã, que é cheia de aventuras e desafios! E assim como a Chihiro tem o Haku, o Kamaji e a Lin para ajudá-la, nós não estamos sozinhos nessa, temos nosso Deus e Pai, seu Filho Jesus Cristo e Seu Espírito Santo nos auxiliando, guiando, ensinando e fortalecendo! (“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” João 16:33).

Cristo operou em nós todas essas grandes mudanças: uma casa no céu, um relacionamento perfeito, uma personalidade cristã! Mas ainda há muitas pessoas que não alcançaram essas mudanças. Por isso, cada pessoa que a recebe se torna responsável de aprender cada vez mais de Deus para levar essas mudanças a outras pessoas. Por isso, nós cristãos, somos também chamados de discípulos! Chihiro aprendeu com as pessoas que a ajudaram e foi em busca de salvar seus pais, que logo no início do filme são transformados em porcos por comerem a comida proibida. Eles eram seu alvo! Nós precisamos fazer o mesmo, precisamos salvar as pessoas que estão presas no mundo de espíritos que querem subjugá-las e devorá-las, para que elas venham para a luz e conheçam a mudança que traz vida e libertação! (“Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.” Gálatas 5:1).

Cristo nos chamou para uma viagem que mudou completamente as nossas vidas: “E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir.” (Lucas 10:1). Para fazer proezas e coisas maravilhosas em seu Nome: “E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus.” (Lucas 10:9). Com poderes que vêm dEle: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.” (Lucas 10:19) Que nos farão sujeitar os espíritos que ora atormentam aqueles que ainda estão cativos. Lembrando-nos, contudo, de não nos esquecer de quem somos, somos os discípulos, por isso “não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.” (Lucas 10:20). Porque fazendo assim estaremos cumprindo o nosso chamado e sendo gratos ao nosso Salvador que nos livrou da condenação eterna! “Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve.” (Lucas 10:21)

Uma certeza que não deixa dúvida: Jesus salva!



     Você já se sentiu encurralado, sufocado, perdido, sem saber para onde ir, sem enxergar direito o caminho? Acho que todo mundo uma vez na vida já se sentiu assim. Isso acontece porque o ser humano está submerso em uma nuvem de confusão, como diz o salmista em momento de grande aflição e perseguição: “a confusão cobriu o meu rosto.” Salmos 69:7.
     A confusão que encobre o rosto de Davi é a mesma que encobre o rosto dos cristãos hoje. Pois ainda somos tentados pelas mesmas setas inflamadas do maligno, da nossa própria carne e deste mundo, que nos rodeia e nos assedia com toda a sorte de seduções enganosas. Essa confusão se intensifica quando preferimos olhar atentamente para ela ao invés de fixar os nossos olhos em Cristo! Davi não se deixou tragar pela confusão, mas passou por ela em oração constante e fervorosa, rogando com todas as forças a Deus que o livrasse e derramasse sobre ele a sua misericórdia: “Eu, porém, faço a minha oração a ti, Senhor, num tempo aceitável; ó Deus, ouve-me segundo a grandeza da tua misericórdia, segundo a verdade da tua salvação.” Salmo 69: 13.
     Quando Davi, perseverantemente, ora ao Senhor, ele reconhece duas coisas preciosas que só vêm do nosso Deus: “a verdade da tua salvação”! Dito dessa maneira, temos a verdade como uma qualificação da salvação de Deus, ou seja, a salvação do Senhor é verdadeira. Qualificada assim a salvação de Deus, temos que o próprio Deus é a verdade. Porque não há como ser verdadeira apenas uma parte dEle, ainda mais quando essa parte envolve a humanidade como um todo. De modo que a sua salvação é verdadeira para aqueles que a aceitam, assim como Ele é a verdade que desfaz toda a confusão e que instaura a luz e que abre os nossos olhos e que nos livra da perdição eterna! A verdade da salvação de Deus nos faz enxergar todas as coisas pela sua ótica limpa, santa, perfeita! Nos faz ver a própria Verdade através da sua salvação, isto é, do resgate com o qual Ele nos purifica de todo o pecado e de toda a confusão: o sangue precioso de jesus Cristo! “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” I João 1:7.
     Um grande escritor cristão concorda com Davi, quando escreve “Acredito no Cristianismo como acredito que o Sol nasceu, não apenas porque eu o vejo, mas porque por meio dele eu vejo todo o resto.” (C.S. Lewis, O peso de glória, p. 134). C.S. Lewis apresenta o Cristianismo como a Verdade – a lente pela qual vemos tudo claramente, sem confusão. A lente pela qual enxergamos pelo sangue de Cristo, pela salvação do nosso Deus! O Cristianismo não é uma religião, um ritual, uma crença mítica, não é um emaranhado de discussões filosóficas que ninguém entende, não é um discurso alienante que procura cegar os seus ouvintes. Nada disso. O Cristianismo é o modo de vida que anda sem tropeçar nas mentiras deste mundo, ou da carne ou de Satanás, porque anda na luz da verdade da salvação de Jesus Cristo, nosso Senhor! 
     “Mas todas as coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta.” Efésios 5:13

Chun-Li




Chun-Li foi a primeira personagem feminina do jogo Street Fighter II. Somente pelo pioneirismo, ela já merece atenção. Somado a isso, tem-se um tipo físico acentuadamente musculoso aliado a uma personalidade extrovertida, inteligente e muito feminina. Seu estilo é inspirado em garotas chinesas do início do século XX, com penteado e vestimentas bem característicos. Ela inunda o cenário masculino de luta e determinação com um sensível, porém, marcante perfume de mulher. Aliás, o seu nome é Mandarim e significa Chun – primavera/ Li – bonita: cheia da beleza da primavera.

Isso me faz pensar nas realidades contraditórias convivendo juntas nos mesmo espaço: uma mulher cheia da beleza da primavera em um campo de lutas, cercada de espinhos. Essa imagem me fez lembrar o profeta Jeremias, que em meio a um povo idólatra, proferindo uma pregação de juízo e morte, apresenta-se como um homem perseverante, em lágrimas, para cumprir o seu propósito verdadeiro de exaltar a Deus e proclamar “Deus é sublime” (Yirmeyahu em Hebraico, ou Hieremias em Latim).

Deus é sublime e faz sublimar toda a dor e lágrima e luta e realidade adversa e angustiante quando reconhecemos que Ele é a nossa força e a nossa Salvação! Assim por mais dura que seja a aparência (os músculos da Chun-Li; a rebeldia e incredulidade de Israel), a essência – o fim das coisas – é cheio de beleza, de cor, de perfume, é simplesmente SUBLIME! Porque é cheio da misericórdia e do perdão de Deus!

Mas reconhecer o Senhor em todos os nossos caminhos não é fácil. O ministério de Jeremias durou quarenta anos. E as lutas da Chun-Li duram até a quarta geração (Street Fighter IV). Há desafios e dificuldades no caminho, mas o principal é estar em cada fase, em cada luta com Deus à frente! É Ele quem nos capacita e quem nos dá a vitória!

Jeremias (12:5) nos exorta: “Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os cavalos? Se tão-somente numa terra de paz estás confiado, como farás na enchente do Jordão?”. Nós iremos competir com os cavalos. Isso é certo, se nos apropriarmos das técnicas certas. A Chun-Li possui golpes rápidos, em especial o Hyakuretsukyaku, no qual ela disfere uns cem chutes de uma vez. A agilidade dos seus golpes permite que ela seja uma competidora difícil de ser derrotada. Deus quer que sejamos ágeis na luta espiritual que travamos todos os dias, mas a nossa agilidade precisa estar pautada em oração, jejum e leitura diária da Palavra do Senhor. Somente exercitando assim a nossa fé, conseguiremos disferir incontáveis chutes seguidos no pecado, sem nos cansarmos. Porque a nossa luta não é com a carne, por isso não devemos nos fatigar correndo com os homens, mas nossa luta é contra adversários espirituais, que esperam que nos afastemos de Deus para nos derrubar. Não vamos deixar que assim aconteça, mas vamos permitir que o Senhor nos comande e seja Sublime em nossas lutas, fazendo-nos verdadeiros lutadores fortes e cheios de beleza como a Chun-Li.

Cristianismo: guia básico para desfazer equívocos (Parte 6 - o que é pecado?)



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Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. (Gênesis 3:1-5).

O pecado é um assunto muito importante quando falamos do cristianismo, porque é pela compreensão de pecado que toda a fé em Cristo, a ideia de arrependimento e a necessidade de salvação tem sentido. O pecado, de forma mais básica, é a desobediência à vontade de Deus, a quebra da lei divina. Quando Deus criou o homem e o pôs no Éden, estabeleceu apenas uma regra: que não se comesse da árvore que estava no meio do jardim. De todas as árvores se podia comer, mas da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal não. Observe que Deus não diz que não se podia tocar na árvore, mas apenas que não se podia comer: "E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis 2:16-17).

Assim, quando Eva diz que não podia tocar, estava, sem dúvida, exagerando a regra, aumentando as coisas; talvez, para evitar que até o toque na árvore a levasse a querer comer. Muitas vezes, fazemos como Eva e aumentamos a lei de Deus por medo de que algumas coisas nos levem a desobedecê-lo. O problema maior é quando queremos impor essa lei exagerada aos outros e queremos que eles façam como nós ou então quando criamos regras de usos e costumes e queremos que elas sejam a lei divina para todos. O que é um grande engano.

Voltando para o ponto central: percebemos, no trecho que dá início a essa postagem, que duas coisas podem nos levar a desobedecer a Deus: a primeira, é quando nos permitimos achar que nossa desobediência não terá consequência alguma; a segunda, é quando achamos que sabemos mais que Deus, ou seja, quando achamos que Deus quer nos ludibriar, é um grande enganador e, por isso, não é alguém que devamos obedecer, não devemos seguir o que Ele diz.

Observe que o primeiro argumento da serpente é a de que não seguir as regras não trará qualquer consequência. Esse tipo de argumento é usado até hoje e, por mais velho que seja, tem colado. Muitas pessoas não acreditam na Bíblia enquanto palavra de Deus, mesmo sendo ela o testemunho da veracidade do plano divino para a humanidade. Daí que muitos professam acreditar em Deus, mas não acreditam na Bíblia e, com isso, não querem viver a vida como Deus a dispôs em sua palavra, querem fazer o que acham melhor. É como se as regras fossem bobagens, que de fato não trarão qualquer consequência para quem descumpri-las. Ou ainda, como se o deus delas não tivesse regras, só quer que você seja "bonzinho". No entanto, sabemos, até mesmo pelo comportamento das coisas na natureza, que tudo tem regras, uma lei que os rege. O engano está em acreditar que regras existem para ser quebradas, ou que estamos acima da lei. No entanto, é apenas pelas regras que sabemos o que é bom ou mal. Só faz sentido que exista algo bom e algo ruim, se houver o estabelecimento desses limites por regras. Só sabemos quem ganha e perde um jogo quando conhecermos as regras do jogo. Só sabemos o que é crime quando sabemos a lei. Se ignorarmos a lei em nossa sociedade, ou acharmos que ela não serve para nós, isso não a invalida ou a faz desaparecer: isso nos fará criminosos. Deus não deu vida aos homens e inteligência para que eles fizessem o que bem entendessem: Ele deixou regras e espera que a sigamos. Caso quebremos as regras sofreremos as consequências de nossas escolhas.

A segunda ideia no argumento da serpente está em tentar fazer com que Eva não acredite no que Deus disse, porque, na verdade, Deus não queria que os homens fossem como Ele é, ou seja, Deus estava fazendo uma grande pegadinha. Esse argumento ainda é usado e faz com que as pessoas vejam Deus como um inimigo. Mesmo tendo nos dado a vida e sendo o soberano do universo, esse deus é visto como mal e ruim, alguém que vive nos sabotando e limitando. Muito do argumento ateísta/agnóstico de hoje se funda nesse tipo de ressentimento contra Deus. Acredita-se que o homem é a última coca-cola no deserto e que seguir a regra de Deus é limitar a nós mesmos, é frear nosso potencial humano. A falha desse argumento está em acreditar que o homem se basta e que somos deuses. A Bíblia nos diz que o homem se torna divino ao seguir a lei de Deus, não em quebrá-la, porque até mesmo Deus cumpre com aquilo que diz e segue suas regras. Quando Cristo esteve entre nós, ele fez cumprir com a regra que o próprio Deus tinha criado: que era necessário que sangue fosse derramado para que isso pagasse pelos pecados (a regra era: o salário do pecado é a morte). A lei de Deus é justamente aquilo que potencializará nossa humanidade, que nos tornará semelhantes a Ele em bondade, amor e justiça.

O pecado é aquilo que nos deixa em falta com Deus. Quando quebramos a regra e não seguimos o mínimo aceitável por Deus para o comportamento humano (lei) estamos em falta com Ele e temos de ser punidos por agirmos abaixo do esperado. A punição final, inferno, está dedicada àqueles que decidiram viver abaixo da média de Deus, mesmo Ele passando o bizu da prova. Cristo morreu na cruz para que todos fôssemos aprovados por Deus. É como se Jesus tivesse sido o aluno perfeito que tirou todas as notas 10, mas não assinou as provas e quis perder o ano para que ninguém mais perdesse. Basta escrevermos nosso nome na prova e seremos aprovados com nota máxima. A regra está apenas em continuar indo para a escola e buscar agir como Jesus agiu enquanto esteve aqui. Quem quiser badernar ou praticar o bullying não vai se dar bem! Por isso, siga a regra divina, que prevê consequências ruins para quem não as segue (por ser um caminho para a morte do ser humano) e que nos aperfeiçoa para sermos semelhantes àquele que nos criou.

E qual seria a recompensa para quem segue a palavra de Deus? O que seria o objetivo final do cristão? No próximo post falarei sobre a Vida Eterna e o que ela significa para o cristão.



DIVERGENTE


No último sábado (10/05/2014), o Pr. Thiago José pregou no Canal, uma mensagem desafiadora sobre um aspecto essencial à vida de todo cristão: a mudança de mentalidade! Ele nos levou a refletir sobre isso a partir da atitude do profeta Elias, quando no auge do seu ministério, decide amedrontar-se diante de uma ameaça de Jezabel que não poderia lhe causar mal algum, pois Deus estava com Ele (I Reis 19:1-2)! Mas ao invés de confiar na presença constante do Senhor ao seu lado, ele prefere pedir a Deus a morte (I Reis 19:3-14). Sejam quais forem os motivos do profeta para se sentir assim, Deus tinha tanto carinho por este homem que concedeu a ele o seu desejo e o arrebatou! (II Reis 2:10)  Antes disso, porém, incumbiu Elias de ungir Eliseu para que continuasse o seu ministério (I Reis 19:16). Eliseu, por sua vez, demonstrou uma atitude contrária a de Elias, tendo a ousadia de pedir porção dobrada do espírito de Elias. Deus também amava Eliseu e concedeu o seu desejo, dando-lhe a porção dobrada e um ministério duplamente abençoado e abençoador! (II Reis 2:10 em diante)
Essa palavra forte e inspiradora me remeteu ao filme que assisti recentemente chamado Divergente. Ele é o primeiro filme de uma trilogia que traz entre outras lições, uma reflexão muito boa sobre o poder e a importância da nossa mente! No filme, a protagonista é submetida a um teste mental para saber se ela se encaixa na “facção” a qual escolheu viver. O teste consiste em beber um líquido que a faz enfrentar alguns delírios. Ela precisa enfrentar a situação delirante como se fosse real, a fim de mostrar como ela pensa. O incrível é que tudo o que se passa na mente dela, todo o delírio e suas ações e emoções são assistidas em um telão. Já imaginou se todos pudessem ver o que se passa em sua mente? Bom, Deus vê exatamente tudo o que se passa em nossas mentes. E é a Ele que devemos prestar contas. Mas Ele não está nos observando para nos pegar em alguma falha, como no filme. Não, Ele nos vê por completo, porque Ele nos criou e espiritualmente nos gerou, somos seus, Ele nos conhece e nos ama. Por isso, Ele sabe tudo o que há em nós! No filme, a jovem não pensava conforme o padrão exigido por sua casta. Ela tinha a capacidade de pensar de várias maneiras diferentes. Naquela sociedade isso era visto com maus olhos, pois havia uma forma de governo que queria controlar as pessoas, de modo que todos tinham de pensar do mesmo jeito. Aqueles, então que pensavam diferente, eram chamados de Divergente e mereciam a morte. O que acontecia na mente da garota era que o medo não a fechava, mas a abria para enxergar melhor e para agir de maneira a solucionar os problemas e vencer os desafios. É isso que Deus deseja de nós, que não sejamos marionetes, nem que nos amedrontemos diante do conhecimento dEle sobre nós. Ele quer que isso nos abra para que tenhamos a mente de Cristo.
Os divergentes precisam lutar para conservar suas mentes livres. Assim também o cristão! Pois a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas é uma luta espiritual, contra principados e potestades (Efésios 6:12), é uma luta para conservar as nossas mentes livres do inimigo e cativas a Cristo!! Esse tema é imprescindível, tanto que Paulo nos adverte “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:2)
Pensando mais profundamente, o pastor Charles Swindoll escreveu um livro chamado Como viver acima da mediocridade, onde ele reflete com bastante seriedade sobre a necessidade de os cristãos entenderem que a mente é o alvo do inimigo (“A guerra se desenrola nas esferas invisíveis, intangíveis, da mente” Swindoll, p. 16, 2007), e que, portanto, precisamos investir nossos esforços e armas para proteger as nossas mentes das estratégias de Satanás.
“Pois embora andando na carne, não militamos segundo a carne. As armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus, para destruição das fortalezas. Derrubamos raciocínios e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo o pensamento à obediência de Cristo.” (II Coríntios 10:3-5)

Não deixemos o inimigo minar as nossas mentes nos fazendo desistir da vida e do ministério para os quais Deus nos chamou, como fez Elias (embora ele tenha cumprido sua missão e tenha sido um grande homem temente a Deus, sofreu algum abalo, como já vimos, desejando a morte), “pois como imaginou em sua alma, assim é.” (Provérbios 23:7). Façamos diferente, sejamos divergentes, como Eliseu e tenhamos uma mente forte, decidida e convicta na vitória em Cristo Jesus!! (“Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.” I Coríntios 15:57)

A ressurreição de Jesus como fato histórico



A ressurreição de Jesus é um dos fatos mais combatidos pelos céticos ao longo dos séculos. Muitos pontos da vida de Cristo tem sido questionados; sobretudo os que se referem a algum evento sobrenatural, como os milagres, e não é difícil encontrar por aí alguém que afirme acreditar na existência de um Jesus histórico, mas não em sua ressurreição ou em seus milagres.
Meu ponto neste texto é o de que o Jesus histórico é o Jesus bíblico, e que não se pode dissociar a mensagem de Jesus de sua obra, de modo que é impossível acreditar nos ensinamentos de Jesus sem crer naquilo que Ele afirmou sobre sua identidade, e sem crer que Ele de fato levantou dos mortos.

O ministério de Jesus durou 3 anos e meio. Os sinais (milagres) foram iniciados em um casamento, em Caná da Galileia (Jo 2:1-11), e o acompanharam durante todo o seu ministério (At 10:38). As curas, as expulsões de demônios, os eventos miraculosos, todos eles tinham uma lógica dentro da missão de Jesus e revelavam a sua natureza. Os sinais realizados por Jesus eram cumprimento de profecias (Is 61:1,2) e demonstravam seu poder e autoridade. Também revelavam sua identidade divina (Jó 9:8) como no episódio em que andou sobre as águas. Os autores dos evangelhos escreveram biografias de Jesus e fizeram questão de relatar seus feitos sobre-humanos, não somente seu ensino. Assim, é um grande equívoco separar os ensinamentos de Jesus de seus milagres. Se temos por confiáveis os autores do Novo Testamento e por fidedigno o texto das Escrituras como o conhecemos, então devemos crer em todo o relato, mesmo naquele que pareça mais improvável, do ponto de vista natural. Os milagres fazem parte do ensino e das promessas de Jesus (Mc 16:17,18; Jo 14:12).

Tanto quanto os milagres, a ressurreição de Jesus é um fato histórico e digno de toda a credibilidade. Em primeiro lugar a ressurreição é base de fé (Ro 10:9). Não há mensagem cristã sem ressurreição. Não há Igreja, cristão, discípulo, sem a mensagem da ressurreição de Jesus. Ela é um dos fundamentos do evangelho (1Co 15:3,4). Ela aponta para a vitória sobre a morte. Aponta para a redenção do homem. Ela é a coroação do êxito do sacrifício de Jesus. A ressurreição dos mortos é a prova de que a justiça de Deus foi satisfeita e de que não há mais nada que separe o homem redimido de Deus. Ela leva a humanidade ao projeto inicial de Deus, de ter comunhão com o homem (Gn 1:26), este sendo eterno, tendo o espírito de Deus em si (Gn 2:7). O homem redimido é um homem que vive para sempre. A vida eterna é uma promessa de Deus e uma esperança que faz parte da vida dos homens desde os tempos mais remotos. Como a morte é a consequência do pecado, Jesus, após ter realizado a obra de redenção se sacrificando na cruz, não podia ser retido pela morte. A morte era para os pecadores, e Jesus era sem pecado, de modo que ressuscitou. Sua ressurreição atesta o sucesso de sua obra e nos revela o projeto de Deus para o homem, sendo Ele o primeiro de uma nova linhagem (Cl 1:18), de seres glorificados, redimidos, que tem plena comunhão com o Criador. A ressurreição é cumprimento de profecia e de promessa, é o espelho para o homem ver seu futuro. Como disse Paulo: "E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa esperança e é vã a vossa fé"(1Co 15:14).

Do ponto de vista histórico é impossível imaginar a existência da Igreja e do cristianismo se a ressurreição não tivesse acontecido. Vejamos...

Os discípulos de Jesus começaram a pregar em Jerusalém e a dizer que Ele havia ressuscitado dos mortos (At 2:14). Eles afirmavam que eram testemunhas oculares de sua ressurreição e que Ele estivera com eles por 40 dias após voltar dos mortos e que havia ascendido aos céus, com a promessa de que voltaria. Passaram os anos seguintes pregando a mensagem de seu mestre, de modo a levar o evangelho para o mundo e, tendo enfrentado grande oposição e perseguição, morreram como mártires.

É claro que muitas pessoas morrem por suas crenças, ou por boas causas. Geralmente uma ideia em que acreditam ou alguma história contada para elas. Também é possível ser sincero acreditando em algo mas estando enganado, uma vez que se pode acreditar de todo coração e com toda a boa vontade em uma mentira. No entanto, os apóstolos estavam falando de alguém próximo a eles, de modo a afirmarem que eles eram as testemunhas oculares de tudo o que estava acontecendo (At 2:32). Ou seja, se a ressurreição fosse mentira eles saberiam. A grande questão é: Quem morreria por uma mentira sabendo que é mentira? Os discípulos levaram sua fé até as últimas consequências, entregando suas vidas por ela. A única explicação aceitável para isto é a ressurreição ser um fato verídico.

A Bíblia revela que os discípulos fugiram quando Jesus foi preso (Mt 26:56), e se esconderam com medo de serem presos também. Eles abandonaram seu mestre e não estiveram presentes nem mesmo no momento da crucificação (com exceção de João). Porém, dias depois, os apóstolos estavam em Jerusalém, pregando corajosamente, desafiando judeus e gentios e anunciando a ressurreição de Jesus. O que poderia causar tamanha mudança de postura? Apenas a ressurreição! Com que propósito os discípulos inventariam uma mentira como a ressurreição, abririam mão de seus projetos pessoais, famílias, enfrentariam perseguição e morreriam por isso? Será que tal mentira combina com seus valores morais elevados e com sua missão e estilo de vida? Certamente não. Os discípulos não só pregaram a ressurreição e o ensino do evangelho como realizaram sinais e prodígios, que davam respaldo á sua mensagem. Por isso é impossível imaginar a existência e o crescimento da Igreja cristã, e a fé cristã de maneira geral, sem a ressurreição de Cristo como fato histórico.

Abraços a todos!

Graça e Paz!

A POSTURA DE UM SAMURAI!





Sempre que assisto a um filme de samurai fico muito impressionada com o estilo de vida deles, baseado na honra, na disciplina e na sabedoria. Não foi diferente ao assistir ao filme “47 Ronins”. Neste, os samurais encontram um menino mestiço (Kai), e o seu senhor (Asano) percebe algo diferente nesse menino a ponto de acolhê-lo em sua terra e deixá-lo viver entre seu povo. Isso pode parecer uma atitude simples e comum, mas para a cultura japonesa era algo extremamente complicado, pois eles desprezavam os estrangeiros e valorizavam seu povo e seu modo de vida exclusivo.

Embora acolhido pelo senhor de Ako, o menino cresceu num ambiente hostil, sendo alvo de piadas, desprezo e muita desconfiança. Mas ele, de fato, não era uma criança qualquer. Havia sido criado por criaturas que não simpatizavam com a raça humana. Ele, no entanto utilizou os ensinamentos aprendidos de forma prudente, apenas no momento oportuno.

Isso me fez refletir acerca da vida cristã. Antes de sermos redimidos, estávamos no pecado, aprendendo toda sorte de comportamento desagradável ao Senhor. Quando Ele nos encontra não nos despreza, mas nos oferece um lugar em seu Reino. Seu desejo é transformar nossas vidas e nos fazer verdadeiros samurais: pessoas que o honram, seguindo a disciplina da sua Palavra e sedentos da sabedoria que vem dos céus. Porque a nossa própria sabedoria nos corrompe, mas a sabedoria de Deus nos instrui e nos guia por caminhos aplainados (Tiago 1:5).

Assim como Kai, o cristão precisa manter uma postura de obediência e respeito ao Senhor, mesmo em meio a este mundo hostil em que vive, sendo rodeado pelo tentador (I Pedro 5:8). Kai tinha sempre uma postura reverente diante daqueles que estavam acima dele, ainda que isso significasse sofrer injustiças e até a morte. Ele agiu desse modo, porque se despojou de si mesmo, de seu orgulho, de sua própria sabedoria e permaneceu determinado em demonstrar gratidão àquele que era digno, o senhor dos samurais, que o salvou e o acolheu.

Deus quer que nos despojemos de nós mesmos para vivermos em atitude de gratidão a Ele!

"Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, Então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse." Isaías 58:13-14

Essa palavra do Senhor é maravilhosa! Ele não quer sacrifício, mas um coração sincero. Depois de provar sua sinceridade, Kai foi reconhecido como parte daquele povo; nós também seremos reconhecidos diante de Deus não pelos nossos feitos, mas pela motivação deles. O silêncio e a resignação não significam omissão, covardia ou falta de propósito. Pelo contrário, significam honra, disciplina e sabedoria dedicadas ao único que é digno de todo louvor e submissão – nosso Senhor Jesus Cristo! ("A justiça do sincero endireitará o seu caminho, mas o perverso pela sua falsidade cairá." Provérbios 11:15). Que o nosso coração se incline irresistivelmente diante do Senhor em atitude de gratidão e honra como um verdadeiro samurai!