O poder da vontade

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Assisti, ontem, ao filme Lanterna Verde (2011). Minha namorada, que assistia comigo ao filme, logo me disse: "Por que você não posta um texto no Blog sobre isso?". Conversamos sobre alguns aspectos da história do filme e decidi postar. Então, aqui vai.

Não conhecia direito a história do Lanterna Verde, nem de uma de suas versões: Hal Jordan. Soube, por amigos, algumas coisas sobre esse super-herói e como ele já teve sua história recontada inúmeras vezes nos quadrinhos.

O que mais me chamou a atenção no filme foi a origem dos super-poderes do Lanterna Verde: a vontade. Na história, seres chamados Guardiões criaram uma forma de utilizar a energia da vontade, que emana de todos os seres vivos do universo, para usar como arma contra a injustiça. A vontade seria a força mais poderosa do universo, capaz de destruir qualquer ameaça. Esses Guardiões dividiram o universo em setores e, para cada setor, a Vontade escolheu representantes, que passaram a formar o grupo de Lanternas Verdes (Green Lantern Corp).

No filme, a maior ameaça já enfrentada por esses heróis da justiça chama-se Parallax. Esta criatura é um inimigo que se utiliza de outra força poderosa do universo: o medo, que seria uma das poucas forças capazes de deter a Vontade.

Pensando no Evangelho e na vida cristã, logo a verdade desta constatação se apresentou a mim e percebi que, de fato, o medo inibe bastante nossa vontade. Quando temos medo nem conseguimos concretizar nossa vontade nem a vontade de Deus para nós.

Priscila lembrou-me da passagem de Romanos 8:14-15, que diz:

Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.

É pelo Espírito de Deus que podemos superar o medo e viver a vontade de Deus, como verdadeiros filhos dEle. Pelo Espírito de Deus, podemos superar nossas fraquezas e entender que é Deus quem nos aperfeiçoa, se o permitirmos. A culpa, gerada pelo medo de ser castigado, também nos atrapalha e impede que nossa vontade de acertar seja mais poderosa do que a lembrança de nossas falhas.

Meu convite, através do filme Lanterna Verde, é que não enfraqueçamos nossa vontade de seguir a Deus, de fazer viver o evangelho e o amor de Cristo, mas que deixemos de lado todo medo, que nos atrapalha, e sigamos no Caminho confiantes na Graça de Deus que nos perdoa, nos limpa, nos preenche e transforma para brilharmos na Luz de Cristo e glorificarmos a Deus, nosso Pai.

O caminho do Gato de Cheshire



Um dos momentos mais interessantes de Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol, é quando Alice encontra o Gato de Cheshire e pede a ajuda dele para sair de onde estava:

          “Gatinho de Cheshire”, começou, bem timidamente, pois não tinha certeza se ele gostaria de ser chamado assim: entretando ele apenas sorriu um pouco mais. “Acho que ele gostou”, pensou Alice, e continuou. “O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?”
          “Isso depende muito de para onde você quer ir”, respondeu o Gato.
         “Não me importo muito para onde...”, retrucou Alice.
         “Então não importa o caminho que você escolha”, disse o Gato.
          “...contanto que dê em algum lugar”, Alice completou.
          “Oh, você pode ter certeza que vai chegar”, disse o Gato, “se você caminhar bastante.”
          (Lewis Carrol, Alice no país das maravilhas)

Chama minha atenção a sabedoria simples e prática do gato. Alice, em sua inquietação, pede por uma ajuda que sequer sabe direito qual é. Ela deseja sair de onde está, mas não sabe para onde quer ir. O gato, sabiamente, evidencia que, de um jeito ou de outro, ela sairia de onde estava, bastava seguir para qualquer direção.

Muitas vezes me pego tentando sair de uma situação, ou querendo deixar algo que não gosto em mim mesmo, mas percebo que é insuficiente estar descontente com a situação em que se está, tem-se de saber para onde se quer ir.

Muitas vezes, achamos que estar insatisfeitos com a nossa situação atual é suficiente para nos levar por um caminho melhor. O fato, no entanto, é que podemos sair de uma situação ruim para uma pior e "o último estado se torna pior do que o primeiro" (Lucas 11:26b adaptado)

Não basta ficar descontente ou insatisfeito. Não basta reconhecer os erros e as falhas. É preciso saber qual direção percorrer, que novas atitudes tomar, que novo caminho escolher. Algo precisa ser mudado em nós para que o resultado saia diferente.

Para onde quero ir? Onde desejo chegar? O que, de fato, quero para mim? Estas perguntas podem me ajudar a visualizar o caminho a percorrer, porque o percurso determina o destino. Se quero chegar a um resultado diferente do que venho obtendo preciso mudar algo em minhas atitudes e modo de agir.

Em muitos momentos, de acordo com o que desejamos, a caminhada será dura e difícil. Mas cabe unicamente a mim escolher se realmente quero percorrer esse caminho. Quando desejamos algo muito bom precisamos tomar medidas que nos levem a alcançar essas coisas.

Cristo nos chamou para seguí-lo. Ele é o Caminho de Deus para a humanidade. Aquele que tem como objetivo ou propósito agradar a Deus deve seguir os passos de Jesus. Hoje, o meu convite é para que possamos escolher um caminho mais excelente. Sem dúvidas, é um caminho mais árduo e difícil, mas é o melhor caminho e é o caminho que nos garante o melhor destino: a vida eterna com Deus. Esse caminho é Cristo.

Embora a reflexão do Gato de Cheshire seja muito relevante (nos fazer refletir para onde queremos ir, ou de onde queremos sair) ela não nos ajuda a seguir o caminho. Muitas vezes, como Alice, simplesmente não sabemos que caminho tomar, nem se o caminho que achamos ser melhor de fato é bom. Quando passarmos por momentos assim, podemos contar com uma sabedoria maior e mais profunda do quê a do Gato de Cheshire: Cristo, Caminho, Verdade e Vida, nos aponta a melhor direção a tomar (porque segue para um melhor fim). Com Ele, poderemos sempre contar com conselho e direção para seguir pelo melhor percurso. E o melhor é que esse caminho de Cristo, sempre, é seguido em amor, paz e alegria.