O caminho do Gato de Cheshire



Um dos momentos mais interessantes de Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol, é quando Alice encontra o Gato de Cheshire e pede a ajuda dele para sair de onde estava:

          “Gatinho de Cheshire”, começou, bem timidamente, pois não tinha certeza se ele gostaria de ser chamado assim: entretando ele apenas sorriu um pouco mais. “Acho que ele gostou”, pensou Alice, e continuou. “O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?”
          “Isso depende muito de para onde você quer ir”, respondeu o Gato.
         “Não me importo muito para onde...”, retrucou Alice.
         “Então não importa o caminho que você escolha”, disse o Gato.
          “...contanto que dê em algum lugar”, Alice completou.
          “Oh, você pode ter certeza que vai chegar”, disse o Gato, “se você caminhar bastante.”
          (Lewis Carrol, Alice no país das maravilhas)

Chama minha atenção a sabedoria simples e prática do gato. Alice, em sua inquietação, pede por uma ajuda que sequer sabe direito qual é. Ela deseja sair de onde está, mas não sabe para onde quer ir. O gato, sabiamente, evidencia que, de um jeito ou de outro, ela sairia de onde estava, bastava seguir para qualquer direção.

Muitas vezes me pego tentando sair de uma situação, ou querendo deixar algo que não gosto em mim mesmo, mas percebo que é insuficiente estar descontente com a situação em que se está, tem-se de saber para onde se quer ir.

Muitas vezes, achamos que estar insatisfeitos com a nossa situação atual é suficiente para nos levar por um caminho melhor. O fato, no entanto, é que podemos sair de uma situação ruim para uma pior e "o último estado se torna pior do que o primeiro" (Lucas 11:26b adaptado)

Não basta ficar descontente ou insatisfeito. Não basta reconhecer os erros e as falhas. É preciso saber qual direção percorrer, que novas atitudes tomar, que novo caminho escolher. Algo precisa ser mudado em nós para que o resultado saia diferente.

Para onde quero ir? Onde desejo chegar? O que, de fato, quero para mim? Estas perguntas podem me ajudar a visualizar o caminho a percorrer, porque o percurso determina o destino. Se quero chegar a um resultado diferente do que venho obtendo preciso mudar algo em minhas atitudes e modo de agir.

Em muitos momentos, de acordo com o que desejamos, a caminhada será dura e difícil. Mas cabe unicamente a mim escolher se realmente quero percorrer esse caminho. Quando desejamos algo muito bom precisamos tomar medidas que nos levem a alcançar essas coisas.

Cristo nos chamou para seguí-lo. Ele é o Caminho de Deus para a humanidade. Aquele que tem como objetivo ou propósito agradar a Deus deve seguir os passos de Jesus. Hoje, o meu convite é para que possamos escolher um caminho mais excelente. Sem dúvidas, é um caminho mais árduo e difícil, mas é o melhor caminho e é o caminho que nos garante o melhor destino: a vida eterna com Deus. Esse caminho é Cristo.

Embora a reflexão do Gato de Cheshire seja muito relevante (nos fazer refletir para onde queremos ir, ou de onde queremos sair) ela não nos ajuda a seguir o caminho. Muitas vezes, como Alice, simplesmente não sabemos que caminho tomar, nem se o caminho que achamos ser melhor de fato é bom. Quando passarmos por momentos assim, podemos contar com uma sabedoria maior e mais profunda do quê a do Gato de Cheshire: Cristo, Caminho, Verdade e Vida, nos aponta a melhor direção a tomar (porque segue para um melhor fim). Com Ele, poderemos sempre contar com conselho e direção para seguir pelo melhor percurso. E o melhor é que esse caminho de Cristo, sempre, é seguido em amor, paz e alegria.

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