SUITS




A série americana Suits tem feito grande sucesso desde sua primeira temporada em 2011. Basicamente se trata do cotidiano de uma firma de advocacia que passa a vivenciar um constante conflito legal, moral e afetivo com a contratação de Mike Ross – um cara que não frequentou a escola de Direito, mas que sabe muito sobre isso, e caiu nas graças de um dos sócios sêniores, Harvey Specter. Diante do resumo, parece mais um programa de tribunais. Mas a maneira como ele é construído é que chama a atenção. Considerando que tudo é linguagem, ainda mais no campo do Direito, comecemos com o título da série: Suits. Esta palavra possui vários significados, como substantivo e como verbo, em inglês, o que nos permite fazer diversas associações e imagens. Vejamos, primeiramente significa terno, um tipo de roupa específico, mas pode significar também a própria pessoa que usa o terno, quando esta ocupa uma posição elevada. Além disso, pode significar, de maneira geral, traje, isto é, desdobrando-se em um tipo de roupa para qualquer ocasião, por exemplo: bathing suit – roupa de banho, chemical suit – roupa de proteção química. Além dos significados relacionados ao vestuário, a palavra também é usada para sentidos legais (lawsuits) – processo, petição. E, por fim, podemos citar seu significado como verbo – adaptar.
Dessa maneira, compreendemos que o termo suit possui uma plasticidade que possibilita a trama de sentidos vista na série também com as imagens da abertura em que as partes referidas ao Mike estão em vermelho, e as referidas ao Harvey, em azul, demonstrando um campo semântico de reprovação e abundância das emoções e sentimentos no Mike, enquanto no Harvey, tem-se aprovação e predomínio da razão. Isto segundo certa linha de pensamento. Mas daí para infinitas percepções é um pulo.
Observando esses aspectos em consonância com o comportamento de Mike – personagem que de certa forma move o enredo da série – percebi que o sucesso da série, do Mike, e do próprio ato de advogar (do Direito) é a manipulação da linguagem. Ou seja, você pode ser o que quiser e fazer o que quiser desde que saiba o que dizer e como dizer no momento certo! Isso é uma coisa muito boa na arte, na literatura, nos debates, na política. No entanto, isso não deve ser uma regra para a vida cristã, uma vez que a beleza e a multiplicidade da linguagem devem servir para exaltação do nome de Jesus e para edificação uns dos outros: “Bom é louvar ao SENHOR, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo;” (Salmos 92:1); “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem.” (Efésios 4:29).
Assim, não adianta o Mike ser tão inteligente, ter uma memória gigantesca e usar tudo isso apenas para justificar o seu erro, pois por mais que ele faça, tudo se torna em vão, já que ele não é advogado de fato. Com isso, suas habilidades linguísticas só servem para distorcer a essência da palavra Lei (Direito), que ele aparenta defender, mas que, na verdade, está todo o tempo a corrompendo e tentando adaptá-la à realidade dele. Pior ainda é que ele se justifica, agindo de maneira passional – envolvendo-se emocionalmente com os clientes, com falsa aparência de que se importa com eles – argumentando que tem boa intenção. Ora, não adianta cometer um pecado com a justificativa de que estava bem intencionado. Porque o pecado continua sendo pecado. E a verdadeira intenção do coração se revela na atitude egoísta e orgulhosa que age sem medir as consequências, apenas para satisfazer a necessidade pessoal de reconhecimento, de utilidade, de compensação pelos erros cometidos no passado e no presente.
A maioria das pessoas é como o Mike, despendendo recursos, habilidades e energias para distorcer a Palavra de Deus e fazê-la se moldar à suas vontades. Muitas usam o traje (suit) da religiosidade, achando que pelos seus rituais e repetições vãs se chegarão a Deus (“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.” Mateus 6:7) Elas, na verdade, estão cada vez mais se distanciando do Senhor. Outras usam o traje da ciência, e pensam que por suas teorias e conhecimentos empíricos terão uma ideia mais clara de Deus, mas Deus é espiritual, e importa que os que se aproximam dEle o encontrem pela fé (Hb. 11) e não por seu raciocínio limitado. Alguns ainda acham que assim como uma palavra (suit, por exemplo) pode ter muitos significados, a Palavra do Senhor também pode ter várias significações a depender do ponto de vista. Ora, isso não se sustenta, porque a Palavra do Senhor é “divinamente inspirada” (II Tm. 2:16), portanto, não é de “particular interpretação” (II Pe. 1:20). Ela é perfeita, fiel, e cheia de sabedoria (Sl. 19:7). Além disso, podemos concluir que nada muda o fato de que o Mike não é um advogado de verdade, assim como nada (nenhuma deturpação da Palavra ou justificativa infundada) muda o fato de que o errado é errado; de que o pecado é pecado. Então, se sabemos que estamos errando, devemos buscar o perdão do Senhor e a mudança de atitude. Pois, se quisermos viver a Palavra, ela tem que nos moldar e não o contrário. A verdadeira inteligência está em aprender as palavras do Senhor e segui-las.
Não importa o quanto você consiga driblar, enfeitar ou manipular a língua portuguesa, inglesa, humana. Não se pode mexer com a Palavra do Senhor, ela é imutável e infalível (Tito 1:2; Hb. 13:8)!!! Só há um meio de se chegar verdadeiramente a Deus e viver uma vida plena, real e sem malabarismos linguísticos, esse meio é Jesus, a própria Palavra encarnada (Jo 1)!! Amém!!!

Jesus, verbo intransitivo


“Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta; [...]”

(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência, 1972)


     Essas duas primeiras estrofes do poema “Romance LIII ou DAS PALAVRAS AÉREAS”, de Cecília Meireles, representam muito bem a importância das palavras e a sua “potência” – tanto no que se refere à força de seus diversos sentidos quanto no que se refere à própria realização de suas possibilidades de passar de um estado de existência a outro (como quer a filosofia). Aqui temos duas informações em destaque; primeiro, as palavras produzem sentidos variados, por isso uma mesma palavra pode ter um número indeterminado de significados; segundo, as palavras são seres em potência, isto é, a palavra é a coisa (e/ou coisas) que representa. Desse modo, podemos dizer que a palavra tem um peso e uma força absurda, como, por exemplo nos julgamentos, nas cerimônias solenes e na proferição de bênçãos e maldições. Daí, o ditado popular “as palavras têm poder”, e expressões como “jogar praga”, uma vez que dita a palavra, a coisa é trazida à existência. 

     Agora, se isso é assim no campo das ideias – das filosofias e das artes – imagine a força e a existência da Palavra de Deus! E a Palavra de Deus é o próprio Jesus, pois Ele é o Verbo que estava no principio com Deus, e todas as coisas foram feitas por meio dele e sem Ele nada do que foi feito se fez! (João 1:1-3). Ou seja, Jesus é o Verbo – o logos (em grego λόγος, palavra) – que traz as coisas à existência e atua sobre elas de maneira sobrenatural e perfeita a ponto de trazer salvação e santificação à humanidade caída. 

     Num sentido gramatical, o verbo intransitivo é aquele que não precisa de complemento, pois tem sentido em si mesmo. Assim é o Senhor Jesus Cristo, Ele é o próprio Deus (“Eu e o Pai somos um.” João 10:30), portanto Ele é: “EU SOU O QUE SOU” Êxodo 3:14 e não há nada que possa ser tirado ou acrescentado a Ele. Ele é eterno (“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro.” Apocalipse 22:13). 

     Já num sentido semântico, as palavras podem produzir vários sentidos. Jesus, porém, é único e o seu sentido não varia, pois nele não há imperfeição nem mutabilidade (‘Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” Tiago 1:17; “Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento;” Hebreus 6:17). Por outro lado, a palavra de Deus é “viva e eficaz” (Hebreus 4:12), criativa (Gênesis 1) e poderosa para realizar infinitas dádivas e milagres nas nossas vidas. Ele pode mudar a nossa tristeza em alegria e nos fazer totalmente transformados nEle pela salvação que há em seu nome “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:12). Pela sua palavra há cura: “E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar.” Mateus 8:8; há libertação: “Então ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha.” Marcos 7:29. Enfim, a palavra de Deus, Jesus, é a própria vida (João 14:6)!

     Para muitas pessoas, essa afirmação parece absurda e infundada, de maneira que com incredulidade rejeitam a salvação em Cristo Jesus. Como também na literatura parece impossível conceber que uma palavra dê conta de vários sentidos ou que tenha sentido em si mesma sem que seja necessário considerar todo o contexto histórico-social que a envolve. Bem, o contexto é também importante, contudo, é a palavra que o evoca e o determina, não o contrário. Veja, o poema “pobre alimária”, de Oswald de Andrade, aparentemente não tem nenhuma ligação com luta de classes ou questões sociais desse tipo. Mas uma leitura atenta faz emergir do poema justamente essa situação, quando no trecho: O cavalo e a carroça / Estavam atravancados no trilho / E como o motorneiro se impacientasse / Desatravancaram o veículo (ANDRADE apud. SCHWARZ, 1987, p 14), o verbo “impacientasse” está no pretérito imperfeito do subjuntivo, que é um tempo verbal para eruditos, ou seja, quem fala é alguém com poder, por isso, na briga entre o “veículo” e a “carroça”, o veículo ganha, desatravancando a “carroça” do caminho e abrindo caminho para o progresso da cidade e para o crescimento cada vez maior das classes dominantes, de maneira que o poema evoca essa realidade através do arranjo das palavras. Porque o poema consegue dizer muita coisa com poucas palavras. 

     Talvez isso pareça loucura, viagem e uma coisa muito sem sentido para aqueles que não entendem de teoria e crítica literária, do mesmo modo quem não entende que a Palavra de Deus é a Verdade e que somente por Jesus podemos ter redenção e vida eterna, jamais desfrutará do gozo do Senhor, da sua Força, da sua Paz e de todos os sentidos que Ele quer dar a nossa vida. Sem Jesus o poema fica sem graça e a interpretação dele fica distante da nossa realidade. Para aqueles, no entanto, que creem que Jesus é a Palavra de Deus que se fez carne, que morreu e que ressuscitou por nós (“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” João 1:14), para estes o poema se torna amplo, colorido, cheio de sentido a partir da própria Palavra!

O PERFUME DE CRISTO


      Na Paris do século XVIII, Jean-Baptiste Grenouille nasce entre tripas de peixe e lama atrás de uma banca, onde sua mãe era feirante e vendia peixes. O menino, incrivelmente nasceu sem cheiro, e passava despercebido entre os outros meninos do orfanato - porque sua mãe fora assassinada por infanticídios algumas semanas depois de seu nascimento. Por outro lado, Grenouille possuía um olfato privilegiadamente aguçado, o que o levou a uma intensa busca pelo odor perfeito. Este odor seria transformado no perfume perfeito. Tendo trabalhado como aprendiz de curtidor de peles e também como aprendiz de perfumista desenvolveu a habilidade necessária para cumprir o seu intento. O mais impressionante desta história é que o que parecia um dom – o olfato aguçado a ponto de sentir o odor distinto da pele das pessoas – se transformou numa maldição, pois ao invés de usá-lo de maneira sábia e saudável, o rapaz passou a ser um assassino de mulheres (26 no total); uma vez que ele as matava para conseguir extrair delas o seu cheiro natural. Ele combinou todos esses cheiros na fabricação de um único perfume, que foi novamente a sua ruína. Porque a fragrância perfeita causava efeitos delirantes e nocivos aos que o cheiravam. Por isso, ao derramar todo o vidrinho do perfume em si, foi devorado por um grupo de pessoas no Cemitério dos Inocentes.
O perfume (1985) é um romance alemão, do escritor Patrick Süskind. O romance virou filme em 2006, trazendo uma versão em imagens do que nem as palavras nem a visão podem descrever fielmente, senão o próprio olfato. Falo sobre essa história para refletir sobre um aroma muito mais profundo – o aroma de Cristo! As Sagradas Escrituras nos dizem através do apóstolo Paulo em sua segunda carta aos Coríntios:
“E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo? Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus.” (2 Coríntios 2:14-17)
Nós somos “o bom perfume de Cristo” e devemos exalar a todos e em todo lugar “a fragrância do seu conhecimento”! E isso além de ser maravilhoso é também muito sério, porque determina a nossa essência, o nosso modo de vida e a nossa eternidade.
Pensemos bem, Jean-Baptiste Grenouille nasceu sem cheiro, com a maturidade teve a chance de adquirir um bom perfume, mas escolheu “cheiro de morte para a morte”. Àqueles, porém, que aceitam Jesus como único Senhor e Salvador de suas vidas recebem o perfume precioso da salvação e da vida eterna com Jesus! Recebe o “Espírito do Deus vivo” (2 Co. 3:3) para viver e pregar o Evangelho a toda a criatura (Mc 16:15) a fim de espalhar o aroma suave do Senhor! Estes escolheram o “cheiro de vida para a vida”!
Certamente o aroma de Jesus é perfeito, mas infelizmente não agrada a todos, porque muitos o rejeitam, preferindo viver na prática do pecado, endurecendo os seus corações para a compreensão da Palavra e perseguindo com mentiras e falsidades aqueles que emanam o aroma verdadeiro de Cristo! Por isso, precisamos atender à exortação:
“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo.” (1 Pedro 3:15,16)
Para que tudo em nós seja cheiroso e transpire a “graça e o conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.” (2 Pedro 3:18). E é importante que sejamos cada dia mais esforçados em nos manter com o cheiro de Jesus, porque há muitos como Jean-Baptiste Grenouille que investem contra os servos de Jesus, para tirar o seu cheiro, arrancar a sua pele e assassiná-los, a fim de tentar calar o Evangelho e impedir que Ele se espalhe por toda a Terra. Esses homens fedorentos disfarçam seu mau odor em palavras enganosas, em discursos sedutores que iludem o povo; são líderes religiosos, políticos, e malfeitores de todo tipo que se levantam com aparência de falsa piedade e até falam o nome de Jesus, mas de maneira nenhuma são de Cristo, porque negam que Jesus é o Filho de Deus que se fez carne para morrer por nós, antes colocando acima de Jesus ídolos e doutrinas de homens que distorcem a Palavra, escarnecendo o Evangelho. Mas o próprio Cristo nos avisou para termos cuidado e não nos deixarmos enganar “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo.” (2 João 1:7).
Por isso, devemos vigiar, orar, e andar no Espírito (Rm 8:4, 16) para que “Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” (Eclesiastes 9:8). De maneira tal que sejamos homens e mulheres da parte de Deus, dando testemunho dele a ponto de sermos reconhecidos em casa e no estrangeiro, como o foi Elizeu pela sunamita: “E ela disse a seu marido: Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus.” (2 Reis 4:9).
Porquanto os dias são maus cuidemos para não cair nas armadilhas daqueles que falam com sinceridade mas não com verdade. Sabendo que “Assim como as moscas mortas fazem exalar mau cheiro e inutilizar o ungüento do perfumador, assim é, para o famoso em sabedoria e em honra, um pouco de estultícia.” (Eclesiastes 10:1). A estultícia destrói o homem e faz com que ele seja devorado pelo chorume embutido em vidrinhos de perfumes, aparentemente inofensivos, mas com o cheiro de morte pronto para consumi-lo. 
Mais uma vez repito “Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus.” (2 Coríntios 2:17). Sejamos o verdadeiro aroma de Cristo nesta geração!!!

“A VISÃO AOS CEGOS”


“Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.” (Isaías 42:7). Essa é a Palavra do Senhor acerca do próprio Jesus e da sua obra. Jesus veio para dar vista aos cegos e libertar os cativos de todo tipo de prisão, porque é isso mesmo o que Jesus faz, Ele liberta! E a primeira coisa que Ele faz para que sejamos libertos é abrir os nossos olhos a fim de que possamos enxergar a sua luz e, por fim, nos “transportar para o seu reino” (Colossenses 1:13). A palavra é bem simples, Jesus veio para dar a visão aos cegos; entretanto, Ele não fará isso sem que o próprio cego queira ver, pois é necessário que haja da parte do enfermo e do cativo – ou seja, do ser humano – a disposição sincera do coração para crer que Jesus realmente fará o milagre simplesmente porque Ele falou que faria. Pois “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1:1), Jesus é o Verbo que se fez carne e habitou entre nós, e morreu por nós e ressuscitou por nós, porque Ele é a própria Palavra de Deus “viva e eficaz” (Hb 4:12) pela qual se diz e se realiza todas as coisas!
Nada pode existir ou acontecer senão pela Palavra, isto é, pelo próprio Jesus – “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” João 1:3 (“Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” – Atos 17:28).
Diante disso, compreendemos que ninguém poderá ser salvo sem que creia na Palavra, sem que creia em Jesus (Atos 4:12). E somente através da fé em Jesus a nossa visão pode ser restaurada. Sim, porque todos pecaram e precisam de arrependimento, todos são cegos antes de conhecerem Jesus. Aqueles que enxergam, enxergam por causa de Jesus, ainda que habitem corpos imperfeitos e talvez possuam até mesmo uma cegueira física; esta porém, não o impede de enxergar coisas muito mais excelente e indescritíveis, coisas do alto, coisas do plano espiritual, que revelam a glória, a luz e a face de Deus!
Como isso é possível, um cego ver? Deixe-me fazer como Jesus e ilustrar este ensinamento com algo dos nossos dias. Lembro-me agora da série original do Netflix Daredevil – que traduzido ficou Demolidor. O interessante desta série é que o herói é “cego”. Digo “cego”, porque o que aparentemente é uma deficiência e fraqueza, na verdade, é a sua força, ou como dito por outras personagens, um dom, já que pela falta da visão seus outros sentidos foram amplamente aprimorados a ponto de ele poder ouvir os batimentos cardíacos de uma pessoa e dizer se ela é uma criança ou um idoso, se está doente, ou apaixonado, ou mentindo. Ele pode ouvir ruídos que acontecem a quadras de distância e responde aos reflexos com muita habilidade, sabendo a direção das coisas e das pessoas pela brisa, pelo cheiro e pela audição. Enfim, quase não acreditamos que ele seja realmente cego, uma vez que consegue enxergar de outras maneiras o que muitas pessoas não veem com os olhos abertos e sãos. 
Da mesma maneira, há muitos entre nós que ainda estão cegos espiritualmente porque não conseguem entender a mensagem da cruz, porque não conseguem crer nas palavras de verdade, na salvação em Jesus! Porque isso lhes parece loucura. E não parece loucura um homem cego ter tantas habilidades a ponto de se tornar um herói e justiceiro como em Demolidor? Mas muitos acreditam que esses dons são possíveis e os buscam mesmo sabendo que estão diante de uma ficção. Por outro lado, não podem confiar na verdade que está diante de seus olhos, simplesmente porque Jesus não aparece da maneira como eles o queriam ver. “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são”1 Coríntios 1:27,28 
Por isso, as visões deturpadas desta geração não conseguem receber a visão perfeita, mas àqueles cegos que creram com fé e arrependimento em Jesus Cristo, a estes foi dada a visão!!

"As intermitências da morte"


       Este título curioso pertence ao curioso romance de José Saramago (2005), escritor português de grande prestígio, que possui um estilo marcantemente pessimista acerca das questões humanas. Neste romance,"As intermitências da morte", no entanto, assim como a morte, ele suspende o pessimismo e dá ao romance uma saída, isto é, vê uma solução para morte: o amor. 
O livro se inicia com a seguinte frase: "No dia seguinte ninguém morreu". E isto aconteceu em um país fictício, criado por Saramago, enquanto no restante do  mundo se continuava a morrer corriqueiramente. O caso da suspensão da morte neste país gerou problemas para os filósofos, para os repórters, eeconomistas donos de funerárias, médicos, hospitais, e particularmente para o Governo e para a Igreja. Pois todos de alguma maneira deixaram de lucrar com a ausência da morte. Entre outras preocupações, incluía-se a de "reflectir sobre o que virá a ser um futuro sem morte" e sobre "os novos problemas que a sociedade terá de enfrentar, o principal dos quais alguns resumiriam nesta cruel pergunta, Que vamos fazer com os velhos, se já não está aí a morte para lhes cortar o excesso de veleidades macróbias.". Assim, surgiram diversas situações em que se tornou complicado e pesaroso não morrer. Até que, depois de alguns meses, a morte volta a matar, desta vez com aviso prévio, ou 
seja, ela passa a entregar um carta ao indivíduo sete dias antes de sua morte para que este possa preparar-se para o advento. E explica: "A intenção que me levou a interromper a minha actividade, a parar de matar [...] foi oferecer a esses seres humanos que tanto me detestam uma pequena amostra do que para eles seria viver sempre, isto é, eternamente. [...] a partir de agora toda a gente passará a ser prevenida por igual e terá um prazo de uma semana para pôr em dia o que ainda lhe resta na vida."
Mas uma dessas cartas retornou ao remente, a morte, fazendo com que a morte se personificasse em uma mulher para ir pessoalmente - já que as cartas eram enviadas pelo correio -  entregar a carta a este violinista de quarenta e nove anos, que chegou a completar os seus cinquenta anos quando já deveria estar morto. Ao conhecê-lo a morte se apaixona, eles selam seu amor, e "No dia seguinte ninguém morreu". Assim, Saramago transforma a visão pessimista do início do romance em uma saída bastante otimista ao final, em que a morte se transforma em amor.
Esta ficção me fez pensar sobre o tema que assombra a muitos, mas que é motivo de anelo para outros: a morte. Uma das perguntas fundamentais da humanidade é para onde vou? As pessoas têm uma enorme curiosidade de saber o que acontece depois que se morre. Embora haja muitas coisas que só saberemos realmente quando acontecerem, há outras que o Senhor Deus nos dá a conhecer, isto é, que pelo pecado de um só homem a morte entrou no mundo, mas pela graça de Jesus somos salvos da morte (Romanos 5 12,15). Quando Deus criou Adão e Eva e os colocou como administradores do Jardim do Éden, o propósito de Deus era a vida em abundância do homem e o louvou e a glória do seu Nome. Mas o homem desobedeceu a Deus, gerando tanto a morte física, como a espiritual, pela qual o home está condenado a passar a eternidade longe de Deus. Porém Deus não queria que o homem estivesse distante dEle, por isso enviou Jesus Cristo para nascer como homem e morrer como homem, mesmo sendo Deus, para que libertasse o homem dessa condenação eterna - "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor". (Romanos 6:23).
Assim, pois, como no livro de Saramago, a morte foi suspensa, mas não por decisão dela própria como no romance, antes pelo sacrifício Redentor de "nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho" (2 Timóteo 1:10). Dessa forma, entendemos que nossos corpos passarão pela experiência da morte, mas não o nosso espírito! E é isso que verdadeiramente interessa, porque esta carne é passageira, é provisória, já que a nossa morada está em Cristo, 

"Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu; Se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus. Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. Ora, quem para isto mesmo 
nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito. Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (Porque andamos por fé, e não por vista). Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor." (2 Coríntios 5:1-8)

No livro de Saramago, a morte decide mostrar ao homem como é prejudicial viver eternamente, no entanto este ponto de vista está correto somente se a vida eterna for vivida longe de Jesus. Além disso, o escritor português colocou a morte para entregar uma carta para avisar a cada indivíduo que morrerá em uma semana. Jesus não é assim, Ele não nos avisa quando o nosso corpo morrerá para que não nos foquemos nas coisas deste mundo, antes, pelo contrário, possamos viver pensando na continuidade da nossa vida com Ele, assim podemos viver vidas santas e justas, buscando ardentemente aproveitar ao máximo a passagem terrena para nos prepararmos para a celestial! No fim, o romance coincide com a verdade bíblica, a saída para a morte é o amor - o amor de Jesus que se entregou por nós ("Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." Romanos 5:8), dando-no assim, a vida eterna (João 3:16).

JOGOS VORAZES: MOCKINGJAY


      Pessoal, antes que vocês torçam o nariz ao ler o título desse post, achando que lá vem uma menina falando de filmes de “menininha”, peço que deem uma chance ao texto e prossigam na leitura. Pois bem, o terceiro filme da saga Jogos vorazes está em cartaz, o Jogos vorazes: mockingjay – parte 1. E apesar de todas as pessoas que eu conheço que o assistiram terem dito que o filme era “super paradão” e muito sem graça, eu o assisti ontem e curti muito! Curti o filme porque ele foi bem construído – precisamos lembrar que ele é parte de um todo, por isso, não pode conter em si todas as partes de uma vez, de modo que é uma preparação para o que ainda virá, sendo, portanto, bem elaborado em relação à história, aos diálogos, e às emoções provocadas.  Ele é coerente, porque nesse momento há uma tensão, quando grande parte dos distritos decidem se rebelar contra a Capital e não mais aceitar a condição de asssujeitamento. Katniss é obrigada a inspirar o povo a aderir à ação revolucionária, iniciando-se assim, um período de convencimento das massas. Para isso, ela precisou usar seu poder de argumentação, principalmente, por meio das palavras. A comunicação, pois, mais do que o combate em si, nesse momento, torna-se a arma mais poderosa em meio aos jogos vorazes de manipulação e busca pela liberdade. Há cenas bem feitas em que os atores são intensos e demonstram bem os sentimentos próprios de tempos difíceis: desespero, medo, amor, ódio, enfim, os ingredientes necessários para nos fazer refletir bastante sobre questões humanas. 

      Porque, afinal, um filme pode ser muito mais que puro entretenimento e espetáculo, ele pode ser um meio de transmissão de valores e reflexões importantes sobre assuntos que realmente nos tocam. Uma vez que vivemos na sociedade do espetáculo, onde há maior preocupação com a aparência do que com a essência das coisas e das pessoas, muitas vezes julgamos mal, mirando apenas a superfície, ou as margens desnecessárias (como o triângulo amoroso bobo, e, isso, sim, realmente é sem graça, admito e concordo). Mas pensando um pouco mais, a própria palavra essência, no sentido de Platão, vem sendo questionada a ponto de nem ser mais considerada em algumas áreas do conhecimento, como na literatura, por exemplo, em que as coisas têm sido vistas apenas como simulacros (Gilles Deleuze, 1998), nem mesmo como imitação da realidade, mas como representação da representação. Isto é, o filme (a arte em geral) não seria uma cópia do que acontece no cotidiano ou uma tentativa de imitar o que existe no “mundo real” – social, histórico, cultural – antes se configura como uma imagem distorcida, uma representação daquilo que não é real, que já é uma representação, como se não se pudesse saber nunca a origem, ou a essência, de tal representação. Assim, aparentemente – ou como quer nos fazer crer o pós-moderno, em que vigora a sociedade do espetáculo, a vida não tem sentido, é imagem distorcida, simulacro, de algo que nem sabemos exatamente o quê. Da mesma forma, o filme seria apenas um simulacro da guerra, da injustiça social, da ambição desmedida, do amor, da morte, ou seja, de todas as questões humanas representadas. 

      Se considerarmos assim, os Jogos vorazes: mockingjay – parte 1 não passa mesmo de um “filme de mulherzinha”, “paradão” e “sem graça”. Mas deixe-me mostrar um outro ponto de vista. A perspectiva que realmente interessa, a lente que enxerga a essência e não a aparência de tudo, o ponto de vista cristão! Ei-lo, então, a começar pelo nome do filme que ao trazer o nome do pássaro – mockingjay - depois dos dois pontos passa a ter conotação mais ideológica do que de ação de ferocidade física apenas. O pássaro mockingjay, no filme, surge de uma mistura entre espécies – os jabberjays e os mockinbirds – formando essa espécie em particular, os mockingjays, que não possui integralmente a capacidade de reproduzir qualquer língua ou fala que escute, como os pássaros originais – os jabberjays. Esses, devido a essa habilidade, ainda que incompleta, eram usados para ouvir as conversar dos revolucionários e levar informações para a Capital – onde se concentra o poder que escraviza o restante da população. Os revolucionários descobriram essa estratégia e começaram a dar informações falsas. Com isso, a poderosa arma da comunicação permitiu que o plano da Capital falhasse. Percebemos que a comunicação é imprescindível ao ser humano. As coisas que falamos, sem dúvida, têm importância em diversos níveis. Mas como o assunto é amplo, me restrinjo a fazer algumas observações pontuais. Por exemplo, na parábola dos dois filhos em Mateus 21: 28-32, Jesus apresenta um pai que pede algo a dois filhos, um responde que não, mas depois se arrepende e atende ao pedido do pai, o outro, por sua vez, diz primeiramente sim, mas não vai cumprir com o que lhe foi requerido. Jesus mostra, portanto, que as palavras, a comunicação, podem ser muitas vezes apenas aparência, mas não é isso o que Ele vê. Ele vê a essência, vê o coração do homem (I Samuel 16:7), e são esses a quem Ele ouve e com quem Ele se relaciona, e a quem Ele permite que entrem no seu reino: “Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.” (Mateus 21:31). Jesus nos mostra que quando falamos algo que não condiz com o nosso interior, estamos sendo mockingjays, ou seja, estamos passando informações falsas, e isso nos faz falhar, cair em pecado, e nos afastarmos dEle. 

      Por outro lado, se esses pássaros inicialmente falharam, foram depois renovados e passaram a simbolizar um grito de inconformidade contra o poder escravizante imposto pela Capital. Eles passaram a simbolizar o desejo voraz contra os jogos de manipulação e repressão, um desejo voraz pela liberdade e por um novo sistema de governo, justo e harmonioso. Pois foi com esse nome e com essa simbologia que Katniss falou ao povo sobre mudança, sobre lutar pelo que realmente importa. Assim também nós cristãos somos renovados pela salvação em Cristo Jesus que nos liberta de todo o pecado, que renova o nosso propósito e que nos faz comunicar o poder que há somente no nome de Jesus (Atos 4:12). Primeiro Jesus veio e anunciou as boas novas, falou ao povo e inspirou profundamente doze homens para serem mockingjays repetindo e divulgando suas palavras, não mais com falsidade e com a incompletude que havia neles, mas com a restauração do Senhor e com a instrução do seu Santo Espírito! Passamos a ser livres verdadeiramente num Reino justo e harmônico, no Reino de Deus! Passamos, então, a ser pregadores vorazes da salvação de Jesus, não com armas em punho, mas com palavras de vida eterna! E com uma vida que mostra a essência do Ser que habita em nós, porque não nos conformamos com este mundo (Romanos 12:1), com esta sociedade do espetáculo, mas nos conformamos ao caráter de Jesus! 

     Assim, a verdadeira ação do filme ocorre em nossas mentes, bem como a verdadeira transformação do homem deve acontecer em sua mente para que deixe a aparência, e enxergue que o conhecimento que verdadeiramente nos liberta é o conhecimento de Deus (Mateus 22:29), e que a verdadeira ação ocorre não no nosso exterior, no que os nosso olhos podem ver, mas no nosso interior (Romanos 7:22) para a honra e glória de nosso Senhor Jesus Cristo em quem temos sempre a vitória! Que possamos, então, ver como Jesus vê e proclamar a sua mensagem em tempo e fora de tempo, “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (I Coríntios 9:16).