"As intermitências da morte"


       Este título curioso pertence ao curioso romance de José Saramago (2005), escritor português de grande prestígio, que possui um estilo marcantemente pessimista acerca das questões humanas. Neste romance,"As intermitências da morte", no entanto, assim como a morte, ele suspende o pessimismo e dá ao romance uma saída, isto é, vê uma solução para morte: o amor. 
O livro se inicia com a seguinte frase: "No dia seguinte ninguém morreu". E isto aconteceu em um país fictício, criado por Saramago, enquanto no restante do  mundo se continuava a morrer corriqueiramente. O caso da suspensão da morte neste país gerou problemas para os filósofos, para os repórters, eeconomistas donos de funerárias, médicos, hospitais, e particularmente para o Governo e para a Igreja. Pois todos de alguma maneira deixaram de lucrar com a ausência da morte. Entre outras preocupações, incluía-se a de "reflectir sobre o que virá a ser um futuro sem morte" e sobre "os novos problemas que a sociedade terá de enfrentar, o principal dos quais alguns resumiriam nesta cruel pergunta, Que vamos fazer com os velhos, se já não está aí a morte para lhes cortar o excesso de veleidades macróbias.". Assim, surgiram diversas situações em que se tornou complicado e pesaroso não morrer. Até que, depois de alguns meses, a morte volta a matar, desta vez com aviso prévio, ou 
seja, ela passa a entregar um carta ao indivíduo sete dias antes de sua morte para que este possa preparar-se para o advento. E explica: "A intenção que me levou a interromper a minha actividade, a parar de matar [...] foi oferecer a esses seres humanos que tanto me detestam uma pequena amostra do que para eles seria viver sempre, isto é, eternamente. [...] a partir de agora toda a gente passará a ser prevenida por igual e terá um prazo de uma semana para pôr em dia o que ainda lhe resta na vida."
Mas uma dessas cartas retornou ao remente, a morte, fazendo com que a morte se personificasse em uma mulher para ir pessoalmente - já que as cartas eram enviadas pelo correio -  entregar a carta a este violinista de quarenta e nove anos, que chegou a completar os seus cinquenta anos quando já deveria estar morto. Ao conhecê-lo a morte se apaixona, eles selam seu amor, e "No dia seguinte ninguém morreu". Assim, Saramago transforma a visão pessimista do início do romance em uma saída bastante otimista ao final, em que a morte se transforma em amor.
Esta ficção me fez pensar sobre o tema que assombra a muitos, mas que é motivo de anelo para outros: a morte. Uma das perguntas fundamentais da humanidade é para onde vou? As pessoas têm uma enorme curiosidade de saber o que acontece depois que se morre. Embora haja muitas coisas que só saberemos realmente quando acontecerem, há outras que o Senhor Deus nos dá a conhecer, isto é, que pelo pecado de um só homem a morte entrou no mundo, mas pela graça de Jesus somos salvos da morte (Romanos 5 12,15). Quando Deus criou Adão e Eva e os colocou como administradores do Jardim do Éden, o propósito de Deus era a vida em abundância do homem e o louvou e a glória do seu Nome. Mas o homem desobedeceu a Deus, gerando tanto a morte física, como a espiritual, pela qual o home está condenado a passar a eternidade longe de Deus. Porém Deus não queria que o homem estivesse distante dEle, por isso enviou Jesus Cristo para nascer como homem e morrer como homem, mesmo sendo Deus, para que libertasse o homem dessa condenação eterna - "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor". (Romanos 6:23).
Assim, pois, como no livro de Saramago, a morte foi suspensa, mas não por decisão dela própria como no romance, antes pelo sacrifício Redentor de "nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho" (2 Timóteo 1:10). Dessa forma, entendemos que nossos corpos passarão pela experiência da morte, mas não o nosso espírito! E é isso que verdadeiramente interessa, porque esta carne é passageira, é provisória, já que a nossa morada está em Cristo, 

"Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu; Se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus. Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. Ora, quem para isto mesmo 
nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito. Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (Porque andamos por fé, e não por vista). Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor." (2 Coríntios 5:1-8)

No livro de Saramago, a morte decide mostrar ao homem como é prejudicial viver eternamente, no entanto este ponto de vista está correto somente se a vida eterna for vivida longe de Jesus. Além disso, o escritor português colocou a morte para entregar uma carta para avisar a cada indivíduo que morrerá em uma semana. Jesus não é assim, Ele não nos avisa quando o nosso corpo morrerá para que não nos foquemos nas coisas deste mundo, antes, pelo contrário, possamos viver pensando na continuidade da nossa vida com Ele, assim podemos viver vidas santas e justas, buscando ardentemente aproveitar ao máximo a passagem terrena para nos prepararmos para a celestial! No fim, o romance coincide com a verdade bíblica, a saída para a morte é o amor - o amor de Jesus que se entregou por nós ("Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." Romanos 5:8), dando-no assim, a vida eterna (João 3:16).