A Convicção Cristã em tempos de Cultura da Dúvida (1)

















Falar em certezas em tempos ditos pós-modernos, que praticamente cultuam a dúvida e a incerteza, chega a ser heresia. Só os loucos ou fanáticos é que acreditam com convicção em alguma coisa. Mas, como invariavelmente ao longo da história os cristãos sempre foram rotulados com estas nomenclaturas, o xingamento não ofende os autores deste blog.

Parece-me que hoje estimula-se a não certeza para tudo. "Será que este é o melhor curso?", "Será que não existe alguém mais interessante para me relacionar?" ou "Como sei se realmente gosto disso se não provei todas as outras opções?" são algumas das perguntas que têm sido feitas pelas pessoas e que têm sido vistas como pertinentes e relevantes. Neste primeiro post, de dois em que tratarei da questão, pretendo mostrar como o culto à dúvida atua para cristalizar o estado de coisas.

Outro dia, vi em uma propaganda de um canal voltado para a disseminação científica o seguinte slogan: "São as perguntas que movem o mundo, não as respostas". A princípio, não dei muita importância e não percebi o quanto esta ideia tem de desconstrutiva para o conhecimento e a experiência.

Primeiro, com a ênfase em perguntar incita-se que se questione tudo. Isto, a princípio, não tem nada de ruim; até é importante que não se aceite tudo sem uma percepção crítica. Mas o problema é que esta incitação volta-se apenas para o questionamento pelo questionamento, e aí surgem os problemas. Não conheço nenhuma teoria, tese, conceito, postulado, descoberta, achado ou ideia científica que se baseie unicamente em perguntas sem as respectivas respostas ou propostas de resposta. Os grandes nomes da ciência de todos os tempos, na maioria das vezes, eram enfáticos em relação às suas respostas para as perguntas acerca da realidade. Assim, a grande falha está em questionar por questionar, não admitindo nada, não importando as possibilidades de resposta.

Segundo, com a descrença nas respostas como "motores do mundo" se estimula e se admite qualquer interpretação para o real. Isto é o mesmo que desconsiderar todas as respostas ou torná-las inválidas, pois se todas as hipóteses são possíveis e elas não "movem o mundo", não importa a que resposta se chegue, o que importa é permanecer perguntando. Deste modo, qualquer resposta serve, pois todas são inúteis (não "movem o mundo"). Além de desconstruir a própria noção de pergunta (torna sem sentido perguntar, pois o sentido de toda pergunta é obter uma resposta) transforma as respostas dadas até agora (esforço de mentes valiosas para compreensão da realidade) algo sem sentido e sem utilidade.

Não há como falar de perguntas, respostas e hipóteses sem lembrar de Master Porfírio. Lembro aquilo que Master Porfírio me ensinou sobre a Ideia Brilhante (a ideia que gera uma pesquisa científica). A Ideia Brilhante é a combinação de três coisas: a dúvida, a pergunta de pesquisa e a hipótese. Observe-se que no próprio cerne de como se inicia uma pesquisa científica está: 1) A dúvida (é o questionamento em relação a algum fenômeno da realidade); 2) Uma pergunta de pesquisa (a transformação da dúvida em algo passível de resposta: uma pergunta) e 3) Uma proposta de resposta (a hipótese é uma proposta inicial de resposta à pergunta formulada).

Como esta é a área de Master Porfírio não me alongarei mais nela. O importante é entendermos que hoje, em ciência, perguntas e respostas são fundamentais para um bom trabalho acadêmico. Acredito que a maioria das pessoas (e até mesmo o canal que vinculou o slogan) também acredita nisso, mas apenas para a esfera da ciência. De fato, o marketing se serviu de uma compreensão comum da realidade para melhor difundir o canal televisivo. Na vida prática (fora dos muros acadêmicos), as pessoas não pensam que obter respostas ou mesmo buscá-las é importante, o que importa é desacreditar de tudo. E é assim que as pessoas tem agido. Ao ponto de algumas pessoas aceitarem com válidas perspectivas de mundo completamente opostas.

Mas o que tudo isto tem a ver com a convicção cristã mencionada no título? Tudo. Para os cristãos, a cristandade (a qualidade do que é cristão) tem a ver com tudo. Além disso, acreditar com convicção é próprio do cristão. Infelizmente, alguns "cristãos" de hoje estão também cultuando a dúvida. Esquecem-se que a fé é o "o FIRME FUNDAMENTO das coisas que se esperam" (ARC), ou "a CERTEZA daquilo que esperamos" (NVI). Além disso, entre as três coisas que permanecerão quando vier o que é perfeito, segundo o apóstolo Paulo, uma delas é justamente a fé.

Ora, se a fé (que é certeza, convicção, firme fundamento) é algo que permanece mesmo quando formos aperfeiçoados para a eternidade, como justificar o culto à dúvida? Não se justifica. Então, o cristão não possui nenhuma dúvida? Não, o cristão tem dúvidas, como qualquer um. Mas ele tem certezas e estas são mais firmes que suas incertezas. E isso tem sido um diferencial hoje. O cristão tem dúvidas, mas ele também tem meios de saná-las. A diferença é que o cristão não se satisfaz com a dúvida, ele se vale de diretrizes de ação, ensinadas por Cristo, e a partir delas toma suas decisões, ele é direcionado por Deus (que corrige seus passos e aplana seus caminhos) e BUSCA RESPOSTAS.

Talvez o ponto central de toda essa reflexão esteja justamente aí: a busca de respostas. Fazer perguntas não move nada, buscar respostas sim. Mesmo quando buscamos nos lugares errados estamos nos movendo (ou "movendo o mundo"), mas para quem apenas fica questionando por questionar o mundo é estático. Nada há de novo ou velho, tudo permanece, pois, de fato, não faz diferença a que resposta se chegue: elas são insuficientes, insatisfatórias, incompletas, já nascem ultrapassadas. Sim e não são coisas iguais (apenas pontos de vista de um mesmo objeto), assim como não existe noções de distância em relação à verdade; o mundo se cristaliza em uma estátua de sal: não se segue para lugar algum, nem se sai de canto nenhum.

O cristão caminha, pois foi posto de pé e foi direcionado para um lugar. Essa convicção será tratada no próximo tópico.

4 comentários:

  1. Aguardo com grande expectativa a segunda parte.

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  2. Maravilhosas colocações! Principalmente pela observação crítica de uma afirmação na TV que em princípio parece tão adequada e aceitável (e que eu mesmo não havia observado com o devido cuidado).

    É inegável que uma postura crítica permite a aprimoração, o desenvolvimento e o aprendizado de novos conhecimentos, habilidades e técnicas, mas também não há como negar a inutilidade do questionar por questionar.

    Sem respostas nada é construído e desta feita é possível afirmar que a dúvida que inicia uma "idéia brilhante" não possuirá o menor valor se não estiver inserida em um contexto que a justifique e uma condição de viabilidade que permita encontrar a/uma resposta.
    De outra forma o "questionamento" deixa de ser pergunta para permanecer apenas como dúvida.

    Hoje reconhece-se o simples ato de questionar como valioso por estarmos no meio de uma geração acomodada e conformada com o que existe. Nestes termos, a postura inquieta é reconhecida como uma qualidade e ela de fato pode ser se for utilizada com real propósito. No entanto, o questionador que não se preocupa em responder (ou viabilizar a resposta), mas apenas busca invalidar as proposições existentes seguramente será interpretado como chato, mas acredito que a melhor classificação seria imaturo.

    Questionamentos sobre a existência de Deus podem ser meras dúvidas ou evoluírem para reais perguntas com a busca de uma resposta (que pode ser encontrada). Aí eu posso dizer: questionar por questionar é fácil. Difícil é ir atrás das respostas.

    Já estou ansioso para a segunda parte, WesMaster! Parabéns!!

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  3. Muuuito bom mestre Wesslen!! Você pois em palavras o que era um grande incômodo pra mim: perceber que o questionar por questionar tem destruído todas as grandes descobertas já encontradas, e pulverizado os princípios que tornam a sociedade possível. Se não fosse a igreja de Cristo seria o caos.

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  4. Meu Wesslen incrível, obrigada por esta reflexão! Também não me havia atentado para a armadilha dessa propaganda televisiva. Sinal de que precisamos mesmo ficar mais ligados nas coisas que se veiculam hoje, porque facilmente nos enveredamos em caminhos vazios e que findam por enterrar verdades antes soberanas, agora totalmente relativizadas. Não podemos nos contaminar com esta cultura porque nosso Deus é absoluto, Sua Palavra é absoluta, A salvação em Jesus Cristo é real e Verdadeira! "Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos." Salmos 19:8 Nos apeguemos cada vez mais a essas convicções!!!

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