Encarando nosso inimigo


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Quando assisti pela primeira vez a Star Wars Episódio V: O império contra-ataca, fiquei sem entender a cena em que Luke entra na caverna em Dagobah e enfrenta um suposto Darth Vader. Ainda mais quando ele "corta a cabeça" dele e, quando a máscara do capacete explode, e então aparece o rosto do próprio Luke. Na hora, não fez sentido e eu fiquei pensando: "Oxe, mas o que foi que aconteceu?".

Hoje, entendo a cena e nunca fez tanto sentido. Pra mim, a lição não é que "o mal está dentro de nós", mas sim que nós podemos nos tornar exatamente aquilo contra o que estamos lutando. Basta para isso, usar dos mesmos meios, lutar com as mesmas armas, trilhar o mesmo caminho ou alimentar as mesmas expectativas.

Podemos nos surpreender com a visão de nos tornar exatamente aquilo que não queríamos ser. É como na tragédia de Édipo: quanto mais tentamos fugir de nosso "destino", traçando nosso próprio curso, mais entramos de cabeça nele. Todo esforço será inútil, pois o problema parece residir dentro da gente.

Interessante são as duas coisas que Mestre Yoda fala para Luke antes que ele entre na caverna. Primeiro, quando Luke pergunta o que tem lá dentro, Mestre Yoda responde: "Só o que você levar com você". Depois, quando Skywalker está se preparando para entrar, ele avisa: "Deixe suas armas, você não precisará delas", mas, ainda assim, o jovem aprendiz leva o sabre de luz.

Aquilo que levamos conosco e que pode nos tornar maus são nossos medos, nossas pretensões, nossas auto-justificações, nossa falta de humildade e nossa ganância. As armas que temos contra essas coisas não vem de nós mesmos, pois o doente não pode curar a si mesmo com seus próprios meios, com suas habilidades, com seus esforços e suas melhores intenções. É preciso uma intervenção externa, alguém que já superou e venceu tudo para nos ajudar.

Para encarar o inimigo de frente, o inimigo que alimentamos e que ajudamos a crescer em nós, é preciso ter alguém mais forte conosco. No caso de Luke, ele deveria confiar na Força e não em suas próprias habilidades ou pretensões. Se fosse guiado pela Força, ele não cairia no erro de atacar com ódio o Darth Vader da caverna. Em nosso caso, a Força é Cristo, aquele que venceu o mundo e por meio de quem todas as coisas foram criadas e o qual sem ele nada se fez.

Que eu possa confiar mais em Cristo, a verdadeira Força, e menos em mim mesmo e em minhas forças. Que eu possa me livrar de tudo que possa me fazer me tornar aquilo que detesto, contra o qual luto, pois essa seria minha pior derrota. Que eu possa encarar os inimigos de minha alma sabendo que não tenho forças para vencer, mas que maior e mais forte é aquele que está comigo. Amém!

Um comentário:

  1. Perfeito, Wesslen! Sabe que esta foi uma das cenas que mais me marcou no filme? Primeiro, porque Mestre Yoda é incrivelmente sábio! Depois, porque Luke é tão teimoso quanto nós e não dá ouvidos a nenhum dos ensinamentos tão preciosos, até mesmo simples, de Yoda. Nosso enorme problema é confiar em nós mesmos ao invés de confiarmos em Deus! A nossa Força! Quem pode fazer tudo por nós! Mesmo sabendo que somos fracos e falhos, insistimos em agir impulsionados por emoções ainda mais frágeis como o medo e o ódio. Frágeis para nos dar a vitória, mas muito fortes para nos derrotar facilmente. Que possamos aprender com os erros de Luke e com a sabedoria de Yoda sem precisarmos sentir na pele as consequências de erros que podem ser evitados, porque já os conhecemos e, principalmente, porque já temos Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador!

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