Escolhas

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Todos se lembram do clássico de Ficção Científica "The Matrix". Pra mim, e para muitas outras pessoas foi um marco no cinema e em filmes de sci-fi. Matrix (título no Brasil) me fez pensar em muitas coisas e, entre elas, nas escolhas que fazemos.

Primeiro, vemos que Neo se sente incomodado com algo que sequer sabe explicar direito. Ele sabe que há algo de errado no mundo, como se estivesse em uma prisão sem grades, mas não sabe explicar do que se trata. É então que surge a possibilidade de mudar algo em sua vida. Trinity e Morpheus não lhe dão muitas explicações sobre o que é a Matrix, essa "coisa" que está em tudo e todos e que é, ao mesmo tempo, essa prisão sem muros. No entanto, para se libertar dela, ele precisa fazer uma escolha: tomar a pílula vermelha.

Após essa decisão, ele descobre o que de fato é a Matrix: um sistema criado pelas máquinas para cultivar seres humanos e utilizar a energia produzida pelo corpo humano para manter as máquinas em funionamento. Apesar dessa escravidão forçada e terrível, vivendo em cápsulas, podemos até ver que o que as máquinas proporcionaram à humanidade não era lá tão ruim assim: os seres humanos viviam em uma realidade virtual em que o mundo seguia do jeitinho que era antes da grande revolução de IA, eram alimentados, bem cuidados (afinal, as máquinas não queriam perder suas preciosas fontes de energia) e ainda era mantida a possibilidade de procriação, artificial, é claro, mas, ainda assim, os seres humanos se mantinham como espécie.

Absurdo? Quem quer viver uma realidade assim? É, concordo com vocês, o ponto chave é esse: quem quer viver uma realidade falsa, em que não há escolhas de fato e você vive uma ilusão criada por computador? Pois é, essa é a chave para aquilo que me chamou a atenção em Matrix. Não se trata apenas de lutar contra as máquinas porque elas nos subjulgaram. Não, trata-se de libertar as pessoas da Matrix para que elas possam ter de novo o poder de escolha.

É disso que se trata o evangelho de Cristo também. Os cristãos, verdadeiramente cristãos, sabem que, aparentemente, esse mundo tem muita coisa boa: você pode ser uma boa pessoa sem ser cristão, pode também ser bem sucedido, alimentar-se, ter saúde, reproduzir-se, achar alguém legal que goste de você ou realizar todos os seus sonhos. O evangelho de Cristo não está focado nessas coisas. Não sou cristão porque isso me faz ser bem sucedido, ser saudável, achar alguém legal, ou me garante que meus sonhos serão realizados. Deus é bom e pode me ajudar em muitas dessas coisas, mas esse não é o foco.

O foco é que não temos liberdade. Não podemos escolher outra coisa que não seja o que existe na Matrix. A Matrix para os cristãos, é a ordem desse mundo caído, aquilo que chamamos de pecado. O pecado é aquilo que nos escraviza e nos mantém fora da realidade, fora do propósito de Deus para os homens. Em si, o pecado não parece ruim, afinal, quando você mente e consegue algo bom com isso, não é legal? Ou quando roubamos e conseguimos algo que queríamos, não parece tranquilo também? De fato, o pecado nos dá um falsa realidade, nos dá falsas expectativas: poderemos possuir coisas que realmente não são nossas, poderemos dizer coisas que não correspondem aos fatos, poderemos fingir ser coisas que não somos.

O evangelho de Cristo vem para nos libertar da Matrix do pecado. Ele não vai nos levar para um paraíso aqui e agora, mas temos a esperança de chegar em Zion e ver as coisas como realmente são e não as criações ilusórias do sistema desse mundo. Quando pecamos, só estamos reforçando o que é falso, o que não é verdadeiro, aquilo que não é o normal ou natural para os seres humanos, mesmo que, como os humanos nas cápsulas dos campos de cultivo, possamos "viver" nessa ilusão. O evangelho não veio porque os seres humanos não tinham como comer, trabalhar, se relacionar, se reproduzir. Não foram essas as escolhas que o evangelho nos trouxe. O evangelho nos trouxe a possibilidade de ver além desse básico e de, mesmo com as dificuldades da vida fora da Matrix, nos dar a perspectiva da vida verdadeira, fora de tudo que é falso, ilusório ou anti-natural: que o ser humano poderia ter a escolha de ser eterno com Deus.

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