Cristianismo: guia básico para desfazer equívocos (Parte 2 - o que é a Bíblia?)

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Nesta segunda postagem sobre o cristianismo, quero falar, também de forma básica, sobre a Bíblia. A Bíblia é o único livro reconhecido pelos cristãos como dotado de conhecimento verdadeiro sobre Deus e com ensinamentos sobre a conduta do cristão. No entanto, pessoas com pouco conhecimento ou estimuladas por noções inadequadas, costumam "acusar" a Bíblia de ser um livro desatualizado, preconceituoso, cheio de regras, mentiroso ou contraditório. Evidentemente essas pessoas não estudaram a Bíblia o suficiente, e por isso afirmam algo assim, mesmo sabendo que nos últimos dois mil anos (tempo em que a Bíblia vem se difundindo pelo mundo e que as pessoas tem tido acesso a suas palavras) milhares de pessoas atestam sua confiabilidade.

A Bíblia foi escrita em um período de aproximadamente 1500 anos, em 3 continentes diferentes, por mais de quarenta autores, com as mais variadas ocupações e diferentes contextos históricos e geográficos. A despeito disso, ela conta a mesma história. Apresenta a mente de Deus, o criador do universo, e apresenta a humanidade e o  homem, obra prima da criação. Não existe contradição nos 66 livros da Bíblia. Os mesmos princípios podem ser encontrados desde o Gênesis ate o Apocalipse, de modo que a Bíblia é um livro altamente coeso.

O Antigo testamento (39 livros) foi escrito em hebraico com exceção de alguns capítulos do livro de Daniel, escritos em aramaico.  Divide-se em livros da Lei ou Pentateuco, livros históricos, livros poéticos e livros proféticos. O novo testamento (27 livros) foi escrito em grego e é dividido em: evangelhos, livro histórico (Atos), epístolas e livro profético (Apocalipse). O termo Bíblia é de origem grega, mas a raiz da palavra vem dos fenícios, já que Biblos era o nome de uma cidade fenícia onde se produzia o papiro (espécie de papel da época). Assim, Bíblia significa conjunto de livros. Não qualquer livro, mas livros sagrados.

Agora teremos de fazer algumas distinções em relação a alguns termos na Bíblia, que irão nos ajudar a entender o que é esse conjunto tão distinto de livros: velho e novo testamento, escrituras, mandamentos, leis, profecias e usos e costumes. Velho e novo testamento são os mais conhecidos e fáceis de se distinguir: são as duas partes em que a Bíblia é dividida. O velho testamento abrange todo o período anterior à vinda do Messias, Jesus, e se foca no anúncio dessa vinda e no povo escolhido por Deus para ser o "palco" dessa chegada. O novo testamento aborda a vida de Jesus e os primeiros anos do cristianismo, a disseminação do evangelho pelo mundo romano. Possui também instruções dos apóstolos sobre aquilo que é ensinamento de Jesus e o que não é.

Agora, vamos aos demais termos. Escrituras, inicialmente, ou seja, no tempo de Jesus, era o que hoje chamamos de velho testamento, ou o que os antigos também chamavam de "A Lei e os Profetas". Hoje, chamamos de "Escrituras" a Bíblia como um todo, velho e novo testamento. Os mandamentos, também inicialmente, no tempo de Jesus, era o que os antigos chamavam de "A Lei", que era composta por todas as regras ritualísticas e de comportamento que Moisés havia transmitido ao povo. Com a vinda de Jesus, ele estabeleceu dois "novos" mandamentos que resumem a lei: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. As profecias, até o tempo de Jesus, eram todas as mensagens da parte de Deus para seu povo ou para outros povos e pessoas. As profecias se focavam no anúncio da vinda do Messias, que iria restaurar, de uma vez por todas, a relação de toda a humanidade com Deus. Após a vinda de Jesus, as profecias passaram a englobar também aquilo que foi anunciado no novo testamento em relação à volta de Jesus, quando haverá o fim definitivo de todo mal e o estabelecimento da morada de Deus com os homens na nova terra.

Faltou falar apenas dos "usos e costumes", não é? Pois é, e os deixei por último porque normalmente as pessoas que não conhecem a Bíblia acham que as leis, os profetas, os mandamentos, enfim, tudo nas escrituras, é composto por regras de vestir, comer, falar, beber, andar, etc. Na verdade, essa é a menor parte de todas e, em muitas coisas, nem deve ser levada em consideração para a vida prática, mas servir de noção para sabermos como agir da melhor forma em nossa cultura e tempo. Usos e costumes é o que chamamos hoje das "regras" que dizem respeito a determinados conselhos que estão na Bíblia sobre aquilo que as pessoas devem vestir, comer ou fazer, mas que necessariamente não é pecado, ou seja, aquilo que desagrada a Deus. Por exemplo, aquilo que Paulo aconselha sobre as mulheres terem ccabelo comprido e usar véu, era algo específico para a cidade de Coríntio, pois lá, as mulheres que não usavam cabelo comprido e véu, eram prostitutas de um templo pagão e não ficaria bem as mulheres cristãs se vestirem ou se parecerem com as que não são. Compreende? Não é uma questão de ser pecado ter cabelo curto ou de desagradar a Deus não usar véu, isso eram coisas de um determinado tempo e lugar e a observância desses conselhos apenas ajuda o cristão a não ser confundido com práticas que desagradam a Deus.

Pois bem, já escrevi sobre muitos termos, mas isso ainda não ajudou a esclarecer o porquê da Bíblia ser considerada o livro fundamental da fé cristã, nem mesmo o porquê dele ser levado a sério. Não seria a Bíblia um monte de texto "fake", escritos por algum "Papa" na idade média para escravizar as mentes e os corpos dos ignorantes? E a resposta é simples: não. Caso você tenha oportunidade, pode estudar historicamente os manuscritos originais da Bíblia, a datação deles, o número de cópias e você vai verificar que a Bíblia é o livro que mais possui cópias originais de todos os livros da antiguidade. Ou seja, o pessoal das antigas teve o trabalho, ao longo de anos e séculos, de fazer várias copias iguaizinhas de todos os textos da Bíblia para que hoje ninguém chegasse e dissesse: "Esse texto não é confiável, qualquer um pode ter escrito a qualquer momento da história". Mas é claro que não é só por isso que seguimos a Bíblia.

O ponto mais importante para o verdadeiro cristão em relação à Bíblia é que ela comprova a história de amor de Deus para com a humanidade através do envio de Jesus para morrer por nós. Toda a Bíblia se volta para um único "personagem" central: Jesus, o Cristo, o Messias, o Filho de Deus. para quem conhece alguma coisa, sabe que Adão e Eva pecaram e, por isso, a humanidade (que no momento eram só os dois mesmo) foi separada de Deus. Deus estabeleceu uma única regra, simples, e ela foi quebrada. Como Criador da Vida, Ele não pode ter ser desígnios desobedecidos, desobedecê-lo é negar a Vida, é pôr-se contra a Vida, e, naturalmente, negar a vida é morrer. Mas Deus não queria que a humanidade morresse definitivamente e, por isso, lançou o plano da vinda de seu filho para pagar o preço pela falha da humanidade. O próprio Deus viria em forma de homem para entregar a vida (morrer) e com isso tomar o lugar do homem, que ele tanto ama, e, desta forma, anular a necessidade da morte eterna para a humanidade. Aquele que é a vida e que não pode ser desobedecido, deu sua vida em forma de homem, para que os homens não precisassem pagar com a vida o preço de ficar contra a Vida.

As leis e as profecias foram a forma de Deus preparar um determinado povo para servir de palco para esse maravilhoso plano e para que todos os povos pudessem compreender que Deus amou o mundo inteiro de modo tão profundo que mesmo sendo a Vida, preferiu a Morte a perder o relacionamento com as pessoas, perder seus filhos. Ele mesmo foi juiz, carrasco e réu em seu julgamento. As leis prepararam o povo de Israel (e nós hoje) para a compreensão de que sem derramamento de sangue não há justiça para uma pena capital. Ao voltar-se contra a Vida, o homem abraçou a morte. As profecias, no entanto, anunciavam que aquele que é a Vida era capaz não só de tirá-la, mas de restituí-la a nós. E em Jesus tanto as Leis como as Profecias foram cumpridas: a justiça foi feita pela morte, a misericórdia foi garantida pela ressureição, o retorno da Vida.

Por isso, os cristãos crêem na Bíblia, porque nela conhecemos o perfeito plano de Deus de reconciliação e nela temos a confirmação de todas as profecias e leis que anunciavam a vinda do Messias e a necessidade de justiça. Tendo o direito de retirar a vida de todos (porque Ele a deu), Ele decidiu enviar Seu Filho para morrer no lugar de todos. Aquele que não merecia morrer no lugar de todos que mereciam. É na Bíblia também que vemos uma parte de tudo que Jesus realizou enquanto esteve na terra, lá aprendemos como devemos viver e como podemos desenvolver esse mesmo amor tão profundo e transcendente como o de Deus.

É o próprio Jesus quem nos diz: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" (João 5:39). Por meio dela também sabemos o motivo da morte de Jesus: "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15:3). E não podemos esquecer que Deus teve o cuidado de que estas escrituras chegassem até nós com um propósito: "Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança" (Romanos 15:4). Por isso, o cristão deve sempre ler a Bíblia e observar seus ensinamentos na vida prática: "E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" (Tiago 1:22), pois Jesus fez da mesma forma: cumpriu as escrituras, viveu as palavras de Deus em todos os seus atos.

Para alguns, pode ainda ficar a dúvida: Jesus realmente era o filho de Deus? Ele não era apenas um profeta? Ou um louco que achava que era? Vamos dissertar sobre isso na próxima postagem.

[Agradecimento especial ao nosso parceiro e amigo TJ, ou Pr. Thiago José, que contribuiu bastante em toda esta postagem, inclusive com dois parágrafos de sua autoria].

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