O problema é a educação?


Ontem, ao assitir um programa esportivo que debatia sobre o problema das torcidas organizadas no Brasil, ouvi a célebre expressão "o problema é a falta de educação". Com isso, o comentarista resumia, como quem descobriu a roda (ou a pólvora), a causa e a solução desse problema brasileiro. Essa expressão não é nova e tem sido repetida papagaiamente por muita gente, inclusive eruditos e cultos. Mas será que, de fato, esse é o problema (e a solução)?

Não há dúvida que a instrução serve muito para o desenvolvimento social (afinal, é através do ensino que a criança já desenvolve noções do que é considerado socialmente aceitável e o que não é, constrói a reflexão crítica e recebe informações sobre o conhecimento científico vigente). Mas, repetir como papagaios uma sentença como essa, parece mais uma fuga à resolução dos problemas nacionais do que uma busca por solução. Primeiro, e mais importante para mim, é entender qual é a ideia de educação que se tem e se, com o ensino/aprendizagem de algo, certamente iremos nos tornar pessoas melhores. 

Afinal, se ela é a solução e, a falta dela, a causa dos problemas, é importante saber o que se está entendendo por educação e o que se deve ensinar. Se por "educação" pensarmos na noção mais corriqueira de "ir à escola" ou "se formar", então somos idiotas e estúpidos por achar que isso irá resolver alguma coisa. O máximo que se poderá fazer é encher uma criança/adolescente com informações "científicas" e mandá-las para a sociedade esperando que elas "mudem o Brasil". Balela. A informação por si não muda nada. Tá aí a internet para provar isso: nunca se disseminou tanta informação entre os seres humanos como nas duas últimas décadas, no entanto, não podemos dizer que já temos um mundo melhor por conta disso. Pelo contrário, temos adolescentes mais acomodados, a geração "Google", que não reflete mais sobre as coisas, busca as respostas em sites de busca e se acomoda com os resultados encontrados. O "Google" virou a fonte segura de informações. Além disso, descobrimos novas formas de degradação humana: crimes virtuais (acesso a informações bancárias e fraudes), pseudo-relacionamentos via computador (pessoas fingindo ser o que não são) e o acesso fácil a conteúdos inapropriados (pornografia, formas de cometer crimes, disseminação de conteúdos ideológicos reprováveis, etc.). É claro que a internet trouxe muitas vantagens e permitiu o aprimoramento de muitas coisas, mas, como fonte de informação e, consequentemente, como meio "educativo" não tem contribuído de forma ampla para a melhoria da sociedade; continuamos pessoas ruins, apenas desenvolvemos novas formas para praticar a maldade.

Deixando a quantidade de informação de lado, pensemos em outro conceito para educação: educação como reflexão. Seria o pensamento reflexivo a solução para os problemas da sociedade? Analisemos. Bem, se por educação se entende a reflexão crítica sobre as coisas, podemos até ter algum efeito científico, mas não necessariamente moral. Você pode me perguntar por quê estou associando a educação a um efeito moral e dissociando esse efeito do conhecimento científico. Bem, é simples: se com a educação esperamos que as pessoas sejam melhores, ou seja, se comportem melhor, não cometam crimes, façam bem ao próximo e trabalhem pelo bem-estar da sociedade, então, claramente, queremos um efeito moral, não um efeito intelectual. Como vimos no parágrafo anterior, possuir informação sobre as coisas não gera esse efeito também. Pessoas com uma boa reflexão crítica podem até ser boas pessoas, mas, também, podem apenas contribuir para o desenvolvimento tecnológico e econômico e continuar sendo pessoas mesquinhas e/ou moralmente desajustadas; não há garantia. Além disso, não há garantia de que o processo de ensino/aprendizagem irá, necessariamente, gerar pessoas reflexivas. Isso parte de uma decisão subjetiva de cada um: desenvolver um olhar crítico a favor da sociedade e do bem comum. A ideia "subdesenvolvida" de que para sermos um país desenvolvido só nos falta a "educação" dos países desenvolvidos é ilusória. De fato, os países desenvolvidos não tem melhores índices sociais por possuírem melhores escolas, mas por possuírem um sistema jurídico mais eficiente. A criminalidade é menor porque se sabe que as ações serão mesmo julgadas e as penas cumpridas. Não há, de fato, elevação moral, tanto que ainda vemos os crimes mais hediondos sendo cometidos nesses países e com tanta incidência como nos países periféricos.

Mas como, então, poderíamos fazer com que as pessoas inerentemente, fossem melhores? A resposta é muito antiga e simples: precisamos mudar o homem através do ensino de outra coisa. A Bíblia nos diz: 

E, como eles [os homens e mulheres, desde os tempos antigos] não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; Estando cheios de toda a iniqüidade, fornicação, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem. (Romanos 1:28-32).

Por causa de nosso desprezo por Deus fomos relegados a um comportamento inadequado, moralmente inaceitável. Por isso, a educação será diferencial sim, mas não da forma como tem sido divulgada, mas de outra forma:

Porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne, e com dissoluções, aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo. Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. (2 Pedro 2:18-20).

É claro, pelo texto, que através do conhecimento de Deus somos libertos da corrupção do mundo, ou seja, a maldade e degradação moral que tanto desprezamos. Esta é a única via de transformação 100% garantida para o homem. Não falo de religiosidade, nem de regras morais, falo de transformação pelo conhecimento (relacionamento) com Deus. Quando conhecemos a Deus não podemos mais simplesmente continuar do mesmo jeito: precisamos mudar radicalmente nossa vida, para o bem ou para o mal. Ou nos deixamos transformar pelo seu Amor ou nos degeneramos de vez e nos afastamos de sua Graça. A única educação  que realmente irá mudar a realidade é essa. O resto é conto de carochinha.

2 comentários:

  1. Muita gente (que provavelmente discordará desse texto) cita o exemplo da Coréia do Sul como modelo de mudança pela educação. De fato, desde a década de 60 a Coréia do Sul vem crescendo e se desenvolvendo economicamente, após a mudança no sistema educacional sul-coreano (http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/febre_educacional_coreia_sul.htm).

    No entanto, é importante também lembrar de outro fator que vem mexendo com a sociedade da Coréia do Sul: a mudança espiritual dos últimos 40 anos (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/54945-igreja-pentecostal-tem-crescimento-veloz-na-coreia-do-sul.shtml). Coincidentemente ou não, esse é um fator que deve ser ponderado quando se fala na mudança daquele país.

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