Fogo na Babilônia: os protestos e os protestantes!

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Ultimamente, temos visto uma série de protestos em todo o país. Nem sempre os atos são pacíficos, nem sempre são organizados e nem sempre dão em alguma coisa. No entanto, como cristãos, temos de saber qual deve ser nossa postura ante esses acontecimentos. Não acho que a Igreja deva se silenciar ou ignorar esses eventos, mesmo que tenhamos como bandeira revolucionária constante a transformação espiritual do ser humano.

Não podemos nos silenciar por dois motivos simples: 1) nós temos uma resposta aos anseios da sociedade: o fim da corrupção interior no ser humano, o fim de todo mal que fez com que a criação inteira ficasse aguardando com esperança que ela "há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus" (Romanos 8:21); e 2) a mudança interior reflete em uma mudança exterior, sabendo que, enquanto estamos no mundo, vivemos em sociedade e devido à transformação por que passamos ansiamos também por ver transformada a sociedade em que vivemos. Temos possibilidade de atuar em nossa sociedade para o bem dela, assim como Zaqueu, coletor de impostos, deixou de defraudar como resultado imediato do encontro com Jesus (Lucas 19:8).

É claro que nosso propósito final não é estabelecer um governo teocrático no mundo, liderado por pessoas cristãs, como alguns hoje pensam. Não. O Reino de Deus é o reinado de Deus na vida das pessoas, ou seja, a presença de Deus nas pessoas agindo nelas e as livrando da corrupção maligna, permitindo que elas possam viver de acordo com a vontade dEle. Assim, a atuação cristã no mundo não é a transformação em leis dos usos e costumes dos cristãos. Não vamos tomar os mandamentos bíblicos e torná-los leis. Essa não é a reivindicação dos cristãos. Isso já aconteceu lá para o povo judeu antes da vinda do Messias. Cristo já veio e já instituiu o modo de viver para o cristão (que é independente - e sempre será - de qualquer constituição, lei, medida, regime, ideologia, partido, sistema, ciência e o escambau), já instituiu o Reino de Deus na terra, reino que não tem fronteiras, cor, etnia ou denominação religiosa. Tem leis, mas estas estão escritas no coração de cada cidadão desse reino e não podem ser impostas por força ou violência, só podem ser tomadas voluntariamente como fruto da transformação interior de cada um pelo Espírito santo. Não podemos confundir as coisas. Podemos reivindicar muitas coisas, mas não podemos impor o evangelho por lei.

Devemos, sim, participar com consciência da mudança na sociedade em que vivemos, mostrando a mudança em nosso modo de viver e agir (ou seja, não participando da corrupção, do "jeitinho brasileiro", respeitando todas as leis de nossa sociedade - que não sejam contrárias aos nossos princípios cristãos, sendo referência moral para as pessoas à nossa volta, efetivando a justiça social independente de governos e autoridades - ou seja, "repartindo o pão", etc.). Tanto faz se você é contra ou a favor dos protestos, de como eles tem ocorrido ou de determinadas posições políticas. Nesse sentido, cabe a cada um a consciência a respeito de que posicionamento tomar. Devemos sim, participar, mesmo que seja através de outra perspectiva, mesmo que não vá às ruas, mesmo que não "saia do Face". Não podemos é fingir que nada está acontecendo, que já estamos no "outro plano" e nada temos a ver com o que acontece ou deixa de acontecer à nossa volta: seja o aumento na passagem ou o preço do tomate. Acredito que é importante se posicionar, mesmo que seja apenas para ser contra o que tem ocorrido.

No entanto, antes de tudo, temos é de por "fogo na Babilônia": símbolo máximo da corrupção humana, do auto-endeusamento, de toda maldade, malícia, frivolidade e injustiça. "Babilônia" que foi erigida em nossas almas e que precisa passar pelo fogo do Espírito e ser, de fato, desolada.

É certo que virão dias em que, mesmo os que lado a lado conosco hoje lutam por uma sociedade melhor, irão empunhar tochas, bombas de gás lacrimogênio, spray de pimenta e cartazes contra os cristãos. Isso é óbvio e esperado. Seremos o alvo da vez e seremos tachados como o "impedimento ao progresso" e os culpados pelo ser humano não ser, enfim, adorado como Deus, todo-poderoso como Deus, onisciente como Deus e auto-suficiente como Deus. Seremos o "mal" que impede a humanidade de divinizar-se e, por isso, os protestos serão contra nós. Até lá, porém, podemos sim atuar da melhor forma possível. Jerusalém foi destruída pelo Império Romano, mas nem por isso, Jesus deixou de multiplicar pães e peixes, curar cegos e paralíticos e de anunciar o arrependimento e vinda do Reino de Deus, esperança de regeneração para toda a humanidade. Enquanto protestamos, levamos a mensagem. Enquanto levamos a mensagem, protestamos. De qualquer forma, até o fim, devemos ser a diferença neste mundo.

4 comentários:

  1. Muito Bom Wesslen!! Acredito que esses protestos começaram com a igreja inconformada que começou a orar e assim Deus começou a agir, sabemos que o Brasil tem promessa de Deus para os últimos dias, começando com nação missionaria e até potencia mundial. E creio que a igreja tem que está totalmente incluída em qualquer coisa que tenha o propósito de mudar o mundo para melhor, por que como Jesus disse o reino de Deus não está aqui, ou ali, mas está em nós... E pra que serve o Sal se não salga... Independente de qual seja o seu poder de influencia na sociedade ore que o próprio Deus usa até uma mula para cumprir um propósito DEle! Paz!

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  2. Amém, Wesslen!Que possamos cada vez mais nos conscientizar de que devemos buscar as coisas pertencentes ao Reino de Deus e não as coisas deste mundo. Focando nisso, estaremos evidenciando vidas santas e comprometidas com o Senhor, que podem influenciar para o bem. Temos que vigiar e lutar com armas espirituais e com atitudes espirituais. Sem cair no comodismo nem no radicalismo, mas agindo com equilíbrio, sabedoria e direcionamento da parte de Deus! Que Deus nos ajude nessas batalhas individuais e coletivas!
    P.S.: Lembremos, como você bem disse Wesslen, que não é preciso grandes atos - sair às ruas, por exemplo - para cumprirmos a vontade de Deus e os seus princípios de vida cristã, mas são nas pequenas coisas do dia a dia que mostramos nossa diferença e nossa luz (a luz de Cristo). Não nos igualemos em pequenas mentirinhas e furtos, preguiça, indiferença ao próximo e "coisas semelhantes a essas" ao mundo, sejamos, no entanto, honestos, diligentes, e cheios de amor a Deus e ao próximo! Essas manifestações diárias serão o maior protesto contra o mal!

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    1. Minha Priscila,

      Sim, é mudando por dentro que mudamos por fora. Não adianta se algo por dentro e tentar bancar outra coisa por fora. Não adianta ir às ruas protestar e subornar o guarda amanhã pra não ser multado. Não adianta mudar o governo, se o povo não mudar. E só Cristo pode nos transformar de forma a sermos de fato novas criaturas, que se conscientizam de seu papel na sociedade e vivem o Amor de Deus plenamente. Realmente, o país não precisa parar para que as coisas mudem, basta que nós paremos de cometer os mesmos erros. E isso, tem de ser feito diariamente.

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  3. Grande Mauro (outrora Maurinho)!

    Acredito que existe um clamor sim da Igreja de Cristo por mudanças e melhorias na sociedade. E temos sim muito poder em nossas mãos para mudar as coisas: "basta" que vivamos o evangelho de forma integral. Não é fácil. Na verdade, é uma luta diária. É sair às ruas todos os dias e não coadunar com a corrupção, protestar contra a maldade e tocar fogo em todo egoísmo e orgulho, deixando que Deus seja o Senhor de nossas vidas. Se vivermos na Graça e no Amor de Cristo, então, seremos sim capazes de sermos melhores pessoas e, com melhores pessoas, fazer um país melhor.

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