A tragédia de Macbeth

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Estou finalizando a leitura da peça Macbeth, de William Shakespeare. É uma tragédia fantástica, que merece ser lida. Conheci a história primeiro por meio de um filme de 1971, dirigido por Roman Polanski (ótima adaptação) e, desde então, estive procurando uma oportunidade para ler o texto. Agora, já no fim da leitura, o que mais me chama atenção em Macbeth, é a ambição sem limites que gera a derrocada da personagem principal.

Imagine isso: um lorde com terras, bens, vitorioso em batalhas, com bons amigos e primo do rei. Bem, imagine, então, que além das terras de herança, este lorde receba também terras de outro lorde, considerado traidor e, por isso, destituído de suas terras. Imagine que, como bônus, você conta com a amizade do rei, que o tem em alta conta e todos os seus amigos também o estimam bastante. Poxa, massa, né? Não dá pra querer nada além disso, não é mesmo? Pois é, só que não! Representando a ambição sem limites do ser humano, Macbeth se corrompe por causa de uma "profecia" dita por três bruxas.

As bruxas haviam dito a Macbeth que ele se tornaria lorde de outras terras, que não as suas, e depois viria a ser rei. Após a comprovação de que se tornara lorde de outras terras, a obsessão pelo cumprimento da profecia que o faria rei o dominou e ele, então, "fez" com que a profecia se cumprisse matando o primo, seu rei. Por causa disso e pela desconfiança constante, ele passa a buscar a morte de qualquer um que possa representar um perigo ao seu reinado e se apoia em novas profecias das bruxas para se garantir no trono.

O fim de Macbeth é trágico e me fez pensar em o quanto o ser humano pode ser idiota. Por mais que tenhamos, sempre queremos mais e vamos nos enfiando na lama da ambição sem necessidade. Macbeth não precisava cometer crimes para se tornar bem sucedido: ela já tinha alcançado muitas coisas! Quantas vezes não conseguimos enxergar o quanto já somos "ricos" na Graça de Deus? Quantas vezes não reclamamos de barriga cheia? Quantas vezes não vemos que temos tudo o que precisamos e ainda mais? Mas o ser humano é sempre insatisfeito e deseja mais e mais e mais...

Não levamos em consideração os conselhos de Paulo a Timóteo:

Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. (1 Timóteo 6:7-10)

Algumas vezes, nos iludimos com desejos sem sentido, correndo atrás de coisas de que não precisamos. Queremos um PC melhor, um console de video-game melhor, um notebook melhor, um smartphone melhor, um tablet, um carro... ou então, queremos trocar nossas "coisas" em um sentido pior: uma namorada "melhor", pais "melhores" ou amigos "melhores". Parece a síndrome de Adão e Eva, que no paraíso, no meio de tudo de melhor, no meio das melhores possibilidades, quiseram a única coisa proibida. Se tivessem parado para observar tudo que já tinham e onde estavam, talvez não tivessem caído na besteira de jogar tudo para o alto, principalmente a intimidade com Deus, por causa de uma ideia vaga de futuro.

Meu desejo é que eu possa estar contente com o que tenho e se for para estar insatisfeito com algo que seja com meu relacionamento com Deus. Que minha ambição seja de buscá-lo cada vez mais e de estar mais próximo dEle. Que eu possa desejar de todo coração agradá-lo, pois a alegria dEle comigo será minha maior recompensa. Que eu possa deixar de lado a influência maligna que quer me levar para a estrada da perdição e caminhar com serenidade, sabendo que Deus é meu provedor, no Caminho da paz. 

Um comentário:

  1. Wesslen, que texto maravilhoso! Essa reflexão me lembra a que venho fazendo esses dias sobre ação. Sim, porque procuramos fazer o que não presta quando estamos parados, dando lugar ao comodismo e às imaginações frívolas. Se estivermos agindo, em movimento, na obra de Deus, só teremos tempo para buscar, como você disse,cada vez mais agradar a Deus e estreitar nosso relacionamento com Ele! Que possamos tomar o exemplo de Macbeth e a exortação de Paulo para fugirmos do mal (da tragédia de uma vida cheia de ambição desenfreada que só afasta de Deus)e corrermos para o bem e a esperança que só encontramos em Jesus Cristo! Amém!

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