Singularidade 2 - Um minúsculo ser

"e eu, quando for levantado, atrairei todos a mim" Jo. 12:32

AVISO. Antes de ler este post saiba: Aqui revelo opiniões que não ousam se impor como absolutas, mas creio que são boas percepções da Verdade revelada nas Sagradas Letras. Para compreender melhor este post recomendo a leitura de Singularidade-Prólogo e Singularidade 1- Anomalia.

A "anomalia", uma ideia fixa sobre a possibilidade de inversão da ordem natural predeterminada que sustenta toda a estrutura do multiverso, surgiu no âmago de um antigo querubin guardião (seres representados por figuras antropozoomórficas presentes nas culturas das mais distintas civilizações). Não se sabe por quanto tempo ela se manteve oculta no coração do antigo querubin, germinando na escuridão, mas por fim cresceu, assumiu novas formas, se adaptou e prosperou. Como um câncer, que surge quando uma célula perde sua inibição por contato e começa a crescer sobre as outras desenfreada e desordenadamente, se engrandeceu sobre as criaturas.

Como uma metástase, ela se espalhou e lançou suas sementes nas mais diversas formas de vida. Seu veneno suscitou dúvidas e temores, aliciou a vontade de muitos, seduzindo miríades a alimentar o sonho de uma nova forma de organizar a criação, contrariando o princípio predeterminado de ordem e beleza.

Os corações das criaturas puseram em dúvida as intenções de seu Criador. Apegaram-se a um raciocínio trabalhado e distorcido, um sofisma, que apresentava a possibilidade de um novo mundo, onde a criatura poderia ser seu próprio deus. A "anomalia" se estabeleceu e se enraizou de forma tão violenta que "quebrou" a estrutura formadora do pensamento de seu causador, de maneira que este tornou-se irreconciliável. A criação foi dividida entre os adeptos dessa nova ideia e aqueles que a rejeitaram de pronto.

Houve guerra nas dimensões superiores. Caso contrário, todo o multiverso poderia ser subvertido a um estado caótico e estéril. Os rebeldes foram derrotados e banidos. Mas o mal já havia sido criado e sua semente espalhada. Agora a criação conhecia o bem e o mal. Porém muitos ainda não conseguiam distinguir um do outro.

A criação que um dia foi integralmente sustentada pelo princípio régio de ordem e beleza, o Logos, agora estava, de certa forma, longe de seu criador. Inevitavelmente afastada do centro pela violação da ordem que mantinha todo o multiverso unido e coeso.

O Altíssimo, aquele que habita na luz inacessível, nunca permitiu que a criação saísse de seu controle, antes, preparou o meio para que todas as coisas voltassem para ele, e mais que isso, participassem de sua incorruptibilidade. Para isso criou um ser diferente de todos os anteriores.

No mundo que veio a ser sem forma e vazio, o Espírito Eterno pairou, gerando vida. Nesse mundo recriado, ele colocou um minúsculo ser, feito um pouco menor que os anjos, mas coroado de glória e de honra. Esse minúsculo ser não sabia da sua fundamental importância na trama da criação. Ele possuía, diferente de qualquer outro, o sopro do próprio Deus incorruptível. E se tornou o primeiro ser a possuir duas naturezas distintas, uma corruptível e um espírito eterno, o que era essencial para o plano de Deus de mergulhar o corruptível no incorruptível.

Continua...

4 comentários:

  1. Massa Coronel!

    Excelente texto!
    Vc pode escrever depois, em forma de livro, essa série singularidade!

    Abraço!

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  2. Grande Master Mazkir!

    Sim, a anomalia é algo que temos visto se alastrar ainda mais fortemente em nossos dias. A insubordinação do homem em relação a Deus tem sido crescente. Através da "ideologia" que compõe a pós-modernidade, a humanidade tem caminhado em direção ao caos e à destruição, pois quer dá vazão aos impulsos mais deturpados e considera superiores pensamentos e atitudes insensivelmente racionais. Extremos: ora a irracionalidade, ora a racionalidade desumanizadora.

    Por isso, Cristo veio: restaurar o equilíbrio. Tornar o corruptível incorruptível.

    Muito legal seu texto, brother. Ainda mais quando é escrito em forma de narrativa!

    Espero o próximo!

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