A motivação do verdadeiro cristianismo


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Muita gente, muita gente mesmo (inclusive "cristãos") compreendem de forma equivocada o cristianismo, ou, em termos que prefiro, o evangelho de Cristo Jesus. A maioria o associa com religiões (ou instituições religiosas) ou a regras e ritos. Conforme pretendo discutir, não foi bem isso que motivou Deus a tornar-se homem e vir à Terra. Mas algo muito diferente...

Ouvimos, na maioria das vezes, de pessoas não religiosas que o cristianismo (e a maioria das religiões) é uma forma de alienação em relação aos problemas (reais problemas!) da humanidade. Isso porque, segundo eles, o cristianismo espera que Deus resolva, por meio miraculoso, os problemas do mundo, quando, na verdade, nós é que devemos mudar as coisas. Ora, de fato, acredito nas duas afirmativas: "Deus resolverá os problemas do mundo" e "nós temos de agir para mudar a situação da humanidade". O que essas pessoas não levam em consideração é que só através da transformação do homem por Deus é possível que este seja um instrumento de mudança no mundo. Não conheço ideologia mais revolucionária e que envolva atitude prática do quê o "Ame a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". O problema, em relação a isso, não tem sido a "ideologia", mas a falta de prática desta "ideia" por muitos, infelizmente, muitos dos que se dizem cristãos.

O que posso dizer? Pessoas que se dizem cristãs não são necessariamente cristãs. "Pelo fruto conhecereis", disse o nosso Grão-Mestre. "Comprovaremos" o cristianismo de pessoas cristãs pela sua atitude na vida prática. E quando digo isto não me refiro a "não beber, não fumar e não transar" (as três leis cabalísticas mais citadas por religiosos do cristianismo). Não, me refiro à prática do amor caridoso, ou Ágape (especialmente, mas não unicamente, pois também temos os amores Filio, Sorge e Eros), ou seja, aqueles que demonstram por suas ações "a marca maior do cristão": o amor. E, como já disse muitas vezes, o amor não é um sentimento ou uma sensação, mas é essencialmente ação. O amor é uma forma de agir, uma atitude, um motor de ação, uma ideia posta em prática.

Assim, apegar-se às "regras do cristianismo" não torna ninguém cristão. A lei que rege o cristão é a lei do amor. Isso basta e engloba todo o resto; e quem diz não sou eu, mas o próprio mestre: "Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes." (Marcos 12. 30 e 31). Se isso não bastar, o Apóstolo Paulo reforça: "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor." (Romanos 13. 8-10).

O cristianismo não se resume a "regrinhas" de bem viver. O evangelho é "o poder de Deus", não é composto de palavras, discursos ou ideias. Assim, se alguém cumpre a lei do amor este pode ser considerado cristão. Qualquer um? Mesmo quem não é parte de uma instituição religiosa? Ouso dizer que sim e baseado no discípulo conhecido pelo amor: "Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus." (I João 4. 7). Acredito na comunhão dos santos, que é o verdadeiro "Corpo de Cristo", "a Igreja", e não o nome no rol de membros de uma instituição religiosa. Isso precisa ficar bem claro para todo aquele que segue ao mestre. Sou membro de uma Igreja Batista porque acredito que os valores e a interpretação bíblica refletidos na instituição batista são condizentes com o evangelho. No dia que isto não corresponder, não serei mais batista, pois "mais importa obedecer a Deus que aos homens".

Além disso, sabemos que somos pecadores. Qualquer cristão pode vir a pecar, pois não estamos livres da "natureza caída" que habita nossa carne. O que conseguimos é nos revestir a cada dia do Espírito Santo e assim nos fotalecermos contra as tentações e o pecado. Ainda assim, contamos com a Graça do perdão de Deus que nos restaura imediatamente, através do arrependimento, sem necessidade de ritos de purificação ou sacrifícios de penalização. Esse amor divino, que nos perdoa os pecados, não importa a quantidade ou frequência deles, é o amor que Ele espera que demonstremos. Não, Deus não exige visitas regulares a uma igreja (devemos ir por gostar e querer, para ter comunhão com irmãos e irmãs que estão no mesmo Caminho, mas não pra Deus não ficar com raiva), nem exige rituais ou o cumprimento de regras (exceto, a lei do amor; esta sim é obrigatória!).

Deus não se tornou homem e veio ao mundo para fundar uma nova religião. Não, já havia o bastante, obrigado! (até mesmo o judaísmo, também supostamente fundado por Deus). Não, desde o começo (sim, desde o velho testamento) a questão era mostrar a importância de que o homem se voltasse para Deus para que Deus pudesse "consertar" o homem e, assim, mudar o que havia de errado no mundo. O "defeito" do homem sempre foi a falta do amor. Este só pode nos habitar quando nos é revelada a Graça perdoadora de Deus, que faz com que nos arrenpendamos dos nossos pecados e passemos a agir de forma diferente: em amor.

(Quer mais? Leia o livro Cristianismo puro e simples, de C. S. Lewis)

9 comentários:

  1. Grande Wesslen!

    Chega a ser repetitivo, mas eu tenho que dizer, muito bom o texto! Gostei muito! :D

    De fato, "quem ama cumpriu a Lei". "Deus é amor". "Restam a fé, a esperança e o amor, o maior destes, porém, é o amor". E por aí vai.
    O amor é a essência da prática cristã, e a fé é seu fundamento. "sem fé é impossível agradar a Deus". O amor é a credencial do cristão, na vida diária, e a fé é o pré-requisito da salvação (sois salvos pela graça, por meio da fé). Muito legal!

    Com relação a congregar, de fato, não é por medo de algum castigo, mas por amor a Deus, que se agrada da comunhão dos irmãos, já que Ele declara que a unidade e a comunhão da assembléia (igreja) é da vontade dEle e amor aos irmãos,com quem vc quer estar junto, aprender, ensinar, ajudar, etc.
    Congregar também é uma prova de fé. Envolve lealdade, fidelidade, obediência, submissão e aliança (com Deus e com seu povo).

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  2. Olha! Hoje eu tow chorão... muito sensibilizado... para não ser piegas, vou apenas dizer: com esse discurso (e essa ação) o Reino pode engolir a Igreja. Deus seja louvado!

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  3. Acho que o Giovanni quis dizer a "igreja" como instituição e não a Igreja, Corpo de Cristo (essa sim o "parlamento do Reino").

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  4. Assim espero, e mesmo assim, um discurso que pode ser mal interpretado.

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  5. Acho que igreja, em qualquer instância é uma instituição.
    Não vejo nenhuma distinção entre corpo de Cristo e instituição. A menos que você use Instituição com o sentido de denominação.

    Abraço!

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  6. Mais uma vez um post maravilhoso, no entanto aqui o tema se torna ainda mais complexo e merecedor de cuidados, de forma que eu mesmo ouso fazer algumas sutis observações complementares. =)

    O aspecto da importância do amor é completa e absolutamente verdadeiro, mas... é uma parte. Não estou negando o que foi apresentado no tópico afirmando isto, apenas destacando que no perfeito equilíbrio entre ações e pensamentos, que deve ser a nossa meta de verdadeira perfeição, o amor é parte primordial e fundamental, mas que exige muita cautela na explicação de que amor é este a tantos que foram/são amados por Cristo e ainda assim negam e ofendem este amor maior.

    Minha fala apenas vem para chamar atenção de que o amor é algo verdadeiramente banalizado. Até mesmo dentro da igreja. Ao falarmos de amor, precisamos explicar o que é o amor. Como alguém que não sabe o que é amor (ou possui uma visão equivocada sobre seu sentido) pode compreender as verdades e valores do amor que deve ser dedicado a Deus?

    Concordo com as queixas ao sentido que a religião acabou por tomar, mas nós como conhecedores da verdade precisamos destacar que os atos religiosos (frequencia ao culto, cumprimento de regras...) são praticados não para obter graça pela ação, mas como demonstração real de conversão. O fato de alguns banalizarem estas mesmas ações com sensacionalismo e falsidade não pode fazer com que o certo seja considerado errado (é este também um dos mecanismos astutos do inimigo de nossas almas para afastar o povo de Deus).

    O cuidado deve ser tomado para que não se admita como verdade o argumento de que os religiosos são por si só falsos moralistas. Não existiria mentira mais cruel. Ainda que seja fato também que eles existam dentro das instituições religiosas.

    Então como cristãos precisamos pregar um amor que é diferenciado e que é capaz de transformar (ou demosntrar tansformação) dentro do homem. E como já foi discutido em outro tópico do nosso blog, a melhor forma de pregar este amor é... amando (discurso em prática). Mesmo que frequentemente o mundo não saiba sequer reconhecer este amor.

    Quanto a fala do Giovanni... achei muito clara! Principalmente pela condição que colocou e por apenas poder ser interpretada com a leitura do post. =)

    Abraços a todos!

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  7. Grande TJ!

    Sim, considero o termo "instituição" no sentido hodierno de "organização" ou "corporação". Pra mim, embora instiuída por Cristo (o que a faria uma instituição em outro sentido), a Igreja é maior e está além das "corporações religiosas" ou "denominações". A Igreja não cabe em quatro paredes.

    Tampouco cabe no Cosmo, pois, como vemos em Hebreus 11 e 12, os que "já se foram" também fazem parte dela, a constituem e eles são aperfeiçoados por nós. Pois a Igreja é composta pelos que crêem, mesmo que eles não sejam adotados por "instituições". E estar em uma "corporação religiosa" não torna ninguém parte do Corpo de Cristo, que é a Igreja.

    Por isso, digo que a Igreja não é uma "instituição" (talvez o melhor termo seja "instituição humana", como as denominações são), mas é o Corpo de Cristo (uma instituição divina, não controlada por nós humanos).

    Espero ter esclarecido!

    Abraço!

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  8. É verdade Master!

    O amor tem tido diversos sentidos distorcidos em nossos dias. De fato, dizer apenas "O mais importante é o amor!" pode até ser entendido como "Faça o que quiser!" ou "Transe e use drogas!".

    Absolutamente não é isso. O Amor de que trato no post é o Amor Ágape, o amor-doação, o amor de 1 Coríntios 13.

    No entanto, não acho também que tenha de ficar o tempo todo me explicando com medo de ser mal-entendido. Devo e posso esclarecer dúvidas quanto ao que disse e escrevo, mas acho que não devemos ficar com medo das más interpretações. Não é de hoje que homens e mulheres perversos distorcem o bem em mal e o correto em incorreto. "Quem for sujo se suje mais e quem for limpo se limpe mais". Posso tentar ser o mais claro e objetivo possível, mas não posso controlar o mau que o outro vê em minhas ideias e pensamentos.

    Acho que quanto a isso, não há muito o que fazer.

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  9. Sim sim, nobre Wesmaster! Muito bem colocado!
    Minha fala não foi bem nesta linha, mas concordo que é absolutamente inviável ter que explicar a cada momento o que é o amor.
    Percebi com tua resposta que não posso incorrer no erro também de deixar de falar sobre o amor por este valor ter sido desvirtuado por ação do inimigo. Temos é que pregar o valor verdadeiro! Mas que seja uma pregação por meio da ação. Parabéns, amigo.

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