Seis bilhões de sós no mundo

"Quando eu era pequeno
Gostava de pisar folhas secas
E ninguém me entendia.
Eu explicava,
Ninguém entendia.

Eu ficava meio triste,
Meio chateado,
Mas continuava pisando as folhas.
Mesmo sem saber se elas sofriam
(folhas secas estão mortas ou vivas?
E, se estão mortas, merecem ser pisadas?)

Entendi cedo demais
Que ninguém me entendia
Os cheiros e as imagens que eu sentia

Estou só no mundo
Com meus cheiros, minhas imagens e meus dias..."

2 comentários:

  1. Grande Gigio!!

    É sempre tão bom ler seus poemas! Coisa boa, sensação legal... Uma identificação com esse seu "Eu-lírico"! hahahahahaha!

    Também sempre tive essa sensação de solitude... (e acho que não sou o único; o título é muito bem empregado). Acredito que todo ser humano se sente, ao menos, incompreendido integralmente. E perguntam: e isso lá poderia ser possível? E respondo: Yes, He can! O Senhor pode, só Ele mesmo.

    Daí nossa necessidade de nos chegarmos a Ele. Daí a incompletude só se completar nEle. Daí a dúvida encontrar nEle a resposta.

    "Se eu encontrar em mim desejos que nada neste mundo pode satisfazer, eu só posso concluir que eu não fui feito para este lugar." (C. S. Lewis).

    Daí que cada um é único e singular, ao mesmo tempo que, sem os outros, é ainda mais incompleto.

    Daí que Deus não achou bom que o homem estivesse só, mesmo sem que um compreendesse integralmente o outro. Daí que a Igreja é um Corpo com muitos membros: diferentes, esquisitos, mas que se complementam nAquele que completa tudo e entende tudo...

    inclusive "meus cheiros, minhas imagens e meus dias..."

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  2. Legal o poema, realmente um tema inquietante. Muito bom.

    Wesslen, fantástico seu comentário, gostei muito!
    Já era esperado de um Master! hehehehe

    Abração!
    Graça e Paz!

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