As Três Leis


Sempre, pelo menos desde que me dei conta de minha própria existência, tive interesse por robôs. Os desenhava durante as aulas, imaginando como poderiam ser. Cada novidade relacionada me despertava o interesse. Quando descobri as três leis da robótica criadas pelo ficionista e visionário Isaac Asimov e apresentadas em seu livro Eu, Robô, fiquei bastante reflexivo. Para mim fez sentido que os homens, como criadores, devessem estabelecer leis para suas criaturas. São elas:

1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.

3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.

Não gastarei tempo comentando os debates que se fazem em torno das questões da validade dessas leis no mundo real ou da ética robótica. Tenho outros pensamentos que gostaria de compartilhar.
Nosso Criador também estabeleceu leis para nós, suas criaturas. Não como as leis de Asimov que revelavam como motivação o medo da humanidade criadora de ser atacada pela sua criatura máquina, mas leis que visavam principalmente o bem-estar do próprio ser humano.
Muitas e muitas leis são descritas nas Sagradas Letras, mas também não quero me focar nas leis do Antigo Pacto, mas nas que nos são apresentadas no Novo Pacto. Que, curiosamente, também são três.
Jesus Cristo, O Um, quando questionado por um de seus opositores nos revelou as duas primeiras leis, as quais já existiam na Antiga Lei e nos escritos dos profetas:

(...)Um deles, perito na lei, o pôs à prova com esta pergunta:

"Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? "

Respondeu Jesus: " ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’.

Este é o primeiro e maior mandamento.

E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’.

Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas"(...) Mt 22:35-40 NVI

Como já mostrei essas leis permaneceram do Antigo para o Novo Pacto. Mas em um íntimo diálogo com seus discípulos ele nos apresenta uma nova lei:

(...)Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros(...) Jo 13:34 NVI

Sem querer ser repetitivo, mas já sendo, ficam então estabelecidas nossas (para nós, os discípulos) três leis:

1ª lei: Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.

2ª lei: Ame o seu próximo como a si mesmo.

3ª lei: Como Jesus vos amou, vocês devem amar-se uns aos outros (referindo-se ao círculo íntimo dos discípulos).

Lendo o texto se percebe que guardando-se as duas primeiras regras, cumpre-se toda a lei do Antigo Pacto. Mas isso não é o suficiente. Ao discípulo é apresentado um novo e fantástico mandamento. Diferente da segunda lei, cujo alvo do amor é qualquer ser humano e cujo referencial é si próprio, a terceira lei trás consigo um novo alvo e um novo referencial. O alvo do amor torna mais fácil o gesto, por tratar-se de pessoas que compartilham muitas características em comum, mas o referencial é que torna a lei não tão fácil de ser cumprida, apesar de possível.

(...)Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores(...) Rm 5:8 NVI

É nesse ponto que chegamos ao Agape , aquele amor sacrificial, que só pode ser alcançado quando o a fraternidade chega a sua plenitude. E acabamos voltando para o tema da postagem Fraternidade, o último degrau para o amor.

Deus, como nosso Criador, tem todo o direito de estabelecer leis para nós. E apesar de alguns dizerem que "leis foram feitas para serem quebradas", eu penso como o Salmista:

(...)A lei do Senhor é perfeita, e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança, e tornam sábios os inexperientes(...) Sl 19:07 NVI

Um comentário:

  1. Poxa, brother, perfeito. A não aceitação de que Deus é soberano sobre os homens, e por isso tem o poder de determinar o que quiser sobre nós, tem contaminado as pessoas de forma perversa.

    Muitos chegam até a achar que não existe livre arbítrio por conta das determinações de Deus (talvez, se ninguém fizer antes, eu venha a escrever sobre o livre arbítrio).

    Mas, que é o homem afinal? Será que ele é senhor de algo? Não decide o dia que nasce, tampouco o dia em que vai morrer, não decide o rumo de sua vida, o crescimento de seu corpo, suas proporções, os acontecimentos, os fenômenos naturais, as reações pessoais, as frustrações ou as alegrias, nada disso ele decide... como então querer decidir o que ele pode ou não fazer em sua vida?

    Como não reconhecer a soberania de Deus ante este espetáculo de nossa total falta de controle no meio desse grãozinho no universo?

    Aos sábios: "Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem." (Ec. 12.13 ARA)

    ResponderExcluir