A Convicção Cristã em tempos de Cultura da Dúvida (2)




Na parte 1 deste post, inserida a cerca de três semanas atrás, terminei afirmando que o mais importante ao ter dúvidas é buscar respostas, pois questionar por questionar não leva alguém a lugar algum. Pelo contrário, a descrença em tudo faz com que se gire ininterruptamente no espaço sideral sem qualquer possibilidade de ir a algum lugar.

Pois bem, como disse também, o cristão é diferente, pois possui certezas. Isso não quer dizer que ele não tem dúvidas, mas ele busca respostas através de diretrizes que o ajudam. Mas, então, que certezas seriam essas? É disso que trataremos neste tópico.

Em primeiro lugar, o cristão tem certeza de que sua existência não é fruto do acaso, mas de um propósito. Isso é importante porque se acreditássemos que nossa existência é fruto do acaso ou do não caso, nossa conduta de vida deveria seguir um curso aleatório, em coerência com nossa origem e "motor" de vida. Você pode perguntar: "Acreditar nisso realmente faz diferença para um cristão?" E a resposta é: "Sim! E muita!". Se acreditamos que nossa vida é fruto de um acaso, logo nosso modo de viver (ou seja, conduzir a vida) pode ser manejada da forma que quisermos. Mas se sabemos que somos frutos do propósito do Criador, bem, iremos ao menos tentar entender como Ele, que nos deu vida, espera que vivamos. Assim, o cristão sabe que sua existência não é fruto do acaso, mas do propósito de Deus e por isso busca corresponder a este propósito. (Sobre esse assunto, aconselho o livro "Uma vida com propósitos", de Rick Warren, que aborda com bom fundamento bíblico estas questões).

Em segundo lugar, o cristão tem certeza de que Cristo é o exemplo vivo, a forma e o meio de vivermos a vida da forma que o Criador espera de nós. Como um bom Criador, que Deus é, não deixou sua "invenção" sem assistência técnica: Ele enviou Jesus para que soubéssemos como a criatura deveria viver de forma que agradasse ao seu Criador. O modo de viver de Jesus nos mostra como devemos viver e usufruir a vida que Deus nos deu. Além disso, Cristo é a forma de agradarmos a Deus porque sem o sacrifício dEle não teríamos como pagar pela "manutenção do invento". Por causa do mau uso, a invenção foi prejudicada e o pior: não tínhamos como pagar pelo conserto, pois tudo era importado de outra dimensão (a espiritual). Mas Cristo, por seu sacrifício na cruz, pagou pelo conserto de quem deseja funcionar no modo adequado (de acordo com o fabricante). Assim, o cristão sabe que o modo em que ele deve operar é o modo de Deus, seu Criador, e não o modo que achar mais conveniente. (Sobre esse assunto, aconselho a leitura aqui no blog do post "As três leis", do frater Mazkir, básico para qualquer um que queira entender as diretrizes básicas para o funcionamento em "modo de segurança").

Em terceiro lugar, o cristão tem certeza de que ele pode encontrar as respostas para suas dúvidas nas diretrizes que Deus deixou em sua palavra: a Bíblia. Como Cristo veio em uma época historicamente determinada e no contexto específico do Oriente Médio, como podemos ter certeza de que as instruções por ele deixadas não estão desatualizadas? Ora, as instruções não estão desatualizadas porque se constituem em diretrizes, isto é, o modo de viver. Em literatura isto seria chamado de mimésis. A mimésis, palavra grega, consiste em "imitação" ou "representação" e é a palavra usada por Paulo quando diz "sede meus imitadores como eu sou de Cristo". A mimésis não consiste em uma forma específica de se escrever literatura (não é escrever sonetos, tragédias, romances, ou nenhum desses gêneros), mas a um princípio, uma diretriz. A mimésis está presente em qualquer gênero literário, mesmo o que ainda não existe, mas virá a existir. Do mesmo modo, Cristo nos deixou diretrizes sobre o modo de viver. Além de seu exemplo de vida, ele confirmou as palavras das Sagradas Escrituras, pois cumpriu em sua vida o que estava determinado pela Lei judaica. Nesse sentido, a Bíblia contém princípios de ação para o cristão. Isso quer dizer que o cristão se utiliza dos exemplos bíblicos para retirar diretrizes de conduta para sua vida. Isso não significa praticar antigos rituais judaicos ou seguir ao pé da letra o que foi escrito. A palavra foi "divinamente inspirada", e esta inspiração implica em reconhecer princípios e diretrizes e não leis inexoráveis - excluídas, é claro, as ordenanças que Cristo nos deixou. (Sobre esse assunto de diretrizes, recomendo a leitura de "Cristianismo Puro e Simples", de C. S. Lewis, uma verdadeira aula da exploração dos princípios que regem o cristianismo).

Em quarto lugar, o cristão tem certeza de que se tudo o mais falhar ele pode contar com Assistência Técnica Direta 24h por dia. Muitos podem se perguntar: "Mas e se ainda assim eu tiver dúvidas?" A resposta é: "Sem problemas, Deus pensou nisso, por isso Ele nos deixou a orientação do Espírito Santo". É através do discernimento do Espírito Santo que podemos encontrar meios de responder a qualquer outra dúvida que não seja sanada pelos meios anteriores (isso não quer dizer que esta sequência de certezas seguem uma linha hierárquica). Mas como eu posso ter certeza de que é o Espírito Santo que está me orientando e não minha cabeça? Simples! Primeiro, Ele nunca irá contrariar outras diretrizes já bem definidas. Segundo, Ele irá te pacificar quanto a forma de agir ou de buscar respostas. E por fim, Ele poderá confirmar isto através de outras pessoas ou situações. O cristão sabe que Deus quer que ele aja da forma certa e, se for buscado de coração, Ele dará os meios de encontrar as respostas. Deus nunca nos deixará confundidos.

Assim, em meio a dilemas e ansiedades existenciais, o cristão tem diretrizes de como viver. "Poxa! Mas eu esperava que você me dissesse com quem eu vou casar, qual será a melhor profissão pra mim, ou se devo ou não mudar de igreja!". Essas perguntas, como a maioria de nossas perguntas a Deus, não vão receber respostas diretas, mas receberão diretrizes. Você quer saber com quem casar? Pois bem, leia na Bíblia os trechos sobre relacionamento e tire as diretrizes para saber escolher um bom par e desenvolver um bom relacionamento. Você quer saber que profissão seguir? Primeiro, veja quais são suas habilidades, do que gosta de fazer ou ao menos perceba que oportunidades lhe aparece e coloque seu empenho nisso, sempre seguindo as diretrizes do "bom servo". Você quer saber em que tipo de igreja deve congregar? Observe as características da igreja de Cristo no novo testamento e se as igrejas que lhe interessam ou em que você participa seguem as diretrizes. Além disso, você pode simplesmente apelar para o gosto pessoal (a igreja de seus amigos ou parentes), desde que a congregação escolhida não fira aos princípios expostos por Cristo.

"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo: Eu venci o mundo", disse Nosso Senhor. Com isso, Ele nos afirmou que em nada a vida do cristão será diferente do das outras pessoas, exceto por alguns detalhes: a certeza de que pela vitória dEle, seremos vitoriosos; pelo exemplo dEle, temos rumo e propósito; pelo sacrifício dEle, temos garantida a possibilidade de correção de nossas ações, mesmo que tenhamos incorrido nas respostas erradas.

4 comentários:

  1. Legal brother!

    Tão bom quanto o primeiro. Gostei muito!!!
    Eil, Wesslen, vamos fazer uns posts. em inglês, pra a gente ter fama internacional! hehehehehe

    Abraços!!!!!!!!!

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  2. Não há o que comentar. Apenas parabenizá-lo, nobre Wesmaster. Excelente post (como sempre).

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  3. Master Wesslen!!! Embora tenha sido eu a lançar o ultimo post, saiba que não havia lido este seu post até agora. Fantástico!!! Percebo que realmente Deus esta querendo que seus filhos parem de andar em círculos, seja por perguntar por perguntar, ou por viver em inconstantes dúvidas e incertezas, e voltem-se para um relacionamento íntimo, tendo base em suas verdades e princípios inabaláveis. Fantástico!!!

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